terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Safer Internet Day 2013 - ser cidadão digital



Vivemos, hoje, entre mundos tão diferentes quanto interligados.
Clicando nos ligamos e desligamos, fazemos um like, partilhamos informação (pessoal ou alheia), twitamos, blogamos, facebookamos...  Assim mesmo, tal e qual. E já não (sobre)vivemos sem a tecnologia digital, sem os modern media. Pois é: somos cidadãos digitais. 
Mas seremos mesmo? Será que que SOMOS no mundo online com a responsabilidade e a consciência necessárias à segurança, à privacidade, à intimidade que tanto prezamos na sociedade e no mundo offline?

Hoje (5 de fevereiro) comemora-se o Dia Europeu da Internet Mais Segura 2013, sob o tema “Direitos e deveres online: liga-te, mas com respeito”.

A BE Clara Póvoa assinala a data, lembrando as dez principais regras da Netiquette e alguns princípios de cidadania digital:
• utiliza as TIC para te relacionares com os outros de forma positiva;
• utiliza as TIC  com honestidade, integridade e ética;
• respeita a privacidade e a liberdade de expressão no mundo digital;
• promove os valores da cidadania digital.



Fica, também, a sugestão do ebook

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

[homenageando] Rosa Parks


Se fosse viva, completaria hoje (4 de fevereiro) 100 anos. E, certamente, que os celebraria com a mesma verticalidade de princípios com que, no dia 1 de dezembro de 1955, se recusou a ceder, a um passageiro branco, o seu lugar no autocarro em que ambos viajavam. Como ela própria referiu, "People always say that I didn't give up my seat because I was tired... the only tired I was was tired of giving in".

Conheça melhor uma das pioneiras na defesa dos Direitos Humanos na enciclopédia Biography

Aqui fica uma pequena animação sobre a história de Rosa Parks.


domingo, 3 de fevereiro de 2013

[divulgando] trabalhos de alunos


O triângulo de Pascal é famoso, em matemática, pelas sua simetria e suas relações escondidas.
As muitas ligações do triângulo de Pascal com outros ramos da matemática tornam-no um venerável objeto matemático, cujas origens remontam ao século XIII, pois já nesta altura era conhecido pelos sábios chineses.

O triângulo de Pascal é conteúdo do 12.º ano, da disciplina de matemática, integrado no tema PROBABILIDADES E COMBINATÓRIA, a propósito do cálculo combinatório: Combinações (exemplo de uma técnica de contagem) e suas propriedades

O que ensinam, então, os professores aos alunos?


Triângulo de Pascal





E aqui ficam alguns resultados da aprendizagem:


Triângulo de Pascal [trabalhos de alunos]

 

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"e-Contos" de autores portugueses


Já está completa a coleção dos contos de autores portugueses que o Diário de Notícias disponibilizou, ao longo de quatro meses, na sua biblioteca digital .
São 31 sugestões de leitura que a BE Clara Póvoa lhe deixa e a que pode aceder na estante mesmo aqui ao lado. Qualquer que seja o dispositivo ou o formato (pdf, ePub - para tablet / e-reader -, ou mobi - smartphone), deixamos-lhe, como sempre, 

VOTOS DE BOAS LEITURAS!

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

letras e números: a eterna sedução?...





Embora tenham evoluído por caminhos significativamente diferentes, parece que a escrita e os números são contemporâneos de nascimento. Talvez por isso se defenda que a matemática ensina também a escrever, quando se pretende que a concisão, a clareza e a precisão sejam qualidades de estilo. Isto, porque a linguagem matemática exige uma ginástica mental extremamente intensa. Talvez por isso, também, é que existem matemáticos apaixonados pela escrita literária, como Blaise Pascal, Henri Poincaré ou Charles L. Dogson, este último mais conhecido por Lewis Carrol, pseudónimo sob o qual escreveu Alice no País das Maravilhas (Alice's adventures in wonderland) [navegue aqui pelo manuscrito original].
Mas, se existem matemáticos fascinados pelas letras, o inverso não é menos verdade. O escritor Paul Valery possuía uma excelente cultura matemática, Dostoyevski e Stendhall também revelam, em algumas obras, paixão pela senhora dos números, Jorge Luis Borges incorpora conceitos e raciocínios matemáticos em alguns dos seus contos.

