segunda-feira, 25 de novembro de 2013

nas páginas da história: lembrar o passado, pensar o presente

União Nacional [a propósito da tomada de posse dos dirigentes do partido único do salazarismo]



Criada ainda durante o período da ditadura nacional, a União Nacional foi anunciada ao país em 30 de julho de 1930,  através de um manifesto lido pelo presidente do Ministério, General Domingos de Oliveira, e por um discurso do Ministro das Finanças, Oliveira Salazar.



A União Nacional foi constituída para manter o regime político que se estabeleceu em Portugal com a aprovação da constituição de 1933. Era o único partido constituído legalmente e destinava-se a unir todos os Portugueses à sua volta.

Em 1934, no seu I Congresso, a União Nacional criaria os seus órgãos de direção, estabeleceria a  sua estrutura interna e definiria as suas normas de atuação futuras. Nesse mesmo ano, concorreu às eleições para a Assembleia Nacional em sistema de lista única, vindo a ter o Movimento de Unidade Democrática (MUD) como opositor somente nas eleições legislativas de 1945 e nas eleições presidenciais de 1949, nestas últimas com Norton de Matos como candidato da oposição contra o presidente Óscar Carmona. No entanto, em ambas as eleições, o MUD retirou-se por não conseguir preencher os requisitos de candidatura, concorrendo sem adversário a União Nacional.

A União Nacional era uma organização centralizada e ligada ao governo. Foi sempre dirigida pelo primeiro-ministro em exercício. Primeiro Salazar, e depois Marcello Caetano, ocuparam o cargo de presidente da Comissão Central.

Para além da centralização, o monopólio político era outra característica da União Nacional, não permitindo oposição política, visto que esta, a existir, era impossibilitada e perseguida.Manteve o monopólio da representação parlamentar até 1974, elegendo sempre a totalidade dos seus deputados e assegurou que todos os presidentes da República durante este período fossem aqueles que apoiavam. Marechal Óscar Carmona, eleito para quatro mandatos sucessivos, F. H. Craveiro Lopes, eleito para um mandato, e Américo Thomaz, eleito para três mandatos.

No último congresso da União Social, que ocorreu no início de 1970, foi reorganizada passando a ser denominada por Acção Nacional Popular.
Diogo Reigota 12º LH

Páginas da Internet consultadas entre 20 e 22.11.2013:               
http://www.slideshare.net/ruinobre/salazar-e-o-estado-novo
http://www.infopedia.pt/$uniao-nacional
http://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_Nacional

a ler...

a propósito do dia 24 de novembro, dia mundial da ciência 

[sugestões de leitura da BECP]


Hoje em dia, com os inúmeros recursos disponíveis online, obter conhecimentos sobre ciência não é difícil. Até é fácil e divertido.

Mas, nem sempre conseguimos obter uma visão global e sistemática do que é a ciência nas suas diferentes áreas e da forma como a atividade científica foi moldando o mundo em que vivemos e como foi ampliando infinitamente a nossa forma de compreender a realidade que nos rodeia. E, no entanto, “ler ciência” também é fácil e divertido graças ao trabalho de divulgação científica que alguns autores têm realizado.

Na Biblioteca Escolar Clara Póvoa, cujo catálogo também é acessivel através do Catálogo Coletivo da Rede de Bibliotecas de Cantanhede, podemos encontrar uma coleção muito considerável de livros de divulgação científica.

Ficam aqui algumas sugestões.

Os descobridores de Daniel Boorstin, Editorial Gradiva



Obra que faz parte de uma trilogia (Os descobridores, Os pensadores e Os criadores) e que nos conta a aventura dos grandes descobridores que deram origem à Física, à Química e à Biologia, tal como as conhecemos hoje. Uma aventura absolutamente fascinante que nos leva a olhar para objetos comuns do dia a dia de forma completamente diferente.



Você está aqui. Uma história portátil do universo de Christopher Potter, 
da editora Casa das Letras



Uma biografia rigorosa e provocadora do universo desde o seu nascimento até aos dias de hoje. Uma narrativa exploratória de todas as grandezas, dimensões e realidades que estão irradiadas num lugar que é tudo e ao mesmo tempo não é nada. O autor demonstra que a ciência avança afastando a humanidade do centro da atenção cósmica, mas o universo reage colocando-nos de novo lá.


