dia 20 de dezembro [dia Internacional da Solidariedade Humana]
Em 2005, as Nações Unidas, por
ocasião da celebração da primeira década para a erradicação da pobreza
(1997-2006), instituiu o dia 20 de dezembro como o dia da solidariedade humana.
A celebração da data tem como
objetivo destacar a importância da ação coletiva para superar os problemas
mundiais e alcançar os objetivos mundiais de desenvolvimento, de forma a
construir um mundo melhor e mais seguro para todos.
Nas palavras de Secretário-Geral
Ban Ki-moon em 2012:
Podemos atingir os nossos objetivos
partilhados se as pessoas puderem participar na formulação e implementação de
planos, políticas e programas concebidos para desenhar o nosso futuro comum. Os
compromissos, se não forem acompanhados pela capacitação, são palavras sem
significado.
As Nações Unidas procuram
intervir à escala mundial, desenvolvendo múltiplas ações para combater a pobreza,
a descriminação de mulheres e crianças, conforme se pode ver aqui.
Em Portugal, muitas são as
organizações não governamentais e as IPSS (Instituições Particulares de
Solidariedade Social) que desenvolvem programas de apoio a crianças órfãs,
mulheres vítimas de maus tratos, idosos sem capacidade financeira, doentes com
necessidade de cuidados prolongados, pessoas vítimias de descriminaçãos social
e pessoas desempregadas sem qualquer
fonte de rendimento. Dois dos exemplos mais mediáticos são o Banco AlimentarContra a Fome e a AMI.
Nesta, como em muitas outras
instituições, podemos participar ativamente com o nosso tempo, as nossas
capacidades ou apenas com uma pequena ajuda dos nosso recursos.
Centro Regional de Informação das
Nações Unidas (2012). Dia Internacional
da Solidariedade Humana: procurar uma parceria global para a construção da
prosperidade. http://www.onu.fr/pt/actualidade/31006-dia-internacional-da-solidariedade-humana-procurar-uma-parceria-global-para-a-construcao-da-prosperidade
a 14.12.2013.
dia 18 de dezembro [dia internacional da pessoa migrante]
Dia 18 de dezembro é o Dia Internacional da Pessoa Migrante.
Este dia foi determinado pela Assembleia Geral da ONU no ano 2000.
Partindo do facto de que as migrações sempre existiram na
história da humanidade, os objetivos da Organização das Nações Unidas é o de
valorizar as pessoas migrantes, alterando a perceção negativa que, com
frequência, acompanha o fenómeno migrante.
Segundo os dados mais recentes das Nações Unidas, existem
hoje cerca de 232 milhões de migrantes, os quais são considerados os principais
embaixadores culturais do mundo ao transpor fronteiras com novas informações e
diferentes formas de ver o mundo. O grande desafio dos países que recebem os
migrantes é o de conseguirem um equilíbrio entre o respeito e a integração da
diferença, sem perderem a sua própria identidade. Além disso, há dados que suportam,
segundo a ONU, a importância da migração para o desenvolvimento económico, para
a transferência de tecnologia e de competências.
Porém, as razões dominantes da migração no mundo estão ainda
associadas à pobreza, à ausência de trabalho nos países de origem, aos
conflitos bélicos e às perseguições raciais e políticas.
Campo de refugiados no Quénia
Os refugiados políticos amontoam-se, muitas vezes durante
anos, em campos refugiados, sem condições mínimas. A pobreza crónica e a
ausência de perspetivas tornam os migrantes em grupos de risco para a
exploração laboral e o tráfico humano. O desespero leva milhares de pessoas a
arriscarem as suas vidas para chegarem à Europa ou entrarem nos EUA.
Linha da morte, na fronteira entre o México e os EUA
Migrantes à procura de entrar na Europa através da Ilha de Lampedusa
Com vista à melhoria da vida dos migrantes em todo o mundo,
as Nações Unidas organizou um convénio de alto nível, a 3 e 4 de outubro de
2013, no qual foi estabelecida uma agenda de oito pontos que definiu as linhas
de ação a ter em consideração no trabalho migrante. Consulte essa agenda aqui.
Para obter mais informações sobre a situação atual dos
migrantes, pode ler aqui um relatório as Nações Unidas .
Também em Portugal o dia Internacional da Pessoa Migrante
tem sido assinalado. Na página web da
TSF é possível ouvir em podcast um
programa realizado a propósito do tema.
Bibliografia
Assembleia Geral das Nações
Unidas (2013). High-level meetings of the
68th Session of the General Assembly. 3-4 October 2013 - High-level Dialogue on
International Migration and Development: "Making Migration Work".
Obtido em http://www.un.org/en/ga/68/meetings/migration/ a 14.12.2013.