«A Biblioteca existe ab aeterno. [...] O homem, o imperfeito bibliotecário, pode ser obra do acaso ou dos demiurgos malévolos. [...]
O universo (que outros chamam a Biblioteca) compõe-se de um número indefinido, e talvez infinito, de galerias hexagonais, com vastos poços de ventilação no centro, cercados por balaustradas baixíssimas.
[...]  não é ilógico pensar que o mundo é infinito. Aqueles que o julgam limitado postulam que em lugares remotos os corredores e escadas e hexágonos podem inconcebivelmente cessar - o que é absurdo. Aqueles que o imaginam sem limites esquecem que os abrange o número possível de livros. Atrevo-me a insinuar esta solução do antigo problema: A Biblioteca é ilimitada e periódica. Se um eterno viajante a atravessasse em qualquer direção, comprovaria ao fim dos séculos que os mesmos volumes se repetem na mesma desordem (que, reiterada, seria uma ordem: a Ordem). Minha solidão alegra-se com essa elegante esperança.»

Embora possa ser entendido como uma metáfora da Sociedade da Informação, o conto A Biblioteca de Babel é, na verdade, uma soberba metáfora, na qual mundo e literatura se confundem numa suprema representação em imagens e conceitos matemáticos: um mundo impregnado de uma linguagem simbólica à espera de ser interpretada, a realidade representada numa imensa Biblioteca, plena de livros à espera de serem decifrados (pela tal ginástica mental extremamente intensa, que naturalmente existem em cada um de nós...).

E, como sugestões de leitura, aqui fica um contador com títulos que não resistiram aos números...



domingo, 20 de janeiro de 2013

poesia matemática: uma [quase] bonita história de amor

Poesia Matemática

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.

                          Texto extraído do livro "Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág. sem número, publicado com o pseudônimo de Vão Gogo.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

números e [in]conceito de infinito... ou o olhar de "um outro universo"


Thales, Anaximandro, Anaxímenes... de Mileto, "substância primordial", "indeterminado", "começo e origem do existente", "infinito", Heraclito, "devir", "harmonia dos contrários", Pitágoras, relações entre números", "ordenação matemática do Cosmos"... um percurso histórico na busca do [in]conceito de infinito?

Aqui fica mais uma bonita discussão sobre o assunto:


O meu mestre Caeiro não era um pagão: era o paganismo. [...] Em Caeiro não havia explicação para o paganismo; havia consubstanciação.
Vou definir isto da maneira em que se definem as coisas indefiníveis – pela cobardia do exemplo. Uma das coisas que mais nitidamente nos sacodem na comparação de nós com os gregos é a ausência de conceito de infinito, a repugnância de infinito, entre os gregos. Ora o meu mestre Caeiro tinha lá mesmo esse mesmo inconceito. Vou contar, creio que com grande exactidão, a conversa assombrosa em que mo revelou.
Referia-me ele, aliás desenvolvendo o que diz num dos poemas de "O Guardador de Rebanhos", que não sei quem lhe tinha chamado em tempos "poeta materialista". Sem achar a frase justa, porque o meu mestre Caeiro não é definível com qualquer frase justa, disse-lhe, contudo, que não era absurda de todo a atribuição. E expliquei-lhe, mais ou menos bem, o que é o materialismo clássico. Caeiro ouviu-me com uma atenção de cara dolorosa, e depois disse-me bruscamente:
"Mas isso o que é é muito estúpido. Isso é uma coisa de padres sem religião e portanto sem desculpa nenhuma."
Fiquei atónito, e apontei-lhe várias semelhanças entre o materialismo e a doutrina dele, salva a poesia desta última. Caeiro protestou.
"Mas isso a que v. chama poesia é que é tudo. Nem é poesia: é ver. Essa gente materialista é cega. V. diz que eles dizem que o espaço é infinito. Onde é que eles viram isso no espaço?"
E eu, desnorteado. "Mas v. não concebe o espaço como infinito? v. não pode conceber o espaço como infinito?"
"Não concebo nada como infinito. Como é que eu hei-de conceber qualquer coisa como infinito?"
"Homem", disse eu, "suponha um espaço. Para além desse espaço há mais espaço, para além desse mais, e depois mais, e mais, e mais... Não acaba... "
"Porquê?" disse o meu mestre Caeiro.
Fiquei num terramoto mental. "Suponha que acaba", gritei. "O que há depois?"
"Se acaba, depois não há nada", respondeu.
Este género de argumentação, cumulativamente infantil e feminina, e portanto irrespondível, atou-me o cérebro durante uns momentos.
"Mas v. concebe isso?" deixei cair por fim.
"Se concebo o quê? Uma coisa ter limites? Pudera! O que não tem limites não existe. Existir é haver outra coisa qualquer, e portanto cada coisa ser limitada. O que é que custa conceber que uma coisa é uma coisa, e não está sempre a ser uma outra coisa que está mais adiante?"
Nessa altura senti carnalmente que estava discutindo, não com outro homem, mas com outro universo. Fiz uma última tentativa, um desvio que me obriguei a sentir legítimo.
"Olhe, Caeiro... Considere os números... Onde é que acabam os números? Tomemos qualquer número - 34, por exemplo. Para além dele temos 35, 36, 37, 38, e assim sem poder parar. Não há número grande que não haja um número maior... "
"Mas isso são só números", protestou o meu mestre Caeiro.
E depois acrescentou, olhando-me com uma formidável infância:
"O que é o 34 na Realidade?"
Álvaro de Campos

