quarta-feira, 3 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.




         «O dia em que o vi pela primeira vez começou, então, como outro dia qualquer. [...]
        Lembro-me de estar sentada com ele no café, ao fim daquela manhã, e de esta pergunta absurda não me sair da cabeça. When’s Bangladesh going to disappear? Não disse, no entanto, uma palavra sobre o Bangladesh durante todo o encontro. O que nos passa pela cabeça é quase sempre inconfessável. When’s Bangladesh going to disappear?  [...] Tínhamos combinado encontrar-nos às 10:30. Eu iria ter ao trabalho dele e depois tomaríamos um café. Gosto de conhecer pessoas. Não tenho a nossa espécie em grande conta mas gosto de conhecer pessoas. Apesar disso não é meu hábito encontrar-me com desconhecidos que me contactam a propósito do meu trabalho. Há sempre demasiada formalidade mesmo quando o fazem, como ele fez, através do facebook. Cria-se um constrangimento que afasta a possibilidade de qualquer encontro. No caso dele não foi assim e até fui eu que propus o encontro. Ele era um homem bonito mas não foi isso que me levou a convidá-lo para tomar um café. Marquei o encontro por curiosidade, a eterna curiosidade. Queria saber se ele era o Machina ex Deus.»

          Uma mulher tem um encontro marcado com um desconhecido. O desconhecido tem sempre tanto de sedutor quanto de ameaçador. Que fazer? A mulher demora-se, frente ao computador. Atrasa-se. Talvez se afunde nos abismos que um psicólogo garantiu existirem no seu interior. Talvez se perca no outro lado do mundo, em Bangladesh, onde nunca faz frio. Ou talvez, ainda, se entregue nos braços de Machina ex Deus

Para ler, aceda aqui [ePub] ou aqui [Pdf].


terça-feira, 2 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.


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«Havia dois meses que se encontravam com crescente frequência. No caso dela isso implicava um grande esforço logístico, pois tinha dois filhos pequenos. Ainda não era o tempo dos computadores nem da internet nem do facebook, mas já então virara moda o divórcio com as crianças ainda pequenas. As teorias variavam: a crise dos dois anos, a crise dos cinco anos, a crise dos... Uma análise comezinha à realidade provaria, suponho, que a crise é permanente. Sempre foi mais fácil destruir do que construir. Criticar do que fazer. Ou falhar uma promessa — “amar-te-ei para sempre” — do que levar a bom porto essa ingénua jura. Um dos muitos encantos de Carolina era a franqueza. Um par de vezes tomara ela própria a iniciativa e convidara Artur a sair. Mostrando assim, com frontalidade, o seu interesse por ele. Mais frontal só esfregando o fio dental no focinho dele. Só que, à época, fio dental era apenas um cordão para limpar os dentes.»

A história decorre nos anos 80. Um narrador improvável. Um restaurante ao lado de uma sala de cinema. Ele, Artur. Ela, Carolina. Cannelloni e lasagna. Romance anunciado? Já agora, também a vida. 

Para ler, aceda aqui [ePub] ou aqui [PDF].

segunda-feira, 1 de julho de 2013

um conto por dia...

... nem sabe o bem que lhe fazia!

       O conto é uma narrativa de curta dimensão, cuja ação nos prende pela precipitação rápida para o final, normalmente inesperado. E, por ser conciso, facilmente nos envolve na trama em que enreda as personagens, sem grandes dispersões de espaço ou tempo e centrando-se na mensagem que nos quer transmitir.




       Revisitando Eça de Queirós, sugerimos a leitura de Adão e Eva no Paraíso.

«Adão, Pai dos Homens, foi criado no dia 28 de Outubro, às duas horas da tarde...»

     É assim que o narrador do conto Adão e Eva no Paraíso procede ao relato da sublime aventura de um «certo Ser [que], desprendendo lentamente a garra do galho de árvore onde se empoleirara toda essa manhã de longos séculos, escorregou pelo tronco comido de hera, pousou as duas patas no solo que o musgo afofava, sobre as duas patas se firmou com esforçada energia, e ficou erecto, e alargou os braços livres, e lançou um passo forte, e sentiu a sua dissemelhança da Animalidade, e concebeu o deslumbrado pensamento de que era, e verdadeiramente foi! Deus, que o amparara, nesse instante o criou. E vivo, da vida superior, descido da inconsciência da árvore, Adão caminhou para o Paraíso.»
     Caminhando por jornadas diversas de experiências e aprendizagem, vai desbravando a floresta do Conhecimento. São lutas, obstáculos, desafios que gradualmente o obrigam a reagir e a adaptar-se ao meio hostil, ao mesmo tempo que lhe vão solidificando a confiança em si próprio e lhe revelam a Sabedoria.
     Mas não caminha sozinho. No seu percurso, é acompanhado por Eva, «nossa Mãe venerável», consoladora, generosa, maternal, mas também persistente e sábia, e é ela «que cimenta e bate as grandes pedras angulares na construção da Humanidade»...

