terça-feira, 23 de abril de 2013

[comemorando] dia mundial do livro e dos direitos de autor [ou] "uma rosa por um livro"


«A book is the  most effective weapon against intolerance and ignorance.»

Lyndon Baines Johnson

O Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor é um tributo  universal e de respeito pelos livros e autores, pela sua preciosa contribuição  para o desenvolvimento  social e cultural da humanidade. Mas é, também, um incentivo à descoberta do prazer da leitura.

Em 1995, a UNESCO decidiu que o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de autor seria celebrado a 23 de abril,  porque  nesta data é o aniversário da morte de William Shakespeare, de Miguel de Cervantes, de Inca Garcilaso de la Vega e de Josep Pla. É também a data do nascimento de Maurice Druon, Manuel Mejía Vallejo e Halldór Laxness.

Todavia, na escolha da data pesou, ainda, uma curiosa tradição catalã: 23 de abril é celebrado, na Catalunha, como  La Diada de Sant Jordi  (Dia de São Jorge) e, desde a época medieval, manda a tradição que os homens enamorados ofereçam rosas às donas do seu coração. A partir de 1925, as mulheres começaram a retribuir a gentileza com a oferta de um livro.

SONNET 54


O, how much more doth beauty beauteous seem
By that sweet ornament which truth doth give.
The rose looks fair, but fairer we it deem
For that sweet odour which doth in it live.
The canker-blooms have full as deep a dye
As the perfumed tincture of the roses,
Hang on such thorns and play as wantonly
When summer's breath their masked buds discloses:
But, for their virtue only is their show,
They live unwoo'd and unrespected fade,
Die to themselves. Sweet roses do not so;
Of their sweet deaths are sweetest odours made:
And so of you, beauteous and lovely youth,
When that shall fade, my verse distills your truth.


William Shakespeare

segunda-feira, 22 de abril de 2013

[comemorando] dia mundial da terra



Este doodle com que a Google hoje celebra o Dia Mundial da Terra é simplesmente lindo!


Todos os anos, a 22 de Abril celebra-se o Dia Mundial da Terra.  
A data foi criada em 1970, pelo senador norte-americano Gaylord Nelson que resolveu realizar um protesto contra a poluição da Terra, depois de verificar as consequências do desastre petrolífero de Santa Barbara, na Califórnia, ocorrido em 1969.
Inspirado pelos protestos dos jovens norte-americanos que contestavam a guerra, Gaylord Nelson, desenvolveu esforços para conseguir colocar o tema da preservação da Terra na agenda política norte-americana.
A população aderiu em força à manifestação e mais de 20 milhões de americanos manifestaram-se a favor da preservação da terra e do ambiente.
Desde essa data, no dia 22 de Abril milhões de cidadãos em todo o mundo manifestam o seu compromisso na preservação do ambiente e da sustentabilidade da Terra.

Uma iniciativa para nos habituar ver com outro olhar a casa que todos partilhamos e que, por isso mesmo, devemos preservar e proteger. 

Talvez os olhos de Alberto Caeiro sejam um bom ponto de partida..
XXI

Se eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar,

E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento ... 
Mas eu nem sempre quero ser feliz. 
É preciso ser de vez em quando infeliz 
Para se poder ser natural...

Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva...

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja...

In O Guardador de Rebanhos
In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Fernando Cabral Martins, Richard Zenith, 2001 


sexta-feira, 19 de abril de 2013

por falar em economia...



