As palavras valem o que
valem e por vezes leva-as o vento num sopro breve, contudo muitas ganham vida e
sentido profundo: amizade, companheirismo, cumplicidade, confiança, partilha,
empenho, profissionalismo…
Sempre que o teu nome
invade a memória e o coração, todas elas tornam a emanar frescura e luz,
valorizando a dádiva alegre e desinteressada com que nos presenteaste.
"As coisas vulgares que há na vida não deixam
saudade", só as que nos marcam e deixam um pouco de si em nós.
Assim foi com a professora Clara que, com o seu jeito frágil,
mas ao mesmo tempo determinado, vestiu a camisola da Escola Secundária de
Cantanhede e da Biblioteca Escolar e as fez crescer ao longo dos anos. Foram
tantos os momentos de aprendizagem, de trabalho e de mudança em que ela
trabalhou a nosso lado, par a par connosco, que nos encorajou e nos fez desejar
ser mais e melhor. Foram tantas as horas passadas nesta escola a lutar, para
que hoje possamos usufruir do que os livros, as palavras e os conhecimentos nos
podem trazer de bom.
E quando um dia o seu sorriso esmoreceu, não existiram
livros, nem palavras, nem conhecimento que a fizessem continuar a sua luta
diária, mas existiram os nossos sorrisos, os nossos abraços e os nossos afetos
que levaram até ela o carinho de todos aqueles que um dia se cruzaram com a
professora Clara na ESC e a certeza que nunca será esquecida.
Para além de uma coordenadora e de uma professora, ela foi
uma amiga, uma companheira na estrada da vida.
"Há gente que fica na história/ Da história da
gente", como a professora Clara ficou na minha, na desta escola, na de
cada pessoa que por aqui passa, e recordá-la trará sempre um sorriso aos nossos
rostos por termos tido o prazer de ter na nossa vida uma pessoa tão especial,
porque "só as lembranças fazem sorrir" e deixam saudades.
Na sequência da homenagem que te vão fazer,
pediram-me que, na qualidade de teu colaborador próximo, escrevesse alguma
coisa sobre ti, para ser colocada no “blog” da biblioteca da nossa escola.
Passados dois anos do teu desaparecimento
físico, ainda não me parece que tenhas morrido... Sabes, nós só morremos quando
caímos no esquecimento daqueles com quem nos relacionámos, pessoal e
profissionalmente, em vida. Eu tive o privilégio de ter sido teu amigo, além de
colega de trabalho, e a impressão enorme com que me marcaste vai prevalecer em
mim, provavelmente, até ao dia da minha própria morte... Como vês, Clara, os
teus amigos mantêm-te viva, continuando a admirar e a reconhecer as tuas
qualidades pessoais e profissionais.
Deram o teu nome à biblioteca que era a
"menina dos teus olhos", da qual foste mais do que mãe. Lembro-me de
todo o processo, porque fui testemunha e porque partilhaste comigo muitas
inquietações desse “parto”... Eras uma pessoa de grande visão e, nos tempos
pioneiros da Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), trataste logo da integração
da nossa Biblioteca Escolar (BE) na RBE. Nesse tempo não havia "Equipas da
Biblioteca Escolar" e tu davas aulas como qualquer outro professor (talvez
tivesses algumas horas de redução, mas nada que compensasse o esforço que
despendias). Tiveste a humildade, outra qualidade que era uma das tuas
características, de me pedires para colaborar contigo no desenvolvimento do
projecto de candidatura à RBE... Coube-me a tarefa de desenvolver o projecto de
arquitectura da biblioteca, que tinha que respeitar um programa específico, para
uma escola da tipologia da nossa, que discuti contigo. Lembro-me que os
incentivos financeiros decorrentes da entrada na RBE não cobriam as despesas
totais do projecto e que conseguiste que o Bastardo, então presidente do conselho directivo,
disponibilizasse a verba em falta.
