terça-feira, 12 de novembro de 2013

a ler...


... para questionar...

                                                   «Não há uma forma única de ler bem, apesar de existir 
                                           uma razão fundamental para ler. A informação é-nos 
                                                       infinitamente disponível , mas onde podemos encontrar a sabedoria?» 

  Harold Bloom (2001). Como ler e porquê. 
Lisboa: Caminho, p. 15.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

a ler...



...na pressa dos dias, sabe sempre bem o aroma a cravo e canela de uma mulata Gabriela...
...na pressa dos dias, importa lembrar que, mesmo num cenário de guerra, a paixão também tem lugar...
...na pressa dos dias, o humanismo e a família são inquietações importantes, mesmo        
    numa ciranda de pedra...
...Demasiada felicidade nunca é de mais, porque sonhar continua a ser  possível...



Boas leituras!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

nas páginas da história: lembrar o passado, pensar o presente


Angola [independência e guerra civil]


Com a implantação da república em Portugal (1910), a colonização de Angola entrou numa nova fase de desenvolvimento económico. Com a incrementação da produção e exportação de produtos, como café e cana-de-açúcar, e o desenvolvimento da exploração petrolífera e dos minérios de ferro, este novo ciclo económico prolongou-se até 1972. Tal desenvolvimento atraiu inúmeros imigrantes. Em Portugal, a maioria dos emigrantes fixou-se em Angola.
Na década de 50, a questão da descolonização das colónias africanas é incluída no plano internacional, tornando-se uma questão incontornável. Em 1956 é publicado o primeiro manifesto do Movimento Popular de Libertação de Angola, conhecido por MPLA.
No início da década de 60, os movimentos de libertação MPLA, FNLA e UNITA, iniciam uma guerra contra o colonialismo português. Portugal, ditadura desde 1926, recusa-se a dialogar e leva a guerra ao limite (guerra colonial).
No entanto, com golpe de estado a 25 de abril de 1974 em Portugal, e um novo governo português, são abertas negociações com os 3 movimentos, para implementação de um regime democrático angolano.
      MPLA ou Movimento Popular de Libertação de Angola
      FNLA ou Frente Nacional de Libertação de Angola
      UNITA ou União Nacional para a Independência Total de Angola

Angola torna-se independente a 11 de Novembro de 1975, mas só após a uma guerra civil entre os 3 grupos nacionalistas, pelo controle do país e da capital, Luanda, em particular. Devido ao apoio de potências estrangeiras a estes grupos, o conflito teve uma dimensão internacional.

Assim, a 5 de outubro de 1975 desembarcaram em Angola soldados cubanos e armamento, organizados pela União Soviética, em apoio ao MPLA. Este controlava na altura Luanda e outras regiões costeiras. O MPLA garantiu assim o seu domínio neste conflito e veio, mais tarde a governar o país, apesar dos recorrentes acordos e confrontos com a UNITA.
No meio do caos da guerra, os portugueses de Angola, apelidados de “retornados”, foram trazidos para Portugal em pontes aéreas e marítimas (1974-1975), junto com os quais chegaram também os refugiados. Outros houve que chegaram ainda mais tarde.

Páginas eletrónicas consultadas entre 29.10.2013 e 4.11.2013:
Cassandra Souto Moniz, 12º LH

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

nas páginas da História: lembrar o passado, pensar o presente


dia 27 de outubro de 1949 [Egas Moniz recebe o prémio Nobel]


António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz nasceu em Avanca (Estarreja, Aveiro) no dia 29 de Novembro de 1874.  Foi médico, neurologista, investigador, professor, político e escritor. 

Em 27 de Outubro de 1949 foi galardoado com o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina, partilhado com Walter Rudolf Hess. Foi também agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Benemerência e a da Ordem de Santiago da Espada.

Faleceu em Lisboa em 13 de Dezembro de 1955.