A Economia é uma ciência social com pouco mais de dois séculos. Foi com Adam Smith (1723 -1790) que a economia começou a despontar e isso está patente no seu livro “A Riqueza das Nações”, sendo, por isso, considerado este autor o pai da Economia. Já Paul Samuelson (1915-2009), através de um legado de várias obras, é considerado o pai da Economia moderna.
Para Samuelson, a Economia estuda o modo como as pessoas e a sociedade decidem empregar recursos escassos, que poderiam ter utilizações alternativas, para produzir bens variados e para os distribuir para consumo, agora ou no futuro, entre os vários indivíduos e grupos sociais.
Tomando a definição de Samuelson, podemos considerar os pontos seguintes, que nos permitirão entender a necessidade da ciência económica na organização das sociedades.
  • É dado como certo que as condições económicas nos afetam muito durante toda a nossa vida. Afetam a nossa maneira de viver, aquilo que comemos, se vamos ou não para a faculdade, qual o tipo de emprego que obtemos e quanto ganhamos. As condições económicas afetam a paz e a estabilidade das sociedades.
  • Os problemas de desemprego e dos mercados financeiros enchem os nossos jornais e programas de noticiário.
  • No nosso mundo complexo de hoje, é praticamente impossível ser cidadão responsável, sem algum entendimento de questões e princípios económicos.  Esta responsabilidade social é focada por Amartya Sen, na sua extensa obra, de que se destaca o livro “Desenvolvimento como Liberdade”
  • A escassez é o problema fundamental de cada sociedade, já que os recursos são escassos, as quantidades de bens e serviços que podem ser produzidos também são escassas. Sem escassez não haveria necessidade de estudar a Economia.

O estudo da Economia faz-se através de duas abordagens: a da Macroeconomia e a da Microeconomia.
A Macroeconomia estuda o nível agregado da atividade económica, como o nível do produto total, o nível de rendimento nacional e o nível total de emprego, vistos como um todo. No mundo da Macroeconomia destaca-se o nome de Keynes.
A Microeconomia estuda o comportamento económico das unidades de decisão individuais, como os consumidores, os possuidores de recursos e as empresas.




São muitos os males que assombram a opulência, sem precedentes, do mundo em que vivemos: a pobreza extrema, a fome coletiva, a subnutrição, a destituição e a marginalização sociais, a privação de direitos básicos, a carência de oportunidades, a opressão e a insegurança económica, política e social. Amartya Sen diagnostica que lhes subjaz uma natureza comum: são variedades de privação de liberdade.
Através de uma análise que releva a dimensão ética e política de problemas económicos cruciais, o autor apresenta aos leitores não-especialistas as vantagens teóricas e práticas de uma ideia radical: o desenvolvimento é essencialmente um processo de expansão das liberdades reais de que as pessoas desfrutam.



Porque é importante saber mais:





Aprender de forma lúdica, quase sempre agradável e motivador, pode ser, também, um meio para saber mais sobre economia. Aproveita e dá uma volta pelo site Keynes for kids ,  onde [embora em Inglês] podes aprender mais sobre economia e alguns termos com que diariamente convivemos.

Eugénia Fonseca       
(texto e sugestões de leitura)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

[continuando] pelos caminhos das ciências [1]


A sociologia é uma ciência social que estuda os fenómenos sociais, utilizando, para isso, diversas metodologias científicas. Pode-se dizer que a sociologia existe há muito tempo. Auguste Comte foi quem se encarregou de dar forma ao conceito de sociologia, em 1838, por ocasião da apresentação do seu Curso de Filosofia Positiva. 

Ao longo dos anos foram muitos os autores que contribuíram para que a Sociologia se transformasse no que conhecemos hoje. Sem dúvida que os mais conhecidos são Max Weber , Émile DurkheimKarl Marx . No entanto, existem outros autores, cujo contributo marcou a Sociologia, nomeadamente: Erving GoffmanGeorge FriedmanGeorge SimmelHoward BeckerJurgen HabermasMarcel MaussNorbert EliasPierre BourdieuTalcott ParsonsWilliam Dubois, entre outros.

Anthony Giddens é um sociólogo da atualidade, reconhecido internacionalmente pelas suas obras. 



Sociologia é uma das obras mais completas, que aborda vários temas da sociologia. É conhecida, entre os estudantes, como a “Bíblia” da Sociologia, pois nela podemos encontrar a abordagem de muitas teorias e metodologias sociológicas.
O autor publicou muitas outras obras. Destacam-se, aqui, as “Novas Regras do Método Sociológico”, “As consequências da Modernidade”, “A terceira via”, “Capitalismo e Moderna Teoria Social” e “Teoria Social Hoje”. 