Breve história de quase tudo de Bill Bryson, da Bertrand Editora



Pode parecer um nome pomposo, mas é mesmo uma história de quase tudo. Uma pesquisa digna de um mamute, anos de investigação e como resultado... o Big Bang, os dinossauros, o aquecimento global, a geologia, Einstein, os Curies, a teoria da evolução, a gasolina com chumbo, a teoria atómica, os quarks, os vulcões, os cromossomas, o carbono, os organismos edicaranos, a descontinuidade de Moho, o ADN, Charles Darwin e um zilião de outras coisas. Em linguagem não demasiado científica, sempre clara e com as devidas anotações, o leitor é conduzido, por este autor extremamente divertido e bem informado, numa viagem através do tempo e do espaço, cujo prato forte é também revelar-nos algumas ironias do desenvolvimento científico. Esta é verdadeiramente uma obra que nos dá a sensação de ter o mundo na palma da mão. Um livro que vendeu milhões de exemplares e que vale mesmo a pena ler.


A espiral da vida. As dez mais notáveis invenções da evolução de Nick Lane, 
da Editorial Gradiva



Como é que a vida se inventou? De onde vem o ADN? Porque morremos? Ao longo das últimas décadas, foi desenvolvida investigação apaixonante que lançou uma luz nova sobre a composição da vida.
Com base neste novo manancial de conhecimento científico, o bioquímico premiado Nick Lane reconstituiu a história da vida através da descrição das dez mais notáveis invenções da evolução, refletindo sobre o modo como cada uma – do ADN ao sexo,do sangue quente à consciência e finalmente à morte – transformou a vida e,em muitas ocasiões, o próprio planeta que habitamos. Uma forma agradável e muito útil de acompanhar algumas das descobertas mais marcantes da atualidade. Vale mesmo a pena ler.


Poeira da alma. A magia da consciência de Nicholas Humphrey, 
da Editorial Gradiva



Como é possível a consciência? A que finalidade biológica se destina? Porque é que a valorizamos tanto?

Em Poeira da Alma, Nicholas Humphrey, figura cimeira da investigação mundial no campo da consciência, avança uma nova teoria surpreendente. A consciência, afirma, não é senão um espectáculo de magia e mistério que representamos para nós próprios dentro das nossas cabeças. Este espectáculo autocriado ilumina-nos o mundo e faz-nos sentir especiais e transcendentes. Assim, a consciência abre caminho à espiritualidade e permite-nos, enquanto seres humanos, colher os frutos, e ansiedades, de viver no que Humphrey chama«o nicho da alma».


O Grande Inquisidor. A vida extraordinária e o desaparecimento misterioso de Ettore Majorana, de João Magueijo, da Editorial Gradiva



Na noite de 26 de Março de 1938, o físico nuclear Ettore Majorana embarcou levando consigo uma grande quantia de dinheiro e o passaporte. Nunca mais foi visto. Até aos nossos dias, o seu desaparecimento permanece envolto em mistério.

Em O Grande Inquisidor (alcunha por que Ettore Majorana era conhecido entre os colegas), o físico teórico João Magueijo conta a história de Majorana e do seu grupo de investigação, responsáveis pela descoberta casual da fusão nuclear, em 1934. Quando Majorana, o mais brilhante do grupo, começa a compreender as implicações potencialmente letais da investigação em curso, fica perturbado. Ter-se-á suicidado? Terá sido raptado? Terá encenado a sua própria morte para se retirar da investigação científica?
Magueijo relata a vida trágica de Majorana e o seu desaparecimento bizarro ao mesmo tempo que nos fala das mais interessantes personalidades da ciência do século XX. Oferece-nos uma visão surpreendente dos meandros sombrios do mundo científico - tanto as suas dificuldades éticas como as suas por vezes complexas dinâmicas de grupo. O resultado é uma obra arrebatadora que dá conta da descoberta extraordinária de Majorana - o neutrino de Majorana - e sugere novas pistas para um dos mais intrigantes mistérios da ciência. Uma história de ciência e mistério.


