segunda-feira, 31 de março de 2014

[na semana da Leitura, a ler...] o homem através das palavras



[...]
Homem é quem anónimo por leve
lhe ser o nome próprio traz aberta
a alma à fome fechado o corpo ao breve
instante em que a denúncia fica alerta.
[...]
Homem é quem tombando apavorado
dá o sangue ao futuro e fica ileso
pois lutando apagado morre aceso. 

Manuel Alegre

          O que é ser Homem?  Uma questão que nos interpela todos os dias. Cada um de nós é, em cada dia, o Homem. Porém, nem sempre temos presentes respostas que nos permitam compreender o que somos. 
          O saber da Psicologia dá-nos essa compreensão nas suas múltiplas dimensões de conhecimento. Ler Psicologia é aceder às múltiplas facetas do que somos num determinado momento e ao longo do tempo. Ler Psicologia é aceder à compreensão do Homem através das palavras.
       No Boletim Bibliográfico O homem através das palavras encontramos, organizados por temas, livros disponíveis na Biblioteca Escolar Clara Póvoa.

         Espreite, escolha, leia, descubra(-se)...




Isabel Bernardo

segunda-feira, 24 de março de 2014

saber, para bem viver

dia 24 de março [dia mundial da tuberculose]


O Dia Mundial da Tuberculose foi lançado em 1982 pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e pela União Internacional Contra a Tuberculose e Doenças Pulmonares e a sua celebração visa sensibilizar a população e aumentar a consciência sobre a epidemia mundial que é a tuberculose, bem como reforçar os esforços para eliminar a doença.

Robert Koch, Prémio Nobel da Medicina, em 1905

A data escolhida - 24 de Março - foi uma homenagem aos 100 anos do anúncio da descoberta do bacilo causador da tuberculose (Mycobacterium tuberculosis), ocorrida em 1882, pelo médico Robert Koch. Esta descoberta foi um grande passo no diagnóstico e cura da doença que, na época, vitimou grande parcela da população mundial e hoje persiste com 8 milhões de doentes e 3 milhões de mortes anuais. Cada paciente infectado com bacilo de Koch pulmonar, se não tratado, pode infectar, em média, 10 a 15 pessoas por ano!

Alguns sintomas da tuberculose confundem-se com a gripe.

A tuberculose infecta pessoas em todos os países do mundo, tanto ricos como pobres. Contudo, a pobreza, desnutrição, más condições sanitárias e alta densidade populacional são fatores que contribuem para a disseminação da doença. Após um significativo decréscimo de casos na segunda metade do século XX, o surgimento de numerosos casos de Síndroma da Imunodeficiência Adquirida (vulgo SIDA) que provoca enfraquecimento do sistema imunitário humano (baixa das defesas) permitindo o desenvolvimento de doenças oportunistas, como a tuberculose, associado a um maior surto migratório e à pobreza, fez ressurgir a tuberculose como um importante problema de saúde pública.



Nos países “mais desenvolvidos” o principal problema é o cada vez maior número de casos provocados por bacilos resistentes a alguns dos mais usados antibióticos, obrigando a uma constante pesquisa médica no sentido de conseguir novos medicamentos efetivos na eliminação/controlo da doença. O surgimento de casos de tuberculose multirresistente está relacionado com o uso inadequado de antibióticos, ou seja, a utilização abusiva de antibióticos quando não são necessários (exemplo: usar antibióticos antibacterianos contra as constipações que são de origem viral, muitas vezes por auto-medicação) e/ou o não cumprimento dos planos de tratamento prescritos (regras de toma não cumpridas ou tratamentos que ficam por terminar).

Evolução da infeção

É fundamental a população estar informada sobre os sintomas da tuberculose de forma a agir logo que se suspeita de infecção, de forma a aumentar a possibilidade de cura, bem como diminuir bastante o contágio que se faz muito facilmente por via aérea. Sintomas como cansaço frequente, suores noturnos, tosse que persiste durante mais de três semanas, geralmente com expectoração, gânglios aumentados e febre baixa no final do dia, podem ser confundidos com gripe ou constipação e permitem que a infecção evolua. O diagnóstico precoce é fundamental na completa cura desta doença e o acesso a cuidados médicos é determinante no controlo desta epidemia.