Em Portugal, ao longo dos anos, muitos têm sido os autores que contribuíram para o estudo da sociedade portuguesa e para o desenvolvimento da sociologia enquanto ciência. Boaventura de Sousa Santos será o autor português mais conhecido. Das suas obras destacam-se “Um discurso sobre as Ciências”, “A Globalização e as Ciências Sociais”, “Conhecimento Prudente para uma Vida Decente” e “A crítica da razão indolente”.


Ao longo dos anos, foram criados vários centros de estudos e revistas da especialidade, nas principais universidades, que podem ser consultadas, nomeadamente:


Cristiana Dias Almeida
(texto e sugestões de leitura)    

domingo, 7 de abril de 2013

[lembrando] em abril...

... Rosa Lobato de Faria, a propósito de um texto seu, inédito.


«Escolhi este mês de Abril para te escrever. [...] Farias 81 [anos] neste Abril de 2013.
[...] escrevo-te, ao encontrar este texto inédito no teu recém-organizado espólio, que ajudará muitos a compreender que é abraçando o Judas que Todos, sem excepção, temos dentro de nós que poderemos tentar compreender a transcendência da Crucificação e da Ressurreição que tomamos por metáfora no nosso quotidiano. [texto truncado]

         Judas
(Inédito de Rosa Lobato de Faria)

         Encontrei-te num quadro encostado à parede. Entre balcões de cal, escadotes e vassouras. Voltaste a cabeça quando ouviste os meus passos. Fitámo-nos nos olhos. E ficámos ali sozinhos. Parados no tempo. Esquecidos das trevas por chegar. Nos teus olhos negros havia medo. Na tua boca uma desculpa pronta. Todo o teu corpo era defesa e sobressalto. Não sei quem esperavas. Mas fui eu que cheguei. Eu que te olhei de frente. Eu que, de súbito, te amei e entendi. Tu gritavas. Tentavas explicar-me. Ele, entretanto, repartia o pão e o vinho e no seu coração o perdão já nascia para esse teu particular horror. Mas era a ti que eu via. Eu sabia que tinhas medo. Que ias trair. Que a tua morte estava próxima. Talvez te amasse por isso. E porque eras belo e vivo e humano. Tão belo que a tua beleza suportava o teu medo. Tão vivo que ias ter forças para morrer. Tão humano que te desencontravas da tua consciência. Eu amei-te. Vi que, por um momento, os meus olhos te deram esperança. Ele partilhava o pão e o vinho. E no Seu coração o perdão já nascia para esse meu particular amor. Num museu em obras. Dois mil anos depois

Sousa, P. R.  (2013,  5 de abril). Carta a Rosinha. Revista Tabu, 344, 34-35. Semanário Sol

terça-feira, 2 de abril de 2013

[comemorando] dia internacional do livro infantil...

... hoje, 2 de abril.


Para assinalar este dia, o IBBY (International Board on Books for Young People) divulga, anualmente, uma mensagem de incentivo à leitura, dirigida às crianças de todo o mundo.



Ano: 2013
País: EUA
Tema: A alegria dos livros à volta do mundo
Design Cartaz: Ashley Bryan
Mensagem: Pat Mora



Contar, ler uma história a crianças é entrar com elas no imaginário de uma vida ainda curta, mas já tão repleta de sonhos. Ouvir contar histórias é partir à conquista de espaços, ultrapassar perigos, vencer medos... É a beleza da infância!

Porque hoje é dia de contar histórias, conte e encante os pequeninos com as histórias de Hans Christian Andersen, cujo data de nascimento também se comemora hoje.



