domingo, 24 de novembro de 2013

a ciência também é cultura

dia 24 de novembro 
[dia nacional da cultura científica]


1. Dia Nacional da Cultura Científica e o seu mentor Rómulo de Carvalho

O Dia Nacional da Cultura Científica, 24 de novembro, foi instituído em 1997, para homenagear o nascimento de Rómulo de Carvalho e divulgar o seu trabalho na promoção da cultura científica e no ensino da Ciência.

Rómulo de Carvalho
Professor, metodólogo, investigador, historiador, autor de manuais escolares e de livros de divulgação científica, Rómulo de Carvalho afirmou-se como um dos principais divulgadores de ciência em Portugal, trabalho que marcou gerações.

Os seus livros de divulgação em Ciência e Tecnologia e os seus artigos em jornais revelavam a sua preocupação em despertar do interesse dos portugueses pelo conhecimento científico. Na Gazeta de Física publicou, até 1974, 22 artigos de divulgação científica, atualização didática e orientação pedagógica.

Conforme nos diz Rómulo de Carvalho numa entrevista dada ao Público em 1996:

“A divulgação,  conforme eu gosto, é aquela que dá aos jovens as respostas que eles nunca chegaram a fazer. ‘Largo um corpo, porque é que ele cai?’ é uma coisa que pode interessar a toda a gente e trata-se de explicar isso em termos agradáveis. Para que possam ler e levá-los a pensar com mais pormenor nesse assunto e noutros.” (Entrevista, Público, 24-11-1996). 

Destaque também para os seus cadernos de iniciação científica, onde tratava temas da Física e da Química e para a coleção de livros “Ciência para Gente Nova”, onde esclarecia os jovens sobre temas da Física e da Química.

Nas suas aulas procurou sempre integrar o ensino experimental, de forma a complementar os conhecimentos teóricos e facilitando a compreensão dos seus alunos:

“Em relação ao ensino experimental, as experiências acompanham aquilo que queremos ensinar quando estamos na aula, mas o método de ensino não é exclusivamente experimental. As experiências servem para esclarecer o aluno sobre aquilo que está a ouvir. Eu levava sempre para a aula material que punha em cima da mesa e os alunos olhavam com toda a curiosidade: ‘Para que é isto? Para que é aquilo?’ À medida que ia falando, ia preparando as coisas e mostrando o que se passava, para ilustrar aquilo que estava a dizer.” (Entrevista, Público, 24-11-1996).
Para saber mais sobre Rómulo de Carvalho pode consultar-se esta página.




2. Ciência e Cultura

O conhecimento científico é uma forma poderosa de conhecermos, compreendermos e agirmos no mundo que nos rodeia. Ainda que a procura de compreensão do que nos rodeia remonte aos alvores da humanidade, a ciência, enquanto forma metódica, racional, empírica e experimental de conhecimento tem um desenvolvimento contínuo a partir do século XV. Os séculos XVII e XIX foram séculos de sucessivas descobertas e de afirmação das ciências da natureza, desde a Química, à Física, a Geografia, Biologia e, dentro de cada área mais alargada, ao surgimento de áreas cada vez mais especializadas.


O século XX foi um século no qual a aliança entre ciência e tecnologia foi extraordinária, o que mudou radicalmente a forma de viver de uma parte significativa da humanidade. Foi um século de possibilidade, que pareciam infinitas, mas também um século de perigos, nomeadamente no uso, à exaustão, de recursos naturais e da produção de fatores de poluição e de contaminação dos grandes sistemas naturais (atmosfera, os oceanos…) o que ameaça a sobrevivência do próprio planeta enquanto casa de todos nós, seres humanos e não humanos.



Paralelamente, desenvolveram-se as ciências sociais e humanas como a Psicologia, a Sociologia e a Economia. O extraordinário desenvolvimento da ciência e da sua aliada, a tecnologia, faz com que hoje um ser humano culto tenha de obrigatoriamente possuir, no seu senso comum, uma grande bagagem de conhecimentos científicos. Ter conhecimentos básicos de física, química, biologia, psicologia, economia e sociologia, para falar apenas das áreas mais alargadas, é essencial para o pleno exercício da cidadania.



Por isso, a divulgação científica assume hoje um papel de extrema relevância. Palestras, conferências, atividades em museus e exploratórios de ciência, leitura de revistas como a Superinteressante e Saber Mais, a leitura de livros de divulgação científica fazem parte da educação básica dos atuais e futuros cidadãos.