domingo, 13 de janeiro de 2013

janeiro, a ler [também] matemática


Se não receio o erro é porque estou sempre disposto a corrigi-lo
Bento de Jesus Caraça

Começamos o dia com a tormenta dos números: lá estão eles cravados no visor do despertador ("Já???!!!"), continuam, depois, no fim dos ponteiros do relógio, na voz da rádio que nos acompanha a caminho do trabalho, no mostrador do relógio do automóvel, este parado por uma fila de que aquele não se compadece... e, sem darmos conta, passamos o dia às voltas com números.

«Se o homem vivesse isolado, sem vida de relação com os outros homens, a necessidade da contagem diminuiria, mas não desapareceria de todo; a sucessão dos dias, a determinação aproximada das quantidades de alimentos com que se sustentar e aos seus, pôr-lhe-iam problemas que exigiriam contagens mais ou menos rudimentares.
Mas, à medida que a vida social vai aumentando de intensidade, isto é, que se tornam mais desenvolvidas as relações dos homens uns com os outros, a contagem impõe-se como uma necessidade cada vez mais importante e mais urgente».

Afinal, mesmo sem querermos, andamos sempre acompanhados pela matemática, essa senhora que tanta dor de cabeça causa a alunos, educadores, pais... mas que a todos é absolutamente essencial.

A Bilbioteca Escolar ClaraPóvoa propõe, no início de 2013, que, em janeiro, também se leia matemática. E começámos por escolher um matemático português: Bento de Jesus Caraça.

Homem de sólidas convicções ideológicas, desenvolveu uma intensa actividade política em acções contra o regime ditatorial de Oliveira Salazar (1889-1970). Além da carreira académica brilhante, sobre ele diz Sebastião Silva que foi também «um matemático humanista, que procurou humanizar  o ensino da matemática, procurando integrá-lo no complexo cultural da sua época e tornando-o fascinante» e apresentando a matemática «com uma linguagem nova». São dele as palavras do excerto supra, insertas no livro Conceitos fundamentais de matemática, cuja linguagem simples e clara seduz o leitor, convidando-o a aventurar-se na descoberta do aparecimento dos números naturais