E aproveite as atividades propostas para além dos contos. Porque a criatividade também é importante.

sexta-feira, 29 de março de 2013

[continuando] pelos caminhos das ciências



Em meados do século XX, o espaço era considerado a última fronteira que o conhecimento humano teria ainda de desbravar. Hoje em dia, considera-se que a última fronteira está na Terra: o cérebro humano.
A natureza do homem, ou seja, o que define e distingue de outros seres vivos, tem sido uma preocupação do pensamento filosófico. A racionalidade, a capacidade de pensar a partir de conceitos, a possibilidade de agir de acordo com padrões éticos, e outras características, foram sendo tomadas por vários autores como a marca distintiva do ser humano. Hoje em dia, porém, já não é possível pensar a natureza humana sem pensar com e a partir dos dados que nos são fornecidos pelas neurociências e pela psicobiologia. O cérebro humano, cujo funcionamento base, físico e biológico, é em tudo muito parecido com de outros seres vivos com capacidade de consciência e autoconsciência, e é, também, a fonte da nossa marca distintiva de ser.
Muitos são os cientistas que têm contribuído para compreender o funcionamento do cérebro humano e, através desse conhecimento, construir uma visão mais profunda da natureza humana. Oliver Sacks é um desses cientistas. É professor de neurobiologia na Universidade de Nova Iorque e autor de livros científicos que se tornaram best sellers

Um dos livros mais interessantes do autor intitula-se O homem que confundiu a mulher com um chapéu (Lisboa: Relógio d’ Água, 1985). O livro assenta na experiência clínica do autor e retrata vários casos de pessoas com alterações no funcionamento do cérebro. Para a neurobiologia essas alterações são muito importantes porque mostram como o cérebro funciona, trata a informação e nos permite lidar o mundo. O caso clínico que está na origem do título da obra é o de um homem que perdeu a capacidade para reconhecer rostos e as emoções expressas pelos rostos humanos. Ora, grande parte das relações sociais que estabelecemos assentam na nossa capacidade de reconhecer o rosto de outra pessoa como alguém similar a nós e na nossa capacidade para ler emoções (dor, ira, simpatia, bondade…). Eis um excerto do livro: “Como se fosse um pitosga a passar na rua, fazia festas nas bocas de incêndio e nos taxímetros convencido que estava a acariciar crianças, dirigia-se educadamente aos candeeiros e ficava muito admirado por não receber resposta (…) Estendeu a mão e agarrou a cabeça da mulher para a levantar e pôr na cabeça. Tinha confundido a mulher com um chapéu!”. Os testes a que o paciente se submeteu mostraram que via na perfeição. Porém, o seu cérebro não processava adequadamente alguma da informação visual que recebia. Porquê? Este e outros relatos levam-nos a compreender a forma peculiar e extremamente complexa como o cérebro humano trata a informação. Um livro, sem dúvida, a ler e que também se contra disponível em formato ebook 

Do mesmo autor, também se encontra editada, em português, a obra Um antropólogo em Marte (Lisboa: Relógio d’ Água, 1995). Também disponível em ebook.





Um dos best sellers de Oliver Sacks foi adaptado ao cinema. Chama-se Awakenings (Despertares) e tem como atores principais Roberto de Niro e Robin Williams.





Também em Portugal se faz investigação de ponta nos domínios da psicobiologia e das neurociências. Alexandre Castro Caldas é um investigador português, responsável, durante muitos anos pela direção do laboratório do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, que se dedica à investigação da doença de Alzheimer.




Deste autor, está acessível, na Biblioteca Escolar Clara Póvoa, uma obra     com os conceitos básicos para compreender como o cérebro funciona. O livro chama-se A herança de Franz Joseph Gall: o cérebro ao serviço do comportamento humano. Do mesmo autor, pode também encontrar-se na Biblioteca Municipal de Cantanhede a obra Despertar para a ciência.






Para saber mais: 





Isabel Bernardo


A partir daqui e daqui [ligue o som, para este último] pode, também, viajar pelo cérebro humano e conhecer melhor alguns mecanismos de funcionamento desse órgão complexo que faz de nós seres tão interessantes quanto misteriosos.



quinta-feira, 21 de março de 2013

[comemorando] 21 de março [1]...

... a primavera e o dia mundial da árvore.

A primavera (também a "da vida") é uma bonita estação. O sol, embora envergonhado, teima em se impor e o verde é uma realidade, onde já despontam milhares de cores das mais diversas plantas. 
Recordar a primavera de Vivaldi sabe sempre bem.





