quarta-feira, 1 de maio de 2013

[comemorando] em maio...

... a História de um dia de conquistas: o 1.º

nasceu de cansaço
cresceu de lutas
marcou-se a vermelho de sofrimento
firmou-se em homenagem
aos construtores do progresso das nações

maio, o dia 1.º





[particularmente relevante entre os minutos 05:31 - 06:18]

segunda-feira, 29 de abril de 2013

[comemorando] "shall we dance?"...



... especialmente hoje, no dia mundial da dança, uma das mais belas artes que alimenta a alma do ser humano.
Pela vida, pela sobrevivência, para cumprir rituais, em agradecimento, protesto ou contestação, desde sempre o ser humano exteriorizou estados de alma, numa linguagem corporal de diálogo consigo ou com o mundo. Dançar é (quase) uma necessidade inata e instintiva que alimenta o espírito e fortalece o corpo. Por isso, especialmente hoje,


sinta[-se] a "Nini dos [seus] quinze anos"... e dance.





Deixe-se seduzir 

- pela magia e arte de Fred Astaire e Ginger Rogers e dance 




- pela sensualidade do Tango, pela leveza da Valsa, pelo ritmo quente e exótico da Salsa, da Rumba, do Cha Cha Cha, do Mambo, do Merengue, do Samba, do Kizomba... e dance.

Dance... ao ritmo contagiante de "Fame" [lembra-se?]





Dance com o Sol, com a Lua, com a Chuva, com o Vento, com o Mar, com Quem ama, Consigo, com a Vida... mas dance, dance, dance...

Dance, when you're broken open. 
Dance, if you've torn the bandage off. 
Dance in the middle of the fighting. 
Dance in your blood. 
Dance when you're perfectly free.

Rumi 



Dance, ainda, com a leitura de "A Menina Dança?", uma história de amor, íntima e obscura, narrada na primeira pessoa, no tom compassado e genuíno de uma confidência. Ou de uma inconfidência...









Então? "Shall we dance?"

quinta-feira, 25 de abril de 2013

[leituras] palavras "derivadas" d'um dia de abril



as portas que abril abriu



A SACA DE ORELHAS



Sentenças delirantes dum poeta para si próprio em tempo de cabeças pensantes

1
Não te ataques com os atacadores dos outros.
Deixa a cada sapato a sua marcha e a sua direcção.
0 mesmo deves fazer com os açaimos.
E com os botões.

2
Não te candidates, nem te demitas. Assiste.
Mas não penses que vais rir impunemente a sessão inteira.
Em todo o caso fica o mais perto possível da coxia.

3
Tira as rodas ao peixe congelado,
mas sempre na tua mão.

Depois, faz um berreiro.
Quando tiveres bastante gente à tua volta,
descongela a posta e oferece um bocado a cada um.

4
Não te arrimes tanto à ideia de que haverá sempre
um caixote com serradura à tua espera.
Pode haver. Se houver, melhor...

Esta deve ser a tua filosofia.

5
Tudo tem os seus trâmites, meu filho!
Não faças brincos de cerejas
sem te darem, primeiro, as orelhas.

Era bom que esta fosse, de facto, a tua filosofia.

6
Perguntas-me o que deves fazer com a pedra que
te puseram em cima da cabeça?
Não penses no que fazer com. Cuida no que fazer da.

É provável que te sintas logo muito melhor.

Sai, então, de baixo da pedra.

7
Onde houver obras públicas não deponhas a tua obra.
Poderias atrapalhar os trabalhos.
Os de pedra sobre pedra, entenda-se.

Mas dá sempre um "Bom dia!" ao pessoal do estaleiro.
Uma palavra é, às vezes, a melhor argamassa.

8
Deves praticar os jogos de palavras, mas sempre
com a modéstia do cientista que enxertou em si mesmo
a perna da rã, e que enquanto não coaxa, coxeia.
Oxalá o consigas!

[...]

11
Resume todas estas sentenças delirantes numa única
sentença:
Um escritor deve poder mostrar sempre a língua portuguesa.
© ALEXANDRE O′NEILL
A Saca de Orelhas, 1979 




No País dos Sacanas

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.

