quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

As memórias da História

A História tem destas coisas! Insiste e persiste em lembrar-nos, em trazer-nos à memória datas, acontecimentos, pessoas... E, mais uma vez, trouxe à lembrança o dia 27 de janeiro, com as indeléveis cicatrizes nele deixadas. 
Não, não é data de comemoração. Mas impõe-se lembrá-la, para que não volte a repetir-se a História, para que aprendamos o verdadeiro valor da Vida, do Ser e da Diferença. Sim, porque é na diferença de Ser que nos definimos como iguais, é na diferença de raça que nos conhecemos, é na diferença de povo que nos enriquecemos culturalmente. Porque a diferença está apenas no fato: com um pijama às riscas, qualquer um de nós seria mais um igual a todos os que serviram para justificar a loucura de Auschwitz, Treblinka...
Ainda bem que a História tem destas coisas...



A BE e a ESC lembraram a data assim





quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Recordando Ary




Como já vai sendo tradição, a BE recorda, em janeiro, um autor português.

Este ano, relembramos Ary dos Santos.

Assim:

Menina de olhar sereno
raiando pela manhã
de seio duro e pequeno
num coletinho de lã.
Menina cheirando a feno
casado com hortelã.

Menina que no caminho
vais pisando formosura
levas nos olhos um ninho
todo em penas de ternura.
Menina de andar de linho
com um ribeiro à cintura.

Menina de saia aos folhos
quem te vê fica lavado
água da sede dos olhos
pão que não foi amassado.

Menina de riso aos molhos
minha seiva de pinheiro
menina de saia aos folhos
alfazema sem canteiro.

Menina de corpo inteiro
com tranças de madrugada
que se levanta primeiro
do que a terra alvoroçada.

Menina de fato novo
ave-maria da terra
rosa brava rosa povo
brisa do alto da serra.

E assim:

A relíquia que eu trago no meu peito
herdada de uma tia Patrocínio
é o país-paris onde me deito
sem culpa mas também sem raciocínio.

O conselheiro Acácio bem me disse
nos tempos em que eu era pequenina:
- «O Padre amaro é mau. Mas que chatice!
Não pode um padre amar uma menina?...»

E o meu primo Basílio brasileiro
que foi o pai das minhas sensações!...
e o Mandarim morrendo a tempo inteiro
num país de rabichos e aldrabões?...

Carlos da Maia meu primeiro amor
primeiro livro meu primeiro beijo.
Os Maias da cidade não dão flor
e as Maias é no campo que eu as vejo.

Ramires d'uma casa ilustre e vasta
pindéricos raminhos da nobreza
a terra portuguesa ainda não basta
para as courelas todas da avareza!

E o conde de Abranhos parlamento?
e a Vera Gouvarinho a baronesa?
Mudam-se os tempos mas não muda o vento
é sempre rococó à portuguesa!

Há cem anos que eu canto esta canção
sem cabeça porém com coração.
Porque o País do Eça de Queiroz
ainda é... o País de todos nós!...




IN MEMORIAM CLARA






In memoriam… da luz do teu sorriso

In memoriam… da tua contagiante boa disposição, alegria

In memoriam… do teu (sempre) apressado “temos isto para fazer”

In memoriam… da tua paixão pelo trabalho, pela BE, pela escola

In memoriam… da tua completa dedicação mesmo no tempo mais escuro

In memoriam… da tua coragem e apego à Vida e ao Homem

In memoriam… do teu rigor, da tua penetrante atenção ao pormenor

In memoriam… de seres a nossa (exclusiva!) generala

In memoriam… do teu inebriante gosto pela dança, pela pintura, pela poesia… pelas Artes

In memoriam… do teu sempre requerido convívio, dos bolinhos, das castanhas, da jeropiga…

In memoriam… (até) dos teus apontamentos caóticos, semeados de setas, entrelinhas, asteriscos e estrelas a indicar o caminho

In memoriam… da tua capacidade de transformar a escola, magicamente fazendo da BE a luz dos teus olhos

In memoriam… para sempre no nosso pensamento, no nosso sentimento

In memoriam… Clara!


Equipa da BE

Dádiva...









… e a Escola amanheceu de olhar triste e rosto silencioso

à força se foi refreando a dor em cada hora de sala de aula

e se foi continuando



depois entre cânticos de glória e hinos de louvor à vida

a Natureza derramou nos corações apertados

lágrimas de incompreensão e revolta



de todos e de cada um de nós levas um pouco

em todos e em cada um de nós deixas muito

de alegria, sorriso, dedicação, coragem


Saudade

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Como queres o teu Natal...