Lembrar que a árvore é nossa companheira indispensável é também importante, como lhe é importante a água que a alimenta e que, também para nós, é vida. Mesmo representada numa pequena gotinha.





Porque qualquer relação com livros e leituras não é mera coincidência.

[comemorando] 21 de março...

... dia mundial da poesia.
Sobre poesia, muito se poderia dizer. Sobre poesia, já está (quase) tudo dito, escrito, cantado... ou talvez não. Tudo depende do conceito de poesia.


Se eu gosto de poesia?
Gosto de gente, bicho, plantas,
lugares,  chocolate, vinho, papos
amenos, amizade, amor. Acho
que a poesia está contida nisso tudo.
Drummond de Andrade


Como sugestão de leitura, deixamos 

- algumas flores de Florbela Espanca
Todas as prendas que me deste, um dia,
Guardei-as, meu encanto, quase a medo,
E quando a noite espreita o pôr-do-sol,
Eu vou falar com elas em segredo...
[...]
Mas de todas as prendas, a mais rara,
Aquela que mais fala à fantasia,
São as folhas daquela rosa branca
Que a meus pés desfolhaste, aquele dia... 


- palavras de um retirante , de João Cabral de Melo Neto

Canções, de António Botto, e

- a poesia mais bonita: a que escrevivemos no dia a dia.



[homenageando] Rafael Bordalo Pinheiro...


..., nascido a 21 de março de 1846.

Sobre si próprio: "Nunca cursei academias. Tenho o curso da Rua do Ouvidor...Cinco anos. Canto de ouvido".  O seu olhar crítico e malicioso leva-o à caricatura de uma vasta galeria de figurões políticos e sociais. 

A Google presta-lhe homenagem com um doodle que releva a criação que melhor o identifica: o Zé Povinho.

Personagem intemporal, desalinhado em energia, na retórica e na postura, o Zé Povinho desenha-se no traço grosseiro da robustez que caricatura o nosso colectivo.


Rindo ou gesticulando em descaramentos, intervém ora vitimizando-se e submetendo-se, ora como alerta de consciências não libertas de preconceitos. Entre a boémia e o laicismo, a actualidade de Seu Zé Povinho não se esgota naquilo que configura a sua personalidade popular; pelo contrário, transborda da tipificação para a excelência do pretexto que aponta ao comentário e à crítica. Não poupando nada, nem ninguém, não se contém em sarcasmos perante os factos políticos sociais e institucionais. 

A sua intervenção opinativa na vida do país revela-se miticamente como reflexo de desejos, sentimentos e necessidades que se descobrem pela praxis. Controversa e metafórica, a figura do Zé Povinho cresce na ambiguidade que se joga entre o cinismo social e a revolta genuína. Decorre da impotência que se denuncia no manguito e que exorciza com a sabedoria popular o acto de cruzar os braços. 

De apelido Povinho, diminutivo de todos nós, Seu Zé nasce com respeito contraditório do que está para além de senhor (Seu) e do que está aquém do diminutivo dobrado (Zé e Povinho). Rapidamente se torna familiar perdendo o trato deferente e incorporando o todo das características tipificadoras das gentes portuguesas. Deformado e deformador impõe-se com o vigor que o eco da popularidade nacional lhe confere. Com argúcia desvenda a injustiça e o grotesco, mas é, no entanto, com paciência e submissão que digere o seu próprio destino. 


quarta-feira, 20 de março de 2013

Depois de ler...

... desafiámos os alunos a escrever sobre os livros que leram, a partir de / para além de uma lista.
Este Boletim da Biblioteca está particularmente recheado de impressões, imagens, sensações e, sobretudo, crescimento e aprendizagem. Porque é este o poder do livro e da leitura.

A book is the most effective weapon against intolerance and ignorance.

Lyndon Baines Johnson


quinta-feira, 14 de março de 2013

pedaços de mar d'aquém e d'além

Mar.

Sedutor que nos beija o corpo com a mesma suavidade com que enrola na areia. Cruel rebenta nas rochas com a mesma dor com que nos bate na alma.

Mar.