Em Portugal a divulgação e a educação científicas foram adquirindo uma relevância cada vez maior. Foi implementado o programa Ciência Viva, há vários exploratórios, como o exploratório Infante D. Henrique em Coimbra, a Fundação Calouste Gulbenkian desenvolveu o projeto Casa das Ciências, ciência e teatro têm desenvolvido uma ampla cooperação e existem cada vez mais editoras que publicam livros de divulgação científica dirigidos ao grande público, isto é, a um público que não é especialista em ciência.

Na biblioteca da escola há livros extremamente interessantes que contam o sucessivo desenvolvimento de várias áreas científicas que fazem parte da nossa história, pois somos amplamente moldados pelas possibilidades que esses homens e mulheres foram gerando na sua ação enquanto cientistas. Ficam aqui algumas sugestões, cujas referências podem ser encontradas no Catálogo Coletivo:




Para  saber mais, siga também as ligações que se encontram no texto.

Bibliografia:
Instituto Camões (2003). Ciência em Portugal: personagens e episódios. Rómulo de Carvalho. Obtido em http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p24.html a 23.11.2013.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

a inustentável leveza dos ideais


dia 21 de novembro [dia internacional da Filosofia decretado pela UNESCO]




Em 2002 a UNESCO declarou dia Internacional da Filosofia a terceira quinta-feira de cada mês de novembro.


Defende a UNESCO que o saber e a reflexão filosóficos são fundamentais para o mundo de hoje. Nas palavras de Irina Bokova, Diretora Geral da UNESCO, proferidas em 2011:

A prática da filosofia é um processo que beneficia a sociedade como um todo. Ajuda a construir pontes entre pessoas e culturas e reforça a exigência de uma educação de qualidade para todos. A filosofia estimula o respeito pela diversidade cultural, pela troca de opiniões e pela partilha dos benefícios da ciência, que são as condições para o debate legítimo.

Na conceção da UNESCO, a filosofia é fundamental para a existência de um debate entre os povos e as culturas, um debate que se deve suportar na discussão racional de ideias, princípios e valores.

Em 2013, o tema do Dia Internacional da Filosofia é sociedades inclusivas, planeta sustentado. Partindo do pressuposto que o exercício da filosofia implica um pensamento livre, razoável e informado sobre os maiores problemas dos nossos tempos, as Nações Unidas incitam governos e a sociedade civil a organizar atividades sobre o tema geral deste ano.



Podes consultar aqui o programa deste ano da UNESCO para assinalar o dia e discutir o tema proposto.

Aqui podes encontrar um conjunto de atividades, desenvolvidas em todo o mundo, a propósito do dia Internacional da Filosofia. São ideias que podem estar na base de outras ideias.

Em Portugal, e com o apoio da UNESCO, a Universidade Católica tem um programa de comemoração do Dia Internacional da Filosofia que podes consultar aqui.

Na Biblioteca da tua escola podes encontrar vários livros que mostram a relevância da filosofia para uma construção de um pensamento crítico e pessoal, um pensamento que nos permite intervir ativamente no mundo.


De entre as várias obras disponíveis, sugerimos a leitura de Pense. Uma introdução à Filosofia, de Simon Blackburn e O que quer dizer tudo isto? Uma iniciação à Filosofia, de Thomas Nigel.
Peter Singer
Nos dias de hoje encontramos vários filósofos plenamente comprometidos em ações que podem mudar o mundo para melhor, nomeadamente ações de combate à pobreza. Um desses filósofos é Peter Singer, cujas obras podes encontrar na Biblioteca da Escola. Mas também podes assistir em vídeo a uma intervenção de Peter Singer sobre "as vidas que podemos salvar" com pequenos gestos de ajuda. Convidamos-te, assim, a analisar a página da organização The life you can save.


Discute com os teus amigos e colegas a importância da Filosofia para um mundo mais inclusivo.


Bibliografia:

Irina Bokova (2011). Mensagem da UNESCO sobre o Dia Mundial da Filosofia 2011. UNESCO. Obtido em http://www.unesco.org/new/pt em 20.11.2013.

UNESCO (2013). El tema de la celebración del Día Mundial de la Filosofía de 2013 es: «Sociedades Inclusivas, Planeta Sostenible». UNESCO. Obtido em  http://www.unesco.org/new/pt em 20.11.2013.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

a ler...