Para continuar a ler, descarregue daqui [ficheiro .zip]

Boas férias e boas leituras!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

21 de junho, "Meán Samhraidh"


       Em todo o mundo, muitas das ruínas das civilizações antigas revelam profundos conhecimentos sobre astronomia e os corpos celestes e constituem-se, muitas vezes, em locais de observação designados por alinhamentos sagrados.  Acontece, por exemplo, no dia 21 de junho, em Stonehenge , local de culto druidico, ou em Pedra de Cabeleira de Nossa Senhora : o sol, ao pousar no horizonte, projeta os seus raios em perfeito alinhamento com a sua crista e o centro do círculo votivo, situado no enfiamento a uns metros a oriente, assinalando a entrada do verão e proporcionando um incrível momento de observação do astro-rei. 
       Estes monumentos evocam, também, uma conceção cíclica do tempo e rituais de gratidão e respeito pela Terra. São reminiscências da fascinante e mágica cultura celta, onde as divindades celtas estão frequentemente associadas aos principais festivais que marcam as estações do ano druida. São dias fortemente ligados aos ciclos das sementeiras, crescimento, ceifa e armazenamento das colheitas e são semelhantes aos ciclos da vida do homem e dos animais.
        Meán Samhraidh (Midsummer, a 21 de junho - solstício do verão) era um festival de bênção das colheitas e do gado.

«[...] ao longo do trilho de carroças vinha um bando de jovens, rapazes e raparigas, rindo, assobiando, gritando, com flores e fitas nos cabelos. Observei-os calmamente. À medida que o bando passava por entre os espinheiros-alvar, fazia pausas para envolver os ramos, ainda perfumados da floração, com bandeirolas, cantando uma velha canção, pedindo à Grande-Mãe uma colheita abundante. Os jovens cantavam com faces e olhos brilhantes; e, quando terminaram, as raparigas desataram aos risos e correram pelo trilho abaixo com os rapazes a perseguirem-nas, recomeçando tudo de novo.
       Dois dos rapazes levavam às costas feixes de lenha e o grupo separou-se, as raparigas continuando pelo trilho fora até cada espinheiro-alvar ficar com a sua bandeirola doirada e branca e fitas verdes. Os rapazes encaminharam-se para a colina mais próxima, vi-os preparar uma fogueira no topo e percebi que eram os preparativos finais para o Meán Samhraidh, o solstício do Verão.
          Esta noite haveria oferendas passadas por cima da fogueira e ervas a arder seriam transportadas para os estábulos e celeiros, para os campos e cabanas, pedindo a bênção de Dana, a mãe-deusa, para todas as criaturas neles residentes.
          E chegara a hora. A hora para descobrir, se queria acreditar no que a Dama me dissera. Hora de saber se era verdade...».

       É esta a descrição que Juliet Marillier faz de Meán Samhraidh, numa narrativa plena de riqueza da mitologia celta: passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era Lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, o soturno Lord Colum, e dos seus seis irmãos. [adaptado da contracapa]


Para ler, em formato ebook, pode descarregar aqui.

E, como a música, qualquer que seja a cultura, é sempre um alimento para a alma, deixamos 




Boas leituras!


quinta-feira, 13 de junho de 2013

[celebrando] 125...



... velas, no bolo de aniversário do nascimento de Fernando Pessoa, que se celebra hoje, dia 13 de junho.
Integrada nas comemorações está a publicação do livro Fernando Pessoa & Ofélia Queiroz - Correspondência  amorosa completa, cuja organização é da responsabilidade de Richard Zenith, que integra 348 documentos, transcritos integralmente, dos  quais 156 são inéditos.

Então, como começou o namoro?

Ophélia Queiroz é admitida, com 19 anos, no escritório onde Fernando Pessoa trabalhava como colaborador. 

