and
ends long after it has come down. It
starts in my imagination,
it
becomes my life, and it stays part of my life long after I've left the opera
house.
Maria Callas
A Google dedica-lhe, hoje, um bonito doodle, conseguindo expressar esse mar de emoções com que a cantora-atriz pisava o palco.
De uma exigência extrema consigo mesma, a sua versatilidade vocal
permitia-lhe a interpretação de papéis dramáticos ou leves e ágeis, mas sempre
plenos de sentimento e emoção. E é também aí que reside o fascínio que as
suas interpretações continuam a exercer em quem ouve a voz de uma cantora
lírica de tão rara beleza.
Não foi à toa que
afirmou «I don't know what happens to me on stage. Something else seems to take
over.»
Neste pequeno excerto de Carmen,
de G. Bizet, durante os minutos da introdução orquestral, Maria Callas consegue transmitir-nos uma
imensidão de sentimentos, mesmo antes de começar a cantar.
dia 2 de dezembro [dia Internacional para a Abolição da Escravatura]
Mais de seis décadas passaram
deste a assinatura, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos Humanos
(DUDH). Como sabemos, a DUDH procura assegurar um vasto conjunto de direitos
sociais, como o direito ao trabalho, à saúde, à educação, entre outros.
Porém, talvez não deixe de ser
sintomático que os primeiros direitos contemplados na DUDH sejam direitos
individuais, nomeadamente o direito à liberdade. No artigo 1.º é afirmado que
todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e no artigo 3.º
reafirma-se que os todos os indivíduos têm direito à liberdade. Mas, também se
destaca o direito à vida e à liberdade, o que se complementa, no artigo 4.º,
com a proibição de existirem pessoas que sejam mantidas em escravatura ou
servidão, assim como, artigo 5.º, de infligir tratamentos cruéis, desumanos e
degradantes.
Foto: Sebastião Salgado
Num mundo onde a igualdade é tida como um valor social consensualmente aceite e onde a proteção, a segurança, a liberdade são bens
dados como adquiridos, pode parecer-nos estranho que ainda seja necessário
proibir a escravatura ou a servidão. No entanto, o número de pessoas que, no
mundo de hoje, vive em situação de escravidão, é muito superior ao número de
pessoas que foram escravizadas e traficadas como escravas. De acordo com dados
da União Europeia (EU:2012), cerca de 21 milhões de pessoas são sujeitas a
trabalho forçado e são transacionadas como mercadorias. Mesmo nas economias
desenvolvidas há pessoas em trabalhos forçados (1,5 milhões nos EUA, Canadá,
Japão, Noruega e países da EU), 7,5% do total, centrando-se a exploração
escravizada sobretudo na América Latina, no sul da Ásia e em África.
Para além do incrível número de pessoas escravizadas,
acresce-se que a circulação das pessoas escravizadas está hoje muito facilitado
e o valor pago é extremamente baixo (50 dólares por uma criança no Haiti).
O uso de mão de obra escrava, muita dela usada para pagar
dívidas que foram herdadas pela família, é canalizada sobretudo para atividade
agrícolas, mendicidade, indústria, prostituição e trabalho doméstico. As
mulheres e as crianças de zonas pobres e com pouco acesso à educação têm um
risco acrescido de serem aprisionadas numa rede internacional de tráfico
humano.
A EU declarou 2012-2016 como anos de combate à escravidão e
ao tráfico humano e deu início à implementação de 40 medidas de combate ao
tráfico de seres humanos. Essas medidas não contemplam apenas a perseguição de
organizações criminosas que agem à escala mundial, mas também um apoio direto
às vítimas porquanto estas, uma vez libertadas, continuam a ser sujeitos de
risco. Nas medidas a implementar estão estabelecidas cinco prioridades:
- apoio à criação de unidades nacionais responsáveis pela
aplicação da lei especializadas no domínio tráfico de seres humanos, uma vez
que, com muita frequência, os criminosos não são punidos judicialmente
- criação de equipas de investigação conjuntas e
envolvimento da Europol e da Eurojust em todos os casos de tráfico
transfronteiriço
- prestação de informações claras às vítimas sobre os seus
direitos ao abrigo da legislação da UE e nacional, nomeadamente o direito à
assistência e cuidados de saúde, o direito a obter uma autorização de
residência, assim como a proteção dos seus direitos laborais
- criação de um mecanismo da UE para melhor identificar,
referenciar, proteger e socorrer as vítimas de tráfico
- estabelecer uma coligação europeia das empresas contra o
tráfico de seres humanos, para melhorar a cooperação entre as empresas e as
partes interessadas.