Não sei, meu amor, do bem que te diga
Agora a noite é quente e bela
Tens do teu fruto feito a estrela
Antiga, radiosa, amiga, brilhante,
Lembrada, para sempre… em cada instante…

Nesta noite fria e branca
O calor que nos conforta
É a amizade que temos
Logo ao sair da porta.

Como queres o teu natal?
Hoje é o teu dia
Resiste à passividade
Investe em ti e imbrica-te
Sacode o mal que em ti pousou
Tira as teias, trata o ego
Mexe-te, morde o tutano do dia
Ama, abraça, anseia
Sorri e sorve a vida

(PCM)


Aqui ficam os nossos votos de um Natal luminoso para tod@s.

BOAS FESTAS

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Dos Direitos do Homem aos Deveres do Ser...

... o percurso passa por conhecer e por se conhecer: o que se faz, o que se diz, o que se sabe, o que se É. Porque todos nós somos muito mais aquilo que queremos, do que aquilo que os outros querem que sejamos ou nos deixam ser. Porque o percurso passa, sobretudo, pela vontade de Ser e do SER. E, roubando nós as palavras a Saramago, «...é a vontade dos homens que segura as estrelas», a Vontade é o «éter» e «o éter [...] compõe-se [...] das vontades dos vivos».
Em tempo de comemoração de mais um aniversário da DUDH, é tempo de, mais uma vez, pensarmos no que temos feito com a nossa Vontade de Ser: mais livres, mais iguais, mais justos... mais Humanos.




Entre as muitas atividades que se propõem sobre a temática, convidamos à participação nesta. É apenas mais uma forma de mostrar/ demonstrar que/ se queremos Ser...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Acontecendo...



... na ESC, mas não só...

à feira, à feira, senhores,
é tempo de comemorações
um livro, sempre bom amigo,
ensinador de lições...



... 17 de novembro - dia da filosofia

... 21 a 25 de novembro - feira do livro

... 24 de novembro - dia nacional da cultura científica, instituído em 1996, para comemorar
o
nascimento de Rómulo de Carvalho e
divulgar o seu trabalho na promoção
da
cultura científica e no ensino da
ciência.

... 8.º campeonato de jogos matemáticos (final a 9 de março de 2012, no estádio
universitário de Coimbra
)

... Cálculo - espetáculo pelo grupo de teatro Marionet (17 de novembro a 3 de dezembro,
no Colégio de Jesus): debate aceso entre Newton e
Leibniz, a propósito da invenção do cálculo
matemático.

E, pelas salas de aula (mas não só...) vai-se discutindo Ciência: poder e riscos...
Porque, afinal, o importante é ler, dialogar, pensar, descobrir[se]...

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Racismo ou a perfeição no mundo?...



ETAPAS DO CÉU

I

O Princípio

Procuro os fundamentos em mim própria

Mas torna-se impossível desvendá-los.

Estão envoltos por um casulo de medos,

Olhares provocantes e sentimentos exacerbados

Que me derrubam de ansiedade.

Espero e temo.

As verdades e as mentiras

Vagueiam de mãos dadas com a minha alma.

Sorrisos incertos, palavras sonhadas,

Obras do destino que suas linhas tece.

Choros incessantes de lágrimas de vidro,

Vaidades pálidas e caras escondidas...

II

Reino I

Não sei o que sinto

Pois não sei quem sou.

Estou só no vale vazio da vida.

Ninguém espera por mim...

Nem as ervas param

Mexem-se, mexem-se, como se quisessem andar,

Correr pelos campos!

Mas... ah! Para correr é preciso viver!

E eu vivo, mas não corro pelos campos...

III

Reino II

Não temas a morte...

Ela chegará quando não tiver mais olhos p’ra te ver...

Quando a vida nos tirar a sorte

Gritará da colina mais alta

E virá até nós

Que estamos em nós.

Ficarão os sonhos, as recordações,

Inscritos nas lápides do tempo,

Que cruelmente nos dizem que...

Nunca poderemos viver a vida até ao fim!


IV

O Fim do Céu

Contemplo a maior hipérbole que existe:

O fim do céu!

Nele vagueiam nuvens

Carregadas de beijos que faltaram dar entre os Homens...

Desfilam, suavemente, perante nós

Na melancólica tortura dos Deuses.

Vão chorá-los ao mar

Onde ficam, bem no fundo dos oceanos.

Ao lado, velhos veleiros

Que outrora ligaram cores sem preconceitos!


Mara Gonçalves

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Mês Internacional das Bibliotecas Escolares

Outubro é o mês internacional das BE.