«[...] É que não temos outra coisa. Somos as palavras que usamos. A nossa vida é isso. Se eu digo: estou pensando, e me perguntar: "em quê?", a minha resposta só pode ser com palavras. Não posso tirar o pensamento da cabeça e pô-lo em cima da mesa: aqui está o que eu estava pensando.»

José Saramago  

     Também somos o que permitimos que as palavras em nós contruam. E também nos construímos com a leitura e pela leitura.
     Aqui ficam algumas sugestões de leitura de obras de José Saramago, que podem ser requisitadas na Biblioteca Escolar clara Póvoa.


                         

Outras palavras de Saramago podem ser lidas em alguns dos seus Cadernos , ouvidas em pequenos excertos de vídeos




ou entrando mesmo na intimidade da sua vida e de sua casa por aqui , um filme de Miguel Gonçalves Mendes.

Boas leituras!

sábado, 16 de novembro de 2013

[celebrando] 91...


... velas no bolo de aniversário de José Saramago, hoje, dia 16 de novembro de 2013.


     E o melhor presente que lhe poderemos oferecer é, sem dúvida, usar as suas palavras para aprender dele e com ele. «Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar» foi o que norteou toda a sua obra, desassossego gradual e conscientemente adquirido, desde que começou essa viagem que não acaba nunca - a Vida - sobretudo quando de homens como Saramago se trata. 
     «A pergunta “quem és tu?” ou “quem sou eu?” tem uma resposta muito fácil: cada um conta a sua vida. A pergunta que não tem resposta é outra: “que sou eu?”. Não “quem” mas sim “quê”. Aquele que se faça essa pergunta irá enfrentar-se com uma página em branco, e não será capaz de escrever uma única palavra.» [1] Quem foi Saramago? Um Ser dotado de uma aguda sensibilidade,
Imagem: Sara Walton,
Gustavo Paiva e David Mósca (2010]
que lhe causa o tal desassossego do espírito, e cuja aprendizagem tão bem descreve no discurso proferido na Academia Sueca, aquando da receção do Prémio Nobel. E é neste discurso que se refere, a dada altura, a duas personagens que protagonizam uma das mais belas histórias de amor da literatura universal: «Aproximam-se agora um homem que deixou a mão esquerda na guerra e uma mulher que veio ao mundo com o misterioso poder de ver o que há por trás da pele das pessoas. Ele chama-se Baltasar Mateus e tem a alcunha de Sete-Sóis, a ela conhecem-na pelo nome de Blimunda, e também pelo apodo de Sete-Luas que lhe foi acrescentado depois, porque está escrito que onde haja um sol terá de haver uma lua, e que só a presença conjunta e harmoniosa de um e do outro tornará habitável, pelo amor, a terra.»
     

     A sensibilidade de Saramago revela-se, ainda, no hino constante com que exalta a Mulher, em muitas das suas obras, e cujo motivo ele tão bem explica: «Dizem que as minhas melhores personagens são mulheres e creio que têm razão. Às vezes penso que as mulheres que descrevi são propostas que eu mesmo quereria seguir. Talvez sejam só exemplos, talvez não existam, mas de uma coisa estou seguro: com elas o caos não se teria instalado neste mundo porque sempre conheceram a dimensão do humano».[2] Talvez porque «Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem uma coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu».[3]
     Celebrar Saramago é importante. Ler a sua obra também, uma vez que escreve para desassossegar e a sua escrita revela a consciência profunda de que «Os homens sempre valem o mesmo, tudo e coisa nenhuma» [4]

PARABÉNS, José Saramago!
LCM

[4] Saramago, J. (1982). Memorial do convento. Lisboa: Caminho, 24.ª ed, p. 111
     

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

a ler...



... para descobrir, aprender, treinar, consolidar conhecimentos e construir Conhecimento.


                                                    Esta é a essência da ciência: faça uma pergunta impertinente e cairá no caminho da resposta pertinente.

J. Bronowski


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

nas páginas da história: lembrar o passado, pensar o presente

[primeiras eleições autárquicas em Portugal]


O primeiro Governo Constitucional de Portugal inicia-se a 23 de Setembro de 1976, sob a chefia de Mário Soares. Por sufrágio direto, realizam-se igualmente as primeiras eleições democráticas para a Presidência da República, vencendo António Ramalho Eanes, um dos elementos do Grupo dos Nove (grupo de oficiais das Forças Armadas de Portugal). Finalmente, no dia 12 de Novembro de 1976, realizam-se as primeiras eleições autárquicas em Portugal.