O Prémio Nobel foi atribuído na sequência dos seus estudos na lobotomia  (ou leucotomia), uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas. Esta técnica cirurgica foi utilizada no passado em casos graves de esquizofrenia.

Foi a primeira técnica de psicocirurgia, ou seja, a utilização de manipulações orgânicas do cérebro para curar ou melhorar sintomas de uma patologia psiquiátrica (em contrapartida à neurocirurgia que se ocupa de doentes com patologia orgânica direta ou neurológica).  


Egas Moniz formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra em 1898, na qual foi nomeado professor em 1902. A partir de 1911 e até 1944 passou a ocupar a recém-criada cadeira de Neurologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, onde foi o primeiro professor.




Em 1927 efectuou a primeira angiografia cerebral no homem. Este novo processo permitiu obter em películas radiográficas a imagem dos vasos sanguíneos intracranianos e constituiu o maior progresso da cirurgia cerebral dos últimos 50 anos. Egas Moniz levou à criação da cirurgia vascular no encéfalo e trouxe uma contribuição fundamental para os diagnósticos dos tumores cerebrais. Este processo de diagnóstico também se revelou importante no tratamento dos traumatismos cranianos, porque indica com segurança a presença de hematomas.
Rui Godinho

Páginas electrónicas consultadas em 27.10.2013:                                                          
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Egas_Moniz
http://www.infopedia.pt/$egas-moniz-%28medico%29;jsessionid=4AssgltG6dG3NOhIuu-pew__

"portas para a vida"

Dia 28 de outubro [dia internacional das bibliotecas escolares]

Determinado pela Internacional Association of School Librarianship (IASL), o Mês Internacional da Biblioteca Escolar está a decorrer este ano sob o mote Biblioteca Escolar: uma porta para a vida.




Bibliotecas de todo o mundo realçam, ao longo do mês de outubro, a importância das bibliotecas escolares para o desenvolvimento escolar e cultural dos alunos.

As bibliotecas escolares são hoje canais privilegiados de acesso ao mundo da informação, quer porque permitem o acesso à Internet, ao livro, ao CD, ao DVD quer porque ensinam aos seus utilizadores como aceder e utilizar a informação de modo a que se transforme num bem de cada um.

São também um meio de acesso a experiências culturais: as bibliotecas escolares organizam exposições e palestras, ciclos de cinema e idas ao teatro, conversas com autores e ilustradores…

Mais do que locais onde se pode ir, as bibliotecas escolares mostram-nos saídas para inúmeros caminhos.

Siga este link para poder visualizar os muitos cartazes elaborados pelas bibliotecas escolares portuguesas a propósito do mês internacional das bibliotecas escolares: http://fotos.sapo.pt/redebibliotecas/albuns/?aid=1&slideshow

Veja neste link o que a Rede de Bibliotecas Escolares tem para nos oferecer: http://rbe.min-edu.pt/np4/home


domingo, 27 de outubro de 2013

nas páginas da História: lembrar o passado, pensar o presente


A Seara Nova


Em 1919, um grupo de intelectuais, preocupados com a permanente crise das instituições republicanas, começa a reunir-se com regularidade. Desse grupo acabará por surgir, em 1921, um projeto não partidário de intervenção política, que toma corpo através da fundação da Seara Nova.

A Seara Nova é uma revista doutrinária e crítica fundada em Lisboa com fins pedagógicos e políticos. Esta tinha como principais mentores Jaime Cortesão, Raul Proença, Aquilino Ribeiro, Augusto Casimiro, entre muitos outros.

O primeiro número da Seara Nova foi publicado no dia 15 de Outubro de 1921, numa época de desastre coletivo: desigualdades sociais, baixo nível cultural, ausência de valores e preocupações éticas, corrupção, etc. Os seus fundadores opunham-se a este desastre e pugnavam pelos valores da inteligência, da cultura, da ética, da justiça e do progresso. Exemplo disso é que no editorial do primeiro número da revista afirmava-se: (…) a Seara Nova não pode proceder (…) como se uma maior justiça social não fosse possível (…) como se o socialismo não representasse uma promessa de realização dessa justiça (…).