A vacina BCG (bacilo de Calmette-Guérin), administrada no primeiro mês de vida, embora não evite o contágio e desenvolvimento da doença, previne as suas formas mais graves, sobretudo nas crianças e idosos. Atualmente está demonstrado que a revacinação ao longo da vida não aumenta o grau de proteção contra a tuberculose e por isso não é geralmente aconselhada.



A tuberculose é uma doença curável, sendo importante para isso, não só a celeridade no diagnóstico e início do tratamento, mas fundamentalmente, o rigoroso cumprimento das prescrições terapêuticas. No entanto, é uma doença potencialmente grave e letal, principalmente em doentes com outras patologias associadas ou que cumpram irregularmente a terapêutica. No total, a duração mínima do tratamento são seis meses, embora a duração seja decidida caso a caso, pelo médico assistente, em função da gravidade e evolução clínica da doença, podendo atingir os 24 meses de terapêutica.

Desde 1990, a mortalidade associada à doença caiu 45%, pelo que a barreira dos 50% pretendida pela Organização Mundial de Saúde está perto. E, desde 1995, as estimativas apontam para que se tenham tratado cerca de 56 milhões de pessoas e salvo 22 milhões de vidas. Segundo a OMS, uma em cada três pessoas que têm a doença não chegam a ter um diagnóstico, apelando-se a que se atribuam mais recursos para os programas dedicados à doença – sobretudo nos países em desenvolvimento - já que se estima que 75% dos casos não diagnosticados sejam em apenas 12 países.

Para saber mais, consulte a página da Sociedade Portuguesa de Pneumologia.

Paula Rocha



sábado, 22 de março de 2014

a ciência também é cultura

nos caminhos da psicologia [psicologia da adolescência]


Ser adolescente é ser feliz e infeliz ao mesmo tempo. É não ser compreendido e nem sempre compreender. É ser pássaro e não poder voar. É mais não ser do que ser. É desejar e não poder. É muito difícil. Ser adolescente é olhar para a vida e pôr-lhe um laço na cabeça.
         12º Ano, Turma A - Escola Secundária Filipa de Vilhena
Monteiro, M., & Santos,  M. R. (s/d). Psicologia (1.º vol.). Porto: Porto Editora, p.248.


A adolescência é uma etapa da vida que se estende da puberdade à idade adulta, e que é marcada por profundas transformações fisiológicas, psicológicas, pulsionais, afectivas, intelectuais e sociais vivenciadas num determinado contexto cultural.

[para ler mais]
A adolescência é um espaço/tempo onde os jovens através de momentos de maturação diversificados fazem um trabalho de reintegração do seu passado e das suas ligações infantis, numa nova unidade. Esta reelaboração deverá dar capacidades para optar por valores, fazer a sua orientação sexual, escolher o caminho profissional, integrar-se socialmente. Este processo de crescimento faz-se também com retrocessos, este crescer faz-se sozinho, com o melhor amigo, com e contra os pais, com os outros adolescentes e com os outros adultos.

O professor Daniel Sampaio, médico psiquiatra, foi um dos introdutores da Terapia Familiar Sistémica e fundador da Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar. Nos últimos anos tem prestado particular atenção aos problemas da escola secundária, participando em numerosos colóquios com alunos, pais e professores, procurando reflectir sobre as atuais dificuldades do processo educativo.

Daniel Sampaio [saiba mais]
Na sua obra Inventem-se Novos Pais o autor afirma que a identidade e a autonomia são as questões fundamentais da adolescência.

Disponível na BECP
Segundo o autor, a formação da identidade deve ser considerada um processo dinâmico, verdadeira interface da dimensão interna e externa do adolescente.