Deste modo, todas as instituições democráticas passam a funcionar. Portugal entra então para o Conselho da Europa, uma organização internacional, fundada em Maio de 1949, que se dedica à defesa dos direitos humanos, ao desenvolvimento democrático e à estabilidade político-social na Europa. Neste mesmo ano, Portugal iniciou o seu processo de adesão à Comunidade Económica Europeia, uma organização internacional, criada por um dos dois Tratados de Roma de 1957, com a finalidade de estabelecer um mercado comum europeu, dando origem, mais tarde, à União Europeia.

Assim, somente após o 25 de Abril de 1974 se instituiu o modelo democrático do sufrágio universal. O povo conquistou a soberania de eleger periodicamente os seus governantes. Antes deste mesmo ano, e durante a vigência do Estado Novo, os Presidentes das Câmaras (Presidentes das Comissões Administrativas) eram nomeados pelos governadores civis e quase sempre escolhidos de entre os notáveis do concelho. Em 1976, realizaram-se então as primeiras eleições democráticas (eleições legislativas) e as primeiras eleições para os órgãos das autarquias locais. Deste modo, foi concebida às populações a soberania para julgar, avaliar e escolher quem se propõe para governar as suas terras. Os políticos autárquicos têm, assim, a obrigação de apresentar contas e tomar as decisões com o consentimento da sua população. É o povo que decide (democracia). Este é que tem o poder de aprovar ou demitir a continuação do político autárquico na sua função.
                                                                                  Rodrigo Rua Pereira, 12ºLH

Páginas da Internet (consultadas em 9 e 10.11.2013):   

http://albufeirasempre.blogs.sapo.pt/431133.html
http://booklandia.pt/tozesilva/?p=164
http://pt.wikipedia.org/wiki/Terceira_Rep%C3%BAblica_Portuguesa
http://www.snpcultura.org/o_que_disseram_bispos_portugueses_nas_primeiras_eleicoes_autarquicas.html
https://www.google.pt/search?tbm=isch&sa=1&q=m%C3%A1rio+soares&oq=m%C3%A1rio+soares&gs_l=img.3...164326.168877.3.169093.13.10.0.0.0.0.0.0..0.0....0...1c.1.31.img..13.0.0._JBqeZpUiko&bav=on.2,or.r_qf.&biw=1241&bih=606&dpr=1&bvm=pv.xjs.s.en_US.zw3SPWncBk.O&ech=4&psi=x25_UpK7ENOT0AW9zoCIDw.1384083180747.1&emsg=NCSR&noj=1&ei=N29_UpKBNqaq0QWki4CgCw
https://www.google.pt/search?q=primeiras+elei%C3%A7%C3%B5es+autarquicas+em+Portugal&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=U29_Urv6MMSS1AXH9IDYCw&ved=0CAcQ_AUoAQ&biw=1241&bih=606
http://pt.wikipedia.org/wiki/I_Governo_Constitucional_de_Portugal


terça-feira, 12 de novembro de 2013

a ler...


... para compreender o Mundo, a Vida, o Ser...

                            Um livro é como uma janela. Quem não o lê, é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena parte da paisagem. 

Kahlil Gibran

Aqui ficam novas janelas para muitas paisagens pintadas por autores portugueses. Clássicos ou contemporâneos, jovens escritores ou experientes autores, todos eles nos abrem formas diversas de ver o Mundo, a Vida, o Ser...

Caminha à descoberta no Boletim Bibliográfico n.º 47, da Biblioteca Escolar Clara Póvoa, e requisita na Biblioteca ou em qualquer biblioteca do concelho, através do serviço de empréstimo interbibliotecário.


a ler...


... para questionar...

                                                   «Não há uma forma única de ler bem, apesar de existir 
                                           uma razão fundamental para ler. A informação é-nos 
                                                       infinitamente disponível , mas onde podemos encontrar a sabedoria?» 

  Harold Bloom (2001). Como ler e porquê. 
Lisboa: Caminho, p. 15.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

a ler...