Depois da entrada na RBE, formaste uma equipa para desenvolver o
trabalho e as actividades da BE da nossa escola. Tinhas consciência de que a BE
era uma realidade nova e que era preciso "partir muita pedra" até ter
o necessário e merecido reconhecimento interno. Tiveste o mérito de teres
desenvolvido o projecto da nossa BE de uma forma gradual e sustentada, que
envolveu a criação de uma equipa, o contínuo desenvolvimento da colecção, a
gradual ampliação e apetrechamento tecnológico, a interacção com a Biblioteca
Municipal de Cantanhede (até conseguiste que o Município de Cantanhede
comprasse o "software" especializado
que passámos a utilizar na BE) e a criação de uma rede concelhia de bibliotecas
escolares. Tinhas consciência de que a formação especializada da equipa era
fundamental para um trabalho cada vez mais profissional e eficaz. Deste o
exemplo e fizeste uma pós graduação em Ciências Documentais e posteriormente um
mestrado em Bibliotecas Escolares. Grande parte dos membros da equipa da BE
seguiram-te o exemplo e fizeram diversas formações especializadas em áreas das
ciências da informação e da documentação (eu comecei a licenciatura em Ciências
da Informação e da Documentação, quando fazia parte da tua equipa da BE).
Lembro-me do Litério, outro dos presidentes
do conselho directivo com quem trabalhaste, dizer, sobre a escola e a
biblioteca, que parecia que era a biblioteca que tinha uma escola lá dentro,
quando se referia à organização que dirigias...
Tu eras uma pessoa sabedora, mas de uma
humildade avassaladora...
Chamávamos-te "generala", mas na
equipa agias como um verdadeiro soldado, trabalhando ombro a ombro com os
restantes membros do "poletão". Tu sabias que numa organização como a
que dirigias, tem que haver um equilíbrio entre a eficácia e o
prazer/felicidade na execução do trabalho a realizar. Claro que para ti os
"papéis" eram necessários e importantes, mas ainda mais importante
que os mesmos, era o resultado da nossa acção.
Lembro-me que "perfilhaste" a
minha ideia da criação de um Boletim da Biblioteca, que foi exemplo,
reconhecido pela RBE, de boas práticas, tendo passado a constar da página da
Rede de Bibliotecas Escolares. Tinhas por hábito fazer acções de formação para
os professores da ESC tomarem conhecimento da colecção e dos equipamentos
electrónicos que a BE disponibilizava para utilização no espaço aula. Tu
querias que a BE fosse cada vez melhor para tornar a ESC ainda melhor...
Tenho saudades de ti, Clara, de trabalhar
contigo numa equipa fantástica, na qual por vezes havia tensões (peço-te
desculpa por qualquer coisa que tenha feito!!!), mas onde a amizade imperava;
todos os anos nos reuníamos, como grupo
de grandes amigos que éramos, para confraternizar, algumas vezes em tua casa,
com a tua família...
O reconhecimento do teu trabalho e da tua
dedicação é, na verdade, a verdadeira homenagem que te podemos prestar.
Beijinhos,
Zé Paixão
Nota: por solicitação do seu autor, este texto foi publicado sob as normas do anterior acordo ortográfico.
Farão amanhã dois anos após a morte da professora Clara Póvoa.
Pedimos a alguns dos colegas e amigos que escrevessem sobre a pessoa que foi Clara Póvoa.
As palavras que expressam as memórias e a saudade são, em nosso entender, a melhor forma de homenagear quem muito contribuiu para um mundo melhor.
Publicaremos a partir de amanhã, e durante vários dias, um texto dos que generosamente aceitaram o nosso desafio de expressar publicamente palavras sobre a Clara.
dia
6 de janeiro [em 1973 publica-se pela primeira vez o jornal Expresso]
O semanário Expresso foi fundado a 6 de Janeiro de 1973. Inicialmente
dirigido por Francisco Pinto Balsemão, o jornal aparece quando este decide
investir num jornal próprio, tendo como modelo «os jornais ingleses de domingo
de qualidade».
Francisco Pinto Balsemão, fundador do Expresso
Surge, então, a primeira versão do semanário Expresso em
formato broadsheet com dois cadernos: o primeiro caderno de carácter mais
noticioso, «com uma primeira página forte e secções bem definidas nas páginas
interiores»; e o segundo, chamado Revista, «menos ligada ao dia a dia,
convidando à reflexão e proporcionando entretenimento».