Para aprofundar este assunto, explore este sítio com
entrevistas com vítimas de tráfico e a página da Comissão Europeia para a luta contra o tráfico de seres humanos.
Sugerimos também a leitura de Gente Descartável, disponível na Biblioteca Escolar Clara Póvoa, e
a observação do vídeo no qual Kevin Bales apresenta um Ted Talk
onde discute formas de combate à escravatura nos dias de hoje.
Comissão Europeia (2012). Combater a escravatura dos tempos modernos: 40 novas medidas para uma
estratégia da UE contra o tráfico de seres humanos. Obtido em http://europa.eu/rapid/press-release_IP-12-619_pt.htm em
29.11.2013.
A SIDA
é uma doença provocada por um retrovírus de ARN que, para se manter ativo,
precisa de se alojar nas células. O vírus da imunodeficiência humana (VIH) aloja-se
nos linfócitos T CD4, células do sistema imunitário (sistema de defesa do
organismo). Estas células sanguíneas são responsáveis pela defesa contra
infeções e algumas células cancerígenas.
Ao
instalarem-se nos linfócitos, os vírus reproduzem-se de forma assustadora
originando novos vírus que invadem novas células (cada vírus pode produzir, por
dia, milhões de novos vírus).
Numa
fase inicial de contágio, o organismo reage tentando eliminar os vírus. Esta
fase de luta interna contra os vírus passa normalmente despercebida às pessoas
que foram infetadas e tem um tempo de duração muito variável (meses ou anos).
Nesta fase, só é possível identificar os vírus em circulação, através de
análise sanguínea específica. Quando o resultado da análise é positivo, o
indivíduo portador do vírus é considerado seropositivo para esse vírus.
Caso
os vírus “vençam a batalha” o organismo fica muito debilitado por não poder
“contar” com este tipo de linfócitos para se defender. Nestas condições, caso
entrem no organismo agentes causadores de infeções (bactérias, outros vírus,
fungos, etc), o organismo não tem como reagir contra eles e podem então
instalar-se infeções graves (como, por exemplo, tuberculose) que podem conduzir
à morte. Também as células cancerígenas, que a cada momento se podem formar no
nosso organismo, como não são atempadamente destruídas pelo sistema imunitário,
acabam por poder evoluir para alguns tipos de cancro que podem ser fatais.
Estas
doenças, cuja instalação foi possível graças à debilidade do sistema imunitário
provocada pelos vírus, são consideradas doenças oportunistas sendo os seus
portadores considerados doentes com SIDA.
Uma
pessoa infetada apresenta vírus em todos os fluidos orgânicos: leite materno, sangue,
linfa, exsudados e corrimentos vaginais (no caso da mulher), esperma (no caso
do homem), saliva, fezes, vomitados, etc..
Como
se transmite?
De
acordo com o conhecimento atual, apesar de os vírus se encontrarem em todos os
fluidos orgânicos de um indivíduo infetado, apenas o sangue, corrimentos e
exsudados vaginais, esperma e leite materno são responsáveis pela transmissão
da infeção.
O
vírus, para se manter ativo, tem que ter acesso e entrar na corrente sanguínea,
precisando das células para se poder reproduzir, razão pela qual as invade. Quando
no exterior das células e do corpo, o vírus morre rapidamente, em poucas horas.
Quais as formas de contágio?
O
contacto com sangue infetado e com objetos que tenham estado em contacto com
esse sangue, agulhas, tesouras, giletes, máquinas de barbear e outros
utensílios cortantes, quando infetados e posteriormente usados por outros
indivíduos, podem contribuir para a propagação do vírus.
Quando
se tem relações sexuais com pessoas infetadas e não se usa preservativo de
forma correta, existe risco de transmissão. Durante
a gravidez através da placenta, durante o parto e, posteriormente, durante a
amamentação, existe risco de transmissão de uma mãe infetada para o seu bebé.
Como
evitar a propagação do vírus?
O
sangue, usado em transfusões sanguíneas ou na produção de derivados usados no
tratamento de várias doenças, tem de ser sujeito ao rastreio do vírus, antes da
sua utilização. São procedimentos seguros nos países desenvolvidos.