Centro Regional de Informação das Nações Unidas (2012). Dia Internacional dos Migrantes, 18 de
Dezembro: a dignidade não tem nacionalidade. Obtido em http://www.unric.org/pt/actualidade/30776-dia-internacional-dos-migrantes-18-de-dezembro-a-dignidade-nao-tem-nacionalidade-
a 14.12.2013.
UNESCO (2012). 18 de
diciembre: dia internacional de la persona migrante. Obtido em http://www.unesco-heritage.org/cultura/cultura/programas/624-18-de-diciembre-dia-internacional-de-la-persona-migrante.html a 14.12.2013.
[a propósito do aniversário do nascimento de Mário Soares]
Mário Soares retratado por Júlio Pomar
Nome: Mário
Alberto Nobre Lopes Soares
Pais: João
Lopes Soares e Elisa Nobre Baptista
Naturalidade:
Santo António, Lisboa (Portugal)
Data de
Nascimento: 7 de dezembro de 1924
Estado Cívil: Casado
com Maria Barroso
Mário Alberto
Nobre Lopes Soares nasceu a 7 de dezembro de 1924, em Santo António, Lisboa,
filho de João Lopes Soares, um antigo padre e pedagogo, ministro da Primeira
República e combatente do Salazarismo, e de Elisa Nobre Baptista.
Mário Soares
foi preso 13 vezes pela PIDE, uma consequência das ações políticas que encetou
desde os seus tempos de estudante na Faculdade de Letras na Universidade de
Lisboa. Em 1968 foi deportado para São Tomé.
Em 1951,
concluiu a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas e iniciou o curso de
Direito, acabando-o em 1957. Defendeu, como advogado, opositores ao regime de
Salazar. Em 1971 refugiou-se em Paris por causa das constantes perseguições que
a polícia política lhe fazia.
Em 1973,
juntamente com outras pessoas, fundou o Partido Socialista, do qual foi
secretário-geral. Em 1974 regressou a Portugal, assim que o regime fascista foi
derrubado a 25 de abril.
1 de maio de 1974
Depois do seu regresso, desempenhou o cargo de
Ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo desenvolvido várias negociações que
levaram as colónias a tornarem-se independentes. Demitiu-se deste cargo em
março de 1975, ocupando então um cargo de ministro sem pasta. Dois meses depois
também se demitiu deste cargo. De 1976 a 1978 e de 1983 a 1985 foi
primeiro-ministro.
Mário Soares assina o acordo de adesão de Portugal à CEE
De 1977 a 1985 negociou a entrada de Portugal na então
Comunidade Económica Europeia. O pedido foi aprovado, pelo que Mário Soares é o
principal responsável pela presença de Portugal na atual União Europeia.
De
1986 a 1996 foi Presidente da República durante dois mandatos seguidos. Iniciou
as Presidências Abertas, durante as quais andou por muitas regiões do país, a
ouvir diretamente queixas, vontades e desejos dos populares. Depois de ser
Presidente da República, foi eurodeputado no Parlamento Europeu.
Atualmente,
dedica-se à escrita, à coordenação da Fundação Mário Soares e intervém em
diversos congressos e debates, sendo a sua opinião frequentemente requisitada em assuntos
importantes relacionados com o país.
Camões e Pessoa, tão distantes e
tão próximos, num diálogo de tempos que foram, mas também de tempos que são. O
desejo de ir mais além, de sonhar e de ousar, fez sempre parte da nossa condição.
É o sonho que conduz o Homem à ação. Outros, os “eleitos”, darão voz à Obra e a
palavra continuará, através dos tempos a fermentar a utopia. De Camões a
Pessoa, a “ (…) orla branca foi de ilha em continente, / Clareou, correndo, até
ao fim do mundo…”.
Apesar dos séculos que os
separam, os ideais são os mesmos. Camões e Pessoa aspiram à renovação da
Pátria, valorizando-a nos seus heróis, transmitindo ao mundo a sua crença num
Portugal que ressurgirá das cinzas, pela força da sua Cultura e da sua Língua:
o Quinto Império. A viagem marítima de Vasco da Gama é a viagem de um povo
crescendo pelo mundo e pela História. Na “Mensagem” de Pessoa percorre um sopro
patriótico que acorda os heróis adormecidos, para mais uma viagem, desta vez
espiritual, que dissipará o nevoeiro que encobre D. Sebastião.
Camões e Pessoa, cantores de um amor
comum: a Pátria, de olhos voltados para o mar, sempre o mar! Inquietação e
glória, vozes de Velhos do Restelo e de Mostrengos e de Nevoeiros que traçam o
perfil desta Pátria em crise.