A primeira redação era chefiada por Augusto de Carvalho. A
secção nacional estava ao encargo de José Manuel Teixeira. Fernando Ulrich (sob
o pseudónimo de Vicente Marques) fazia a crónica bolsista. António Patrício
Gouveia escrevia sobre economia, Álvaro Martins Lopes sobre notícias internacionais
e Inácio Teigão sobre desporto.
Primeira edição do semanário Expresso
O primeiro número sai para a rua no dia 6 de janeiro de 1973.
A tiragem ultrapassou os 60 mil exemplares, impressos na rotativa do Diário de
Lisboa. Cada exemplar do jornal contava com 24 páginas e dois cadernos, ao
preço de 5$00 (2,5 cêntimos a preço atual).
Já lá vão 41 anos de existência do semanário Expresso. O seu
atual diretor é, desde janeiro de 2011, Ricardo Costa e o Expresso continua a
ser considerado por muitos como o jornal de referência em Portugal.
Qual o perfil dos leitores do semanário Expresso? O jornal
tem uma média de 585.400 leitores, sem que exista uma grande diferença em
termos de género: 55% dos indivíduos são do sexo masculino e 45% do sexo
feminino. Em termos etários, os leitores dominates situam-se na faixa etária
entre os 25 e os 34 anos; os idosos são a faixa etária menos relevante.
Edição online do Expresso, a 6 de janeiro de 2014
O Expresso foi o primeiro jornal a publicar a edição impressa em versão HTML.
Este é o desafio do escritor, parece-me: encontrar a verdade
de um determinado ponto de vista.
in "O Ano Sabático"
(passe o cursor sobre a imagem, para aceder aos conteúdos)
Alguns destes livros estão disponíveis, para leitura, na BECP. Ainda no ano de 2013, João Tordo colaborou na coleção de contos, em formato digital, lançada pelo Diário de Notícias, com o conto "Cidade líquida", a que pode aceder a partir da estante disponível aqui no blogue, na coluna à direita, em formato PDF , ePub ou Mobi . Para ler onde quiser. Para saber mais sobre o autor, siga-o no seu blogue ou na sua página oficial do Facebook . Boas leituras!
O Dia de Natal é
um feriado e festival religioso cristão, comemorado
anualmente a 25 de dezembro.
Originalmente destinado a celebrar o
nascimento anual do Deus Sol no solstício de inverno, foi adaptado
pela Igreja Católica, no terceiro século d.C., passando a
comemorar o nascimento de Jesus de Nazaré.
Árvore de Natal
As civilizações antigas que
habitaram os continentes europeu e asiático, no terceiro
milênio antes de Cristo, consideravam as árvores como um símbolo divino. A sua
projeção vertical desde as raízes fincadas no solo, assinalava simbolicamente a
aliança entre os céus e a mãe terra.
Cristmas Tale de Sergey Durasov
Reza o mito que a deusa Síria Semiramis fez
uma promessa aos assírios, de que quem montasse uma árvore com enfeites e
presentes em casa no dia do nascimento dela, essa casa seria abençoada por ela
para sempre.
Nas vésperas do solstício de
inverno, os povos pagãos da região dos países bálticos cortavam pinheiros,
levavam-nos para os seus lares e enfeitavam-nos de forma muito semelhante ao
que se faz nas atuais árvores de Natal.
Atualmente, a tradição de
enfeitar uma árvore pelo Natal é comum a católicos, protestantes e
ortodoxos.
O Pai Natal
O Pai Natal é uma figura lendária que,
para muitas culturas ocidentais, traz presentes às crianças bem-comportadas
na noite da Véspera de Natal, o dia 24 de dezembro, ou no Dia de São
Nicolau (6 de dezembro).
Pai Natal de Lu Adormecida
A lenda ter-se-á baseado em parte em contos
hagiográficos sobre a figura histórica de São Nicolau. O Pai Natal foi uma
pessoa de carne e osso, mais precisamente São Nicolau Taumaturgo – um arcebispo
turco. São Nicolau costumava ajudar pessoas pobres da cidade de Mira, colocando
moedas de ouro nas chaminés das suas casas durante a época de Natal. A sua
imagem como símbolo natalino teve origem na Alemanha, e de lá se espalhou para
mundo inteiro.
Enquanto São Nicolau era
originalmente retratado com trajes de bispo, atualmente o Pai Natal é
geralmente retratado como um homem rechonchudo, alegre e de barba branca
trajando um casaco vermelho com gola e punho de manga brancos, calças vermelhas
de bainha branca, e cinto e botas de couro preto.