Escrito, dito, cantado... sempre profundamente sentido, e em pedaços (re)lido.


Leonor Campos de Melo

Myebook - pedaços de mar d'aquém e d'além - click here to open my ebook

segunda-feira, 11 de março de 2013

na semana da leitura...

... aqui ficam propostas / sugestões de leitura: livros, audiolivros, dvd's... um pouco das muitas novidades que vão chegando à Biblioteca Escolar Clara Póvoa.



Boas leituras!

quarta-feira, 6 de março de 2013

vai acontecer...


..., de 11 a 15 de março, a Semana da Leitura

O Mar vai ser tema para exposições, escritas, leituras, conversas, música, viagens por rotas de vida e perspetivas de futuro, partilha de experiências e vivências num Mar que também é da Vida.

No dia 15 de março, pelas 21:30, terá lugar um Sarau Literário e Musical, no Auditório da Biblioteca Municipal, com entrada livre.
Esperamos por si.





Pode consultar aqui informação mais detalhada.

sábado, 2 de março de 2013

pelos caminhos das ciências...



...VIDA.
Complexidade. Desordem. Caos. Integração. Sensibilidade. Sonho. Self...
Conceito de definição difícil, tem sido, ao longo da existência humana, motivo e alvo de busca tão intensa quanto polémica. Têm sido inúmeros os cientistas (das ciências exatas e das ciências humanas) a perseguir a compreensão, ao mais ínfimo detalhe, do conteúdo holístico desse vocábulo de apenas quatro letras: V-I-D-A
Rosalind Franklin entende que "Science and everyday life cannot and should not be separated. Science, for me, gives a partial explanation of life. In so far as it goes, it is based on fact, experience, and experiment. . .". Rosalind foi pioneira da Biologia Molecular, pois, através da difração dos raios X, concluiu que o DNA (ácido desoxirribonucleico, composto orgânico cujas moléculas contêm as instruções genéticas que coordenam o desenvolvimento e funcionamento de todos os seres vivos e alguns vírus, e cujo principal papel é armazenar informação genética) tinha forma helicoidal. Foi precioso este contributo para a compreensão da VIDA, pois permitiu que, a 7 de março de 1953, James WatsonFrancis Crick tenham descoberto a estrutura da molécula do DNA, o que lhes valeu o Prémio Nobel de Fisiologia/Medicina em 1962.


Neste livro, Watson resume os principais acontecimentos que marcaram a biologia, desde os experimentos pioneiros de Mendel e da busca pela eugenia, até às pesquisas mais recentes sobre o funcionamento da molécula de DNA e a intervenção genética. E mostra como a interferência no genoma de outros organismos abre as portas não só para a biotecnologia e para o advento dos transgénicos, mas também para a terapia génica e a medicina do futuro e as consequentes implicações éticas.


Outras tentativas de compreensão de VIDA surgem no livro A Serpente Cósmica, o ADN e a Origem do saber.

Ao estudar a ecologia de um povo indígena da Amazónia peruana, o antropólogo Jeremy Narby vê-se confrontado com um enigma: os índios, cujos conhecimentos botânicos espantam os cientistas, explicam-lhe invariavelmente que o seu saber provém das alucinações induzidas por certas plantas.

«Eis, portanto, pessoas sem microscópios electrónicos nem formação em bioquímica que escolhem as folhas de um arbusto entre as cerca de oitenta mil espécies amazónicas de plantas superiores, contendo uma hormona cerebral precisa, que combinam com uma substância que bloqueia a acção de uma enzima precisa do aparelho digestivo, encontrada numa liana, a fim de modificar deliberadamente o seu estado de consciência.
É como se conhecessem as propriedades moleculares das plantas e a arte de as combinar.[...]
Tal como as serpentes mitológicas, o ADN é um mestre de transformação: as instruções contidas no ADN são responsáveis pelo ar que respiramos, a paisagem que vemos e a espantosa diversidade dos seres vivos da qual fazemos parte. Em quatro mil milhões de anos, o ADN desmultiplicou-se num número incalculável de espécies diferentes, enquanto permanecia rigorosamente o mesmo.»