No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

Jorge de Sena, in 40 Anos de Servidão

[comemorando] nas páginas da História - 25 de abril de 1974


Por todas as promessas que ficaram por cumprir. 
Pelas que foram cumpridas e estão a ser mortas. 
Por todas aquelas que temos o dever de continuar a fazer cumprir.

Isabel Bernardo





[Para interagir com os diversos conteúdos, passe o rato sobre a imagem e clique]

[Colaboração de Ernestina Tiago, 
na seleção de conteúdos]

terça-feira, 23 de abril de 2013

[divulgando] "recursos interativos"


"All forms of books make a valuable contribution to education and the dissemination of culture and information. The diversity of books and editorial content is a source of enrichment that we must support through appropriate public policies and protect from uniformity. "

                 Irina Bokova, Directora Geral para o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor 2013  





...porque, apesar de tudo, mantém mesmo a interatividade necessária a situações como esta


[comemorando] dia mundial do livro e dos direitos de autor [ou] "uma rosa por um livro"


«A book is the  most effective weapon against intolerance and ignorance.»

Lyndon Baines Johnson

O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor é um tributo  universal e de respeito pelos livros e autores, pela sua preciosa contribuição  para o desenvolvimento  social e cultural da humanidade. Mas é, também, um incentivo à descoberta do prazer da leitura.

Em 1995, a UNESCO decidiu que o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de autor seria celebrado a 23 de abril,  porque  nesta data é o aniversário da morte de William Shakespeare, de Miguel de Cervantes, de Inca Garcilaso de la Vega e de Josep Pla. É também a data do nascimento de Maurice Druon, Manuel Mejía Vallejo e Halldór Laxness.

Todavia, na escolha da data pesou, ainda, uma curiosa tradição catalã: 23 de abril é celebrado, na Catalunha, como  La Diada de Sant Jordi  (Dia de São Jorge) e, desde a época medieval, manda a tradição que os homens enamorados ofereçam rosas às donas do seu coração. A partir de 1925, as mulheres começaram a retribuir a gentileza com a oferta de um livro.

SONNET 54


O, how much more doth beauty beauteous seem
By that sweet ornament which truth doth give.
The rose looks fair, but fairer we it deem
For that sweet odour which doth in it live.
The canker-blooms have full as deep a dye
As the perfumed tincture of the roses,
Hang on such thorns and play as wantonly
When summer's breath their masked buds discloses:
But, for their virtue only is their show,
They live unwoo'd and unrespected fade,
Die to themselves. Sweet roses do not so;
Of their sweet deaths are sweetest odours made:
And so of you, beauteous and lovely youth,
When that shall fade, my verse distills your truth.


William Shakespeare

segunda-feira, 22 de abril de 2013

[comemorando] dia mundial da terra



Este doodle com que a Google hoje celebra o Dia Mundial da Terra é simplesmente lindo!


Todos os anos, a 22 de Abril celebra-se o Dia Mundial da Terra.  
A data foi criada em 1970, pelo senador norte-americano Gaylord Nelson que resolveu realizar um protesto contra a poluição da Terra, depois de verificar as consequências do desastre petrolífero de Santa Barbara, na Califórnia, ocorrido em 1969.
Inspirado pelos protestos dos jovens norte-americanos que contestavam a guerra, Gaylord Nelson, desenvolveu esforços para conseguir colocar o tema da preservação da Terra na agenda política norte-americana.
A população aderiu em força à manifestação e mais de 20 milhões de americanos manifestaram-se a favor da preservação da terra e do ambiente.
Desde essa data, no dia 22 de Abril milhões de cidadãos em todo o mundo manifestam o seu compromisso na preservação do ambiente e da sustentabilidade da Terra.

Uma iniciativa para nos habituar ver com outro olhar a casa que todos partilhamos e que, por isso mesmo, devemos preservar e proteger. 

Talvez os olhos de Alberto Caeiro sejam um bom ponto de partida..
XXI

Se eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar,

E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento ... 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

In O Guardador de Rebanhos
In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, 2001 


sexta-feira, 19 de abril de 2013

por falar em economia...