A prodigiosa aventura das plantas de Jean-Marie Pelt e Jean-Pierre Cuny
da Editorial Gradiva



Poderíamos pensar, o que me interessa a história das plantas. Isso não será para jardineiros e botânicos? Não, para quem goste de ler e de conhecer o mundo. Pensávamos nós que, no que respeita ao sexo, haveria o marculino, o feminino e os hemafroditas. Mas, quando lemos que existe um número muito maior de sexos nas plantas, ficamos um pouco baralhados. Quando a semente de uma planta pode viver centenas de anos e germinar como quem não quer a coisa, ficamos curiosos. Um livro muito, muito interessante e divertido de ler.


O Homem que só gostava de números de Paul Hoffman, da Editorial Gradiva



Paul Erdös foi um dos mais prolíficos e excêntricos matemáticos do nosso tempo, um homem que possuía inimagináveis poderes intelectuais, mas que era incapaz de realizar muitas das tarefas diárias mais simples. Durante mais de duas décadas viveu com o conteúdo de duas velhas malas, atravessando quatro continentes a um ritmo frenético, perseguindo problemas matemáticos em busca da beleza perene e da verdade absoluta.

Paul Hoffman fornece uma visão íntima da vida e das relações de Erdös, apresentando ao leitor um elenco de notáveis génios matemáticos, bem como as mais importantes descobertas matemáticas do século XX. Livro premiado com o Rhône-Poulenc Prize 1999 para o melhor livro de ciência e que se lê de um folgo só, como quem lê um entusiasmante livro de mistério.

Vale a pena ler.

domingo, 24 de novembro de 2013

a ciência também é cultura

dia 24 de novembro 
[dia nacional da cultura científica]


1. Dia Nacional da Cultura Científica e o seu mentor Rómulo de Carvalho

O Dia Nacional da Cultura Científica, 24 de novembro, foi instituído em 1997, para homenagear o nascimento de Rómulo de Carvalho e divulgar o seu trabalho na promoção da cultura científica e no ensino da Ciência.

Rómulo de Carvalho
Professor, metodólogo, investigador, historiador, autor de manuais escolares e de livros de divulgação científica, Rómulo de Carvalho afirmou-se como um dos principais divulgadores de ciência em Portugal, trabalho que marcou gerações.

Os seus livros de divulgação em Ciência e Tecnologia e os seus artigos em jornais revelavam a sua preocupação em despertar do interesse dos portugueses pelo conhecimento científico. Na Gazeta de Física publicou, até 1974, 22 artigos de divulgação científica, atualização didática e orientação pedagógica.

Conforme nos diz Rómulo de Carvalho numa entrevista dada ao Público em 1996:

“A divulgação,  conforme eu gosto, é aquela que dá aos jovens as respostas que eles nunca chegaram a fazer. ‘Largo um corpo, porque é que ele cai?’ é uma coisa que pode interessar a toda a gente e trata-se de explicar isso em termos agradáveis. Para que possam ler e levá-los a pensar com mais pormenor nesse assunto e noutros.” (Entrevista, Público, 24-11-1996). 

Destaque também para os seus cadernos de iniciação científica, onde tratava temas da Física e da Química e para a coleção de livros “Ciência para Gente Nova”, onde esclarecia os jovens sobre temas da Física e da Química.

Nas suas aulas procurou sempre integrar o ensino experimental, de forma a complementar os conhecimentos teóricos e facilitando a compreensão dos seus alunos:

“Em relação ao ensino experimental, as experiências acompanham aquilo que queremos ensinar quando estamos na aula, mas o método de ensino não é exclusivamente experimental. As experiências servem para esclarecer o aluno sobre aquilo que está a ouvir. Eu levava sempre para a aula material que punha em cima da mesa e os alunos olhavam com toda a curiosidade: ‘Para que é isto? Para que é aquilo?’ À medida que ia falando, ia preparando as coisas e mostrando o que se passava, para ilustrar aquilo que estava a dizer.” (Entrevista, Público, 24-11-1996).
Para saber mais sobre Rómulo de Carvalho pode consultar-se esta página.




2. Ciência e Cultura

O conhecimento científico é uma forma poderosa de conhecermos, compreendermos e agirmos no mundo que nos rodeia. Ainda que a procura de compreensão do que nos rodeia remonte aos alvores da humanidade, a ciência, enquanto forma metódica, racional, empírica e experimental de conhecimento tem um desenvolvimento contínuo a partir do século XV. Os séculos XVII e XIX foram séculos de sucessivas descobertas e de afirmação das ciências da natureza, desde a Química, à Física, a Geografia, Biologia e, dentro de cada área mais alargada, ao surgimento de áreas cada vez mais especializadas.