Aqui se pode compreender um pouco mais sobre a anatomia e estrutura do DNA.

O DNA desempenha um papel cada vez mais importante na sociedade e no mundo em que vivemos. Conhecêmo-lo, também, em algumas séries televisivas. Deixamos, então, uma proposta de interação com situações em que o DNA é crucial: sob a supervisão do DR. Gil Grissom aceda aqui e ajude um dos agentes CSI a desvendar um caso enigmático.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

[homenageando] José Afonso...



... no dia em se completam 26 anos da sua partida.

Quaisquer palavras em sua homenagem ficarão sempre aquém das que nos deixou, mensagens de consciência alerta e verticalidade.
Poeta de intervenção, defensor da liberdade, cantor de belos poemas que na alma nos soam na sua voz singular, recordamo-lo em


e também em



Porque «há homens que obrigam todos os outros a reverem-se por dentro!»

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

dos números à simbologia de saber / sabor popular



Vivemos rodeados de símbolos.
Resíduos de mistérios, crenças ou rituais antigos, os símbolos vivem e convivem connosco nas interpretações e relações que, intencional ou inconscientemente, estabelecemos entre imagens, gestos, objetos, números... e a realidade que nos invade a mente e a vida.
Enraizados na cultura e na sociedade onde crescemos e nos construímos, os símbolos afetam-nos ou não, consoante a nossa capacidade de discernimento e racionalização. Sem nos deixarmos inebriar pela milenar carga fantástica e mágica que, muitas vezes, transportam, podemos permitir que nos seduzam, que nos estimulem a sensibilidade e a imaginação e nos sugiram leituras e interpretações das experiências e vivências quotidianas capazes de harmonizar o interior de cada um de nós.
Talvez tenha sido este aspeto que os manteve vivos na memória coletiva, na voz e no saber popular. Entre os muitos símbolos que povoam a nossa cultura, quisemos dar particular relevo à simbologia dos números.
Sem pretender qualquer exploração exaustiva quer dos números com maior ocorrência, quer da sua interpretação simbólica, escolhemos 
- o número 2, símbolo de oposição / conflito, é o número de todas as ambivalências. Simboliza o dualismo, por antagonia (uma rivalidade, uma oposição) ou por reforço (uma imagem dupla multiplica o seu valor simbólico);
o número 7, universalmente o símbolo de uma totalidade em movimento (ideia implícita, também nos seus múltiplos e derivados). Considerado o número da conclusão cíclica e da sua renovação (sete dias tem o ciclo semanal, sete são os graus da perfeição...), o 7 comporta uma ansiedade pelo facto de indicar a passagem do conhecido para o desconhecido: a um ciclo que se encerra, o que se seguirá? Dele dizia Hipócrates que, "pelas suas virtudes escondidas, mantém no ser todas as coisas; dá vida e movimento";
e o número 1000, que possui  um significado paradisíaco, é a imortalidade da felicidade: os dias da árvore da vida eram de mil anos; mil anos viveriam os justos; Adão deveria ter vivido mil anos... se não tivesse pecado.
Foram, talvez, interpretações como estas, ou muitas outras possíveis, que mantiveram os números tradicionalmente presentes na expressão de sentimentos mais íntimos ou nas críticas mais brejeiras.






As quadras foram gentilmente cedidas pelo professor Paulo Melo, que as selecionou de entre as inúmeras que integram o seu trabalho de recolha e compilação.

                                                                                                                                                                 Para saber mais sobre símbolos e mitos, da nossa ou de outras culturas, visite a BritannicaEncyclopedia ou consulte o  Dicionário dos Símbolos.



domingo, 17 de fevereiro de 2013

mudam-se os tempos, "mudam-se as tabuadas"




Quem se recorda desta imagem?
Era com esta ferramenta de aprendizagem (um livrinho pequenino, em papel) que os mais pequenos eram iniciados nas operações de adição, subtração, multiplicação e divisão. A principal (e a que mais atormentava alunos e professores) era a tabuada da multiplicação. Todavia, sabê-la era (e continua a ser) muito útil quer na aprendizagem escolar, quer na vida para além da escola.