A Economia é uma ciência social com pouco mais de dois séculos. Foi com Adam Smith (1723 -1790) que a economia começou a despontar e isso está patente no seu livro “A Riqueza das Nações”, sendo, por isso, considerado este autor o pai da Economia. Já Paul Samuelson (1915-2009), através de um legado de várias obras, é considerado o pai da Economia moderna.
Para Samuelson, a Economia estuda o modo como as pessoas e a sociedade decidem empregar recursos escassos, que poderiam ter utilizações alternativas, para produzir bens variados e para os distribuir para consumo, agora ou no futuro, entre os vários indivíduos e grupos sociais.
Tomando a definição de Samuelson, podemos considerar os pontos seguintes, que nos permitirão entender a necessidade da ciência económica na organização das sociedades.
  • É dado como certo que as condições económicas nos afetam muito durante toda a nossa vida. Afetam a nossa maneira de viver, aquilo que comemos, se vamos ou não para a faculdade, qual o tipo de emprego que obtemos e quanto ganhamos. As condições económicas afetam a paz e a estabilidade das sociedades.
  • Os problemas de desemprego e dos mercados financeiros enchem os nossos jornais e programas de noticiário.
  • No nosso mundo complexo de hoje, é praticamente impossível ser cidadão responsável, sem algum entendimento de questões e princípios económicos.  Esta responsabilidade social é focada por Amartya Sen, na sua extensa obra, de que se destaca o livro “Desenvolvimento como Liberdade”
  • A escassez é o problema fundamental de cada sociedade, já que os recursos são escassos, as quantidades de bens e serviços que podem ser produzidos também são escassas. Sem escassez não haveria necessidade de estudar a Economia.

O estudo da Economia faz-se através de duas abordagens: a da Macroeconomia e a da Microeconomia.
A Macroeconomia estuda o nível agregado da atividade económica, como o nível do produto total, o nível de rendimento nacional e o nível total de emprego, vistos como um todo. No mundo da Macroeconomia destaca-se o nome de Keynes.
A Microeconomia estuda o comportamento económico das unidades de decisão individuais, como os consumidores, os possuidores de recursos e as empresas.




São muitos os males que assombram a opulência, sem precedentes, do mundo em que vivemos: a pobreza extrema, a fome coletiva, a subnutrição, a destituição e a marginalização sociais, a privação de direitos básicos, a carência de oportunidades, a opressão e a insegurança económica, política e social. Amartya Sen diagnostica que lhes subjaz uma natureza comum: são variedades de privação de liberdade.
Através de uma análise que releva a dimensão ética e política de problemas económicos cruciais, o autor apresenta aos leitores não-especialistas as vantagens teóricas e práticas de uma ideia radical: o desenvolvimento é essencialmente um processo de expansão das liberdades reais de que as pessoas desfrutam.



Porque é importante saber mais:





Aprender de forma lúdica, quase sempre agradável e motivador, pode ser, também, um meio para saber mais sobre economia. Aproveita e dá uma volta pelo site Keynes for kids ,  onde [embora em Inglês] podes aprender mais sobre economia e alguns termos com que diariamente convivemos.

Eugénia Fonseca       
(texto e sugestões de leitura)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

[continuando] pelos caminhos das ciências [1]


A sociologia é uma ciência social que estuda os fenómenos sociais, utilizando, para isso, diversas metodologias científicas. Pode-se dizer que a sociologia existe há muito tempo. Auguste Comte foi quem se encarregou de dar forma ao conceito de sociologia, em 1838, por ocasião da apresentação do seu Curso de Filosofia Positiva. 

Ao longo dos anos foram muitos os autores que contribuíram para que a Sociologia se transformasse no que conhecemos hoje. Sem dúvida que os mais conhecidos são Max Weber , Émile DurkheimKarl Marx . No entanto, existem outros autores, cujo contributo marcou a Sociologia, nomeadamente: Erving GoffmanGeorge FriedmanGeorge SimmelHoward BeckerJurgen HabermasMarcel MaussNorbert EliasPierre BourdieuTalcott ParsonsWilliam Dubois, entre outros.

Anthony Giddens é um sociólogo da atualidade, reconhecido internacionalmente pelas suas obras. 