Grandes nomes passaram pelas páginas desta revista, nomeadamente José Saramago, Alexandre Cabral, Alberto Vilaça, entre muitos outros. Intelectuais de grande valor. Homens de caráter e cuja moral se encontra espelhada numa das frases do primeiro número da revista: Em democracia quem mente ao povo é réu de alta traição.


A Seara Nova foi sempre um espaço de diálogo, de abertura às ideias do progresso, de investigação, de rigor ético e de divulgação cultural. Dada a sua grande abertura à cultura e à unidade pelos ideais progressistas, esta acabou por criar um espírito seareiro.


No final da Primeira República, a Seara Nova destacou-se pelo seu valor intelectual e, desde logo, alertou e denunciou os perigos do advento da ditadura. Esta revelou-se ideológica e culturalmente antifascista. Na resistência ao fascismo, a revista, mesmo quando alvo dos serviços de Censura que lhe impunham cortes e proibições, foi um farol democrático, um espaço de elevadas polémicas e de valiosas colaborações de toda a intelectualidade progressista.

Assim, podemos concluir que, a Seara Nova foi um dos principais veículos de consolidação da oposição democrática em Portugal. Apesar das vicissitudes resultantes da censura e das dificuldades financeiras que o projeto atravessou, este menteve o entusiasmo e o interesse do público, numa aliança invulgar em Portugal de criatividade, combatividade e robustez ideológica.

Para saber mais sobre a Seara Nova nos dias de hoje, ver: http://www.searanova.publ.pt/


Endereços das páginas eletrónicas consultadas







Christiane Marques (12ºLH)

nas páginas da História: lembrar o passado, pensar o presente

                           

Criação da PIDE


         A PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) foi o órgão policial de Portugal que trabalhou em conjunto com a Legião Portuguesa. Fez parte de uma série de organismos da força pública, criados em sequência, desde a origem da República em Portugal.
         Estabelecida em plena época do Estado Novo, sob a direção de António de Oliveira Salazar, a sua principal função foi condicionar, controlar e anular qualquer tipo de manifestação que fosse considerada como opositora à ditadura, recorrendo frequentemente a meios violentos, como a tortura.

         A PIDE, instituição de caráter secreto, permaneceu em Portugal entre 1945 e 1969, passando, na chamada “Primavera Marcelista”, a designar-se Direcção Geral de Segurança. Possuía, enquanto órgão ativo, funções bastante abrangentes, nomeadamente nos setores dos serviços estrangeiros, fronteiras e na segurança do Estado, vindo a desempenhar também funções de caráter administrativo e de repressão e prevenção criminal.

A PIDE foi responsável por alguns crimes sangrentos, como o assassinato do militante José Dias Coelho e do general Humberto Delgado.





Testemunho real:
     “A 13 de Março de 1962, eu e mais alguns colegas meus fomos presos pela PIDE… Eu não imaginava, não sabia o que era uma prisão... Logo na primeira semana, estivemos cinco dias amarrados dentro da cela, sem alimentação, sem nada, só água... Depois foi a tortura física,... Na minha idade, com 15 anos, não pouparam o meu físico, levei muita porrada. Resisti… Depois de um mês de interrogatórios estive isolado, dois anos. Havia momentos em que falava sozinho, para ouvir a minha voz… Passada uma semana, voltaram a interrogar-me. Disseram-me que eu só tinha dito mentiras e recomeçaram. Passei mais 60 dias de interrogatório. Foi terrível... terrível… Assisti à morte de cinco a seis presos por dia… Dia sim, dia não punham-me de joelhos, em cima de pedras, com os braços abertos, de manhã à noite, mas eu nada revelei... Uma médica que me assistiu aconselhou que os agentes dos serviços prisionais não me batessem mais porque poderia morrer. Que pretendiam de mim? Que desvendasse os nomes dos elementos de um partido local.”
              (Declarações de um prisioneiro guineense no tempo da guerra em África, inseridas no artigo «A PIDE existiu. E torturou.», in Diana Andringa, Público, 16-04-1994, p.21)      
                                                        