«[...] a maneira como a contagem se faz; para pequenas coleções de objetos, é habitual contar-se pelos dedos, e este facto teve grande influência no aparecimento dos números; não é verdade que o nome dígito, que designa os números naturais de 1 a 9, vem do latim digitus que significa dedo? Mas há mais: - a base do nosso sistema de numeração é 10, número de dedos das duas mãos. Nos povos primitivos de hoje, essa influência é tão grande que, em certos nomes de números, figuram partes do corpo humano - alguns dizem duas mãos em vez de 10, um homem completo em vez de 20 (significando que, depois de esgotar os dedos das mãos, se conta com os dos pés), etc.»;

na verificação de que «as leis matemáticas traduzem a harmonia universal», seja no campo da geometria, com o célebre teorema de Pitágoras, seja no domínio da música, onde Pitágoras registou triunfos não menos notáveis

«Por experiências feitas no monocórdio [instrumento com uma corda só e um cavalete móvel que permite, deslocando-o, dividir a corda em dois segmentos na razão que se quiser], ele verificou que os comprimentos das cordas que, com igual tensão, dão notas em intervalo de oitavas, estão entre si na razão de 2 para 1; em intervalo de quinta, na razão de 3 para 2; em intervalo de quarta, na razão de 4 para 3. Como Pitágoras deve ter vibrado de entusiasmo ao verificar como até as relações de coisa tão subtil e incorpórea como o som - a matéria, por excelência, da harmonia - se traduziam em relações numéricas simples!».

Alguns dos seus escritos originais podem ser acedidos aqui.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

a ler...



... Os Miseráveis, de Victor Hugo. Um clássico de convicção, humanismo e coragem.


Com a França de meados do século XIX como pano de fundo, Os Miseráveis é um romance social marcado por uma vasta análise de costumes, revelando uma grande complexidade tanto ao nível da escrita, como da própria intriga, misturando-se intimamente realismo e romantismo.
Num contexto histórico que cobre o período entre a batalha de Waterloo e as barricadas de Paris, Vítor Hugo apresenta-nos a história de Jean Valjean, um popular prisioneiro condenado por ter roubado um pão e cuja pena será agravada por tentativa de evasão. Em vez de ser reeducado pela justiça humana para a vida civil, é endurecido no mal.

Esta história imbuída de misticismo e maravilhoso é, antes de mais, uma denúncia de todo o tipo de injustiças, espelhando, de forma exemplar, as contradições e grandezas daquele século.

... no cinema, já está em exibição o filme, numa adaptação do célebre musical baseado na obra homónima do escritor Victor Hugo. A dimensão social do romance, dos desgraçados da vida que lutam contra tudo e todos por um futuro melhor, proporciona momentos de reflexão, num tempo que parece querer trazer de volta, ao velho continente, a miséria da Europa do século XIX.

Do enlenco destacam-se nomes como Hugh Jackman, Russell Crowe, Anne Hathaway, Amanda Seyfried, Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen que dão voz a bonitos temas musicais: “I Dreamed a Dream”, “Bring Him Home”, “One Day More” e “On My Own”.





Livro recomendado no Plano Nacional de Leitura para os 7.º, 8.º e 9.º anos de escolaridade, destinado a leitura autónoma.

Pode aceder aos 5 volumes do livro original aqui (.pdf ), ou fazer download do audiobook a partir daqui .


Qualquer que seja o formato, votos de boas leituras!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Natal, tempo de contar e encantar




O Ser Humano desde sempre gostou de contar e há hábitos que dificilmente se perdem, e ainda bem. 
Em épocas de mais calma e tranquilidade, ao quentinho da lareira ou no aconchego da família, os mais velhos continuam a gostar de lembrar histórias e evocar memórias que deliciosamente povoam a imaginação da pequenada. Os contos fantásticos continuam a fascinar os mais pequenos e são uma excelente ferramenta educativa e formativa, de uso fácil e prazenteiro.

Porque o Natal também é época de reunião e partilha, de contar e encantar, a Biblioteca Escolar Clara Póvoa deixa algumas sugestões.

Hoje celebra-se o 200.º aniversário dos Contos de Grimm. A Google apresenta um bonito doodle que, através de uma sequência de imagens, conta a história d'O Capuchinho Vermelho.

 
Mas, como uma imagem vale mais com mil palavras, propomos que conte e encante os pequeninos com as histórias d'O Capuchinho Vermelho, d'O Ganso de Ouro, d'O Príncipe Sapo...