Sempre
que for necessário tratar de cortes que envolvam sangue, devem ser usadas luvas
descartáveis. Nunca contactar diretamente com sangue de outra pessoa. Estas
medidas são medidas universais e devem ser realizadas independentemente de se
conhecer ou não o estado de saúde do acidentado. Assim, se forem sempre
cumpridas, não haverá risco.
Em
caso de derrame de sangue ou vomitado, deve ser vertida lixívia sobre esses
materiais. Posteriormente, deve colocar-se papel absorvente e, quando tiver
sido efetuada a absorção dos líquidos, todo o material deve ser colocado em
dois sacos de plástico que são posteriormente fechados e colocados no contentor
geral. O espaço onde ocorreu o derrame deve ser lavado com uma solução diluída
de lixivia. Estes procedimentos continuam a ser considerados os mais eficazes
na destruição dos vírus.
Objetos
cortantes que possam ter estado em contacto com sangue contaminado, não devem
ser partilhados, nem mesmo entre os membros da mesma família.Em serviços de
manicure, pedicure e barbearia, os utensílios cortantes suscetíveis de ferir a
pele, devem ser descartáveis. O ideal será cada pessoa, ao recorrer a esse tipo
de serviços, ser portadora dos seus utensílios pessoais.
As
agulhas, e todos os utensílios cortantes que tenham estado em contacto com
sangue, quando deixam de ter condições para poderem ser usados, devem ser
colocados num recipiente de plástico duro (tipo garrafa de água ou
refrigerante) que deve ser posteriormente fechado. Através deste procedimento,
pretende-se evitar que estes utensílios possam vir a ferir e eventualmente
contaminar outras pessoas.
Dada
a facilidade de transmissão do vírus através dos fluidos genitais, sempre que
existirem relações sexuais (anais, vaginais ou orais), deve ser usado
preservativo, particularmente no caso de o parceiro ou parceira serem
portadores do vírus.
Quanto
maior for o número de parceiros sexuais, maiores serão as hipóteses de
transmissão do vírus. Por essa razão, será de toda a conveniência repensar esse
tipo de comportamentos.
A
existência de pequenas lacerações, úlceras ou feridas na mucosa vaginal, peniana
ou rectal, agravam bastante a possibilidade de infeção pela via sexual. O risco
será também maior durante o período menstrual, pelo contacto direto com sangue
infetado.
Antes
de se engravidar, deve ser feito o teste do VIH. Se por qualquer razão tal
teste não foi feito nessa altura, deverá efetuar-se durante a gravidez. No caso
de o teste ser positivo, existe medicação que a grávida pode tomar que reduz em
mais de 90% a hipótese de contágio do bebé. O parto será geralmente por cesariana,
embora possam existir excepções, e a mãe não deverá amamentar. Nascem crianças
infectadas por VIH em todos os países, filhos de mães que, geralmente não
sabendo que eram portadores do vírus, infetaram os seus filhos durante a
gravidez.
A
grande traição desta doença estabelece-se assim em três planos:
Pode contrair-se sem que se tenha
conhecimento
Pode existir sem que se sinta
Pode transmitir-se
Existem
países onde começa a ser alarmante a incidência de SIDA nas camadas mais jovens
(12, 13 anos), relacionada com o início precoce de atividade sexual, envolvimento
com múltiplos parceiros e associada ao consumo de drogas e álcool.
O
que fazer quando se suspeita de eventual contágio?
Em
caso de contacto de risco com sangue (sangue com sangue, sangue com mucosas), de
violação, de contacto sexual sem proteção com pessoas cujo estado de saúde se
desconhece, deve recorrer-se a um Centro Hospitalar e relatar o sucedido.
Existe medicação que pode ser tomada até 72 horas após o contacto com fluidos
infetados que permitem a destruição dos vírus em mais de 90% dos casos. Caso o
tempo de possível contágio seja superior a 72 horas, deve esperar-se um mês e,
nessa altura, fazer-se o teste de rastreio. Caso o teste seja negativo, deve
repetir-se três meses após o eventual contágio. No caso de o teste continuar a
ser negativo, a análise deve voltar a ser feita seis meses após a situação de
risco. Se se mantiver negativa, é porque não houve contágio. Caso seja positiva,
inicia-se o seguimento em consulta da especialidade.
Qual a situação atual da SIDA em Portugal?