Na Ilha dos Amores, “Cumpriu-se o
mar”, mas o “Império se desfez” e os mares da nossa navegação continuam
ensombrados pelos Adamastores, fantasmas de agora e de sempre. Ao longo dos tempos,
o nevoeiro foi-se tornando cada vez mais denso e o Quinto Império cada vez mais
distante!
dia 10 de dezembro [a propósito do dia da Declaração Universal do Direitos Humanos]
Malala Yousafzai é uma jovem paquistanesa de 16 anos. Em 2009,
com 11 anos, começou a escrever, sob pseudónimo, para um blogue da BBC,
relatando como era a sua existência sob o regime talibã. Malala descreve a sua luta, e da sua família, para que as meninas da
sua aldeia pudessem continuar a frequentar a escola Em 2012 Malala foi baleada
por talibãs que atacaram o autocarro que se dirigia para a escola que
frequentava.
O ativismo de Malala tem sido reconhecido à escala mundial através da
atribuição de numerosos prémios internacionais. O último, o Prémio Sakharov,
foi-lhe atribuído em 10 de outubro de 2013 pelo Parlamento Europeu.
A vida de Malala deve ser para todos nós, um exemplo da luta por um
direito, o direito à educação. Para Malala a educação é a solução para as
crianças, as mulheres e os homens que vivem oprimidos. A educação é a solução
para termos um mundo melhor, onde todos possamos aspirar à igualdade de facto.
Vamos pegar os nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais
poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o
mundo. A educação é a única solução.
Malala Yousafzai (2013). Discurso na Assembleia da Juventude na Organização das Nações Unidas.
Hoje, assinalou-se a data da assinatura da Declaração Universal dos
Direitos Humanos. O exemplo de Malala é a prova de que é possível não nos
enquistarmos em ódios e que podemos transformar os direitos da DUDH de ideais
de papel em ideais de ação.
... ou como os outros nos veem. É sempre interessante, ou, no mínimo, curioso, espreitar os reflexos que deixamos nos outros, as imagens que de nós eles colhem e como nos interpretam.
«Dizem os
chineses que há três espelhos que refletem a nossa personalidade: o primeiro
reflete como os outros nos veem; o segundo como nós próprios nos vemos e o
terceiro como na verdade somos.»
Ruth,
I. História incompleta, In Jornal de
Letras, Artes e Ideias, n.º 997, 17 de Dezembro de 2008
Quando o jogo dos espelhos envolve escritores que falam de si ou interpretam reflexos que de outros colhem, a leitura torna-se deveras apetecível, sobretudo quando de gigantes se trata.
Era um homem que sabia idiomas e fazia versos. Ganhou o pão e o vinho
pondo palavras no lugar de palavras, fez versos como os versos se fazem, isto
é, arrumando palavras de uma certa maneira. Começou por se chamar Fernando,
pessoa como toda a gente. Um dia lembrou-se de anunciar o aparecimento iminente
de um super-Camões, um Camões muito maior do que o antigo, mas, sendo uma
criatura conhecidamente discreta, que soía andar pelos Douradores de gabardina
clara, gravata de lacinho e chapéu sem plumas, não disse que o super-Camões era
ele próprio. Ainda bem. Afinal, um super-Camões não vai além de ser um Camões
maior, e ele estava de reserva para ser Fernando Pessoas, fenómeno nunca antes
visto em Portugal.
a propósito dos 78 anos da morte de Fernando Pessoa
Como sabemos, Fernando Pessoa foi
um dos impulsionadores do modernismo em Portugal, deixando um enorme contributo
à literatura portuguesa. Porém, há curiosidades sobre a vida deste poeta das
quais nem todos têm conhecimento. Por exemplo, alguém sabia que este autor se
interessava por assuntos como teologia, astrologia, magia negra, e outras
matérias diversas? É verdade.
Desde pequeno, Fernando Pessoa
sempre se interessou pela escrita. Aos 6 anos criou o seu primeiro heterónimo,
“Chevalier de Pas”, com quem trocava cartas. Viveu na África do Sul onde teve
uma infância recatada, pois preferia ficar em casa a estudar autores como
Shakespeare, Dickens e Newton, em vez de sair e fazer exercício físico.
Já na adolescência, ambicionou
estudar em Cambridge ou Oxford, o que lhe foi negado por ter passado um ano em
Portugal com a família, não respeitando assim a condição de ter estudado nos
quatro anos antecessores numa escola inglesa. Dado que não conseguiu entrar em
nenhuma destas universidades, veio para Portugal e estudou durante dois anos na
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Porém, para Pessoa, os estudos
não eram suficientemente desafiantes, razão pela qual não obteve sucesso algum
nesses dois anos.