Sociologia é uma das obras mais completas, que aborda vários temas da sociologia. É conhecida, entre os estudantes, como a “Bíblia” da Sociologia, pois nela podemos encontrar a abordagem de muitas teorias e metodologias sociológicas.
O autor publicou muitas outras obras. Destacam-se, aqui, as “Novas Regras do Método Sociológico”, “As consequências da Modernidade”, “A terceira via”, “Capitalismo e Moderna Teoria Social” e “Teoria Social Hoje”. 



Em Portugal, ao longo dos anos, muitos têm sido os autores que contribuíram para o estudo da sociedade portuguesa e para o desenvolvimento da sociologia enquanto ciência. Boaventura de Sousa Santos será o autor português mais conhecido. Das suas obras destacam-se “Um discurso sobre as Ciências”, “A Globalização e as Ciências Sociais”, “Conhecimento Prudente para uma Vida Decente” e “A crítica da razão indolente”.


Ao longo dos anos, foram criados vários centros de estudos e revistas da especialidade, nas principais universidades, que podem ser consultadas, nomeadamente:


Cristiana Dias Almeida
(texto e sugestões de leitura)    

domingo, 7 de abril de 2013

[lembrando] em abril...

... Rosa Lobato de Faria, a propósito de um texto seu, inédito.


«Escolhi este mês de Abril para te escrever. [...] Farias 81 [anos] neste Abril de 2013.
[...] escrevo-te, ao encontrar este texto inédito no teu recém-organizado espólio, que ajudará muitos a compreender que é abraçando o Judas que Todos, sem excepção, temos dentro de nós que poderemos tentar compreender a transcendência da Crucificação e da Ressurreição que tomamos por metáfora no nosso quotidiano. [texto truncado]

         Judas
(Inédito de Rosa Lobato de Faria)

         Encontrei-te num quadro encostado à parede. Entre balcões de cal, escadotes e vassouras. Voltaste a cabeça quando ouviste os meus passos. Fitámo-nos nos olhos. E ficámos ali sozinhos. Parados no tempo. Esquecidos das trevas por chegar. Nos teus olhos negros havia medo. Na tua boca uma desculpa pronta. Todo o teu corpo era defesa e sobressalto. Não sei quem esperavas. Mas fui eu que cheguei. Eu que te olhei de frente. Eu que, de súbito, te amei e entendi. Tu gritavas. Tentavas explicar-me. Ele, entretanto, repartia o pão e o vinho e no seu coração o perdão já nascia para esse teu particular horror. Mas era a ti que eu via. Eu sabia que tinhas medo. Que ias trair. Que a tua morte estava próxima. Talvez te amasse por isso. E porque eras belo e vivo e humano. Tão belo que a tua beleza suportava o teu medo. Tão vivo que ias ter forças para morrer. Tão humano que te desencontravas da tua consciência. Eu amei-te. Vi que, por um momento, os meus olhos te deram esperança. Ele partilhava o pão e o vinho. E no Seu coração o perdão já nascia para esse meu particular amor. Num museu em obras. Dois mil anos depois

Sousa, P. R.  (2013,  5 de abril). Carta a Rosinha. Revista Tabu, 344, 34-35. Semanário Sol

terça-feira, 2 de abril de 2013

[comemorando] dia internacional do livro infantil...

... hoje, 2 de abril.


Para assinalar este dia, o IBBY (International Board on Books for Young People) divulga, anualmente, uma mensagem de incentivo à leitura, dirigida às crianças de todo o mundo.



Ano: 2013
País: EUA
Tema: A alegria dos livros à volta do mundo
Design Cartaz: Ashley Bryan
Mensagem: Pat Mora



Contar, ler uma história a crianças é entrar com elas no imaginário de uma vida ainda curta, mas já tão repleta de sonhos. Ouvir contar histórias é partir à conquista de espaços, ultrapassar perigos, vencer medos... É a beleza da infância!

Porque hoje é dia de contar histórias, conte e encante os pequeninos com as histórias de Hans Christian Andersen, cujo data de nascimento também se comemora hoje.