Ao
longo dos anos, a descoberta de novos tratamentos possibilita que, na
atualidade, a infeção por VIH (SIDA) seja uma doença crónica que permite aos
portadores do vírus terem uma longevidade igual à que teriam, caso não fossem
infetados. Contudo, tal só poderá acontecer se houver assiduidade às consultas
e cumprimento escrupuloso da terapêutica, por forma a não surgirem resistências
à medicação. Estes medicamentos diminuem
a capacidade de multiplicação dos vírus (medicamentos anti-retrovirais) e,
dessa forma, diminuem a carga vírica dos portadores. Assim, é possível evitar o
aparecimento de doenças oportunistas. Por essa razão, a palavra SIDA associada
à ideia de doenças oportunistas, deixa de fazer sentido uma vez que os portadores
do vírus, desde que identificados e devidamente tratados, não indiciam qualquer
aparência que faça suspeitar que são seropositivos.
Para
refletir…
Atualmente,
a terapêutica anti-retrovírica é gratuita para o doente e de distribuição exclusivamente
hospitalar. Um doente sob terapêutica, pode tomar um esquema farmacológico com
um valor a partir de cerca de 400 a 500 euros mensais. Contudo, tendo em conta
as características do doente e o seu historial clínico e terapêutico,
nomeadamente o aparecimento de resistências à terapêutica, este valor poderá
ser substancialmente superior. Por outro
lado, existem outros fármacos que são necessários no caso de diagnóstico de
doenças oportunistas ou concomitantes. Em situação de internamento, são
fornecidos gratuitamente ao doente. Em ambulatório, estes são comparticipados
parcialmente pelo Estado.
Face
a esta realidade podem colocar-se algumas questões…
Atendendo
à situação económica que o país atravessa, será que vai continuar a ser
possível comparticipação a 100% destes medicamentos?
Caso
essa situação se altere, quantas pessoas deixarão de ter condições para custear
o seu tratamento?
Num
país em que tanto se reclama da elevadíssima sobrecarga de impostos que cada
cidadão tem de pagar, será que não se deveria fazer um investimento maior na
prevenção da doença, que pode ser de facto prevenida, para diminuir o peso
económico da mesma?
Sabendo nós que…
- a
principal via de transmissão continua a ser o contacto sexual,
- a
desinibição sexual e as relações sexuais desprotegidas estão frequentemente
associadas ao consumo excessivo de álcool e drogas,
-
não é possível identificar um portador de infecção por VIH pela sua aparência,
- mas
a troca frequente de parceiros é recorrente na sociedade atual,
O que nos reserva o futuro em relação a esta
doença?
Será
que estamos a agir como uma espécie que se diz ser racional?
revisitar Pessoa 78 anos após a sua morte [sugestões de leitura da BECP]
O traço mais distintivo da obra de Pessoa é o de grande
parte dela ter sido escrita sob diferentes nomes, sendo que os seus principais
heterónimos eram dramatis personae plenamente desenvolvidas, cuja poesia (e, em
menor grau, cuja prosa) era escrita em vários estilos, todos eles individuais e
característicos. As principais figuras do drama-em-gente de Pessoa – Alberto
Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis – foram concebidos como autores
autónomos, não apenas em virtude da singularidade intrínseca dos seus escritos:
eles foram criados como indivíduos independentes de um ponto de vista textual e
existencial, com trajetórias biográficas e relações interpessoais próprias.
Klobucka Anna M. ; Sabine, Mark (2010). O Corpo em Pessoa- corporalidade, género, sexualidade. Lisboa:
Assírio&Alvim.
Falar de Fernando Pessoa é falar de Pessoas, com este ou
aquele nome, com ou sem máscara, e tentar compor o puzzle da sua vida, da sua pessoa
que, afinal, nem ele próprio conseguiu completar. A sua biografia pouco nos diz
sobre a real dimensão do homem e do génio que, 78 anos após o seu
desaparecimento, continua a “inquietar” tantos de nós.
Fernando Pessoa por Almada Negreiros
Com efeito, tentar conhecer Pessoa é tarefa
que não se esgota no que da sua obra se conhece. Para o encontrar, teremos que
o seguir de muito perto, não vá ele escapar-se ou esconder-se sob outro(s)
nevoeiro(s ) da sua mutável personalidade. Em cada página, em cada texto,
Pessoa renasce como o “ alter ego” de si próprio, na tentativa, sempre
frustrada, de se encontrar, ora embrulhando-se no novelo que é o ortónimo, ora
desembrulhando-se em alguns heterónimos, num eterno desassossego.