O século XX foi um século no qual a aliança entre ciência e tecnologia foi extraordinária, o que mudou radicalmente a forma de viver de uma parte significativa da humanidade. Foi um século de possibilidade, que pareciam infinitas, mas também um século de perigos, nomeadamente no uso, à exaustão, de recursos naturais e da produção de fatores de poluição e de contaminação dos grandes sistemas naturais (atmosfera, os oceanos…) o que ameaça a sobrevivência do próprio planeta enquanto casa de todos nós, seres humanos e não humanos.



Paralelamente, desenvolveram-se as ciências sociais e humanas como a Psicologia, a Sociologia e a Economia. O extraordinário desenvolvimento da ciência e da sua aliada, a tecnologia, faz com que hoje um ser humano culto tenha de obrigatoriamente possuir, no seu senso comum, uma grande bagagem de conhecimentos científicos. Ter conhecimentos básicos de física, química, biologia, psicologia, economia e sociologia, para falar apenas das áreas mais alargadas, é essencial para o pleno exercício da cidadania.



Por isso, a divulgação científica assume hoje um papel de extrema relevância. Palestras, conferências, atividades em museus e exploratórios de ciência, leitura de revistas como a Superinteressante e Saber Mais, a leitura de livros de divulgação científica fazem parte da educação básica dos atuais e futuros cidadãos.

Em Portugal a divulgação e a educação científicas foram adquirindo uma relevância cada vez maior. Foi implementado o programa Ciência Viva, há vários exploratórios, como o exploratório Infante D. Henrique em Coimbra, a Fundação Calouste Gulbenkian desenvolveu o projeto Casa das Ciências, ciência e teatro têm desenvolvido uma ampla cooperação e existem cada vez mais editoras que publicam livros de divulgação científica dirigidos ao grande público, isto é, a um público que não é especialista em ciência.

Na biblioteca da escola há livros extremamente interessantes que contam o sucessivo desenvolvimento de várias áreas científicas que fazem parte da nossa história, pois somos amplamente moldados pelas possibilidades que esses homens e mulheres foram gerando na sua ação enquanto cientistas. Ficam aqui algumas sugestões, cujas referências podem ser encontradas no Catálogo Coletivo:




Para  saber mais, siga também as ligações que se encontram no texto.

Bibliografia:
Instituto Camões (2003). Ciência em Portugal: personagens e episódios. Rómulo de Carvalho. Obtido em http://cvc.instituto-camoes.pt/ciencia/p24.html a 23.11.2013.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

a inustentável leveza dos ideais


dia 21 de novembro [dia internacional da Filosofia decretado pela UNESCO]




Em 2002 a UNESCO declarou dia Internacional da Filosofia a terceira quinta-feira de cada mês de novembro.


Defende a UNESCO que o saber e a reflexão filosóficos são fundamentais para o mundo de hoje. Nas palavras de Irina Bokova, Diretora Geral da UNESCO, proferidas em 2011:

A prática da filosofia é um processo que beneficia a sociedade como um todo. Ajuda a construir pontes entre pessoas e culturas e reforça a exigência de uma educação de qualidade para todos. A filosofia estimula o respeito pela diversidade cultural, pela troca de opiniões e pela partilha dos benefícios da ciência, que são as condições para o debate legítimo.

Na conceção da UNESCO, a filosofia é fundamental para a existência de um debate entre os povos e as culturas, um debate que se deve suportar na discussão racional de ideias, princípios e valores.

Em 2013, o tema do Dia Internacional da Filosofia é sociedades inclusivas, planeta sustentado. Partindo do pressuposto que o exercício da filosofia implica um pensamento livre, razoável e informado sobre os maiores problemas dos nossos tempos, as Nações Unidas incitam governos e a sociedade civil a organizar atividades sobre o tema geral deste ano.



Podes consultar aqui o programa deste ano da UNESCO para assinalar o dia e discutir o tema proposto.

Aqui podes encontrar um conjunto de atividades, desenvolvidas em todo o mundo, a propósito do dia Internacional da Filosofia. São ideias que podem estar na base de outras ideias.

