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terça-feira, 31 de maio de 2016

Boletim Bibliográfico n.º 72 | Férias


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Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado.”
Wiliam Shakespeare, Noites de verão



quarta-feira, 25 de maio de 2016

Ambiente



Boletim Bibliográfico Leituras em Rede, n.º 12B


Apesar dos esforços dos líderes mundiais para reduzir as emissões poluentes que contribuem para as alterações climáticas, nomeadamente o aumento da temperatura global do planeta, as notícias continuam a ser pouco positivas. Índices de poluição alarmantes em várias cidades chinesas, aumento das zonas desertificadas, contínua perda da massa de gelo nas zonas árticas…

Na matriz da civilização ocidental está a crença de que a natureza está ao serviço do Homem, que é um instrumento, um meio de satisfação das suas necessidades.

Surgida na década de 60 do século XX, com o aumento exponencial dos problemas ambientais, a ética ambiental assenta numa nova visão da natureza, a saber, que esta possui um valor intrínseco, independentemente da utilidade que possa ter. 

Considerado como “a medida de todas as coisas”, um ser separado da natureza, o Homem passa a ser encarado como parte da natureza. Ser responsável por si, pelos outros seres naturais e por todas as gerações futuras.

O conhecimento é essencial para a sustentação e desenvolvimento desta consciência ética e ambiental. Conhecimento científico, histórico e filosófico.

Nos livros, nos filmes e nos documentários, que fazem parte do fundo documental das bibliotecas escolares, e nas páginas web por nós sugeridas, são muitos os recursos possíveis para a constituição desse conhecimento.
Boas leituras!



terça-feira, 24 de maio de 2016

Saul Bellow



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Escritor  norte-americano de etnia judaica, Saul Bellow nasceu a 10 de junho de 1915 em Lachine, Montreal, no Canadá. Filho de judeus russos que haviam imigrado dois anos antes do seu nascimento, viveu num bairro desfavorecido de Montreal até 1924, altura em que a família decidiu mudar-se para Chicago.

A sua mãe faleceu em 1932 mas, apesar do desgosto profundo que sofreu, Saul Bellow conseguiu ser admitido no curso de Literatura Inglesa da Universidade de Chicago. Acabou por obter um diploma em Antropologia e Sociologia na “Northwestern University” em 1937. Matriculou-se num curso de pós-graduação mas abandonou, casando-se e decidindo tornar-se escritor a tempo inteiro. Começou a lecionar na Escola Normal Pestalozzi- Froebel de Chicago, em 1938, como forma de sustentar a sua nova família. Em 1942 iniciou uma colaboração com o departamento editorial da Enciclopédia Britânica.

No ano de 1944 foi destacado para a Marinha Mercante, no âmbito da entrada dos Estados Unidos da América na Segunda Guerra Mundial. A vida a bordo proporcionou-lhe o tempo e a disposição para retoma a escrita e, assim, publicou nesse mesmo ano o seu primeiro romance “The Dangling Man”. A obra, em parte autobiográfica, conta a história de um jovem que atravessa uma crise ao saber que vai ser recrutado.

Em 1947 publicou a segunda obra “A Vítima” (“The Victim”), disponível na Biblioteca Escolar Clara Póvoa.

 
 

Em 1948 recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim e partiu para a Europa, passando cerca de dois anos em Paris.  Aí escreveu  “The Adventures of Augie March” (1953), que lhe valeu o “National Book Award” no ano seguinte.

O seu sucesso como escritor continuou com as obras “Aproveita o Dia” (“Seize the Day”), em 1956, também disponível na Boblioteca Escolar Clara Póvoa e “Herzog”, em 1964, que lhe valeu o Prémio Literário Internacional, tornando-se o primeiro americano a receber este prémio.



No ano 1976 recebeu o Prémio Pulitzer na categoria de ficção pela publicação de “Humboldt’s Gift”, em 1975. 

Em 1976, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura.

Para conhecer o autor um pouco mais.





Faleceu a 5 de abril de 2005, na sua residência em Massachussetts, aos 89 anos.

Luísa Torres

segunda-feira, 9 de maio de 2016

“O Amante Japonês” de Isabel Allende



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Isabel Allende, escritora chilena conhecida por diversos livros de sucesso mundial, presenteou, em 2015, o seu público com “O Amante Japonês”, uma história fascinante que joga com a geografia e a História, transportando-nos para épocas e lugares diferentes, ainda que longe da magia da “Casa dos Espíritos”, ou de “Eva Luna”. De qualquer forma, a autora mantém-se uma contadora exímia que se aventura no domínio dos amores interditos.



Após a morte do marido, Alma, uma judia polaca octogenária, vai instalar-se numa residência para idosos, perto de San Francisco, onde vai simpatizar com uma jovem enfermeira Moldava, Irina, que também tinha um passado particularmente doloroso. Apesar de diferentes origens e da diferença etária, as duas mulheres vão descobrir fortes afinidades. A proximidade entre as duas permite que o jovem Seth, neto de Alma, se aproxime de Irina, e vão procurar descobrir a identidade do remetente das cartas que Alma recebe semanalmente. Assim se cria a oportunidade de ouvir a narração de uma história de amor incomum entre Alma e Ichimei, um refugiado judeu e jardineiro japonês, que fora seu companheiro de infância. São múltiplas as personagens protagonistas de diversas intrigas que se cruzam e nos prendem até às últimas páginas.



É Uma história de amor que vai além dos preconceitos religiosos, sociais e raciais, uma evocação comovente de factos históricos na América, dos quais raramente ouvimos falar, como a deportação de nipo-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. A evocação da comunidade judaica americana através do testemunho de Alma está muito bem feito também. Enfim, um amor condenado e frustrado, mas resistente.



Mais do que uma história romântica e comovente - Aliás, são duas as histórias de amor, pois Irina e Seth também vão viver a sua - é um livro de cujo enredo brotam temas polémicos e atuais: a velhice, a eutanásia, a memória, a homossexualidade, a intolerância e o racismo, a pedofilia, sem que se perca a unidade e a clareza.



                                                                                                                       
 Leonilde Rodrigues