A obra de Pessoa mostra-nos o labirinto do seu “Eu”, através
de uma visão fragmentada de um “drama em gente”. A viagem que fez à roda de si mesmo
nunca encontrou um porto de abrigo, pois do amor apenas pretendeu que fosse “um
sonho longínquo”.
A obra de Pessoa
mostra-nos o labirinto do seu “Eu”, através de uma visão fragmentada de um
“drama em gente”. A viagem que fez à roda de si mesmo nunca encontrou um porto
de abrigo, pois do amor apenas pretendeu que fosse “um sonho longínquo”.
Para revisitar Fernando Pessoa, basta seguir algumas das sugestões de leitura que estão disponíveis na Biblioteca Escolar
Clara Póvoa.
Fernando Pessoa, O banqueiro anarquista
“Causa certa estranheza a ideia de que um banqueiro possa
ser anarquista, imaginando-se talvez que seja um anarquista não praticante, ou
que o seja na teoria, mas não na prática. O banqueiro retratado por Pessoa, contudo,
considera toda a sua vida exemplificativa do verdadeiro anarquismo descrevendo
como, desde jovem, foi resolvendo diversas contradições e dúvidas até chegar à
“técnica do anarquista.”
Fernando Pessoa, Cartas de amor
Todas as cartas de amor
são
Ridículas.
Não seriam cartas de
amor se não fossem
Ridículas
Fernando Pessoa, Cartas a Armando Côrtes Rodrigues
“Mantenho, é claro, o meu propósito de lançar
pseudonicamente a obra Caeiro-Reis-Campos. Isso é toda uma literatura que eu
criei e vivi, que é sincera, porque é sentida, e que constitui uma corrente com
influência possível, benéfica incontestavelmente, nas almas dos outros. O que
eu chamo literatura insincera não é aquela análoga à do Alberto Caeiro, do
Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos (o seu homem, este último, o da poesia
sobre a tarde e a noite). Isso é sentido na pessoa de outro; é escrito
dramaticamente, mas é sincero (no meu grave sentido da palavra) como é sincero
o que diz o Rei Lear, que não é Shakespeare, mas uma criação dele. Chamo
insinceras às coisas feitas para fazer pasmar, e às coisas, também — repare
nisto, que é importante — que não contêm uma fundamental ideia metafísica, isto
é, por onde não passa, ainda que como um vento uma noção da gravidade e do
mistério da Vida. Por isso é sério tudo o que escrevi sob os nomes de Caeiro,
Reis, Álvaro de Campos.”
José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis
Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das
sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro de 1935.
Fica até Setembro de 1936. Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da
heteronímia de Fernando Pessoa. E um movimento inverso, logo a começar:
""Aqui onde o mar se acaba e a terra principia""; o virar
ao contrário o verso de Camões: ""Onde a terra acaba e o mar
começa"". Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de
Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o
movimento épico da partida. Mais uma vez, a história na escrita de Saramago. E
as relações entre a vida e a morte. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de
Dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro. Ricardo Reis visita-o ao
cemitério. Um tempo complexo. O fascismo consolida-se em Portugal. (In. Diário de
Notícias, 9 de Outubro de 1998).
Maria Vitalina Leal de Matos, A paixão segundo Fernando Pessoa
Fernando Pessoa publicou na revista Centauro, em 1916,
catorze sonetos, que intitulou Passos da Cruz. É inegável a relação que os
poemas estabelecem com a Via Sacra. Porém, o hermetismo dos textos, de beleza
alucinante, e a ausência de qualquer alusão à devolução referida, dificultam a
interpretação. O trabalho de determinar a relação entre os dois «textos» – que
revela uma espiritualidade cristã, mas de cariz gnóstico – fez aparecer a
possibilidade de uma encenação que se afigura difícil mas vivamente sedutora.
Bernardo Soares, O livro do desassossego
O que temos aqui não é um livro, mas a sua subversão e
negação, o livro em potência, o livro em plena ruína, o livro-sonho, o
livro-desespero, o anti-livro, além de qualquer literatura. O que temos nestas
páginas é o génio de Pessoa no seu auge.