Em Portugal, e com o apoio da UNESCO, a Universidade Católica tem um programa de comemoração do Dia Internacional da Filosofia que podes consultar aqui.

Na Biblioteca da tua escola podes encontrar vários livros que mostram a relevância da filosofia para uma construção de um pensamento crítico e pessoal, um pensamento que nos permite intervir ativamente no mundo.


De entre as várias obras disponíveis, sugerimos a leitura de Pense. Uma introdução à Filosofia, de Simon Blackburn e O que quer dizer tudo isto? Uma iniciação à Filosofia, de Thomas Nigel.
Peter Singer
Nos dias de hoje encontramos vários filósofos plenamente comprometidos em ações que podem mudar o mundo para melhor, nomeadamente ações de combate à pobreza. Um desses filósofos é Peter Singer, cujas obras podes encontrar na Biblioteca da Escola. Mas também podes assistir em vídeo a uma intervenção de Peter Singer sobre "as vidas que podemos salvar" com pequenos gestos de ajuda. Convidamos-te, assim, a analisar a página da organização The life you can save.


Discute com os teus amigos e colegas a importância da Filosofia para um mundo mais inclusivo.


Bibliografia:

Irina Bokova (2011). Mensagem da UNESCO sobre o Dia Mundial da Filosofia 2011. UNESCO. Obtido em http://www.unesco.org/new/pt em 20.11.2013.

UNESCO (2013). El tema de la celebración del Día Mundial de la Filosofía de 2013 es: «Sociedades Inclusivas, Planeta Sostenible». UNESCO. Obtido em  http://www.unesco.org/new/pt em 20.11.2013.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

a ler...



«[...] É que não temos outra coisa. Somos as palavras que usamos. A nossa vida é isso. Se eu digo: estou pensando, e me perguntar: "em quê?", a minha resposta só pode ser com palavras. Não posso tirar o pensamento da cabeça e pô-lo em cima da mesa: aqui está o que eu estava pensando.»

José Saramago  

     Também somos o que permitimos que as palavras em nós contruam. E também nos construímos com a leitura e pela leitura.
     Aqui ficam algumas sugestões de leitura de obras de José Saramago, que podem ser requisitadas na Biblioteca Escolar clara Póvoa.


                         

Outras palavras de Saramago podem ser lidas em alguns dos seus Cadernos , ouvidas em pequenos excertos de vídeos




ou entrando mesmo na intimidade da sua vida e de sua casa por aqui , um filme de Miguel Gonçalves Mendes.

Boas leituras!

sábado, 16 de novembro de 2013

[celebrando] 91...


... velas no bolo de aniversário de José Saramago, hoje, dia 16 de novembro de 2013.


     E o melhor presente que lhe poderemos oferecer é, sem dúvida, usar as suas palavras para aprender dele e com ele. «Vivo desassossegado, escrevo para desassossegar» foi o que norteou toda a sua obra, desassossego gradual e conscientemente adquirido, desde que começou essa viagem que não acaba nunca - a Vida - sobretudo quando de homens como Saramago se trata. 
     «A pergunta “quem és tu?” ou “quem sou eu?” tem uma resposta muito fácil: cada um conta a sua vida. A pergunta que não tem resposta é outra: “que sou eu?”. Não “quem” mas sim “quê”. Aquele que se faça essa pergunta irá enfrentar-se com uma página em branco, e não será capaz de escrever uma única palavra.» [1] Quem foi Saramago? Um Ser dotado de uma aguda sensibilidade,
Imagem: Sara Walton,
Gustavo Paiva e David Mósca (2010]
que lhe causa o tal desassossego do espírito, e cuja aprendizagem tão bem descreve no discurso proferido na Academia Sueca, aquando da receção do Prémio Nobel. E é neste discurso que se refere, a dada altura, a duas personagens que protagonizam uma das mais belas histórias de amor da literatura universal: «Aproximam-se agora um homem que deixou a mão esquerda na guerra e uma mulher que veio ao mundo com o misterioso poder de ver o que há por trás da pele das pessoas. Ele chama-se Baltasar Mateus e tem a alcunha de Sete-Sóis, a ela conhecem-na pelo nome de Blimunda, e também pelo apodo de Sete-Luas que lhe foi acrescentado depois, porque está escrito que onde haja um sol terá de haver uma lua, e que só a presença conjunta e harmoniosa de um e do outro tornará habitável, pelo amor, a terra.»
     