Fernando Pessoa trabalhou como
empregado de escritório, técnico comercial e tradutor, e foi no âmbito de um
destes empregos que inventou a tão conhecida e utilizada expressão “Primeiro
estranha-se, depois entranha-se.”, para o anúncio da Coca-Cola, aquando da sua
entrada em Portugal. Apesar do seu rendimento acima da média, foram muitas as
vezes que o poeta pediu dinheiro emprestado e contraiu dívidas, pois gastava o
seu dinheiro em bebida, tabaco, boas roupas e livros importados do estrangeiro.
Durante a sua vida, mudou de casa
inúmeras vezes, fazendo-se acompanhar de uma arca onde guardava o que escrevia
e onde foram encontrados cerca de 25.000 papéis. Gostava de escrever de pé e
durante a noite, escrevendo em todo o tipo de folhas, como por impulso.
Da sua vida amorosa apenas se
conheceu uma relação com Ofélia Queirós, que durou 8 meses.
Quando confrontado com o facto de
“beber como uma esponja”, Fernando Pessoa brincou, dizendo: “Eu não bebo como
uma esponja, bebo como um armazém de esponjas com anexos ao lado”.
Apesar do esforço, conseguiu apenas
publicar uma das suas obras, a “Mensagem”, um ano antes da sua morte, com a
qual, em vida, apenas ganhou um prémio de segunda categoria.
Fernando Pessoa morreu sozinho,
no hospital, com 47 anos, e as últimas palavras que escreveu foram, em inglês,
“I know not what tomorrow will bring.” (“Não sei o que o amanhã trará.”).
and
ends long after it has come down. It
starts in my imagination,
it
becomes my life, and it stays part of my life long after I've left the opera
house.
Maria Callas
A Google dedica-lhe, hoje, um bonito doodle, conseguindo expressar esse mar de emoções com que a cantora-atriz pisava o palco.
De uma exigência extrema consigo mesma, a sua versatilidade vocal
permitia-lhe a interpretação de papéis dramáticos ou leves e ágeis, mas sempre
plenos de sentimento e emoção. E é também aí que reside o fascínio que as
suas interpretações continuam a exercer em quem ouve a voz de uma cantora
lírica de tão rara beleza.
Não foi à toa que
afirmou «I don't know what happens to me on stage. Something else seems to take
over.»
Neste pequeno excerto de Carmen,
de G. Bizet, durante os minutos da introdução orquestral, Maria Callas consegue transmitir-nos uma
imensidão de sentimentos, mesmo antes de começar a cantar.
dia 2 de dezembro [dia Internacional para a Abolição da Escravatura]
Mais de seis décadas passaram
deste a assinatura, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos Humanos
(DUDH). Como sabemos, a DUDH procura assegurar um vasto conjunto de direitos
sociais, como o direito ao trabalho, à saúde, à educação, entre outros.
Porém, talvez não deixe de ser
sintomático que os primeiros direitos contemplados na DUDH sejam direitos
individuais, nomeadamente o direito à liberdade. No artigo 1.º é afirmado que
todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e no artigo 3.º
reafirma-se que os todos os indivíduos têm direito à liberdade. Mas, também se
destaca o direito à vida e à liberdade, o que se complementa, no artigo 4.º,
com a proibição de existirem pessoas que sejam mantidas em escravatura ou
servidão, assim como, artigo 5.º, de infligir tratamentos cruéis, desumanos e
degradantes.
Foto: Sebastião Salgado
Num mundo onde a igualdade é tida como um valor social consensualmente aceite e onde a proteção, a segurança, a liberdade são bens
dados como adquiridos, pode parecer-nos estranho que ainda seja necessário
proibir a escravatura ou a servidão. No entanto, o número de pessoas que, no
mundo de hoje, vive em situação de escravidão, é muito superior ao número de
pessoas que foram escravizadas e traficadas como escravas. De acordo com dados
da União Europeia (EU:2012), cerca de 21 milhões de pessoas são sujeitas a
trabalho forçado e são transacionadas como mercadorias. Mesmo nas economias
desenvolvidas há pessoas em trabalhos forçados (1,5 milhões nos EUA, Canadá,
Japão, Noruega e países da EU), 7,5% do total, centrando-se a exploração
escravizada sobretudo na América Latina, no sul da Ásia e em África.
Para além do incrível número de pessoas escravizadas,
acresce-se que a circulação das pessoas escravizadas está hoje muito facilitado
e o valor pago é extremamente baixo (50 dólares por uma criança no Haiti).