“Só duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez
humana, mas não estou seguro sobre o primeiro"
Albert Einstein
A ciência nasceu como uma tentativa de se achar respostas
para os questionamentos humanos. Mais do que capaz de satisfazer a curiosidade,
mostrou-se gradualmente como uma verdadeira ocupação, inspirando trabalhos de
vidas inteiras. Gradualmente a ciência permitiu-nos perceber que, por meio da
observação e experimentação, era possível não só compreender o mundo que nos
cerca, mas também a nós mesmos. Por sua vez, a relação entre ciência e tecnologia
permitiu criar um sem número de meios que permitem melhorar a qualidade de vida
dos seres humanos. Para muitos, a ciência e a tecnologia são indispensáveis
para a manutenção do progresso.
O Fórum Mundial de Ciência 2013 é a maior e mais importante reunião internacional de cientistas e autoridades
de áreas relacionadas à ciência, tecnologia e inovação e terá lugar no Rio de
Janeiro, de 25 a 27 de novembro. Contará com a presença de mais de 600 líderes
mundiais de mais de 120 países e terá como foco "Ciência para o
Desenvolvimento Sustentável Global". O objetivo é promover o diálogo entre
cientistas, governantes, líderes culturais e da indústria, entre outros, com o
papel de conclamar diferentes atores a trabalharem em conjunto para a
constituição de sociedades inclusivas e sustentáveis.
Nos últimos 15 anos, Portugal desenvolveu signitivamente a
investigação em ciência com o aumento do investimento, quer público quer
privado, tendo obtido bons resultados. Manuel Sobrinho Simões é um dos cientistas mais conhecidos do país. Há quase 25 anos que o instituto
que dirige, , e fundou, Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da
Universidade do Porto ,
é uma referência na investigação do cancro em Portugal.
O Dia Nacional da Cultura Científica foi instituído para
comemorar o aniversário do nascimento de Rómulo de Carvalho, notável professor
de Física e Química, e divulgar o seu trabalho na promoção da cultura
científica e no ensino da ciência. São várias as instituições que assinalam estes dia. Um deles é Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra que também assinala o aniversário do nascimento de Rómulo de Carvalho, patrono
do Dia Nacional da Cultura Científica.
A fim de despertar a curiosidade acerca do mundo que
nos rodeia e criar um sentimento de admiração e interesse pela ciência, escolas
e agrupamentos de escolas através da sua Biblioteca Escolar celebram este dia.
Muitas bibliotecas de escolas e agrupamentos de escolas assinalam
a efeméride promovendo, simultaneamente, a importância da descoberta e do
conhecimento científico para o desenvolvimento da humanidade e da leitura. Também
municípios através do departamento da cultura comemoram este dia.
a
propósito do salazarismo em Portugal [sugestões de leitura da BECP]
Conhecer a nossa história é um importante passo para compreendermos o presente e projetarmos o futuro.
Fazermos mais e melhor pressupõe que conseguimos compreender o percurso que nos trouxe até ao momento, a história de um país onde homens e mulheres lutaram pela liberdade, pela dignidade humana, por construir um país mais solidário e mais igualitário.
Saber a nossa história é tão importante como saber de que é constituída a matéria, pois a história molda a matéria dos nossos sonhos.
Ficam, por isso, aqui duas sugestões de leitura que a Biblioteca Escolar Clara Póvoa proporciona.
Salazar e o Holocausto
de Irene Flunser Pimentel e Cláudia Ninhos, Círculo de Leitores
Os últimos presos do estado novo. Tortura e desespero em vésperas do 25 de abril
União
Nacional [a propósito da tomada de posse dos dirigentes do partido único do
salazarismo]
Criada ainda durante o período da ditadura nacional, a
União Nacional foi anunciada ao país em 30 de julho de 1930, através de um manifesto lido pelo presidente
do Ministério, General Domingos de Oliveira, e por um discurso do Ministro das
Finanças, Oliveira Salazar.
A União Nacional foi constituída para manter o regime
político que se estabeleceu em Portugal com a aprovação da constituição de
1933. Era o único partido constituído legalmente e destinava-se a unir todos os
Portugueses à sua volta.
Em 1934, no seu I Congresso, a União
Nacional criaria os seus órgãos de direção, estabeleceria a
sua estrutura interna e definiria as suas normas de atuação futuras.