 [clicar aqui, para aceder e ligar o som do PC]

Lembramos, ainda, que a fábula continua a agradar ao imaginário infantil, e não só. Por isso, sugerimos, também, as Fábulas de Esopo [pdf]

 [clicar, para formato ePub]

E divirtam-se com as atividades propostas para além dos contos, neste período de FESTAS que se querem BOAS.
Free Clipart

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Natal, tempo de poesia

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Natal também é tempo de poesia, qualquer que seja a cultura ou a fé, na figura de um Papai Noel às Avessas ou de um "Menino Jesus verdadeiro". Natal é tempo de reflexão e de Paz, de Justiça e Boa Vontade, é tempo de Alegria.


Revisitando Drummond de Andrade e Alberto Caeiro, aqui ficam dois bonitos poemas de Natal.

Papai Noel às Avessas

Papai Noel entrou pela porta dos fundos
(no Brasil as chaminés não são praticáveis),
entrou cauteloso que nem marido depois da farra.
Tateando na escuridão torceu o comutador
e a eletricidade bateu nas coisas resignadas,
coisas que continuavam coisas no mistério do Natal.
Papai Noel explorou a cozinha com olhos espertos,
achou um queijo e comeu.

Depois tirou do bolso um cigarro que não quis acender.
Teve medo talvez de pegar fogo nas barbas postiças
(no Brasil os Papai-Noéis são todos de cara raspada)
e avançou pelo corredor branco de luar.
Aquele quarto é o das crianças
Papai  entrou compenetrado.

Os meninos dormiam sonhando outros natais muito mais lindos
mas os sapatos deles estavam cheinhos de brinquedos
soldados mulheres elefantes navios
e um presidente de república de celulóide.

Papai Noel agachou-se e recolheu aquilo tudo
no interminável lenço vermelho de alcobaça.
Fez a trouxa e deu o nó, mas apertou tanto
que lá dentro mulheres elefantes soldados presidente brigavam por causa do aperto.

Os pequenos continuavam dormindo.
Longe um galo comunicou o nascimento de Cristo.
Papai Noel voltou de manso para a cozinha,
apagou a luz, saiu pela porta dos fundos.

Na horta, o luar de Natal abençoava os legumes.

Carlos Drummond de Andrade


                                            Este poema foi publicado no livro "Alguma Poesia", Editora Pindorama, em1930, primeiro livro do autor.  
                                                     Texto extraído de "Nova Reunião", Livraria José Olympio Editora - Rio de Janeiro, 1983, pág. 24.



VIII 


Num meio-dia de fim de primavera

Tive um sonho como uma fotografia.

Vi Jesus Cristo descer à terra.

Veio pela encosta de um monte

Tornado outra vez menino,

A correr e a rolar-se pela erva

E a arrancar flores para as deitar fora

E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.

Era nosso de mais para fingir

De segunda pessoa da trindade.

[...]



Um dia que Deus estava a dormir

E o Espírito Santo andava a voar,

Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.

Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.

Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.

Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz

E deixou-o pregado na cruz que há no céu

E serve de modelo às outras.

Depois fugiu para o sol

E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.

É uma criança bonita de riso e natural.

Limpa o nariz ao braço direito,

Chapinha nas poças de água,

Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.

Atira pedras aos burros,

Rouba a fruta dos pomares

E foge a chorar e a gritar dos cães.

[...]
 

A mim ensinou-me tudo.

Ensinou-me a olhar para as coisas.

Aponta-me todas as coisas que há nas flores.

Mostra-me como as pedras são engraçadas

Quando a gente as tem na mão

E olha devagar para elas.

[...]


…………………………………………………

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.

Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.

Ele é o humano que é natural,

Ele é o divino que sorri e que brinca.

E por isso é que eu sei com toda a certeza

Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.



In O Guardador de Rebanhos

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, 2001



Cantando o Natal


De tradições também se faz a alma-memória de um Povo que fomos, somos e seremos. 
Nesta época natalícia, de Festas que se desejam Boas, de Esperanças que se querem concretizadas, de Memórias que alimentam a alma e alentam a Vida, recordamos como e por que se canta(va) (n)o Natal.