       Um dia faltou a luz no escritório. [...] O Fernando foi buscar um candeeiro de petróleo, acendeu-o, e pô-lo em cima da minha secretária.
       Um pouco antes da hora da saída, atirou-em um bilhetinho para cima da secretária, que dizia: «Peço-lhe que fique.» Eu fiquei, na expectativa. Nessa altura, já eu me tinha apercebido do interesse do Fernando por mim, e eu, confesso, também lhe achava uma certa graça...
      Lembro-me que estava de pé, a vestir o casaco, quando ele entrou no meu gabinete. Sentou-se na minha cadeira, pousou o candeeiro que trazia na mão e, virado para mim, começou de repente a declarar-se, como Hamlet se declarou a Ofélia:«Oh, querida Ofélia! Meço mal os meus versos; careço de arte para medir os meus suspiros; mas amo-te em extremo. Oh! até ao último extremo, acredita!»
       Fiquei perturbadíssima, como é natural, e, sem saber o que havia de dizer, acabei de vestir o casaco e despedi-me precipitadamente. O Fernando levantou-se, com o candeeiro na mão, para me acompanhar à porta. Mas, de repente, pousou-o sobre a divisória da parede; sem eu esperar, agarrou-me pela cintura, abraçou-me e, sem dizer palavra, beijou-me, beijou-me, apaixonadamente, como louco.
       Fui para casa [...]. Passaram-se dias e como o Fernando parecia ignorar o que se havia passado entre nós, resolvi escrever-lhe uma carta, pedindo-lhe uma explicação. É o que dá origem à sua primeira carta-resposta [...]. Assim começámos o namoro. [1]

Eis a carta em questão, a primeira carta de amor de Fernando Pessoa.

Ophelinha:

       Para me mostrar o seu desprezo, ou, pelo menos, a sua indiferença real, não era preciso o disfarce transparente de um discurso tão comprido, nem da série de «razões» tão pouco sinceras como convincentes, que me escreveu. Bastava dizer-mo. Assim, entendo da mesma maneira, mas dói-me mais.
       Se prefere a mim o rapaz que namora, e de quem naturalmente gosta muito, como lhe posso eu levar isso a mal? A Ophelinha pode preferir quem quiser: não tem obrigação — creio eu — de amar-me, nem, realmente necessidade (a não ser que queira divertir-se) de fingir que me ama.
       Quem ama verdadeiramente não escreve cartas que parecem requerimentos de advogado. O amor não estuda tanto as coisas, nem trata os outros como réus que é preciso «entalar».
       Porque não é franca para comigo? Que empenho tem em fazer sofrer quem não lhe fez mal — nem a si, nem a ninguém —, a quem tem por peso e dor bastante a própria vida isolada e triste, e não precisa de que lha venham acrescentar criando-lhe esperanças falsas, mostrando-lhe afeições fingidas, e isto sem que se perceba com que interesse, mesmo de divertimento, ou com que proveito, mesmo de troça.
        Reconheço que tudo isto é cómico, e que a parte mais cómica disto tudo sou eu.
      Eu-próprio acharia graça, se não a amasse tanto, e se tivesse tempo para pensar em outra coisa que não fosse no sofrimento que tem prazer em causar-me sem que eu, a não ser por amá-la, o tenha merecido, e creio bem que amá-la não é razão bastante para o merecer. Enfim...
       Aí fica o «documento escrito» que me pede. Reconhece a minha assinatura o tabelião Eugénio Silva.

1.3.1920.

Fernando Pessoa

[1]in Queiroz, C. (1936) Homenagem a Fernando Pessoa. Coimbra: Ed. Presença.

E foi assim, em verso, o despertar de uma verdadeira paixão amorosa.

Fiquei louco, fiquei tonto,
Meus beijos foram sem conto,
Apertei-a contra mim,
Enlacei-a nos meus braços,
Embriaguei-me de abraços,
Fiquei louco e foi assim.

Dá-me beijos, dá-me tantos,
Que enleado em teus encantos,
Preso nos abraços teus,
Eu não sinta a própria vida,
Nem minha alma, ave perdida
No azul-amor dos céus.

Boquinha dos meus amores,
Lindinha como as flores,
Minha boneca que tem
Bracinhos para enlaçar-me
E tantos beijos p'ra dar-me
Quantos eu lhe dou também.
[...]

Fernando Pessoa


segunda-feira, 10 de junho de 2013

[comemorando] 10 de junho...

... dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.

De Camões, conhecemos sofridos momentos de vida e bonitos poemas de amor. 

Não sei se me engana Helena,
se Maria, se Joana,
não sei qual delas me engana.