Páginas eletrónicas consultadas
·         http://www.historiadeportugal.info/pide/
·         http://www.infopedia.pt/$pide-(policia-internacional-e-de-defesado;jsessionid= a4Ew3FOe0L0u49Z+jRou4w__
·         http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa/PIDE.htm


Inês Cera (12ºLH)

nas páginas da História: lembrar o passado, pensar o presente

Movimento de Unidade Democrática


Com a vitória dos Aliados na 2ª Guerra Mundial, e face às pressões políticas externas após 1945, sobretudo da Inglaterra e dos Estados Unidos, Salazar simulou uma certa abertura do regime: aligeirou a censura; autorizou manifestações populares; libertou presos políticos e prometeu eleições livres.
Foi neste contexto de aparente abertura política que surgiu o Movimento de Unidade Democrática (MUD), fundado a 8 de outubro de 1945, com a autorização do governo.
O principal objetivo era concorrer às eleições para combater o regime salazarista, proporcionando um debate público em torno da questão eleitoral. Contudo, esta “liberdade” é abolida após a campanha presidencial da oposição do general Norton de Matos, em 1949, ano em que o MUD é remetido para a ilegalidade. De facto, a adesão popular ao MUD, no quadro da crise interna e do enfraquecimento do regime após-guerra, excede todas as expetativas.
Neste contexto, os ativistas do MUD são perseguidos pela PIDE, alguns despedidos e outros presos.

Juliana Rosete (12.º LH)


nas páginas da História: lembrar o passado, pensar o presente

A implantação da República em Portugal


Todo o processo teve início no dia dois de outubro de 1910, quando se deu uma revolução organizada pelo Partido Republicano Português. A vitória conseguida no dia cinco de outubro destituiu a monarquia constitucional até aí existente e implantou um regime republicano.

Nos finais do século XIX, Portugal vivia, essencialmente, de uma agricultura rudimentar, a industrialização não tinha ainda quase peso nenhum, dando-se apenas em alguns sectores e em algumas fábricas. Os gastos da família real, a subjugação de Portugal face aos interesses britânicos nas nossas colónias, a instabilidade política e social e o poder da igreja católica foram os principais motivos que levaram a uma tão grande revolta, uma vez que a população vivia em más condições e estava consequentemente insatisfeita.
Os republicanos reclamavam direitos como o direito à greve, direito a quarenta e oito horas de trabalho semanais, oito horas diárias com direito a um dia de descanso semanal, um seguro social obrigatório para doenças, invalidez e velhice, e também a criação de um ministério do trabalho e da previdência social.
Teófilo Braga
Já houvera antes várias tentativas de derrube da monarquia, como. por exemplo, a manifestação de 31 de janeiro de 1891, assim como muitas outras manifestações, e, claro, o regicídio que vitimou D. Carlos, em 1908.
Após o triunfo dos republicanos, constituiu-se um governo provisório, tendo como presidente o Dr. Joaquim Teófilo Braga. O primeiro presidente a ser formalmente eleito foi Manuel de Arriaga, governando o país de 1911 até 1915, sucedendo-lhe Teófilo Braga novamente.
A república manteve-se até aos dias de hoje.
 
Miguel Bolito (12ºLH)



quinta-feira, 18 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.