Nesse mesmo ano, concorreu às eleições para a Assembleia Nacional em
sistema de lista única, vindo a ter o Movimento de Unidade Democrática
(MUD) como opositor somente nas eleições legislativas de 1945 e nas
eleições presidenciais de 1949, nestas últimas com Norton de Matos como
candidato da oposição contra o presidente Óscar Carmona. No entanto, em ambas
as eleições, o MUD retirou-se por não conseguir preencher os requisitos de
candidatura, concorrendo sem adversário a União Nacional.
A União Nacional era uma organização centralizada e ligada ao governo. Foi
sempre dirigida pelo primeiro-ministro em exercício. Primeiro Salazar, e depois
Marcello Caetano, ocuparam o cargo de presidente da Comissão Central.
Para além da centralização, o monopólio político era outra
característica da União Nacional, não permitindo oposição política, visto que
esta, a existir, era impossibilitada e perseguida.Manteve o monopólio da representação parlamentar até 1974,
elegendo sempre a totalidade dos seus deputados e assegurou que todos os
presidentes da República durante este período fossem aqueles que apoiavam.
Marechal Óscar Carmona, eleito para quatro mandatos sucessivos, F. H. Craveiro
Lopes, eleito para um mandato, e Américo Thomaz, eleito para três mandatos.
No último congresso da União Social, que ocorreu no início de
1970, foi reorganizada passando a ser denominada por Acção Nacional Popular.
Diogo Reigota 12º LH
Páginas da Internet consultadas entre 20 e 22.11.2013:
a propósito
do dia 24 de novembro, dia mundial da ciência
[sugestões de leitura da BECP]
Hoje em dia, com os inúmeros
recursos disponíveis online, obter conhecimentos sobre ciência não é difícil.
Até é fácil e divertido.
Mas, nem sempre conseguimos obter
uma visão global e sistemática do que é a ciência nas suas diferentes áreas e
da forma como a atividade científica foi moldando o mundo em que vivemos e como
foi ampliando infinitamente a nossa forma de compreender a realidade que nos
rodeia. E, no entanto, “ler ciência” também é fácil e divertido graças ao
trabalho de divulgação científica que alguns autores têm realizado.
Na Biblioteca Escolar Clara
Póvoa, cujo catálogo também é acessivel através do Catálogo Coletivo da Rede de
Bibliotecas de Cantanhede, podemos encontrar uma coleção muito considerável de
livros de divulgação científica.
Ficam aqui algumas sugestões.
Os descobridores de Daniel Boorstin,
Editorial Gradiva
Obra que faz parte de uma
trilogia (Os descobridores, Os pensadores e Os criadores) e que nos conta a
aventura dos grandes descobridores que deram origem à Física, à Química e à
Biologia, tal como as conhecemos hoje. Uma aventura absolutamente fascinante
que nos leva a olhar para objetos comuns do dia a dia de forma completamente
diferente.
Você está aqui. Uma história
portátil do universo de Christopher Potter,
da editora Casa das Letras
Uma biografia rigorosa e
provocadora do universo desde o seu nascimento até aos dias de hoje. Uma
narrativa exploratória de todas as grandezas, dimensões e realidades que estão
irradiadas num lugar que é tudo e ao mesmo tempo não é nada. O autor demonstra
que a ciência avança afastando a humanidade do centro da atenção cósmica, mas o
universo reage colocando-nos de novo lá.
Breve história de quase tudo de
Bill Bryson, da Bertrand Editora
Pode parecer um nome pomposo, mas
é mesmo uma história de quase tudo. Uma pesquisa digna de um mamute, anos de
investigação e como resultado... o Big Bang, os dinossauros, o aquecimento
global, a geologia, Einstein, os Curies, a teoria da evolução, a gasolina com
chumbo, a teoria atómica, os quarks, os vulcões, os cromossomas, o carbono, os
organismos edicaranos, a descontinuidade de Moho, o ADN, Charles Darwin e um
zilião de outras coisas. Em linguagem não demasiado científica, sempre clara e
com as devidas anotações, o leitor é conduzido, por este autor extremamente
divertido e bem informado, numa viagem através do tempo e do espaço, cujo prato
forte é também revelar-nos algumas ironias do desenvolvimento científico. Esta
é verdadeiramente uma obra que nos dá a sensação de ter o mundo na palma da
mão. Um livro que vendeu milhões de exemplares e que vale mesmo a pena ler.
A espiral da vida. As dez mais
notáveis invenções da evolução de Nick Lane,
da Editorial Gradiva
Como é que a vida se inventou? De
onde vem o ADN? Porque morremos? Ao longo das últimas décadas, foi desenvolvida
investigação apaixonante que lançou uma luz nova sobre a composição da vida.