...na pressa dos dias, sabe sempre bem o aroma a cravo e canela de uma mulata Gabriela...
...na pressa dos dias, importa lembrar que, mesmo num cenário de guerra, a paixão também tem lugar...
...na pressa dos dias, o humanismo e a família são inquietações importantes, mesmo        
    numa ciranda de pedra...
...Demasiada felicidade nunca é de mais, porque sonhar continua a ser  possível...



Boas leituras!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

nas páginas da história: lembrar o passado, pensar o presente


Angola [independência e guerra civil]


Com a implantação da república em Portugal (1910), a colonização de Angola entrou numa nova fase de desenvolvimento económico. Com a incrementação da produção e exportação de produtos, como café e cana-de-açúcar, e o desenvolvimento da exploração petrolífera e dos minérios de ferro, este novo ciclo económico prolongou-se até 1972. Tal desenvolvimento atraiu inúmeros imigrantes. Em Portugal, a maioria dos emigrantes fixou-se em Angola.
Na década de 50, a questão da descolonização das colónias africanas é incluída no plano internacional, tornando-se uma questão incontornável. Em 1956 é publicado o primeiro manifesto do Movimento Popular de Libertação de Angola, conhecido por MPLA.
No início da década de 60, os movimentos de libertação MPLA, FNLA e UNITA, iniciam uma guerra contra o colonialismo português. Portugal, ditadura desde 1926, recusa-se a dialogar e leva a guerra ao limite (guerra colonial).
No entanto, com golpe de estado a 25 de abril de 1974 em Portugal, e um novo governo português, são abertas negociações com os 3 movimentos, para implementação de um regime democrático angolano.
      MPLA ou Movimento Popular de Libertação de Angola
      FNLA ou Frente Nacional de Libertação de Angola
      UNITA ou União Nacional para a Independência Total de Angola

Angola torna-se independente a 11 de Novembro de 1975, mas só após a uma guerra civil entre os 3 grupos nacionalistas, pelo controle do país e da capital, Luanda, em particular. Devido ao apoio de potências estrangeiras a estes grupos, o conflito teve uma dimensão internacional.

Assim, a 5 de outubro de 1975 desembarcaram em Angola soldados cubanos e armamento, organizados pela União Soviética, em apoio ao MPLA. Este controlava na altura Luanda e outras regiões costeiras. O MPLA garantiu assim o seu domínio neste conflito e veio, mais tarde a governar o país, apesar dos recorrentes acordos e confrontos com a UNITA.
No meio do caos da guerra, os portugueses de Angola, apelidados de “retornados”, foram trazidos para Portugal em pontes aéreas e marítimas (1974-1975), junto com os quais chegaram também os refugiados. Outros houve que chegaram ainda mais tarde.

Páginas eletrónicas consultadas entre 29.10.2013 e 4.11.2013:
Cassandra Souto Moniz, 12º LH

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

nas páginas da História: lembrar o passado, pensar o presente


dia 27 de outubro de 1949 [Egas Moniz recebe o prémio Nobel]


António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz nasceu em Avanca (Estarreja, Aveiro) no dia 29 de Novembro de 1874.  Foi médico, neurologista, investigador, professor, político e escritor. 

Em 27 de Outubro de 1949 foi galardoado com o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina, partilhado com Walter Rudolf Hess. Foi também agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Benemerência e a da Ordem de Santiago da Espada.

Faleceu em Lisboa em 13 de Dezembro de 1955.

O Prémio Nobel foi atribuído na sequência dos seus estudos na lobotomia  (ou leucotomia), uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas. Esta técnica cirurgica foi utilizada no passado em casos graves de esquizofrenia.

Foi a primeira técnica de psicocirurgia, ou seja, a utilização de manipulações orgânicas do cérebro para curar ou melhorar sintomas de uma patologia psiquiátrica (em contrapartida à neurocirurgia que se ocupa de doentes com patologia orgânica direta ou neurológica).  


Egas Moniz formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra em 1898, na qual foi nomeado professor em 1902. A partir de 1911 e até 1944 passou a ocupar a recém-criada cadeira de Neurologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, onde foi o primeiro professor.