«Mas a meio caminho voltou para trás, direita ao mar. Paulo ficou de pé no areal, a vê-la correr: primeiro chapinhando na escuma rasa e depois contra as ondas, às arrancadas, saltando e sacu­dindo os braços, como se o corpo, toda ela, risse.
Uma vaga mais forte desfez-se ao correr da praia, cobriu na areia os sinais das aves marinhas, arrastou alforrecas abandonadas pela maré. Eram muitas, tantas como Paulo não vira até então, espaçadas e sem vida ao longo do areal. O vento áspero curtira-lhes os corpos, passara sobre elas, carregado de areia e de salitre, varrendo a costa contra as dunas, sem deixar por ali vestígios de pegada ou restos de alga seca que lhe resistissem.»
«Marcaste o despertador»
«Hã?»
«O despertador, Quim. Para que horas o puseste?»

Em Uma simples flor nos teus cabelos claros, José Cardoso Pires traz-nos o desencontro de mundos no quotidiano de um casal marcado pelo marasmo dos dias, pela distância no relacionamento e pelo refúgio num romance lido, em busca do equilíbrio entre o real e o ideal.

Para ler ou ouvir, aceda aqui.

BOAS FÉRIAS e boas leituras!

quarta-feira, 17 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.




Jean -Charles, Amor de Calções - um conto perdido na teoria do conto e a fazer emergir pai e filho em tensão entre o amor e a liberdade de quem se quer a voar ninho fora, julgando-se de asas inquebráveis. De permeio, estórias de humor entre o doce e o amargo traçam mais fundo o perfil da personagem que nenhuma teoria ajuda a entender.


     «Uma vez, um novo aluno nosso veio cá a casa. Ao jantar, a Inês quis saber das minhas impressões. Muito tímido – disse eu. O Miguel interjetou: Claro! Vem aí assim de repente, sem ter ideia de nada, e apanha com o pai sem anestesia!
     Sei lá. Estou a recordar-me de outra ocasião em que, de visita cá em casa, um colega revelou que, para debelar a crise da meia-idade desopilando um pouco a acelerar na estrada, comprara uma Harley Davidson. O Miguel aproveitou-se: Devíamos oferecer-te uma. Curioso, perguntei:Para quê? Então explicou: Para descontraíres, dares oportunidade total de expansão ao teu outro eu.
       – E qual é ele?
       – O amável, gentil.
       Nem sempre era eu o alvo. Começou muito cedo a ler a Time Magazine e fazia-o quase de ponta a ponta. Era uma reportagem sobre Clint Eastwood. Passei por ele, olhei a revista, dei-lhe um beijinho e disse-lhe: Nem Clint Eastwood seria para ti um melhor pai do que eu.Ele: Claro! E saltando do sofá imitando o sacar da pistola à cintura como um cowboy em acção:Se não comes os cereais, Pum! Pum! Pum!»

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terça-feira, 16 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.


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       «... Mas estou mesmo a precisar de férias... Se não descanso, não sei se chego em boa forma ao final deste ano.
     Este verão estive quase para ir para a Islândia. Tive uma oportunidade única, apaixonei-me por uma mulher que ia de férias com o filho para a Islândia uma semana depois de nos conhecermos. Confesso que quase me deu na veneta e comprei um bilhete de avião, cheguei mesmo a pensar meter férias a meio do mês, assim sem mais nem menos, eu até tenho folgas para gastar, nem precisava de gastar dias de férias e aquela semana até tinha dois feriados pelo meio, e o museu onde eu trabalho até fazia ponte num deles e eu tinha terminado o relatório do ano que é o que me retira mais tempo e me cria mais tensão lá no escritório, eu até podia tirar férias sem perguntar a ninguém, sou o meu próprio chefe no meu departamento, era só preencher o formulário e carimbar, e até era um período calmo no museu, não havia nenhuma exposição prevista para aquela altura, o edifício até estava em obras, e tinha sido perfeito...»

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segunda-feira, 15 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.




«Este era o conto que eu  queria contar. Tenho muita pena de não saber escrever histórias para crianças. Mas ao menos ficaram sabendo como a história seria, e poderão contá-la doutra maneira, com palavras mais simples do que as minhas, e talvez mais tarde venham a saber escrever histórias para crianças...»