Essa imagem tornou-se popular
nos EUA e Canadá no século XIX devido à influência da Coca-Cola, que na época
lançou um comercial do bom velhinho com as vestes vermelhas.
dia 20 de dezembro [dia Internacional da Solidariedade Humana]
Em 2005, as Nações Unidas, por
ocasião da celebração da primeira década para a erradicação da pobreza
(1997-2006), instituiu o dia 20 de dezembro como o dia da solidariedade humana.
A celebração da data tem como
objetivo destacar a importância da ação coletiva para superar os problemas
mundiais e alcançar os objetivos mundiais de desenvolvimento, de forma a
construir um mundo melhor e mais seguro para todos.
Nas palavras de Secretário-Geral
Ban Ki-moon em 2012:
Podemos atingir os nossos objetivos
partilhados se as pessoas puderem participar na formulação e implementação de
planos, políticas e programas concebidos para desenhar o nosso futuro comum. Os
compromissos, se não forem acompanhados pela capacitação, são palavras sem
significado.
As Nações Unidas procuram
intervir à escala mundial, desenvolvendo múltiplas ações para combater a pobreza,
a descriminação de mulheres e crianças, conforme se pode ver aqui.
Em Portugal, muitas são as
organizações não governamentais e as IPSS (Instituições Particulares de
Solidariedade Social) que desenvolvem programas de apoio a crianças órfãs,
mulheres vítimas de maus tratos, idosos sem capacidade financeira, doentes com
necessidade de cuidados prolongados, pessoas vítimias de descriminaçãos social
e pessoas desempregadas sem qualquer
fonte de rendimento. Dois dos exemplos mais mediáticos são o Banco AlimentarContra a Fome e a AMI.
Nesta, como em muitas outras
instituições, podemos participar ativamente com o nosso tempo, as nossas
capacidades ou apenas com uma pequena ajuda dos nosso recursos.
Centro Regional de Informação das
Nações Unidas (2012). Dia Internacional
da Solidariedade Humana: procurar uma parceria global para a construção da
prosperidade. http://www.onu.fr/pt/actualidade/31006-dia-internacional-da-solidariedade-humana-procurar-uma-parceria-global-para-a-construcao-da-prosperidade
a 14.12.2013.
dia 18 de dezembro [dia internacional da pessoa migrante]
Dia 18 de dezembro é o Dia Internacional da Pessoa Migrante.
Este dia foi determinado pela Assembleia Geral da ONU no ano 2000.
Partindo do facto de que as migrações sempre existiram na
história da humanidade, os objetivos da Organização das Nações Unidas é o de
valorizar as pessoas migrantes, alterando a perceção negativa que, com
frequência, acompanha o fenómeno migrante.
Segundo os dados mais recentes das Nações Unidas, existem
hoje cerca de 232 milhões de migrantes, os quais são considerados os principais
embaixadores culturais do mundo ao transpor fronteiras com novas informações e
diferentes formas de ver o mundo. O grande desafio dos países que recebem os
migrantes é o de conseguirem um equilíbrio entre o respeito e a integração da
diferença, sem perderem a sua própria identidade. Além disso, há dados que suportam,
segundo a ONU, a importância da migração para o desenvolvimento económico, para
a transferência de tecnologia e de competências.
Porém, as razões dominantes da migração no mundo estão ainda
associadas à pobreza, à ausência de trabalho nos países de origem, aos
conflitos bélicos e às perseguições raciais e políticas.
Campo de refugiados no Quénia
Os refugiados políticos amontoam-se, muitas vezes durante
anos, em campos refugiados, sem condições mínimas. A pobreza crónica e a
ausência de perspetivas tornam os migrantes em grupos de risco para a
exploração laboral e o tráfico humano. O desespero leva milhares de pessoas a
arriscarem as suas vidas para chegarem à Europa ou entrarem nos EUA.
Linha da morte, na fronteira entre o México e os EUA
Migrantes à procura de entrar na Europa através da Ilha de Lampedusa
Com vista à melhoria da vida dos migrantes em todo o mundo,
as Nações Unidas organizou um convénio de alto nível, a 3 e 4 de outubro de
2013, no qual foi estabelecida uma agenda de oito pontos que definiu as linhas
de ação a ter em consideração no trabalho migrante. Consulte essa agenda aqui.