Em 1927 efectuou a primeira angiografia cerebral no homem. Este novo processo permitiu obter em películas radiográficas a imagem dos vasos sanguíneos intracranianos e constituiu o maior progresso da cirurgia cerebral dos últimos 50 anos. Egas Moniz levou à criação da cirurgia vascular no encéfalo e trouxe uma contribuição fundamental para os diagnósticos dos tumores cerebrais. Este processo de diagnóstico também se revelou importante no tratamento dos traumatismos cranianos, porque indica com segurança a presença de hematomas.
Rui Godinho

Páginas electrónicas consultadas em 27.10.2013:                                                          
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Egas_Moniz
http://www.infopedia.pt/$egas-moniz-%28medico%29;jsessionid=4AssgltG6dG3NOhIuu-pew__

"portas para a vida"

Dia 28 de outubro [dia internacional das bibliotecas escolares]

Determinado pela Internacional Association of School Librarianship (IASL), o Mês Internacional da Biblioteca Escolar está a decorrer este ano sob o mote Biblioteca Escolar: uma porta para a vida.




Bibliotecas de todo o mundo realçam, ao longo do mês de outubro, a importância das bibliotecas escolares para o desenvolvimento escolar e cultural dos alunos.

As bibliotecas escolares são hoje canais privilegiados de acesso ao mundo da informação, quer porque permitem o acesso à Internet, ao livro, ao CD, ao DVD quer porque ensinam aos seus utilizadores como aceder e utilizar a informação de modo a que se transforme num bem de cada um.

São também um meio de acesso a experiências culturais: as bibliotecas escolares organizam exposições e palestras, ciclos de cinema e idas ao teatro, conversas com autores e ilustradores…

Mais do que locais onde se pode ir, as bibliotecas escolares mostram-nos saídas para inúmeros caminhos.

Siga este link para poder visualizar os muitos cartazes elaborados pelas bibliotecas escolares portuguesas a propósito do mês internacional das bibliotecas escolares: http://fotos.sapo.pt/redebibliotecas/albuns/?aid=1&slideshow

Veja neste link o que a Rede de Bibliotecas Escolares tem para nos oferecer: http://rbe.min-edu.pt/np4/home


domingo, 27 de outubro de 2013

nas páginas da História: lembrar o passado, pensar o presente


A Seara Nova


Em 1919, um grupo de intelectuais, preocupados com a permanente crise das instituições republicanas, começa a reunir-se com regularidade. Desse grupo acabará por surgir, em 1921, um projeto não partidário de intervenção política, que toma corpo através da fundação da Seara Nova.

A Seara Nova é uma revista doutrinária e crítica fundada em Lisboa com fins pedagógicos e políticos. Esta tinha como principais mentores Jaime Cortesão, Raul Proença, Aquilino Ribeiro, Augusto Casimiro, entre muitos outros.

O primeiro número da Seara Nova foi publicado no dia 15 de Outubro de 1921, numa época de desastre coletivo: desigualdades sociais, baixo nível cultural, ausência de valores e preocupações éticas, corrupção, etc. Os seus fundadores opunham-se a este desastre e pugnavam pelos valores da inteligência, da cultura, da ética, da justiça e do progresso. Exemplo disso é que no editorial do primeiro número da revista afirmava-se: (…) a Seara Nova não pode proceder (…) como se uma maior justiça social não fosse possível (…) como se o socialismo não representasse uma promessa de realização dessa justiça (…).

Grandes nomes passaram pelas páginas desta revista, nomeadamente José Saramago, Alexandre Cabral, Alberto Vilaça, entre muitos outros. Intelectuais de grande valor. Homens de caráter e cuja moral se encontra espelhada numa das frases do primeiro número da revista: Em democracia quem mente ao povo é réu de alta traição.


A Seara Nova foi sempre um espaço de diálogo, de abertura às ideias do progresso, de investigação, de rigor ético e de divulgação cultural. Dada a sua grande abertura à cultura e à unidade pelos ideais progressistas, esta acabou por criar um espírito seareiro.


No final da Primeira República, a Seara Nova destacou-se pelo seu valor intelectual e, desde logo, alertou e denunciou os perigos do advento da ditadura. Esta revelou-se ideológica e culturalmente antifascista. Na resistência ao fascismo, a revista, mesmo quando alvo dos serviços de Censura que lhe impunham cortes e proibições, foi um farol democrático, um espaço de elevadas polémicas e de valiosas colaborações de toda a intelectualidade progressista.