     A sensibilidade de Saramago revela-se, ainda, no hino constante com que exalta a Mulher, em muitas das suas obras, e cujo motivo ele tão bem explica: «Dizem que as minhas melhores personagens são mulheres e creio que têm razão. Às vezes penso que as mulheres que descrevi são propostas que eu mesmo quereria seguir. Talvez sejam só exemplos, talvez não existam, mas de uma coisa estou seguro: com elas o caos não se teria instalado neste mundo porque sempre conheceram a dimensão do humano».[2] Talvez porque «Além da conversa das mulheres, são os sonhos que seguram o mundo na sua órbita. Mas são também os sonhos que lhe fazem uma coroa de luas, por isso o céu é o resplendor que há dentro da cabeça dos homens, se não é a cabeça dos homens o próprio e único céu».[3]
     Celebrar Saramago é importante. Ler a sua obra também, uma vez que escreve para desassossegar e a sua escrita revela a consciência profunda de que «Os homens sempre valem o mesmo, tudo e coisa nenhuma» [4]

PARABÉNS, José Saramago!
LCM

[4] Saramago, J. (1982). Memorial do convento. Lisboa: Caminho, 24.ª ed, p. 111
     

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

a ler...



... para descobrir, aprender, treinar, consolidar conhecimentos e construir Conhecimento.


                                                    Esta é a essência da ciência: faça uma pergunta impertinente e cairá no caminho da resposta pertinente.

J. Bronowski


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

nas páginas da história: lembrar o passado, pensar o presente

[primeiras eleições autárquicas em Portugal]


O primeiro Governo Constitucional de Portugal inicia-se a 23 de Setembro de 1976, sob a chefia de Mário Soares. Por sufrágio direto, realizam-se igualmente as primeiras eleições democráticas para a Presidência da República, vencendo António Ramalho Eanes, um dos elementos do Grupo dos Nove (grupo de oficiais das Forças Armadas de Portugal). Finalmente, no dia 12 de Novembro de 1976, realizam-se as primeiras eleições autárquicas em Portugal.


Deste modo, todas as instituições democráticas passam a funcionar. Portugal entra então para o Conselho da Europa, uma organização internacional, fundada em Maio de 1949, que se dedica à defesa dos direitos humanos, ao desenvolvimento democrático e à estabilidade político-social na Europa. Neste mesmo ano, Portugal iniciou o seu processo de adesão à Comunidade Económica Europeia, uma organização internacional, criada por um dos dois Tratados de Roma de 1957, com a finalidade de estabelecer um mercado comum europeu, dando origem, mais tarde, à União Europeia.

Assim, somente após o 25 de Abril de 1974 se instituiu o modelo democrático do sufrágio universal. O povo conquistou a soberania de eleger periodicamente os seus governantes. Antes deste mesmo ano, e durante a vigência do Estado Novo, os Presidentes das Câmaras (Presidentes das Comissões Administrativas) eram nomeados pelos governadores civis e quase sempre escolhidos de entre os notáveis do concelho. Em 1976, realizaram-se então as primeiras eleições democráticas (eleições legislativas) e as primeiras eleições para os órgãos das autarquias locais. Deste modo, foi concebida às populações a soberania para julgar, avaliar e escolher quem se propõe para governar as suas terras. Os políticos autárquicos têm, assim, a obrigação de apresentar contas e tomar as decisões com o consentimento da sua população. É o povo que decide (democracia). Este é que tem o poder de aprovar ou demitir a continuação do político autárquico na sua função.
                                                                                  Rodrigo Rua Pereira, 12ºLH