O uso de mão de obra escrava, muita dela usada para pagar
dívidas que foram herdadas pela família, é canalizada sobretudo para atividade
agrícolas, mendicidade, indústria, prostituição e trabalho doméstico. As
mulheres e as crianças de zonas pobres e com pouco acesso à educação têm um
risco acrescido de serem aprisionadas numa rede internacional de tráfico
humano.
A EU declarou 2012-2016 como anos de combate à escravidão e
ao tráfico humano e deu início à implementação de 40 medidas de combate ao
tráfico de seres humanos. Essas medidas não contemplam apenas a perseguição de
organizações criminosas que agem à escala mundial, mas também um apoio direto
às vítimas porquanto estas, uma vez libertadas, continuam a ser sujeitos de
risco. Nas medidas a implementar estão estabelecidas cinco prioridades:
- apoio à criação de unidades nacionais responsáveis pela
aplicação da lei especializadas no domínio tráfico de seres humanos, uma vez
que, com muita frequência, os criminosos não são punidos judicialmente
- criação de equipas de investigação conjuntas e
envolvimento da Europol e da Eurojust em todos os casos de tráfico
transfronteiriço
- prestação de informações claras às vítimas sobre os seus
direitos ao abrigo da legislação da UE e nacional, nomeadamente o direito à
assistência e cuidados de saúde, o direito a obter uma autorização de
residência, assim como a proteção dos seus direitos laborais
- criação de um mecanismo da UE para melhor identificar,
referenciar, proteger e socorrer as vítimas de tráfico
- estabelecer uma coligação europeia das empresas contra o
tráfico de seres humanos, para melhorar a cooperação entre as empresas e as
partes interessadas.
Para aprofundar este assunto, explore este sítio com
entrevistas com vítimas de tráfico e a página da Comissão Europeia para a luta contra o tráfico de seres humanos.
Sugerimos também a leitura de Gente Descartável, disponível na Biblioteca Escolar Clara Póvoa, e
a observação do vídeo no qual Kevin Bales apresenta um Ted Talk
onde discute formas de combate à escravatura nos dias de hoje.
Comissão Europeia (2012). Combater a escravatura dos tempos modernos: 40 novas medidas para uma
estratégia da UE contra o tráfico de seres humanos. Obtido em http://europa.eu/rapid/press-release_IP-12-619_pt.htm em
29.11.2013.
A SIDA
é uma doença provocada por um retrovírus de ARN que, para se manter ativo,
precisa de se alojar nas células. O vírus da imunodeficiência humana (VIH) aloja-se
nos linfócitos T CD4, células do sistema imunitário (sistema de defesa do
organismo). Estas células sanguíneas são responsáveis pela defesa contra
infeções e algumas células cancerígenas.
Ao
instalarem-se nos linfócitos, os vírus reproduzem-se de forma assustadora
originando novos vírus que invadem novas células (cada vírus pode produzir, por
dia, milhões de novos vírus).
Numa
fase inicial de contágio, o organismo reage tentando eliminar os vírus. Esta
fase de luta interna contra os vírus passa normalmente despercebida às pessoas
que foram infetadas e tem um tempo de duração muito variável (meses ou anos).
Nesta fase, só é possível identificar os vírus em circulação, através de
análise sanguínea específica. Quando o resultado da análise é positivo, o
indivíduo portador do vírus é considerado seropositivo para esse vírus.
Caso
os vírus “vençam a batalha” o organismo fica muito debilitado por não poder
“contar” com este tipo de linfócitos para se defender. Nestas condições, caso
entrem no organismo agentes causadores de infeções (bactérias, outros vírus,
fungos, etc), o organismo não tem como reagir contra eles e podem então
instalar-se infeções graves (como, por exemplo, tuberculose) que podem conduzir
à morte. Também as células cancerígenas, que a cada momento se podem formar no
nosso organismo, como não são atempadamente destruídas pelo sistema imunitário,
acabam por poder evoluir para alguns tipos de cancro que podem ser fatais.
Estas
doenças, cuja instalação foi possível graças à debilidade do sistema imunitário
provocada pelos vírus, são consideradas doenças oportunistas sendo os seus
portadores considerados doentes com SIDA.
Uma
pessoa infetada apresenta vírus em todos os fluidos orgânicos: leite materno, sangue,
linfa, exsudados e corrimentos vaginais (no caso da mulher), esperma (no caso
do homem), saliva, fezes, vomitados, etc..
Como
se transmite?
De
acordo com o conhecimento atual, apesar de os vírus se encontrarem em todos os
fluidos orgânicos de um indivíduo infetado, apenas o sangue, corrimentos e
exsudados vaginais, esperma e leite materno são responsáveis pela transmissão
da infeção.