A BE é, cada vez mais, uma porta aberta ao conhecimento científico, decisivo para o avanço civilizacional, também pelos projetos que dinamiza ou em que se envolve. Nas suas estantes habitam livros que esperam pela nossa descoberta, palavras de cientistas portugueses que, talvez por gostarem de ler, também gostavam de escrever.
Propomos-te a descoberta deste, que, entre outra leituras, nos permitiu o Poema da Pedra Lioz, mencionando, logo de entrada, os nomes de «Álvaro Góis / Rui Mamede / filhos de António Brandão / naturais de Cantanhede; / pedreiros de profissão, / de sombrias cataduras

Mas outros há para descobrir e conhecer. E aqui te deixamos o desafio: envia, para a BE, pequenas frases/ excertos de poemas de escritores portugueses que, embora ligados à ciência, se tenham deixado fascinar pelo mundo da escrita. Só tens de referir o que te fascinou no texto/ poeta que escolheste ou descobriste. Nós publicaremos aqui a tua colaboração.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Da Pátria que somos ao idioma que falamos… só em Português nos (des)entendemos?







Nascemos ibero-lusitanos e, por desavença familiar, portugueses fomos crescendo. Sedentos de espaço e aventura, ao mundo nos fomos dando, do mundo fomos recebendo. E, porque "à terra onde fores ter, faz como vires fazer", foram, também, as diásporas sucessivas que, na saudade do regresso, nos foram construindo em Língua-Pátria com indeléveis pinceladas de culturas mais ou menos distantes no espaço, mais ou menos perto no sentir e no sonhar… caminhos trilhados por contextos e vidas de tudo e de nada, que não apagam este vício de SER Português, ou melhor, esta permanente vontade de saber o que é ser português.
Na verdade, não sei. Sei muito sobre a agónica relação entre o querer e o não querer, entre o ser e o ter, entre partir (sempre) e regressar (também sempre), entre o caminho de ida, que é sempre mais longo do que o de volta, entre o ser contra e afinal aceitar… Todavia, pergunto-me muitas vezes se ser português é comemorar com mais veemência as festas de outros povos (como Halloween e dia dos namorados…); pergunto-me se ser português é ter (agora) uma língua que é uma corruptela daquela que foi a minha; pergunto-me se ser português é (politicamente) pugnar mais pelo ensino da cultura dos outros do que por aquela que nos une; pergunto-me se ser português é desdenhar a própria raiz cultural, exactamente nos antípodas do que outros povos fazem, em que se tem orgulho no que os destaca, pergunto-me se ser português é só saber cantar o hino com compassos musicais e tudo…
"Partimos. Vamos. Somos." Mas voltamos sempre. Assim aconteceu a tantos que, senti
ndo o calor terno e límpido acariciar-lhes as deambulações descontraidas dos pensamentos por que deixavam invadir-se , voltaram ao lugar de onde tinham partido e perderam-se naquele canto do mundo, onde o tempo não chega e se ouve o silêncio, sem a necessidade urgente de agarrar o destino. Voltar, pressentir memórias sem princípio nem fim, onde os sentidos se exaltam e as palavras sobram, como se estivéssemos a visitar as consequências de um eterno dilema, porque só em parte se parte...
I want to be Portuguese, Portugiesin, but I don’t want to, I mustn´t, forget that ich bin eine Europärin, eine “ Weltrin”, a citizen of the world. If on one hand I want to defend my roots, my past, my beautiful and sunny homeland, anderseits ich will zu der ganzen Welt gehören. Why? Warum? Ich weiβ nicht, I don’t know and vielleicht I am not interested in knowing the answer. Gleichzeitig bin ich bewundert by the grandiosity of Torre de Belém, the mystery of Big Ben and the beautifulness of Schloβ Neuschwanstein in Bayern. I know we, the Portuguese, are hospitable, aber ich kann nicht vergessen (weil ich dort gewesen bin) daβ, the English can be extremely helpful and the Germans diszipliniert und Naturschützer. Yes, I don’t want to leave this world, I want to live.
Aujourd’hui, les enfants de la patrie, qui est la nôtre, sont de moins en moins motivés, pour un jour de gloire qui n’arrivera jamais. Aujourd’hui, contre eux, s’élève l’étendard de la tyrannie et de l’absence de son identité culturelle. Sa langue n’est plus sa patrie et celle-ci est plongée dans la plus éteinte tristesse, elle ne se revoit plus dans l’exemple de ses glorieux ancêtres. “Oh gloire de commander, oh vaine convoitise/de cette vanité à laquelle on appelle renommée”, où nous conduiras-tu? On se plaint, on crie, on hurle, mais personne ne nous écoute. Faudra-t-il réinventer le mai 68 ou le 25 avril pour que les enfants de cette patrie retrouvent leur pays, leur gloire, leur jeunesse, leur liberté?



Texto escrito a 10 mãos



[imagens do Dia Europeu das Línguas (26 de setembro), na ESC]