Üa diz que me quer bem,
outra jura que mo quer;
mas, em jura de mulher
quem crerá, se elas não crêm?
Não posso não crer a Helena,
a Maria, nem Joana,
mas não sei qual delas me engana.

Üa faz-me juramentos
que só meu amor estima;
a outra diz que se fina;
Joana, que bebe os ventos.
Se cuido que mente Helena,
também mentirá Joana;
mas quem mente, não me engana.
Luís de Camões 

Conhecemos, também, a sua obra maior: Os Lusíadas.

[ e-Pub (para ler no PC, utilize o Adobe Digital Editions);  Kindle ]

Em dia de Portugal e de Camões, será que ainda vale a pena (re)lembrar / (re)ler a obra em que o poeta canta a coragem de um povo que, em «perigos e guerras esforçados», passou «ainda além da Taprobana»?  Ainda valerá a pena ler Os Lusíadas? Sim, vale.
Homem culto, lúcido e consciente da época em que viveu, Camões soube glorificar a sua Pátria, relevando as raízes da raça que somos, os valores e princípios que nortearam todos aqueles que lutaram pela essência de SER Português, mas não sem deixar de expressar a dor sentida pela atitude dos seus contemporâneos e pelo estado em que se encontrava a sua Pátria: «metida / No gosto da cobiça e na rudeza / Düa austera, apagada e vil tristeza».

Em dia de Portugal e de Camões, é importante registar que, no mar traiçoeiro da Vida, é também essa coragem, essa determinação, essa ânsia e o sonho de Além, registadas n' Os Lusíadas, que voltam a incitar à partida «por mares nunca de antes navegados», mesmo enfrentando ventos adversos, adamastores cruéis ou Bacos invejosos e traiçoeiros. 

Em dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, é importante lembrar que a Alma-Pátria, ainda que pelo mundo em pedaços repartida, será sempre em PORTUGUÊS, a Língua em que Camões escreveu quem fomos-somos-seremos e que nos une em qualquer ponto dos cinco continentes.

Em dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, leia / releia / relembre o Amor da "linda Inês", as deusas da "ilha fresca e bela", a sedutora beleza de Vénus, que intercede, junto de Júpiter, por amor "deste povo" que é seu... porque, de Amor e da Mulher, também se canta n' Os Lusíadas.
LM

sexta-feira, 7 de junho de 2013

a ler... em férias


        «Lá longe, a linha do azul líquido e límpido aguçava uma vontade infinita de viajar. O mar, tranquilo e liso ia e vinha em rolos de espuma fresca na orla de areia dourada.
        Através da vidraça, o sol teimava de carícias e afagos sedutores e a frescura da sala convidava à leitura e ao enleio na trama… da vida?! Há quantos anos conhecia Inês? “Sê bem-vinda!” rasgara um sorriso de sólida amizade e confiança por longas horas-dias de actividades e canseiras saboreadas na satisfação de realização pessoal e profissional… e o polegar atrevido abria sorrateiramente o livro esquecido no colo. Inadvertidamente, Luís António surge da página 157, tão elegante e glamuroso quanto irascível.
       Tinha de ser ele! Logo ele que tanto se parecia com… E por que insistia agora este também em atormentá-la? Afinal, nunca compreendera o seu propósito, nunca conseguira entender a origem daquela suspeita infundada, aquela discussão descabida...»

Leonor Campos de Melo



Aqui ficam sugestões de leitura para acompanhar as merecidas férias. Estes e outros livros podem ser requisitados na Biblioteca Escolar Clara Póvoa.

Boas Férias e Boas Leituras!


sexta-feira, 31 de maio de 2013

[divulgando trabalhos de alunos] saber ler, saber pensar...saber SER consciente

       A propósito dos conteúdos curriculares da disciplina de Economia C, os alunos da turma CSE, do 12.º ano, foram desafiados a realizar trabalhos sobre o estado do ambiente em Portugal.

       Aqui fica o resultado das pesquisas, das leituras, da observação do mundo, da aprendizagem...



quarta-feira, 22 de maio de 2013

flores... na pressa dos dias



O sol voltou.
Lá fora, radioso e acariciador, rouba-me qualquer réstia de vontade para cumprir a tarefa que tenho pela frente...
Vou colher flores!
Preciso delas, preciso de sol, preciso de ar.

São tão bonitas!
Como se chamam? Não sei. Apenas conheço as rosas.
Na pressa dos dias, o nome das flores não me interessa. Basta-me o aroma,  a beleza e a paleta das suas cores. Isto me basta para me lavar os olhos e alimentar a alma.  Isto me basta para continuar a fazer crescer outras flores que com estas diariamente (con)vivem...