José Saramago


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Boas férias e boas leituras!

sábado, 13 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.


Ninfas e Adamastores - Açores do séc. XIX. Um emigrante judeu do Magrebe estabeleceu-se em S. Miguel e ali encontrou o lugar onde se enraizar, onde criar a família e a fortuna. Contudo, quer a nível pessoal, quer a nível financeiro, a luta para se manter numa terra, abandonando a vida errante, acaba por revelar-se maior do que ele próprio. 

     «Foi por livre e espontânea vontade que minha mãe decidiu ficar no Magrebe. Foi por livre  e espontânea vontade que minha mãe decidiu nunca contar que pouco depois dele ter viajado  para os Açores descobriu que estava grávida. Meu pai tentou, através de cartas, trazê-la para o “desterro”, como ela se referia a este lugar.
       Ocultou as cartas sempre, guardando-as, não sabia se ainda viria a necessitar delas. Mas o seu plano era outro. Tencionava dar por anulado o casamento por notícia da morte do marido. Assim, viúva e com apenas um filho, ainda jovem, conseguiria desposar de novo, o que no meio social dos meus avós e com a sua influência não seria difícil.
       Levou a cabo os seus intentos e vivi vinte anos com um homem a quem chamei pai, sem outros irmãos, sem desconfiar do real passado que minha mãe escondia de mim.
       Mandou fazer as malas logo após o funeral do meu padrasto. Não se pense que se sentia sozinha e por isso preferiria “desterrar-se” para ter a compreensível companhia masculina. O facto é que, vim a percebê-lo depois, os ecos de que o meu pai começava a negociar com gente de Inglaterra e, embora já contabilizasse algumas perdas, se destacava dos demais judeus daquelas paragens, chegaram-lhe aos ouvidos e refizeram-lhe os afectos esquecidos. A minha mãe gostava de dinheiro, de luxo. Casar-se com o meu padrasto gorou-a por completo. Ele não só nunca enriqueceu como nunca a libertaria para voltar ao seu anterior marido. Na verdade, ao aperceber-se da infelicidade da minha mãe, proibiu-a de sair de casa durante muito tempo.»


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quinta-feira, 11 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.




Quartos de Hotel. Quartos de encontros, desencontros, reencontros, despedidas, partidas... 
A Literatura. O Amor. A Paixão. Sonho. Desilusão. Quartos de Hotel. Quartos de lua. Quartos de Vidas...

«[...] E fora tal o escândalo e a berraria que aquilo que não passaria de um episódio sem rasto acabou por transformar-se no funeral daquele casamento. As coisas que têm de acontecer lá se organizam para os seus desenlaces, em geral por ínvios meandros que nenhuma ficção suportaria, sob pena de parecer inverosímil. Assim meditava Maria Pascoal, enternecida com a conclusão da história que vira nascer e extraviar-se, naquele mesmo hotel à beira-mar, catorze anos antes. Lembrava-se das lágrimas de Carmen, da bebedeira de Miguel, do desejo que circulava em redor deles como um halo de luz, tão intenso e cego, tão infantil e desavisado, incapaz de ver o seu caminho. Essa aura invadia agora o hotel inteiro, infiltrava-se nos quartos dos congressistas, tinha uma existência física. A marca distintiva do amor é a de uma terceira entidade, atmosférica e concreta, que faz com que os amantes se transfigurem na presença um do outro. O amor empurra dois corpos um para o outro, como se dançassem, ainda que em lados opostos da sala ou do mundo.»

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quarta-feira, 10 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.



A queda de um anjoUma octogenária descontente com o Paraíso, pois não tem junto a si a pessoa que mais ama, decide viajar para o Inferno. Para ela, o Paraíso pode ser infernal e, ao contrário, o Inferno poderá ser uma fonte de felicidade.