Para obter mais informações sobre a situação atual dos
migrantes, pode ler aqui um relatório as Nações Unidas .
Também em Portugal o dia Internacional da Pessoa Migrante
tem sido assinalado. Na página web da
TSF é possível ouvir em podcast um
programa realizado a propósito do tema.
Bibliografia
Assembleia Geral das Nações
Unidas (2013). High-level meetings of the
68th Session of the General Assembly. 3-4 October 2013 - High-level Dialogue on
International Migration and Development: "Making Migration Work".
Obtido em http://www.un.org/en/ga/68/meetings/migration/ a 14.12.2013.
Centro Regional de Informação das Nações Unidas (2012). Dia Internacional dos Migrantes, 18 de
Dezembro: a dignidade não tem nacionalidade. Obtido em http://www.unric.org/pt/actualidade/30776-dia-internacional-dos-migrantes-18-de-dezembro-a-dignidade-nao-tem-nacionalidade-
a 14.12.2013.
UNESCO (2012). 18 de
diciembre: dia internacional de la persona migrante. Obtido em http://www.unesco-heritage.org/cultura/cultura/programas/624-18-de-diciembre-dia-internacional-de-la-persona-migrante.html a 14.12.2013.
[a propósito do aniversário do nascimento de Mário Soares]
Mário Soares retratado por Júlio Pomar
Nome: Mário
Alberto Nobre Lopes Soares
Pais: João
Lopes Soares e Elisa Nobre Baptista
Naturalidade:
Santo António, Lisboa (Portugal)
Data de
Nascimento: 7 de dezembro de 1924
Estado Cívil: Casado
com Maria Barroso
Mário Alberto
Nobre Lopes Soares nasceu a 7 de dezembro de 1924, em Santo António, Lisboa,
filho de João Lopes Soares, um antigo padre e pedagogo, ministro da Primeira
República e combatente do Salazarismo, e de Elisa Nobre Baptista.
Mário Soares
foi preso 13 vezes pela PIDE, uma consequência das ações políticas que encetou
desde os seus tempos de estudante na Faculdade de Letras na Universidade de
Lisboa. Em 1968 foi deportado para São Tomé.
Em 1951,
concluiu a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas e iniciou o curso de
Direito, acabando-o em 1957. Defendeu, como advogado, opositores ao regime de
Salazar. Em 1971 refugiou-se em Paris por causa das constantes perseguições que
a polícia política lhe fazia.
Em 1973,
juntamente com outras pessoas, fundou o Partido Socialista, do qual foi
secretário-geral. Em 1974 regressou a Portugal, assim que o regime fascista foi
derrubado a 25 de abril.
1 de maio de 1974
Depois do seu regresso, desempenhou o cargo de
Ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo desenvolvido várias negociações que
levaram as colónias a tornarem-se independentes. Demitiu-se deste cargo em
março de 1975, ocupando então um cargo de ministro sem pasta. Dois meses depois
também se demitiu deste cargo. De 1976 a 1978 e de 1983 a 1985 foi
primeiro-ministro.
Mário Soares assina o acordo de adesão de Portugal à CEE
De 1977 a 1985 negociou a entrada de Portugal na então
Comunidade Económica Europeia. O pedido foi aprovado, pelo que Mário Soares é o
principal responsável pela presença de Portugal na atual União Europeia.
De
1986 a 1996 foi Presidente da República durante dois mandatos seguidos. Iniciou
as Presidências Abertas, durante as quais andou por muitas regiões do país, a
ouvir diretamente queixas, vontades e desejos dos populares. Depois de ser
Presidente da República, foi eurodeputado no Parlamento Europeu.
Atualmente,
dedica-se à escrita, à coordenação da Fundação Mário Soares e intervém em
diversos congressos e debates, sendo a sua opinião frequentemente requisitada em assuntos
importantes relacionados com o país.
Camões e Pessoa, tão distantes e
tão próximos, num diálogo de tempos que foram, mas também de tempos que são. O
desejo de ir mais além, de sonhar e de ousar, fez sempre parte da nossa condição.