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

[homenagem] Biblioteca Escolar Clara Póvoa





Aconteceu, hoje, a formalização pública da atribuição do nome Clara Póvoa à Biblioteca Escolar da Escola Secundária do Agrupamento de Escolas FinisEsc, curiosamente (mas sem qualquer intenção prévia), no mesmo dia em que se celebra o 120.º aniversário  do bailado Quebra-Nozes, cuja personagem principal também se chama Clara.

A professora bibliotecária Clara Póvoa, a Clara, tal como a personagem, soube aproveitar bem a magia do Quebra-Nozes que, em forma de Vida, se lhe apresentou em Família, em Amor, em Amizade, em Trabalho, em Humildade, em Sorrisos, em Coragem, em Doces...

E é justa a homenagem, porque  são muitos os sonhos concretizados, são belas as imagens fixadas, é grande a obra que vemos.

Na nossa BE permanece(rão)m lições e exemplos da vida que foi na Vida que é.



PARABÉNS, Clara!   
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[comemorações] 120.º aniversário do bailado "O Quebra-Nozes" (TCHAIKOVSKY)




Simplesmente lindo!
O doodle que a Google apresenta hoje não podia ser mais bonito e oportuno.

O conto de natal de Ernst Theodor Amadeus Hoffmann, publicado em 1881, deu origem a um bailado com música de Tchaikovski.

A ação decorre no século XIX, na Europa Oriental, na casa de Jans Stahlbaum, que passa a noite de Natal com a família e os amigos. Estes são aguardados com grande expectativa por Clara, Louise e Fritz, filhos dos donos da casa, ansiosos por prendas.
Clara recebe do padrinho, Drosselmeyer, o grande animador da festa, um lindo quebra-nozes em forma de soldado. Os irmãos, com inveja, tiram-lhe o presente, acabando por danificá-lo. O padrinho para consolar a afilhada, que ficara triste com o sucedido, garante-lhe que tudo se resolverá.
Terminada a festa, vão todos dormir. Clara acorda e vê que o Queba-Nozes ganhara vida. Como, na sala, havia barulho de ratos, o soldadinho convoca os seus companheiros para lutar contra eles e o seu rei. Depois de matar o rei, Quebra-Nozes transforma-se num Príncipe e leva Clara a conhecer o Reino das Neves e o dos Doces. Neste último, a Fada Açucarada organiza uma festa, onde dançam todas as figuras do reino, em homenagem à menina. Por fim, Clara e o Príncipe regressam a casa.
Clara acorda, apercebendo-se de que tudo não passara de um sonho maravilhoso.


É uma forma bonita de "contar" (n)o Natal, porque a magia encantatória da música clássica consegue trazer, a esta época, a fantasia e o sonho.

O bailado completo pode ser visto aqui .

Deixamos um pouco do bailado, no formato que os mais pequeninos gostam (um excerto da Disney Fantasy).




Bons contos, boas histórias e BOAS FESTAS!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

[outras] leituras...

... a propósito de mais um aniversário da Declaração Universal dos Direitos do Homem, desafiámos alunos a ler o mundo, à luz da DUDH.

Rabiscando leituras ou evocando cenas / acontecimentos de outrora de hoje, surgiram questões críticas a um mundo cada vez mais incoerente e incapaz de se equilibrar e de SER. Porque não chega apenas que se declare. É necessário, também, que se faça.

E é também por isso que insistimos na importância da(s) leitura(s), porque ela(s) desperta(m) consciência(s), constrói(em) o Ser e o Mundo.


Direitos do Homem?


Curiosamente, também neste dia a União Europeia recebeu o prémio Nobel da Paz, pelo papel na transformação "de um continente de guerra em continente de paz"...