E aproveite as atividades propostas para além dos contos. Porque a criatividade também é importante.

sexta-feira, 29 de março de 2013

[continuando] pelos caminhos das ciências



Em meados do século XX, o espaço era considerado a última fronteira que o conhecimento humano teria ainda de desbravar. Hoje em dia, considera-se que a última fronteira está na Terra: o cérebro humano.
A natureza do homem, ou seja, o que define e distingue de outros seres vivos, tem sido uma preocupação do pensamento filosófico. A racionalidade, a capacidade de pensar a partir de conceitos, a possibilidade de agir de acordo com padrões éticos, e outras características, foram sendo tomadas por vários autores como a marca distintiva do ser humano. Hoje em dia, porém, já não é possível pensar a natureza humana sem pensar com e a partir dos dados que nos são fornecidos pelas neurociências e pela psicobiologia. O cérebro humano, cujo funcionamento base, físico e biológico, é em tudo muito parecido com de outros seres vivos com capacidade de consciência e autoconsciência, e é, também, a fonte da nossa marca distintiva de ser.
Muitos são os cientistas que têm contribuído para compreender o funcionamento do cérebro humano e, através desse conhecimento, construir uma visão mais profunda da natureza humana. Oliver Sacks é um desses cientistas. É professor de neurobiologia na Universidade de Nova Iorque e autor de livros científicos que se tornaram best sellers

Um dos livros mais interessantes do autor intitula-se O homem que confundiu a mulher com um chapéu (Lisboa: Relógio d’ Água, 1985). O livro assenta na experiência clínica do autor e retrata vários casos de pessoas com alterações no funcionamento do cérebro. Para a neurobiologia essas alterações são muito importantes porque mostram como o cérebro funciona, trata a informação e nos permite lidar o mundo. O caso clínico que está na origem do título da obra é o de um homem que perdeu a capacidade para reconhecer rostos e as emoções expressas pelos rostos humanos. Ora, grande parte das relações sociais que estabelecemos assentam na nossa capacidade de reconhecer o rosto de outra pessoa como alguém similar a nós e na nossa capacidade para ler emoções (dor, ira, simpatia, bondade…). Eis um excerto do livro: “Como se fosse um pitosga a passar na rua, fazia festas nas bocas de incêndio e nos taxímetros convencido que estava a acariciar crianças, dirigia-se educadamente aos candeeiros e ficava muito admirado por não receber resposta (…) Estendeu a mão e agarrou a cabeça da mulher para a levantar e pôr na cabeça. Tinha confundido a mulher com um chapéu!”. Os testes a que o paciente se submeteu mostraram que via na perfeição. Porém, o seu cérebro não processava adequadamente alguma da informação visual que recebia. Porquê? Este e outros relatos levam-nos a compreender a forma peculiar e extremamente complexa como o cérebro humano trata a informação. Um livro, sem dúvida, a ler e que também se contra disponível em formato ebook 

Do mesmo autor, também se encontra editada, em português, a obra Um antropólogo em Marte (Lisboa: Relógio d’ Água, 1995). Também disponível em ebook.





Um dos best sellers de Oliver Sacks foi adaptado ao cinema. Chama-se Awakenings (Despertares) e tem como atores principais Roberto de Niro e Robin Williams.





Também em Portugal se faz investigação de ponta nos domínios da psicobiologia e das neurociências. Alexandre Castro Caldas é um investigador português, responsável, durante muitos anos pela direção do laboratório do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que se dedica à investigação da doença de Alzheimer.




Deste autor, está acessível, na Biblioteca Escolar Clara Póvoa, uma obra     com os conceitos básicos para compreender como o cérebro funciona. O livro chama-se A herança de Franz Joseph Gall: o cérebro ao serviço do comportamento humano. Do mesmo autor, pode também encontrar-se na Biblioteca Municipal de Cantanhede a obra Despertar para a ciência.






Para saber mais: 





Isabel Bernardo


A partir daqui e daqui [ligue o som, para este último] pode, também, viajar pelo cérebro humano e conhecer melhor alguns mecanismos de funcionamento desse órgão complexo que faz de nós seres tão interessantes quanto misteriosos.



quinta-feira, 21 de março de 2013

[comemorando] 21 de março [1]...