Onde as colhi? Na escola, nos espaços em volta. E hoje, ao sol, estavam singularmente bonitas e sorridentes para quem as olhava...
LM




Para saber como cuidar de flores e plantas, fica a sugestão deste livro, que pode requisitar na BECP.




E fica a lembrança-sugestão de leitura de um Rio das Flores, para saborear ao sol.



quinta-feira, 16 de maio de 2013

[divulgando] Temos obrigações morais para com os mais pobres?



A Escola Secundária propôs-se ao concurso PORDATA, organizado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, com o trabalho dinamizado pelos professores das disciplinas de Economia A e de Filosofia e subordinado ao tema Temos obrigações morais para com os mais pobres? 
Enquadrando as finalidades curriculares de ambas as disciplinas com os objetivos do concurso PORDATA, foi objetivo dos professores que os alunos usassem, de forma crítica e interpretativa, os dados estatísticos disponíveis na PORDATA, de forma a produzir um todo analítico coerente. O professor de Economia A orientou os alunos, sobretudo na identificação, seleção e análise da informação estatística que permitiu a caracterização do estado da pobreza em Portugal. A professora de Filosofia trabalhou com os alunos a construção de um esquema orientador e integrado do trabalho, que permitisse uma reflexão crítica e filosófica sobre os dados empíricos coligidos. Os trabalhos foram integrados processo de ensino e aprendizagem das disciplinas, responderam a objetivos programáticos, tanto no domínio das competências como no dos conteúdos, e foram incluídos na avaliação das disciplinas, tendo sido atribuída a mesma classificação nas duas disciplinas envolvidas,  em função de uma articulação dos critérios de avaliação específicos realizada pelos professores.
Das várias modalidades de trabalho proposto pelo concurso PORDATA, os professores selecionaram a modalidade de trabalho escrito, porque se coadunava melhor com os objetivos programáticos da disciplina de Filosofia (elaboração de um ensaio filosófico) e também porque o desenvolvimento de competências escritas continua a ser um dos objetivos a trabalhar com os alunos da turma. Uma vez avaliados os trabalhos, os professores decidiram propor a concurso o trabalho com melhor classificação. Assim, o trabalho das alunas Ana Oliveira e Inês Simões, da turma 11.º CSE, foi um dos trabalhos vencedores do concurso PORDATA. As alunas receberam os respetivos prémios (um tablet para cada uma) em Lisboa, numa cerimónia que decorreu na Escola Secundária Gil Vicente, em Lisboa, no dia 9 de maio, pelas 15:00 horas.
Disponibiliza-se aqui o trabalho das alunas em formato ebook.


Myebook - A Pobreza em Portugal: obrigação moral de combater a pobreza - click here to open my ebook

O que é a PORDATA?


De acordo com o texto de introdução, apresentado pela Diretora do Projeto PORDATA, esta base de dados é um serviço público, um projeto destinado a todos, pensado para um vasto número de utentes que comungam do interesse em conhecer, com confiança e rigor, mais sobre Portugal.
Os dados estão organizados em temas: quinze em Portugal, dez na Europa e doze nos Municípios. Cada um destes temas está subdividido em vários subtemas, que incluem múltiplas séries de dados estatísticos. Estes dados podem ser visualizados sob a forma de tabelas, para o todo ou parte do período de dados disponível. Podem, também, ser visualizados sob a forma de gráficos estáticos e dinâmicos ou, ainda, de mapas estáticos e dinâmicos na base dos Municípios. Há ainda a possibilidade de os dados serem transformados automaticamente em indicadores habituais (como as percentagens ou as variações) e, no caso da unidade de medida ser o euro, de se converterem os valores de preços correntes em preços constantes. Também está prevista a possibilidade de se construírem quadros personalizados, a partir de séries estatísticas relativas a diferentes temas. Estas são apenas algumas das funcionalidades acessíveis em ambiente Web.
Podemos ainda ler na página Web do Projeto PORDATA que a PORDATA, Base de Dados de Portugal Contemporâneo, foi organizada pela Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), criada em 2009 pelos seus fundadores, Alexandre Soares dos Santos e sua família, descendentes de Francisco Manuel dos Santos, a cuja memória decidiram consagrar a fundação.
A FFMS tem como objetivo promover o estudo, o conhecimento, a informação e o debate público, procurando, assim, contribuir para o desenvolvimento da sociedade, a melhoria das instituições públicas e o reforço dos direitos dos cidadãos.
Em 2011, a PORDATA foi distinguida como um dos cinco melhores projectos mundiais, na categoria de e-Science & Technology, pelos World Summit Awards de 2011. Os World Summit Awards (WSA) são realizados de dois em dois anos, no quadro das Nações Unidas, para seleccionar e distinguir aplicações de internet inovadoras que promovam a difusão de conhecimento. Nesta edição de 2011 estiveram envolvidos 160 países.

