A BE e o Departamento de Línguas desafiaram e os alunos responderam assim
E responderam muito bem!


In memoriam… da luz do teu sorriso
In memoriam… da tua contagiante boa disposição, alegria
In memoriam… do teu (sempre) apressado “temos isto para fazer”
In memoriam… da tua paixão pelo trabalho, pela BE, pela escola
In memoriam… da tua completa dedicação mesmo no tempo mais escuro
In memoriam… da tua coragem e apego à Vida e ao Homem
In memoriam… do teu rigor, da tua penetrante atenção ao pormenor
In memoriam… de seres a nossa (exclusiva!) generala
In memoriam… do teu inebriante gosto pela dança, pela pintura, pela poesia… pelas Artes
In memoriam… do teu sempre requerido convívio, dos bolinhos, das castanhas, da jeropiga…
In memoriam… (até) dos teus apontamentos caóticos, semeados de setas, entrelinhas, asteriscos e estrelas a indicar o caminho
In memoriam… da tua capacidade de transformar a escola, magicamente fazendo da BE a luz dos teus olhos
In memoriam… para sempre no nosso pensamento, no nosso sentimento
In memoriam… Clara!
Equipa da BE




ETAPAS DO CÉU
I
O Princípio
Procuro os fundamentos em mim própria
Mas torna-se impossível desvendá-los.
Estão envoltos por um casulo de medos,
Olhares provocantes e sentimentos exacerbados
Que me derrubam de ansiedade.
Espero e temo.
As verdades e as mentiras
Vagueiam de mãos dadas com a minha alma.
Sorrisos incertos, palavras sonhadas,
Obras do destino que suas linhas tece.
Choros incessantes de lágrimas de vidro,
Vaidades pálidas e caras escondidas...
II
Reino I
Não sei o que sinto
Pois não sei quem sou.
Estou só no vale vazio da vida.
Ninguém espera por mim...
Nem as ervas param
Mexem-se, mexem-se, como se quisessem andar,
Correr pelos campos!
Mas... ah! Para correr é preciso viver!
E eu vivo, mas não corro pelos campos...
III
Reino II
Não temas a morte...
Ela chegará quando não tiver mais olhos p’ra te ver...
Quando a vida nos tirar a sorte
Gritará da colina mais alta
E virá até nós
Que estamos em nós.
Ficarão os sonhos, as recordações,
Inscritos nas lápides do tempo,
Que cruelmente nos dizem que...
Nunca poderemos viver a vida até ao fim!
IV
O Fim do Céu
Contemplo a maior hipérbole que existe:
O fim do céu!
Nele vagueiam nuvens
Carregadas de beijos que faltaram dar entre os Homens...
Desfilam, suavemente, perante nós
Na melancólica tortura dos Deuses.
Vão chorá-los ao mar
Onde ficam, bem no fundo dos oceanos.
Ao lado, velhos veleiros
Que outrora ligaram cores sem preconceitos!
Mara Gonçalves