É o sonho que conduz o Homem à ação. Outros, os “eleitos”, darão voz à Obra e a
palavra continuará, através dos tempos a fermentar a utopia. De Camões a
Pessoa, a “ (…) orla branca foi de ilha em continente, / Clareou, correndo, até
ao fim do mundo…”.
Apesar dos séculos que os
separam, os ideais são os mesmos. Camões e Pessoa aspiram à renovação da
Pátria, valorizando-a nos seus heróis, transmitindo ao mundo a sua crença num
Portugal que ressurgirá das cinzas, pela força da sua Cultura e da sua Língua:
o Quinto Império. A viagem marítima de Vasco da Gama é a viagem de um povo
crescendo pelo mundo e pela História. Na “Mensagem” de Pessoa percorre um sopro
patriótico que acorda os heróis adormecidos, para mais uma viagem, desta vez
espiritual, que dissipará o nevoeiro que encobre D. Sebastião.
Camões e Pessoa, cantores de um amor
comum: a Pátria, de olhos voltados para o mar, sempre o mar! Inquietação e
glória, vozes de Velhos do Restelo e de Mostrengos e de Nevoeiros que traçam o
perfil desta Pátria em crise.
Na Ilha dos Amores, “Cumpriu-se o
mar”, mas o “Império se desfez” e os mares da nossa navegação continuam
ensombrados pelos Adamastores, fantasmas de agora e de sempre. Ao longo dos tempos,
o nevoeiro foi-se tornando cada vez mais denso e o Quinto Império cada vez mais
distante!
dia 10 de dezembro [a propósito do dia da Declaração Universal do Direitos Humanos]
Malala Yousafzai é uma jovem paquistanesa de 16 anos. Em 2009,
com 11 anos, começou a escrever, sob pseudónimo, para um blogue da BBC,
relatando como era a sua existência sob o regime talibã. Malala descreve a sua luta, e da sua família, para que as meninas da
sua aldeia pudessem continuar a frequentar a escola Em 2012 Malala foi baleada
por talibãs que atacaram o autocarro que se dirigia para a escola que
frequentava.
O ativismo de Malala tem sido reconhecido à escala mundial através da
atribuição de numerosos prémios internacionais. O último, o Prémio Sakharov,
foi-lhe atribuído em 10 de outubro de 2013 pelo Parlamento Europeu.
A vida de Malala deve ser para todos nós, um exemplo da luta por um
direito, o direito à educação. Para Malala a educação é a solução para as
crianças, as mulheres e os homens que vivem oprimidos. A educação é a solução
para termos um mundo melhor, onde todos possamos aspirar à igualdade de facto.
Vamos pegar os nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais
poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o
mundo. A educação é a única solução.
Malala Yousafzai (2013). Discurso na Assembleia da Juventude na Organização das Nações Unidas.
Hoje, assinalou-se a data da assinatura da Declaração Universal dos
Direitos Humanos. O exemplo de Malala é a prova de que é possível não nos
enquistarmos em ódios e que podemos transformar os direitos da DUDH de ideais
de papel em ideais de ação.
... ou como os outros nos veem. É sempre interessante, ou, no mínimo, curioso, espreitar os reflexos que deixamos nos outros, as imagens que de nós eles colhem e como nos interpretam.
«Dizem os
chineses que há três espelhos que refletem a nossa personalidade: o primeiro
reflete como os outros nos veem; o segundo como nós próprios nos vemos e o
terceiro como na verdade somos.»
Ruth,
I. História incompleta, In Jornal de
Letras, Artes e Ideias, n.º 997, 17 de Dezembro de 2008
Quando o jogo dos espelhos envolve escritores que falam de si ou interpretam reflexos que de outros colhem, a leitura torna-se deveras apetecível, sobretudo quando de gigantes se trata.