Para explorar e usar a PORDATA, aceder aqui  

quinta-feira, 9 de maio de 2013

nas páginas da História...


... hoje é Dia da Europa.

Propomos uma viagem pelo site da União Europeia, para recordar, ou conhecer, quem foram os fundadores, porquê e como nasceu uma Europa pacífica, alguns marcos temporais da sua fisionomia e evolução, a conquista das "quatro liberdades" (livre circulação de mercadorias, de serviços, de pessoas e de capitais) na década de 90, o início de uma década de oportunidades e grandes desafios...

E sugerimos, também, uma visita a um espaço de aprendizagem:




Unida na diversidade

Uma introdução ilustrada aos países e culturas da UE.






Uma viagem colorida pela Europa, que engloba a História, a Geografia e muitas outras matérias.

Filme animado, acompanhado de brochuras para os alunos e um livro do professor que visam permitir que os jovens passem a ter conhecimentos básicos sobre a importância da estabilidade de preços.




Para que serve a União Europeia? Por que foi criada e como? De que modo funciona?





Porque conhecer ajuda a melhor compreender, relacionar, agir...

terça-feira, 7 de maio de 2013

nas páginas da História...


                                        De agora em diante, nos céus da Europa voará a grande bandeira das nações e a paz entre as nações.

Josef Stalin

... revisitamos, hoje, o dia 8 de maio de 1945. Às 15:00 horas, os sinos de todas as igrejas francesas assinalavam oficialmente o fim da guerra, enquanto o general De Gaulle anunciava: «A guerra foi vencida. Eis aqui a vitória. É a vitória das Nações Unidas e é a vitória da França». Em Berlim, a capitulação alemã era assinada pelo marechal Wilhelm Keitel e assim se punha, oficialmente, fim a uma agonia de seis longos anos que roubaram a vida a dezenas de milhões de pessoas.


Milhões rejubilaram de alívio e de esperança.
E eram imensos os motivos de tanta euforia. 
Porque eram de horror as páginas que se viravam.




É, por isso mesmo, importante re(vi)ver as páginas da memória, que frequentemente revela tendência para ser curta, para que não volte a repetir-se a História, para que aprendamos o verdadeiro valor da Vida, para que tenhamos real consciência do Ser. Saber como tudo começou, saber por que começou e agudamente se complexificou , saber como se conjugaram esforços para desencadear o princípio do fim , permite refletir sobre a ambição e a maldade do Homem, o único animal que mata por prazer. Porque nesta história, como sempre acontece em todas, não houve apenas culpados e inocentes. Porque nesta história, como sempre acontece em todas, houve também responsáveis, bastantes, que, normalmente, nunca estão sós, nunca se mantém por si só e dificilmente convivem com perdas. 

Para saber mais 

[olhando de fora]




[vivendo e sofrendo, por si e pelos outros


 "...to remain silent and indifferent is the greatest sin of all..."


O seu livro mais conhecido, Noite, é um relato pessoal e impressionante sobre a crueldade e a maldade humanas, que não conhecem limites. É a história de um jovem judeu que se torna testemunha impotente do horror nos campos de concentração, nos quais perde a família, a inocência e a fé.

Dia conta a história de um jovem jornalista de nome Eliezer, que se atravessa à frente de um táxi. Será um acidente ou a tentativa de suicídio de uma alma atormentada pelos horrores que sofreu nos campos de concentração alemães? Dividido entre o desejo de viver e de morrer, Eliezer tem de alcançar a paz interior que lhe permita aceitar e ultrapassar o horror de que ele, a família e amigos foram vítimas.

Estes e outros livros (e também vídeos e DVDs), sobre o tema inesgotável que continua a ser a Segunda Guerra Mundial, podem ser requisitados na Biblioteca Escolar Clara Póvoa.

quarta-feira, 1 de maio de 2013

[para lembrar como foi] em maio...

...o 1.º de maio de 1974.




[comemorando] em maio...

... o Trabalho.