... a primavera e o dia mundial da árvore.

A primavera (também a "da vida") é uma bonita estação. O sol, embora envergonhado, teima em se impor e o verde é uma realidade, onde já despontam milhares de cores das mais diversas plantas. 
Recordar a primavera de Vivaldi sabe sempre bem.





Lembrar que a árvore é nossa companheira indispensável é também importante, como lhe é importante a água que a alimenta e que, também para nós, é vida. Mesmo representada numa pequena gotinha.





Porque qualquer relação com livros e leituras não é mera coincidência.

[comemorando] 21 de março...

... dia mundial da poesia.
Sobre poesia, muito se poderia dizer. Sobre poesia, já está (quase) tudo dito, escrito, cantado... ou talvez não. Tudo depende do conceito de poesia.


Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bicho, plantas,
lugares,  chocolate, vinho, papos
amenos, amizade, amor. Acho
que a poesia está contida nisso tudo.
Drummond de Andrade


Como sugestão de leitura, deixamos 

- algumas flores de Florbela Espanca
Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo...
[...]
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia... 


- palavras de um retirante , de João Cabral de Melo Neto

Canções, de António Botto, e

- a poesia mais bonita: a que escrevivemos no dia a dia.



[homenageando] Rafael Bordalo Pinheiro...


..., nascido a 21 de março de 1846.

Sobre si próprio: "Nunca cursei academias. Tenho o curso da Rua do Ouvidor...Cinco anos. Canto de ouvido".  O seu olhar crítico e malicioso leva-o à caricatura de uma vasta galeria de figurões políticos e sociais. 

A Google presta-lhe homenagem com um doodle que releva a criação que melhor o identifica: o Zé Povinho.

Personagem intemporal, desalinhado em energia, na retórica e na postura, o Zé Povinho desenha-se no traço grosseiro da robustez que caricatura o nosso colectivo.


Rindo ou gesticulando em descaramentos, intervém ora vitimizando-se e submetendo-se, ora como alerta de consciências não libertas de preconceitos. Entre a boémia e o laicismo, a actualidade de Seu Zé Povinho não se esgota naquilo que configura a sua personalidade popular; pelo contrário, transborda da tipificação para a excelência do pretexto que aponta ao comentário e à crítica. Não poupando nada, nem ninguém, não se contém em sarcasmos perante os factos políticos sociais e institucionais. 

A sua intervenção opinativa na vida do país revela-se miticamente como reflexo de desejos, sentimentos e necessidades que se descobrem pela praxis. Controversa e metafórica, a figura do Zé Povinho cresce na ambiguidade que se joga entre o cinismo social e a revolta genuína. Decorre da impotência que se denuncia no manguito e que exorciza com a sabedoria popular o acto de cruzar os braços. 

De apelido Povinho, diminutivo de todos nós, Seu Zé nasce com respeito contraditório do que está para além de senhor (Seu) e do que está aquém do diminutivo dobrado (Zé e Povinho). Rapidamente se torna familiar perdendo o trato deferente e incorporando o todo das características tipificadoras das gentes portuguesas. Deformado e deformador impõe-se com o vigor que o eco da popularidade nacional lhe confere. Com argúcia desvenda a injustiça e o grotesco, mas é, no entanto, com paciência e submissão que digere o seu próprio destino. 


quarta-feira, 20 de março de 2013

Depois de ler...

... desafiámos os alunos a escrever sobre os livros que leram, a partir de / para além de uma lista.
Este Boletim da Biblioteca está particularmente recheado de impressões, imagens, sensações e, sobretudo, crescimento e aprendizagem. Porque é este o poder do livro e da leitura.

A book is the most effective weapon against intolerance and ignorance.

Lyndon Baines Johnson


quinta-feira, 14 de março de 2013

pedaços de mar d'aquém e d'além

Mar.

Sedutor que nos beija o corpo com a mesma suavidade com que enrola na areia. Cruel rebenta nas rochas com a mesma dor com que nos bate na alma.

Mar.

Escrito, dito, cantado... sempre profundamente sentido, e em pedaços (re)lido.


Leonor Campos de Melo

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