Era um homem que sabia idiomas e fazia versos. Ganhou o pão e o vinho
pondo palavras no lugar de palavras, fez versos como os versos se fazem, isto
é, arrumando palavras de uma certa maneira. Começou por se chamar Fernando,
pessoa como toda a gente. Um dia lembrou-se de anunciar o aparecimento iminente
de um super-Camões, um Camões muito maior do que o antigo, mas, sendo uma
criatura conhecidamente discreta, que soía andar pelos Douradores de gabardina
clara, gravata de lacinho e chapéu sem plumas, não disse que o super-Camões era
ele próprio. Ainda bem. Afinal, um super-Camões não vai além de ser um Camões
maior, e ele estava de reserva para ser Fernando Pessoas, fenómeno nunca antes
visto em Portugal.
a propósito dos 78 anos da morte de Fernando Pessoa
Como sabemos, Fernando Pessoa foi
um dos impulsionadores do modernismo em Portugal, deixando um enorme contributo
à literatura portuguesa. Porém, há curiosidades sobre a vida deste poeta das
quais nem todos têm conhecimento. Por exemplo, alguém sabia que este autor se
interessava por assuntos como teologia, astrologia, magia negra, e outras
matérias diversas? É verdade.
Desde pequeno, Fernando Pessoa
sempre se interessou pela escrita. Aos 6 anos criou o seu primeiro heterónimo,
“Chevalier de Pas”, com quem trocava cartas. Viveu na África do Sul onde teve
uma infância recatada, pois preferia ficar em casa a estudar autores como
Shakespeare, Dickens e Newton, em vez de sair e fazer exercício físico.
Já na adolescência, ambicionou
estudar em Cambridge ou Oxford, o que lhe foi negado por ter passado um ano em
Portugal com a família, não respeitando assim a condição de ter estudado nos
quatro anos antecessores numa escola inglesa. Dado que não conseguiu entrar em
nenhuma destas universidades, veio para Portugal e estudou durante dois anos na
Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Porém, para Pessoa, os estudos
não eram suficientemente desafiantes, razão pela qual não obteve sucesso algum
nesses dois anos.
Fernando Pessoa trabalhou como
empregado de escritório, técnico comercial e tradutor, e foi no âmbito de um
destes empregos que inventou a tão conhecida e utilizada expressão “Primeiro
estranha-se, depois entranha-se.”, para o anúncio da Coca-Cola, aquando da sua
entrada em Portugal. Apesar do seu rendimento acima da média, foram muitas as
vezes que o poeta pediu dinheiro emprestado e contraiu dívidas, pois gastava o
seu dinheiro em bebida, tabaco, boas roupas e livros importados do estrangeiro.
Durante a sua vida, mudou de casa
inúmeras vezes, fazendo-se acompanhar de uma arca onde guardava o que escrevia
e onde foram encontrados cerca de 25.000 papéis. Gostava de escrever de pé e
durante a noite, escrevendo em todo o tipo de folhas, como por impulso.
Da sua vida amorosa apenas se
conheceu uma relação com Ofélia Queirós, que durou 8 meses.
Quando confrontado com o facto de
“beber como uma esponja”, Fernando Pessoa brincou, dizendo: “Eu não bebo como
uma esponja, bebo como um armazém de esponjas com anexos ao lado”.
Apesar do esforço, conseguiu apenas
publicar uma das suas obras, a “Mensagem”, um ano antes da sua morte, com a
qual, em vida, apenas ganhou um prémio de segunda categoria.
Fernando Pessoa morreu sozinho,
no hospital, com 47 anos, e as últimas palavras que escreveu foram, em inglês,
“I know not what tomorrow will bring.” (“Não sei o que o amanhã trará.”).
and
ends long after it has come down. It
starts in my imagination,
it
becomes my life, and it stays part of my life long after I've left the opera
house.
Maria Callas
A Google dedica-lhe, hoje, um bonito doodle, conseguindo expressar esse mar de emoções com que a cantora-atriz pisava o palco.
De uma exigência extrema consigo mesma, a sua versatilidade vocal
permitia-lhe a interpretação de papéis dramáticos ou leves e ágeis, mas sempre
plenos de sentimento e emoção. E é também aí que reside o fascínio que as
suas interpretações continuam a exercer em quem ouve a voz de uma cantora
lírica de tão rara beleza.
Não foi à toa que
afirmou «I don't know what happens to me on stage. Something else seems to take
over.»
Neste pequeno excerto de Carmen,
de G. Bizet, durante os minutos da introdução orquestral, Maria Callas consegue transmitir-nos uma
imensidão de sentimentos, mesmo antes de começar a cantar.
dia 2 de dezembro [dia Internacional para a Abolição da Escravatura]
Mais de seis décadas passaram
deste a assinatura, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos Humanos
(DUDH). Como sabemos, a DUDH procura assegurar um vasto conjunto de direitos
sociais, como o direito ao trabalho, à saúde, à educação, entre outros.