Embora feitas pelo Homem [as coisas], vêm e vão, são produzidas e consumidas de acordo com o eterno movimento cíclico da natureza. A vida é um processo que, em tudo, consome a durabilidade, desgasta-a, fá-la desaparecer, até que a matéria morta, resultado de pequenos processos vitais, singulares e cíclicos, retorna ao ciclo global e gigantesco próprio da natureza.
O mundo, o lar feito pelo homem, construído na terra e fabricado com o material que a natureza terrena coloca à disposição de mãos humanas, consiste não em coisas que são consumidas, mas em coisas que são usadas. Se a natureza e a terra constituem, de modo geral, a condição da vida humana, então o mundo e as coisas do mundo constituem a condição na qual esta vida especificamente humana pode sentir-se à vontade na terra. Aos olhos do animal laborans, a natureza é a grande provedora de todas as coisas boas que pertencem igualmente a todos os seus filhos, que as tomam em suas mãos e se misturam com elas no labor e no consumo. Essa mesma natureza, aos olhos do homo faber construtor do mundo, fornece apenas os materiais que, em si, são destituídos de valor, pois todo o seu valor reside no trabalho que é realizado sobre eles.
A solidez, inerente a todas as coisas, até mesmo às mais frágeis, resulta do material que foi trabalhado; mas esse mesmo material não é simplesmente dado e disponível, como os frutos do campo e das árvores, que podemos colher ou deixar em paz sem que com isso alteremos o reino da natureza. O material já é um produto das mãos humanas que o retiram da sua localização natural, seja aniquilando um processo natural, como no caso da árvore que tem de ser destruída para que se obtenha a madeira, seja interrompendo os processos mais lentos da natureza, como no caso do ferro, da pedra ou do mármore, arrancados do ventre da terra. Este elemento de violação e de violência está presente em todo o processo de fabricação, e o homo faber, criador do artifício humano, sempre foi um destruidor na natureza.
Para a sociedade dos operários, o mundo das máquinas substitui hoje o mundo real, embora este pseudomundo seja incapaz de realizar a mais importante tarefa do artifício humano, que é a de oferecer aos mortais um abrigo permanente e estável para eles mesmos. No seu contínuo processo de operação, este mundo de máquinas começa a perder até mesmo o carácter humano independente que os utensílios e as primeiras máquinas da época moderna possuíam em tão alto grau. Os processos naturais de que se alimenta emprestam-lhe uma afinidade cada vez maior com o próprio processo biológico, de modo que os aparelhos, que antes manejávamos tão livremente, começam a parecer carapaças, partes integrantes do nosso corpo. A tecnologia já não parece ser o produto do esforço humano consciente no sentido de multiplicar a força material, mas sim uma evolução biológica da humanidade.
Arendt, Hanna. (2001). A condição humana. Lisboa: Relógio d’ Água, pp. 121-126 (adaptado).




Isabel Bernardo
(seleção de conteúdos)

[comemorando] em maio...

... a História de um dia de conquistas: o 1.º

nasceu de cansaço
cresceu de lutas
marcou-se a vermelho de sofrimento
firmou-se em homenagem
aos construtores do progresso das nações

maio, o dia 1.º





[particularmente relevante entre os minutos 05:31 - 06:18]

segunda-feira, 29 de abril de 2013

[comemorando] "shall we dance?"...



... especialmente hoje, no dia mundial da dança, uma das mais belas artes que alimenta a alma do ser humano.
Pela vida, pela sobrevivência, para cumprir rituais, em agradecimento, protesto ou contestação, desde sempre o ser humano exteriorizou estados de alma, numa linguagem corporal de diálogo consigo ou com o mundo. Dançar é (quase) uma necessidade inata e instintiva que alimenta o espírito e fortalece o corpo. Por isso, especialmente hoje,


sinta[-se] a "Nini dos [seus] quinze anos"... e dance.





Deixe-se seduzir 

- pela magia e arte de Fred Astaire e Ginger Rogers e dance 




- pela sensualidade do Tango, pela leveza da Valsa, pelo ritmo quente e exótico da Salsa, da Rumba, do Cha Cha Cha, do Mambo, do Merengue, do Samba, do Kizomba... e dance.

Dance... ao ritmo contagiante de "Fame" [lembra-se?]





Dance com o Sol, com a Lua, com a Chuva, com o Vento, com o Mar, com Quem ama, Consigo, com a Vida... mas dance, dance, dance...

Dance, when you're broken open. 
Dance, if you've torn the bandage off. 
Dance in the middle of the fighting. 
Dance in your blood. 
Dance when you're perfectly free.