Páginas da Internet (consultadas em 9 e 10.11.2013):   

http://albufeirasempre.blogs.sapo.pt/431133.html
http://booklandia.pt/tozesilva/?p=164
http://pt.wikipedia.org/wiki/Terceira_Rep%C3%BAblica_Portuguesa
http://www.snpcultura.org/o_que_disseram_bispos_portugueses_nas_primeiras_eleicoes_autarquicas.html
https://www.google.pt/search?tbm=isch&sa=1&q=m%C3%A1rio+soares&oq=m%C3%A1rio+soares&gs_l=img.3...164326.168877.3.169093.13.10.0.0.0.0.0.0..0.0....0...1c.1.31.img..13.0.0._JBqeZpUiko&bav=on.2,or.r_qf.&biw=1241&bih=606&dpr=1&bvm=pv.xjs.s.en_US.zw3SPWncBk.O&ech=4&psi=x25_UpK7ENOT0AW9zoCIDw.1384083180747.1&emsg=NCSR&noj=1&ei=N29_UpKBNqaq0QWki4CgCw
https://www.google.pt/search?q=primeiras+elei%C3%A7%C3%B5es+autarquicas+em+Portugal&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=U29_Urv6MMSS1AXH9IDYCw&ved=0CAcQ_AUoAQ&biw=1241&bih=606
http://pt.wikipedia.org/wiki/I_Governo_Constitucional_de_Portugal


terça-feira, 12 de novembro de 2013

a ler...


... para compreender o Mundo, a Vida, o Ser...

                            Um livro é como uma janela. Quem não o lê, é como alguém que ficou distante da janela e só pode ver uma pequena parte da paisagem. 

Kahlil Gibran

Aqui ficam novas janelas para muitas paisagens pintadas por autores portugueses. Clássicos ou contemporâneos, jovens escritores ou experientes autores, todos eles nos abrem formas diversas de ver o Mundo, a Vida, o Ser...

Caminha à descoberta no Boletim Bibliográfico n.º 47, da Biblioteca Escolar Clara Póvoa, e requisita na Biblioteca ou em qualquer biblioteca do concelho, através do serviço de empréstimo interbibliotecário.


a ler...


... para questionar...

                                                   «Não há uma forma única de ler bem, apesar de existir 
                                           uma razão fundamental para ler. A informação é-nos 
                                                       infinitamente disponível , mas onde podemos encontrar a sabedoria?» 

  Harold Bloom (2001). Como ler e porquê. 
Lisboa: Caminho, p. 15.

sexta-feira, 8 de novembro de 2013

a ler...



...na pressa dos dias, sabe sempre bem o aroma a cravo e canela de uma mulata Gabriela...
...na pressa dos dias, importa lembrar que, mesmo num cenário de guerra, a paixão também tem lugar...
...na pressa dos dias, o humanismo e a família são inquietações importantes, mesmo        
    numa ciranda de pedra...
...Demasiada felicidade nunca é de mais, porque sonhar continua a ser  possível...



Boas leituras!

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

nas páginas da história: lembrar o passado, pensar o presente


Angola [independência e guerra civil]


Com a implantação da república em Portugal (1910), a colonização de Angola entrou numa nova fase de desenvolvimento económico. Com a incrementação da produção e exportação de produtos, como café e cana-de-açúcar, e o desenvolvimento da exploração petrolífera e dos minérios de ferro, este novo ciclo económico prolongou-se até 1972. Tal desenvolvimento atraiu inúmeros imigrantes. Em Portugal, a maioria dos emigrantes fixou-se em Angola.
Na década de 50, a questão da descolonização das colónias africanas é incluída no plano internacional, tornando-se uma questão incontornável. Em 1956 é publicado o primeiro manifesto do Movimento Popular de Libertação de Angola, conhecido por MPLA.
No início da década de 60, os movimentos de libertação MPLA, FNLA e UNITA, iniciam uma guerra contra o colonialismo português. Portugal, ditadura desde 1926, recusa-se a dialogar e leva a guerra ao limite (guerra colonial).
No entanto, com golpe de estado a 25 de abril de 1974 em Portugal, e um novo governo português, são abertas negociações com os 3 movimentos, para implementação de um regime democrático angolano.
      MPLA ou Movimento Popular de Libertação de Angola
      FNLA ou Frente Nacional de Libertação de Angola
      UNITA ou União Nacional para a Independência Total de Angola

Angola torna-se independente a 11 de Novembro de 1975, mas só após a uma guerra civil entre os 3 grupos nacionalistas, pelo controle do país e da capital, Luanda, em particular. Devido ao apoio de potências estrangeiras a estes grupos, o conflito teve uma dimensão internacional.