Com base neste novo manancial de
conhecimento científico, o bioquímico premiado Nick Lane reconstituiu a história
da vida através da descrição das dez mais notáveis invenções da evolução, refletindo
sobre o modo como cada uma – do ADN ao sexo,do sangue quente à consciência e
finalmente à morte – transformou a vida e,em muitas ocasiões, o próprio planeta
que habitamos. Uma forma agradável e muito útil de acompanhar algumas das
descobertas mais marcantes da atualidade. Vale mesmo a pena ler.
Poeira da alma. A magia da
consciência de Nicholas Humphrey,
da Editorial Gradiva
Como é possível a consciência? A
que finalidade biológica se destina? Porque é que a valorizamos tanto?
Em Poeira da Alma, Nicholas
Humphrey, figura cimeira da investigação mundial no campo da consciência,
avança uma nova teoria surpreendente. A consciência, afirma, não é senão um
espectáculo de magia e mistério que representamos para nós próprios dentro das
nossas cabeças. Este espectáculo autocriado ilumina-nos o mundo e faz-nos
sentir especiais e transcendentes. Assim, a consciência abre caminho à espiritualidade
e permite-nos, enquanto seres humanos, colher os frutos, e ansiedades, de viver
no que Humphrey chama«o nicho da alma».
O Grande Inquisidor. A vida
extraordinária e o desaparecimento misterioso de Ettore Majorana, de João Magueijo, da Editorial Gradiva
Na noite de 26 de Março de 1938,
o físico nuclear Ettore Majorana embarcou levando consigo uma grande quantia de
dinheiro e o passaporte. Nunca mais foi visto. Até aos nossos dias, o seu
desaparecimento permanece envolto em mistério.
Em O Grande Inquisidor (alcunha
por que Ettore Majorana era conhecido entre os colegas), o físico teórico João
Magueijo conta a história de Majorana e do seu grupo de investigação,
responsáveis pela descoberta casual da fusão nuclear, em 1934. Quando Majorana,
o mais brilhante do grupo, começa a compreender as implicações potencialmente
letais da investigação em curso, fica perturbado. Ter-se-á suicidado? Terá sido
raptado? Terá encenado a sua própria morte para se retirar da investigação
científica?
Magueijo relata a vida trágica de
Majorana e o seu desaparecimento bizarro ao mesmo tempo que nos fala das mais
interessantes personalidades da ciência do século XX. Oferece-nos uma visão
surpreendente dos meandros sombrios do mundo científico - tanto as suas
dificuldades éticas como as suas por vezes complexas dinâmicas de grupo. O
resultado é uma obra arrebatadora que dá conta da descoberta extraordinária de
Majorana - o neutrino de Majorana - e sugere novas pistas para um dos mais
intrigantes mistérios da ciência. Uma história de ciência e mistério.
Poderíamos pensar, o que me
interessa a história das plantas. Isso não será para jardineiros e botânicos?
Não, para quem goste de ler e de conhecer o mundo. Pensávamos nós que, no que
respeita ao sexo, haveria o marculino, o feminino e os hemafroditas. Mas,
quando lemos que existe um número muito maior de sexos nas plantas, ficamos um
pouco baralhados. Quando a semente de uma planta pode viver centenas de anos e
germinar como quem não quer a coisa, ficamos curiosos. Um livro muito, muito
interessante e divertido de ler.
O Homem que só gostava de números
de Paul Hoffman, da Editorial Gradiva
Paul Erdös foi um dos mais
prolíficos e excêntricos matemáticos do nosso tempo, um homem que possuía
inimagináveis poderes intelectuais, mas que era incapaz de realizar muitas das
tarefas diárias mais simples. Durante mais de duas décadas viveu com o conteúdo
de duas velhas malas, atravessando quatro continentes a um ritmo frenético,
perseguindo problemas matemáticos em busca da beleza perene e da verdade
absoluta.
Paul Hoffman fornece uma visão
íntima da vida e das relações de Erdös, apresentando ao leitor um elenco de
notáveis génios matemáticos, bem como as mais importantes descobertas
matemáticas do século XX. Livro premiado com o Rhône-Poulenc Prize 1999 para o
melhor livro de ciência e que se lê de um folgo só, como quem lê um
entusiasmante livro de mistério.