Porém, talvez não deixe de ser
sintomático que os primeiros direitos contemplados na DUDH sejam direitos
individuais, nomeadamente o direito à liberdade. No artigo 1.º é afirmado que
todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e no artigo 3.º
reafirma-se que os todos os indivíduos têm direito à liberdade. Mas, também se
destaca o direito à vida e à liberdade, o que se complementa, no artigo 4.º,
com a proibição de existirem pessoas que sejam mantidas em escravatura ou
servidão, assim como, artigo 5.º, de infligir tratamentos cruéis, desumanos e
degradantes.
Foto: Sebastião Salgado
Num mundo onde a igualdade é tida como um valor social consensualmente aceite e onde a proteção, a segurança, a liberdade são bens
dados como adquiridos, pode parecer-nos estranho que ainda seja necessário
proibir a escravatura ou a servidão. No entanto, o número de pessoas que, no
mundo de hoje, vive em situação de escravidão, é muito superior ao número de
pessoas que foram escravizadas e traficadas como escravas. De acordo com dados
da União Europeia (EU:2012), cerca de 21 milhões de pessoas são sujeitas a
trabalho forçado e são transacionadas como mercadorias. Mesmo nas economias
desenvolvidas há pessoas em trabalhos forçados (1,5 milhões nos EUA, Canadá,
Japão, Noruega e países da EU), 7,5% do total, centrando-se a exploração
escravizada sobretudo na América Latina, no sul da Ásia e em África.
Para além do incrível número de pessoas escravizadas,
acresce-se que a circulação das pessoas escravizadas está hoje muito facilitado
e o valor pago é extremamente baixo (50 dólares por uma criança no Haiti).
O uso de mão de obra escrava, muita dela usada para pagar
dívidas que foram herdadas pela família, é canalizada sobretudo para atividade
agrícolas, mendicidade, indústria, prostituição e trabalho doméstico. As
mulheres e as crianças de zonas pobres e com pouco acesso à educação têm um
risco acrescido de serem aprisionadas numa rede internacional de tráfico
humano.
A EU declarou 2012-2016 como anos de combate à escravidão e
ao tráfico humano e deu início à implementação de 40 medidas de combate ao
tráfico de seres humanos. Essas medidas não contemplam apenas a perseguição de
organizações criminosas que agem à escala mundial, mas também um apoio direto
às vítimas porquanto estas, uma vez libertadas, continuam a ser sujeitos de
risco. Nas medidas a implementar estão estabelecidas cinco prioridades:
- apoio à criação de unidades nacionais responsáveis pela
aplicação da lei especializadas no domínio tráfico de seres humanos, uma vez
que, com muita frequência, os criminosos não são punidos judicialmente
- criação de equipas de investigação conjuntas e
envolvimento da Europol e da Eurojust em todos os casos de tráfico
transfronteiriço
- prestação de informações claras às vítimas sobre os seus
direitos ao abrigo da legislação da UE e nacional, nomeadamente o direito à
assistência e cuidados de saúde, o direito a obter uma autorização de
residência, assim como a proteção dos seus direitos laborais
- criação de um mecanismo da UE para melhor identificar,
referenciar, proteger e socorrer as vítimas de tráfico
- estabelecer uma coligação europeia das empresas contra o
tráfico de seres humanos, para melhorar a cooperação entre as empresas e as
partes interessadas.
Para aprofundar este assunto, explore este sítio com
entrevistas com vítimas de tráfico e a página da Comissão Europeia para a luta contra o tráfico de seres humanos.
Sugerimos também a leitura de Gente Descartável, disponível na Biblioteca Escolar Clara Póvoa, e
a observação do vídeo no qual Kevin Bales apresenta um Ted Talk
onde discute formas de combate à escravatura nos dias de hoje.
Comissão Europeia (2012). Combater a escravatura dos tempos modernos: 40 novas medidas para uma
estratégia da UE contra o tráfico de seres humanos. Obtido em http://europa.eu/rapid/press-release_IP-12-619_pt.htm em
29.11.2013.