 

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

[pessoas] Ada Lovelace

Ada Augusta Byron King, Condessa de Lovelace (10 de Dezembro de 1815 - 27 de Novembro de 1852) é conhecida, sobretudo, por ter escrito um programa que poderia utilizar a máquina analítica de Charles Babbage.  
Lady Lovelace, única filha legítima do poeta britânico Lord Byron e sua esposa, Annabella, é reconhecida como a primeira programadora de toda a História. Durante o período em que esteve envolvida com o projeto de Babbage, desenvolveu os algoritmos que permitiriam à máquina computar os valores de funções matemáticas, além de publicar uma coleção de notas sobre a máquina analítica. 
Ada foi uma das poucas pessoas que realmente entenderam os conceitos envolvidos no projeto de Babbage e, durante o processo de tradução de uma publicação científica italiana sobre o projeto de Babbage, incluiu algumas notas de tradução que constituem o primeiro programa escrito na história da humanidade. 
Em 1980, o Departamento de Defesa dos EUA registou a linguagem de programação Ada, em sua homenagem.

sábado, 8 de dezembro de 2012

a ler...



... Anna Karenina, a épica história de amor, um clássico de Leo Tolstoy.

Na Rússia do final do século XIX, no seio da alta-sociedade e presa numa casamento sem amor, Anna procura encontrar uma vida melhor, mas consegue apenas complicar a que já tem.
 
«Embora seja uma das maiores histórias de amor da literatura mundial, Anna Karénina não é apenas um romance de aventura. Verdadeiramente interessado por temas morais, Tolstoi era um eterno preocupado com questões que são importantes para a humanidade em todas as épocas. Bom, há uma questão moral em Anna Karénina, embora não aquela que o leitor habitual possa crer que seja. Esta moral não é certamente o ter cometido adultério, Anna pagou por isso (num sentido vago pode dizer-se que é esta a moral do final de Madame Bovary). Não é isto, seguramente, por razões óbvias: se Anna ficasse com Karenin e escondesse do mundo o seu affair, não pagaria por isso primeiro com a felicidade e depois com a própria vida. Anna não foi castigada pelo seu pecado (podia muito bem ter-se safado deste) nem por violar as convenções da sociedade, muito temporais como aliás são todas as convenções e sem ter nada a ver com as eternas exigências da moralidade. Qual era então a «mensagem» moral que Tolstoi queria passar neste romance? Entendemo-la melhor se olharmos o resto do livro e compararmos a história de Lévin e Kiti com a de Vronski e Anna. O casamento de Lévin é baseado num conceito metafísico, não apenas físico, do amor, na boa-vontade e no sacrifício, no respeito mútuo. A aliança Anna-Vronski é fundada apenas no amor carnal e é aqui que reside a sua ruína.»

Do Posfácio, por Vladimir Nabokov

... no cinema, já está em exibição o filme, numa adaptação de Tom Stoppard (vencedor do Óscar de melhor argumento original em "A Paixão de Shakespeare"), com realização de Joe Wright e produção de Tim Bevan e Paul Webster.

 

Do enlenco de luxo destacam-se nomes como  Keira Knightley, Jude Law, Kelly Macdonald, Matthew Macfadyen, Michelle Dockery, Aaron Johnson, Emily Watson, Olivia Williams, Ruth Wilson, Holliday Grainger...


Livro recomendado no Plano Nacional de Leitura, para os 10º, 11º e 12º anos de escolaridade, destinado a leitura autónoma.

Pode aceder ao livro aqui (.pdf ) ou aqui (.epub)

Qualquer que seja o formato, votos de boas leituras!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sabia que...



... a primeira mensagem SMS («Short Message Service»)  foi enviada, de um PC para um Orbitel 901, através da rede Vodafone, no dia 3 de dezembro de 1992, no Reino Unido, por Neil Papworth, um engenheiro de 22 anos, para o diretor da empresa de telecomunicações britânica?

Pois é verdade! E o texto dizia, simplesmente,  "Merry Christmas".

Da simples mensagem pessoal à provocação de flash mobs, os SMS rapidamente conquistaram um lugar de destaque na comunicação.
As camadas mais jovens, fascinadas pela tecnologia,  aderiram espontaneamente  a este tipo de comunicação, adaptando o código linguístico à necessidade de aproveitar ao máximo o limite de 160 carateres, inicialmente estabelecido para restringir o número de dados a serem transmitidos, e criando uma variante linguística (além das abreviaturas e emoticons) com um já elevado grau de convencionalidade de "regras".
As redes sociais vieram possibilitar a extensão do conceito e já poucas dúvidas restam quanto ao facto de os SMS estarem a a mudar a forma de escrever, e de pensar, de muitos jovens. 


sexta-feira, 30 de novembro de 2012

"Sê plural como o universo!"