Rumi 



Dance, ainda, com a leitura de "A Menina Dança?", uma história de amor, íntima e obscura, narrada na primeira pessoa, no tom compassado e genuíno de uma confidência. Ou de uma inconfidência...









Então? "Shall we dance?"

quinta-feira, 25 de abril de 2013

[leituras] palavras "derivadas" d'um dia de abril



as portas que abril abriu



A SACA DE ORELHAS



Sentenças delirantes dum poeta para si próprio em tempo de cabeças pensantes

1
Não te ataques com os atacadores dos outros.
Deixa a cada sapato a sua marcha e a sua direcção.
0 mesmo deves fazer com os açaimos.
E com os botões.

2
Não te candidates, nem te demitas. Assiste.
Mas não penses que vais rir impunemente a sessão inteira.
Em todo o caso fica o mais perto possível da coxia.

3
Tira as rodas ao peixe congelado,
mas sempre na tua mão.

Depois, faz um berreiro.
Quando tiveres bastante gente à tua volta,
descongela a posta e oferece um bocado a cada um.

4
Não te arrimes tanto à ideia de que haverá sempre
um caixote com serradura à tua espera.
Pode haver. Se houver, melhor...

Esta deve ser a tua filosofia.

5
Tudo tem os seus trâmites, meu filho!
Não faças brincos de cerejas
sem te darem, primeiro, as orelhas.

Era bom que esta fosse, de facto, a tua filosofia.

6
Perguntas-me o que deves fazer com a pedra que
te puseram em cima da cabeça?
Não penses no que fazer com. Cuida no que fazer da.

É provável que te sintas logo muito melhor.

Sai, então, de baixo da pedra.

7
Onde houver obras públicas não deponhas a tua obra.
Poderias atrapalhar os trabalhos.
Os de pedra sobre pedra, entenda-se.

Mas dá sempre um "Bom dia!" ao pessoal do estaleiro.
Uma palavra é, às vezes, a melhor argamassa.

8
Deves praticar os jogos de palavras, mas sempre
com a modéstia do cientista que enxertou em si mesmo
a perna da rã, e que enquanto não coaxa, coxeia.
Oxalá o consigas!

[...]

11
Resume todas estas sentenças delirantes numa única
sentença:
Um escritor deve poder mostrar sempre a língua portuguesa.
© ALEXANDRE O′NEILL
A Saca de Orelhas, 1979 




No País dos Sacanas

Que adianta dizer-se que é um país de sacanas?
Todos os são, mesmo os melhores, às suas horas,
e todos estão contentes de se saberem sacanas.
Não há mesmo melhor do que uma sacanice
para poder funcionar fraternalmente
a humidade de próstata ou das glândulas lacrimais,
para além das rivalidades, invejas e mesquinharias
em que tanto se dividem e afinal se irmanam.

Dizer-se que é de heróis e santos o país,
a ver se se convencem e puxam para cima as calças?
Para quê, se toda a gente sabe que só asnos,
ingénuos e sacaneados é que foram disso?

Não, o melhor seria aguentar, fazendo que se ignora.
Mas claro que logo todos pensam que isto é o cúmulo da sacanice,
porque no país dos sacanas, ninguém pode entender
que a nobreza, a dignidade, a independência, a
justiça, a bondade, etc., etc., sejam
outra coisa que não patifaria de sacanas refinados
a um ponto que os mais não são capazes de atingir.

No país dos sacanas, ser sacana e meio?
Não, que toda a gente já é pelo menos dois.
Como ser-se então nesse país? Não ser-se?
Ser ou não ser, eis a questão, dir-se-ia.
Mas isso foi no teatro, e o gajo morreu na mesma.

Jorge de Sena, in 40 Anos de Servidão

[comemorando] nas páginas da História - 25 de abril de 1974


Por todas as promessas que ficaram por cumprir. 
Pelas que foram cumpridas e estão a ser mortas. 
Por todas aquelas que temos o dever de continuar a fazer cumprir.

Isabel Bernardo





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[Colaboração de Ernestina Tiago, 
na seleção de conteúdos]

terça-feira, 23 de abril de 2013

[divulgando] "recursos interativos"


"All forms of books make a valuable contribution to education and the dissemination of culture and information. The diversity of books and editorial content is a source of enrichment that we must support through appropriate public policies and protect from uniformity. "

                 Irina Bokova, Directora Geral para o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor 2013  





...porque, apesar de tudo, mantém mesmo a interatividade necessária a situações como esta