O
vírus, para se manter ativo, tem que ter acesso e entrar na corrente sanguínea,
precisando das células para se poder reproduzir, razão pela qual as invade. Quando
no exterior das células e do corpo, o vírus morre rapidamente, em poucas horas.
Quais as formas de contágio?
O
contacto com sangue infetado e com objetos que tenham estado em contacto com
esse sangue, agulhas, tesouras, giletes, máquinas de barbear e outros
utensílios cortantes, quando infetados e posteriormente usados por outros
indivíduos, podem contribuir para a propagação do vírus.
Quando
se tem relações sexuais com pessoas infetadas e não se usa preservativo de
forma correta, existe risco de transmissão. Durante
a gravidez através da placenta, durante o parto e, posteriormente, durante a
amamentação, existe risco de transmissão de uma mãe infetada para o seu bebé.
Como
evitar a propagação do vírus?
O
sangue, usado em transfusões sanguíneas ou na produção de derivados usados no
tratamento de várias doenças, tem de ser sujeito ao rastreio do vírus, antes da
sua utilização. São procedimentos seguros nos países desenvolvidos.
Sempre
que for necessário tratar de cortes que envolvam sangue, devem ser usadas luvas
descartáveis. Nunca contactar diretamente com sangue de outra pessoa. Estas
medidas são medidas universais e devem ser realizadas independentemente de se
conhecer ou não o estado de saúde do acidentado. Assim, se forem sempre
cumpridas, não haverá risco.
Em
caso de derrame de sangue ou vomitado, deve ser vertida lixívia sobre esses
materiais. Posteriormente, deve colocar-se papel absorvente e, quando tiver
sido efetuada a absorção dos líquidos, todo o material deve ser colocado em
dois sacos de plástico que são posteriormente fechados e colocados no contentor
geral. O espaço onde ocorreu o derrame deve ser lavado com uma solução diluída
de lixivia. Estes procedimentos continuam a ser considerados os mais eficazes
na destruição dos vírus.
Objetos
cortantes que possam ter estado em contacto com sangue contaminado, não devem
ser partilhados, nem mesmo entre os membros da mesma família.Em serviços de
manicure, pedicure e barbearia, os utensílios cortantes suscetíveis de ferir a
pele, devem ser descartáveis. O ideal será cada pessoa, ao recorrer a esse tipo
de serviços, ser portadora dos seus utensílios pessoais.
As
agulhas, e todos os utensílios cortantes que tenham estado em contacto com
sangue, quando deixam de ter condições para poderem ser usados, devem ser
colocados num recipiente de plástico duro (tipo garrafa de água ou
refrigerante) que deve ser posteriormente fechado. Através deste procedimento,
pretende-se evitar que estes utensílios possam vir a ferir e eventualmente
contaminar outras pessoas.
Dada
a facilidade de transmissão do vírus através dos fluidos genitais, sempre que
existirem relações sexuais (anais, vaginais ou orais), deve ser usado
preservativo, particularmente no caso de o parceiro ou parceira serem
portadores do vírus.
Quanto
maior for o número de parceiros sexuais, maiores serão as hipóteses de
transmissão do vírus. Por essa razão, será de toda a conveniência repensar esse
tipo de comportamentos.
A
existência de pequenas lacerações, úlceras ou feridas na mucosa vaginal, peniana
ou rectal, agravam bastante a possibilidade de infeção pela via sexual. O risco
será também maior durante o período menstrual, pelo contacto direto com sangue
infetado.
Antes
de se engravidar, deve ser feito o teste do VIH. Se por qualquer razão tal
teste não foi feito nessa altura, deverá efetuar-se durante a gravidez. No caso
de o teste ser positivo, existe medicação que a grávida pode tomar que reduz em
mais de 90% a hipótese de contágio do bebé. O parto será geralmente por cesariana,
embora possam existir excepções, e a mãe não deverá amamentar. Nascem crianças
infectadas por VIH em todos os países, filhos de mães que, geralmente não
sabendo que eram portadores do vírus, infetaram os seus filhos durante a
gravidez.
A
grande traição desta doença estabelece-se assim em três planos:
Pode contrair-se sem que se tenha
conhecimento
Pode existir sem que se sinta
Pode transmitir-se
Existem
países onde começa a ser alarmante a incidência de SIDA nas camadas mais jovens
(12, 13 anos), relacionada com o início precoce de atividade sexual, envolvimento
com múltiplos parceiros e associada ao consumo de drogas e álcool.
O
que fazer quando se suspeita de eventual contágio?
Em
caso de contacto de risco com sangue (sangue com sangue, sangue com mucosas), de
violação, de contacto sexual sem proteção com pessoas cujo estado de saúde se
desconhece, deve recorrer-se a um Centro Hospitalar e relatar o sucedido.