Assim, podemos concluir que, a Seara Nova foi um dos principais veículos de consolidação da oposição democrática em Portugal. Apesar das vicissitudes resultantes da censura e das dificuldades financeiras que o projeto atravessou, este menteve o entusiasmo e o interesse do público, numa aliança invulgar em Portugal de criatividade, combatividade e robustez ideológica.

Para saber mais sobre a Seara Nova nos dias de hoje, ver: http://www.searanova.publ.pt/


Endereços das páginas eletrónicas consultadas







Christiane Marques (12ºLH)

nas páginas da História: lembrar o passado, pensar o presente

                           

Criação da PIDE


         A PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) foi o órgão policial de Portugal que trabalhou em conjunto com a Legião Portuguesa. Fez parte de uma série de organismos da força pública, criados em sequência, desde a origem da República em Portugal.
         Estabelecida em plena época do Estado Novo, sob a direção de António de Oliveira Salazar, a sua principal função foi condicionar, controlar e anular qualquer tipo de manifestação que fosse considerada como opositora à ditadura, recorrendo frequentemente a meios violentos, como a tortura.

         A PIDE, instituição de caráter secreto, permaneceu em Portugal entre 1945 e 1969, passando, na chamada “Primavera Marcelista”, a designar-se Direcção Geral de Segurança. Possuía, enquanto órgão ativo, funções bastante abrangentes, nomeadamente nos setores dos serviços estrangeiros, fronteiras e na segurança do Estado, vindo a desempenhar também funções de caráter administrativo e de repressão e prevenção criminal.

A PIDE foi responsável por alguns crimes sangrentos, como o assassinato do militante José Dias Coelho e do general Humberto Delgado.





Testemunho real:
     “A 13 de Março de 1962, eu e mais alguns colegas meus fomos presos pela PIDE… Eu não imaginava, não sabia o que era uma prisão... Logo na primeira semana, estivemos cinco dias amarrados dentro da cela, sem alimentação, sem nada, só água... Depois foi a tortura física,... Na minha idade, com 15 anos, não pouparam o meu físico, levei muita porrada. Resisti… Depois de um mês de interrogatórios estive isolado, dois anos. Havia momentos em que falava sozinho, para ouvir a minha voz… Passada uma semana, voltaram a interrogar-me. Disseram-me que eu só tinha dito mentiras e recomeçaram. Passei mais 60 dias de interrogatório. Foi terrível... terrível… Assisti à morte de cinco a seis presos por dia… Dia sim, dia não punham-me de joelhos, em cima de pedras, com os braços abertos, de manhã à noite, mas eu nada revelei... Uma médica que me assistiu aconselhou que os agentes dos serviços prisionais não me batessem mais porque poderia morrer. Que pretendiam de mim? Que desvendasse os nomes dos elementos de um partido local.”
              (Declarações de um prisioneiro guineense no tempo da guerra em África, inseridas no artigo «A PIDE existiu. E torturou.», in Diana Andringa, Público, 16-04-1994, p.21)      
                                                        
Páginas eletrónicas consultadas
·         http://www.historiadeportugal.info/pide/
·         http://www.infopedia.pt/$pide-(policia-internacional-e-de-defesado;jsessionid= a4Ew3FOe0L0u49Z+jRou4w__
·         http://lusofonia.com.sapo.pt/literatura_portuguesa/PIDE.htm


Inês Cera (12ºLH)

nas páginas da História: lembrar o passado, pensar o presente

Movimento de Unidade Democrática


Com a vitória dos Aliados na 2ª Guerra Mundial, e face às pressões políticas externas após 1945, sobretudo da Inglaterra e dos Estados Unidos, Salazar simulou uma certa abertura do regime: aligeirou a censura; autorizou manifestações populares; libertou presos políticos e prometeu eleições livres.
Foi neste contexto de aparente abertura política que surgiu o Movimento de Unidade Democrática (MUD), fundado a 8 de outubro de 1945, com a autorização do governo.
O principal objetivo era concorrer às eleições para combater o regime salazarista, proporcionando um debate público em torno da questão eleitoral. Contudo, esta “liberdade” é abolida após a campanha presidencial da oposição do general Norton de Matos, em 1949, ano em que o MUD é remetido para a ilegalidade. De facto, a adesão popular ao MUD, no quadro da crise interna e do enfraquecimento do regime após-guerra, excede todas as expetativas.
Neste contexto, os ativistas do MUD são perseguidos pela PIDE, alguns despedidos e outros presos.

Juliana Rosete (12.º LH)