Assim, a 5 de outubro de 1975 desembarcaram em Angola soldados cubanos e armamento, organizados pela União Soviética, em apoio ao MPLA. Este controlava na altura Luanda e outras regiões costeiras. O MPLA garantiu assim o seu domínio neste conflito e veio, mais tarde a governar o país, apesar dos recorrentes acordos e confrontos com a UNITA.
No meio do caos da guerra, os portugueses de Angola, apelidados de “retornados”, foram trazidos para Portugal em pontes aéreas e marítimas (1974-1975), junto com os quais chegaram também os refugiados. Outros houve que chegaram ainda mais tarde.

Páginas eletrónicas consultadas entre 29.10.2013 e 4.11.2013:
Cassandra Souto Moniz, 12º LH

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

nas páginas da História: lembrar o passado, pensar o presente


dia 27 de outubro de 1949 [Egas Moniz recebe o prémio Nobel]


António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz nasceu em Avanca (Estarreja, Aveiro) no dia 29 de Novembro de 1874.  Foi médico, neurologista, investigador, professor, político e escritor. 

Em 27 de Outubro de 1949 foi galardoado com o Prémio Nobel de Fisiologia ou Medicina, partilhado com Walter Rudolf Hess. Foi também agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Benemerência e a da Ordem de Santiago da Espada.

Faleceu em Lisboa em 13 de Dezembro de 1955.

O Prémio Nobel foi atribuído na sequência dos seus estudos na lobotomia  (ou leucotomia), uma intervenção cirúrgica no cérebro em que são seccionadas as vias que ligam os lobos frontais ao tálamo e outras vias frontais associadas. Esta técnica cirurgica foi utilizada no passado em casos graves de esquizofrenia.

Foi a primeira técnica de psicocirurgia, ou seja, a utilização de manipulações orgânicas do cérebro para curar ou melhorar sintomas de uma patologia psiquiátrica (em contrapartida à neurocirurgia que se ocupa de doentes com patologia orgânica direta ou neurológica).  


Egas Moniz formou-se em Medicina na Universidade de Coimbra em 1898, na qual foi nomeado professor em 1902. A partir de 1911 e até 1944 passou a ocupar a recém-criada cadeira de Neurologia da Faculdade de Medicina de Lisboa, onde foi o primeiro professor.




Em 1927 efectuou a primeira angiografia cerebral no homem. Este novo processo permitiu obter em películas radiográficas a imagem dos vasos sanguíneos intracranianos e constituiu o maior progresso da cirurgia cerebral dos últimos 50 anos. Egas Moniz levou à criação da cirurgia vascular no encéfalo e trouxe uma contribuição fundamental para os diagnósticos dos tumores cerebrais. Este processo de diagnóstico também se revelou importante no tratamento dos traumatismos cranianos, porque indica com segurança a presença de hematomas.
Rui Godinho

Páginas electrónicas consultadas em 27.10.2013:                                                          
http://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B3nio_Egas_Moniz
http://www.infopedia.pt/$egas-moniz-%28medico%29;jsessionid=4AssgltG6dG3NOhIuu-pew__

"portas para a vida"

Dia 28 de outubro [dia internacional das bibliotecas escolares]

Determinado pela Internacional Association of School Librarianship (IASL), o Mês Internacional da Biblioteca Escolar está a decorrer este ano sob o mote Biblioteca Escolar: uma porta para a vida.




Bibliotecas de todo o mundo realçam, ao longo do mês de outubro, a importância das bibliotecas escolares para o desenvolvimento escolar e cultural dos alunos.

As bibliotecas escolares são hoje canais privilegiados de acesso ao mundo da informação, quer porque permitem o acesso à Internet, ao livro, ao CD, ao DVD quer porque ensinam aos seus utilizadores como aceder e utilizar a informação de modo a que se transforme num bem de cada um.

São também um meio de acesso a experiências culturais: as bibliotecas escolares organizam exposições e palestras, ciclos de cinema e idas ao teatro, conversas com autores e ilustradores…

Mais do que locais onde se pode ir, as bibliotecas escolares mostram-nos saídas para inúmeros caminhos.

Siga este link para poder visualizar os muitos cartazes elaborados pelas bibliotecas escolares portuguesas a propósito do mês internacional das bibliotecas escolares: http://fotos.sapo.pt/redebibliotecas/albuns/?aid=1&slideshow

Veja neste link o que a Rede de Bibliotecas Escolares tem para nos oferecer: http://rbe.min-edu.pt/np4/home