Existe medicação que pode ser tomada até 72 horas após o contacto com fluidos
infetados que permitem a destruição dos vírus em mais de 90% dos casos. Caso o
tempo de possível contágio seja superior a 72 horas, deve esperar-se um mês e,
nessa altura, fazer-se o teste de rastreio. Caso o teste seja negativo, deve
repetir-se três meses após o eventual contágio. No caso de o teste continuar a
ser negativo, a análise deve voltar a ser feita seis meses após a situação de
risco. Se se mantiver negativa, é porque não houve contágio. Caso seja positiva,
inicia-se o seguimento em consulta da especialidade.
Qual a situação atual da SIDA em Portugal?
Ao
longo dos anos, a descoberta de novos tratamentos possibilita que, na
atualidade, a infeção por VIH (SIDA) seja uma doença crónica que permite aos
portadores do vírus terem uma longevidade igual à que teriam, caso não fossem
infetados. Contudo, tal só poderá acontecer se houver assiduidade às consultas
e cumprimento escrupuloso da terapêutica, por forma a não surgirem resistências
à medicação. Estes medicamentos diminuem
a capacidade de multiplicação dos vírus (medicamentos anti-retrovirais) e,
dessa forma, diminuem a carga vírica dos portadores. Assim, é possível evitar o
aparecimento de doenças oportunistas. Por essa razão, a palavra SIDA associada
à ideia de doenças oportunistas, deixa de fazer sentido uma vez que os portadores
do vírus, desde que identificados e devidamente tratados, não indiciam qualquer
aparência que faça suspeitar que são seropositivos.
Para
refletir…
Atualmente,
a terapêutica anti-retrovírica é gratuita para o doente e de distribuição exclusivamente
hospitalar. Um doente sob terapêutica, pode tomar um esquema farmacológico com
um valor a partir de cerca de 400 a 500 euros mensais. Contudo, tendo em conta
as características do doente e o seu historial clínico e terapêutico,
nomeadamente o aparecimento de resistências à terapêutica, este valor poderá
ser substancialmente superior. Por outro
lado, existem outros fármacos que são necessários no caso de diagnóstico de
doenças oportunistas ou concomitantes. Em situação de internamento, são
fornecidos gratuitamente ao doente. Em ambulatório, estes são comparticipados
parcialmente pelo Estado.
Face
a esta realidade podem colocar-se algumas questões…
Atendendo
à situação económica que o país atravessa, será que vai continuar a ser
possível comparticipação a 100% destes medicamentos?
Caso
essa situação se altere, quantas pessoas deixarão de ter condições para custear
o seu tratamento?
Num
país em que tanto se reclama da elevadíssima sobrecarga de impostos que cada
cidadão tem de pagar, será que não se deveria fazer um investimento maior na
prevenção da doença, que pode ser de facto prevenida, para diminuir o peso
económico da mesma?
Sabendo nós que…
- a
principal via de transmissão continua a ser o contacto sexual,
- a
desinibição sexual e as relações sexuais desprotegidas estão frequentemente
associadas ao consumo excessivo de álcool e drogas,
-
não é possível identificar um portador de infecção por VIH pela sua aparência,
- mas
a troca frequente de parceiros é recorrente na sociedade atual,
O que nos reserva o futuro em relação a esta
doença?
Será
que estamos a agir como uma espécie que se diz ser racional?
revisitar Pessoa 78 anos após a sua morte [sugestões de leitura da BECP]
O traço mais distintivo da obra de Pessoa é o de grande
parte dela ter sido escrita sob diferentes nomes, sendo que os seus principais
heterónimos eram dramatis personae plenamente desenvolvidas, cuja poesia (e, em
menor grau, cuja prosa) era escrita em vários estilos, todos eles individuais e
característicos. As principais figuras do drama-em-gente de Pessoa – Alberto
Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis – foram concebidos como autores
autónomos, não apenas em virtude da singularidade intrínseca dos seus escritos:
eles foram criados como indivíduos independentes de um ponto de vista textual e
existencial, com trajetórias biográficas e relações interpessoais próprias.
Klobucka Anna M. ; Sabine, Mark (2010). O Corpo em Pessoa- corporalidade, género, sexualidade. Lisboa:
Assírio&Alvim.
Falar de Fernando Pessoa é falar de Pessoas, com este ou
aquele nome, com ou sem máscara, e tentar compor o puzzle da sua vida, da sua pessoa
que, afinal, nem ele próprio conseguiu completar. A sua biografia pouco nos diz
sobre a real dimensão do homem e do génio que, 78 anos após o seu
desaparecimento, continua a “inquietar” tantos de nós.