      «Quando era nova pensei que deveria substituir os fins por recomeços para não ter muita coisa para enterrar. Depois, quando envelheci, pensei que talvez devesse passar mais tempo a enterrar coisas. Funciona com as dálias e com as margaridas. Enterramos sementes e aquilo cresce em direção ao sol. Os corpos sem luz têm vontade de se exibir e de crescerem pelo céu acima como se subissem escadas. Enterramos coisas e elas crescem, aparecem, engordam, ficam verdes. É um bom exercício e foi algo que fiz com frequência: enterrar-me no jardim. O meu marido detestava que o fizesse, mas aquilo dava-me vontade de viver e eu saía da terra como as dálias e as margaridas, cheia de pétalas e cheia de cores. Enfiava-me a preto e branco e saía como se fosse felicidade. Depois passava muito tempo a limpar a roupa e, por três vezes, apanhei carraças. Tive de as tirar com um jornal a arder e eu detesto queimar as notícias. Dizem que não prestam, mas eu sinto que são importantes e informam-nos que a nossa vida está sempre a caminhar para o abismo e que não há nada a fazer senão continuar a votar nas pessoas erradas, que é para isso que serve a democracia, segundo me é dado perceber.»

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terça-feira, 9 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.



O Progresso da Humanidade - 1939, vésperas da II Guerra, manchete do DN. «Coisas que Não Estão Certas: haver lobos em terras do Continente português é uma vergonha. É um sinal de primitivismo, de barbárie, de atraso, que não se compadece com as expressões do nosso progresso». Mas, 70 anos depois, Oliveira vai matar os lobos e salvar Portugal.
  

       «Finalmente, na coluna do lado, anunciava-se a abertura oficial do concurso da “Aldeia  mais Portuguesa de Portugal”. Não a mais bonita, mas a mais portuguesa. “Portugal, de há um século para cá, tem vindo a desaportuguesar-se, a trocar a sua vida antiga, simples, ingénua, graciosa, muito sua e distinta da dos outros povos, pelo modo de ser, pensar e agir do estrangeiro, nomeadamente do francês.” A tarefa, agora, era “reaportuguesar Portugal. Restituí-lo ao seu torrão nativo, à pureza dos seus costumes primitivos, posto de parte o receio de certos assustadiços e derrotistas, tementes de que tal renacionalização empecilhe o Progresso.”
        O Inspector sublinhou a expressão “pureza dos seus costumes primitivos”. Mais um termo que surge ligado à desgraça de Oliveira, tudo indica que sim.
        Mas a pista mais forte é a do próprio dia da abertura de Nova Iorque, 1939. O Inspector  fotocopiou o recorte e distribuiu-o pelos colegas. Quando se inaugurava a feira mundial que mostrava “o Mundo do Amanhã”, as viagens interplanetárias e os robôs cozinheiros,  o “Diário de Notícias” publicava, em caixa destacada na primeira página, a rubrica:

         COISAS QUE NÃO ESTÃO CERTAS

         À primeira vista o caso parece não ter importância de maior. Mas tem. E muita. 
Haver lobos em terras do Continente português é uma vergonha. É um sinal de primitivismo, de barbárie, de atraso, que não se compadece com as expressões do nosso progresso, com a situação de um país como Portugal, país civilizado, país europeu.

       Esta notícia teve grande impacto no jovem. O Inspector acha que sem ela, lida no local e no ambiente em que estava, “o indivíduo em causa ainda hoje estaria vivo”. Os colegas e superiores não acreditaram que um parágrafo de jornal, com quase setenta anos, pudesse causar aquilo, mas o Inspector fez uma pesquisa paralela nos jornais e Internet. Depressa descobriu a extraordinária coincidência: a visita de Oliveira a Santa Comba deu-se na altura em que surgiram notícias novas sobre “o regresso dos lobos a Portugal”. Setenta anos depois.»


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