Liberto em múltiplo, Fernando Pessoa viveu uma incessante [auto]interpretação do Ser. Fragmentou-se, revelando as máscaras infinitas em que o ser humano se finge e se integra. E foi, talvez, essa coragem de revelar um Caeiro simples, um Reis egoísta ou um Campos indisciplinado e turbulento, que sempre [co]existem em cada um de nós, que o tornou esse Poeta maior da Literatura.



           De vez em quando pela floresta onde de longe me vejo e sinto, um vento lento varre um fumo, e esse fumo é a visão nítida e escura da alcova em que sou atual destes vagos móveis e reposteiros e do seu torpor de noturna. Depois esse vento passa e torna a ser toda só-ela a paisagem daquele outro mundo...
          Outras vezes, este quarto estreito é apenas uma cinza de bruma, no horizonte d'essa terra diversa... E há momentos em que o chão que ali pisamos é esta alcova visível...
          Sonho e perco-me, duplo de ser eu e essa mulher. . . Um grande cansaço é um fogo negro que me consome. . . Uma grande ânsia passiva é a vida que me estreita. . .
          Ó felicidade baça...

Para o conhecer um pouco melhor, aqui ficam sugestões de encontros com o Poeta, desde o Cancioneiro, à Mensagempassando pel' O Banqueiro AnarquistaO Eu profundo e os outros Eus Poesias Inéditas...


... e um bonito poema
Dá a surpresa de ser.
É alta, de um louro escuro.
Faz bem só pensar em ver
Seu corpo meio maduro.

Seus seios altos parecem
(Se ela estivesse deitada)
Dois montinhos que amanhecem
Sem ter que haver madrugada.

E a mão do seu braço branco
Assenta em palmo espalhado
Sobre a saliência do flanco
Do seu relevo tapado.

Apetece como um barco.
Tem qualquer coisa de gomo.
Meu Deus, quando é que eu embarco?
Ó fome, quando é que eu como?
10 - 9 - 1930

In
Poesia 1918-1930 , Assírio & Alvim, ed. Manuela Parreira da Silva, Ana Maria Freitas, Madalena Dine, 2005


Fernando Pessoa morreu a 30 de novembro de 1935, em Lisboa.



 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

A caixa que mudou o mundo...



... tem hoje, dia 21, o seu Dia Mundial.

A pequena caixa mágica ligou-se, pela primeira vez em Portugal, em 1957.  A preto e branco e apenas com um canal: a RTP.

Atrevida, foi entrando, de mansinho, nas nossas casas, nas nossas vidas, na nossa mentalidade. Mais atrevida, ainda, depois de 1974, quando se nos abriu abruptamente em janela para um mundo conhecido apenas de um punhado de nós. E permitiu-nos crescer em conhecimento, construiu-nos rapidamente em democracia, orientou-nos visões e leituras...  Como seríamos sem ela? Iguais? Melhores? Diferentes, certamente!

Muito da história da Televisão em Portugal pode ser visitada no museu virtual. Aqui fica o nossoconvite.

Mas (re)lembramos também três marcos de gerações, importantes na aprendizagem que a TV nos proporcionou.

Gabriela





Rua Sésamo




Dragon Ball





Porque vale a pena lembrar.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

16 de novembro...

... Dia Internacional da Tolerância.

Desafiámos a sensibilidade dos alunos à diferença, à compreensão, à aceitação... e ficou assim:



E ficou muito bonito!

Boletim Bilbiográfico n.º 40


A Biblioteca propõe, em colaboração com o Departamento de Línguas, uma lista de livros / sugestões para a realização da atividade curricular Contrato de leitura.





Boas escolhas e boas leituras!

 

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

[comemorando] 150 anos de "Amor de Perdição" - 1


A Direção-Geral da Educação acaba de lançar o primeiro episódio da fotonovela digital Amor de perdição - uma fotonovela dos tempos modernos, para assinalar os 150 anos da edição da obra mais conhecida de Camilo Castelo Branco.