Fernando Pessoa por Almada Negreiros
Com efeito, tentar conhecer Pessoa é tarefa
que não se esgota no que da sua obra se conhece. Para o encontrar, teremos que
o seguir de muito perto, não vá ele escapar-se ou esconder-se sob outro(s)
nevoeiro(s ) da sua mutável personalidade. Em cada página, em cada texto,
Pessoa renasce como o “ alter ego” de si próprio, na tentativa, sempre
frustrada, de se encontrar, ora embrulhando-se no novelo que é o ortónimo, ora
desembrulhando-se em alguns heterónimos, num eterno desassossego.
A obra de Pessoa mostra-nos o labirinto do seu “Eu”, através
de uma visão fragmentada de um “drama em gente”. A viagem que fez à roda de si mesmo
nunca encontrou um porto de abrigo, pois do amor apenas pretendeu que fosse “um
sonho longínquo”.
A obra de Pessoa
mostra-nos o labirinto do seu “Eu”, através de uma visão fragmentada de um
“drama em gente”. A viagem que fez à roda de si mesmo nunca encontrou um porto
de abrigo, pois do amor apenas pretendeu que fosse “um sonho longínquo”.
Para revisitar Fernando Pessoa, basta seguir algumas das sugestões de leitura que estão disponíveis na Biblioteca Escolar
Clara Póvoa.
Fernando Pessoa, O banqueiro anarquista
“Causa certa estranheza a ideia de que um banqueiro possa
ser anarquista, imaginando-se talvez que seja um anarquista não praticante, ou
que o seja na teoria, mas não na prática. O banqueiro retratado por Pessoa, contudo,
considera toda a sua vida exemplificativa do verdadeiro anarquismo descrevendo
como, desde jovem, foi resolvendo diversas contradições e dúvidas até chegar à
“técnica do anarquista.”
Fernando Pessoa, Cartas de amor
Todas as cartas de amor
são
Ridículas.
Não seriam cartas de
amor se não fossem
Ridículas
Fernando Pessoa, Cartas a Armando Côrtes Rodrigues
“Mantenho, é claro, o meu propósito de lançar
pseudonicamente a obra Caeiro-Reis-Campos. Isso é toda uma literatura que eu
criei e vivi, que é sincera, porque é sentida, e que constitui uma corrente com
influência possível, benéfica incontestavelmente, nas almas dos outros. O que
eu chamo literatura insincera não é aquela análoga à do Alberto Caeiro, do
Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos (o seu homem, este último, o da poesia
sobre a tarde e a noite). Isso é sentido na pessoa de outro; é escrito
dramaticamente, mas é sincero (no meu grave sentido da palavra) como é sincero
o que diz o Rei Lear, que não é Shakespeare, mas uma criação dele. Chamo
insinceras às coisas feitas para fazer pasmar, e às coisas, também — repare
nisto, que é importante — que não contêm uma fundamental ideia metafísica, isto
é, por onde não passa, ainda que como um vento uma noção da gravidade e do
mistério da Vida. Por isso é sério tudo o que escrevi sob os nomes de Caeiro,
Reis, Álvaro de Campos.”
José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis
Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das
sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro de 1935.
Fica até Setembro de 1936. Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da
heteronímia de Fernando Pessoa. E um movimento inverso, logo a começar:
""Aqui onde o mar se acaba e a terra principia""; o virar
ao contrário o verso de Camões: ""Onde a terra acaba e o mar
começa"". Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de
Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o
movimento épico da partida. Mais uma vez, a história na escrita de Saramago. E
as relações entre a vida e a morte. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de
Dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro. Ricardo Reis visita-o ao
cemitério. Um tempo complexo. O fascismo consolida-se em Portugal. (In. Diário de
Notícias, 9 de Outubro de 1998).
Maria Vitalina Leal de Matos, A paixão segundo Fernando Pessoa
Fernando Pessoa publicou na revista Centauro, em 1916,
catorze sonetos, que intitulou Passos da Cruz. É inegável a relação que os
poemas estabelecem com a Via Sacra. Porém, o hermetismo dos textos, de beleza
alucinante, e a ausência de qualquer alusão à devolução referida, dificultam a
interpretação. O trabalho de determinar a relação entre os dois «textos» – que
revela uma espiritualidade cristã, mas de cariz gnóstico – fez aparecer a
possibilidade de uma encenação que se afigura difícil mas vivamente sedutora.
Bernardo Soares, O livro do desassossego
O que temos aqui não é um livro, mas a sua subversão e
negação, o livro em potência, o livro em plena ruína, o livro-sonho, o
livro-desespero, o anti-livro, além de qualquer literatura. O que temos nestas
páginas é o génio de Pessoa no seu auge.