E o método para a aprender?
Sim, era através da memorização, tão apoiada na cantilena ritmada. E, quem melhor a soubesse, mais facilmente se via livre de problemas como estes:





Mudaram os tempos, mudaram os métodos e até os suportes dos recursos e das ferramentas de aprendizagem são in/discutivelmente mais interessantes. Embora a tabuada mantenha o seu lugar cativo na aprendizagem, cantada ou nem por isso, os contextos de aprendizagem, num mundo cada vez mais digital, são também apoiados por sedutoras aplicações digitais a que o fascínio dos mais jovens não resiste. E se essa tecnologia os acompanha diariamente, por que não aproveitar-lhe as potencialidades para provocar aprendizagem?





É uma aplicação gratuita para iPhone e iPad, que favorece a aprendizagem da tabuada e desenvolve o cálculo mental.
A aplicação está construída na lógica de gameplay e está estruturada em 11 níveis de dificuldade, o que torna mais desafiante a resolução de problemas.




Porque aprender matemática também pode ser divertido!





quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

em dia de namorar...



... recordamos os lenços de namorados, lindíssimas obras de arte saídas das mãos de hábeis moçoilas, pinturas a agulha e linha de mil cores, expressão de sentimentos sinceros e cuja pureza da linguagem descura um ou outro erro ortográfico. Porque o importante era oferecer o lenço ao rapaz, rezando, ao santo da devoção, para que ele o usasse, ao pescoço ou no bolso, com a ponta de fora.






Fica, ainda, como sugestão

1 - o "Namoro", de Sérgio Godinho







2 - "Amo-te Para Sempre", um conto de Fernando Alvim (publicação do Diário de Notícias)





















3 - "Um Romance", um conto de Rui Zink, (publicação do Diário de Notícias).





















E, como a janela das serenatas de outrora é agora outra, convém continuar a ter cuidado com as quedas...

Happy Valentine's Day!

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

[outras] leituras...



... de viagens por histórias e memórias de encantar,
... de momentos de fantasia e sonho,
... de personagens mágicas,
... de imaginação livre,
... de criatividade sem limites...

que vale sempre a pena [revi]ver...




... porque o livro continua a ter o poder de fazer sonhar!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Safer Internet Day 2013 - ser cidadão digital



Vivemos, hoje, entre mundos tão diferentes quanto interligados.
Clicando nos ligamos e desligamos, fazemos um like, partilhamos informação (pessoal ou alheia), twitamos, blogamos, facebookamos...  Assim mesmo, tal e qual. E já não (sobre)vivemos sem a tecnologia digital, sem os modern media. Pois é: somos cidadãos digitais. 
Mas seremos mesmo? Será que que SOMOS no mundo online com a responsabilidade e a consciência necessárias à segurança, à privacidade, à intimidade que tanto prezamos na sociedade e no mundo offline?

Hoje (5 de fevereiro) comemora-se o Dia Europeu da Internet Mais Segura 2013, sob o tema “Direitos e deveres online: liga-te, mas com respeito”.

A BE Clara Póvoa assinala a data, lembrando as dez principais regras da Netiquette e alguns princípios de cidadania digital:
• utiliza as TIC para te relacionares com os outros de forma positiva;
• utiliza as TIC  com honestidade, integridade e ética;
• respeita a privacidade e a liberdade de expressão no mundo digital;
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Fica, também, a sugestão do ebook

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

[homenageando] Rosa Parks


Se fosse viva, completaria hoje (4 de fevereiro) 100 anos. E, certamente, que os celebraria com a mesma verticalidade de princípios com que, no dia 1 de dezembro de 1955, se recusou a ceder, a um passageiro branco, o seu lugar no autocarro em que ambos viajavam. Como ela própria referiu, "People always say that I didn't give up my seat because I was tired... the only tired I was was tired of giving in".

Conheça melhor uma das pioneiras na defesa dos Direitos Humanos na enciclopédia Biography

Aqui fica uma pequena animação sobre a história de Rosa Parks.