Adquire-se a identidade sexual, que se foi estruturando a partir das dúvidas internas e das constantes interações externas com a família e o grupo de jovens. Consolidam-se as relações com os outros e dá-se a integração das diversas estruturas da personalidade, processo que só termina na pós-adolescência. (…) Já Erikson, nos seus estudos sobre a identidade juvenil, tinha salientado a importância dos outros na formação da identidade, considerando que esta é uma síntese dinâmica resultante de um processo de assimilação e rejeição das identificações sofridas, bem como da interação entre o desenvolvimento pessoal e influências sociais. (…) Ora uma certa instabilidade emocional que caracteriza a adolescência leva a uma procura ativa das relações sociais, na busca de interações estabilizadoras que contribuam para a formação da identidade. Deste modo, assume grande importância o grupo de jovens, onde confluem diversos fatores essenciais para a identidade e autonomia adolescentes.
  A autonomia é a outra questão central da adolescência. Pode entender-se como a necessidade do adolescente conquistar o domínio de si próprio e obter um espaço mental para refletir e para se relacionar fora da família, o que pressupõe desde logo o abandono de uma posição de dependência face aos pais que caracteriza a infância. O processo de autonomia é progressivo, iniciando-se muitas vezes na puberdade e atingindo o seu pleno na fase final da adolescência, pressupondo algures no seu desenvolvimento um período de desobediência ou confronto com os pais, mas que na maioria dos casos é vivido sem problemas graves.
(…) Seja como for, os jovens crescem muitas vezes num ambiente pseudolibertador, em que são imediatamente satisfeitos muitos dos seus desejos e onde as diferenças entre as gerações se esbatem cada vez mais. Os pais vivem na permanente necessidade de “ seduzir” (oferecendo coisas) ou de imitar os filhos, com a ideia de uma proximidade quotidiana mais agida do que refletida contribuirá para a melhoria das relações. Puro engano: a inversão da hierarquia familiar ou a igualização dos pais leva inevitavelmente à confusão e à ausência de modelos organizativos das relações intrafamiliares. Os pais delegam na escola e nos próprios filhos a sua missão de educadores, deixando os filhos muitas vezes entregues às tarefas da adolescência.      É como se no diálogo pais-filhos não soubéssemos o lugar de cada um e o individualismo narcísico ganhasse cada vez mais campo de ação.
                Sampaio, D. (1994). Inventem-se Novos Pais (13.ª Ed.). Lisboa: Caminho, pp.241-246.

Emília Laranjeira

sexta-feira, 21 de março de 2014

em tempo de poesia... "de palavras me vesti / no agasalho do nada"...




                                                              O binómio de Newton é tão belo como a Vénus de Milo. 
     O que há é pouca gente para dar por Isso [...]".   

Álvaro de Campos

       Em dia de Poesia, sentir a música das palavras na alma-voz de quem "importa metáforas e exporta alegorias" é celebrar a Vida, o Sonho e o Ser, n'« Um mundo de palavras. Língua que lambe o universo para espanto da imobilidade das estrelas »



[para aceder aos conteúdos colocados na imagem, passe o cursor sobre a árvore e clique, explore e saboreie os poemas]

LCM

quinta-feira, 20 de março de 2014

[a ler] ...também se forma a consciência, também se aprende «o que custou a liberdade»


                                    “ Que atitude deveremos adotar no nosso teatro, relativamente à natureza e à sociedade, nós, filhos de um século científico?
                                         Essa atitude é crítica: dirigindo-se à sociedade, será a transformação da sociedade. (…)
                                                   Portanto, para além do ato de ver, o teatro atribui ao espetador um papel ativo.”

Bertolt Brecht
     Partindo das palavras de Bertolt Brecht, o teatro exige da parte do espetador uma atitude crítica, de forma a que este possa desempenhar um papel ativo na sociedade em que se insere. De mero observador, este passa a agente de transformação. Contudo, este novo paradigma de espetador, só será possível se houver comprometimento, “engagement” com o seu tempo.
    Ao lermos Felizmente Há Luar! não podemos ficar indiferentes à mensagem que marcará para sempre o nosso percurso enquanto pessoas, enquanto cidadãos. É esse o objetivo: educar para a cidadania, despertar a consciência cívica, mostrar “o que custou a liberdade”.

Madalena Toscano

sexta-feira, 14 de março de 2014

[a ciência também é cultura] a investigação aqui tão perto...


... Biocant estuda microbioma natural presente na videira

    O Biocant - Centro de Inovação em Biotecnologia de Cantanhede –, primeiro parque de biotecnologia em Portugal, é uma combinação única de unidades de investigação e de empresas na área das Biociências, com forte empenho na educação para a ciência e no empreendedorismo, e promovendo o desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento.


    Num estudo agora publicado, os investigadores do Biocant recolheram amostras de folhas de videira, numa vinha piloto cultivada na região da Bairrada, para caracterização do microbioma natural presente na videira durante todo o seu ciclo vegetativo. O microbioma é um conjunto representativo do genoma de muitos organismos que existem em comunidade e podemos considerar genoma todo o material genético do ser vivo. 


    Na vinha, a presença de comunidades microbianas, tanto fungos como bactérias, é especialmente importante: o equilíbrio destas comunidades é fundamental para garantir a saúde e vitalidade da planta, o que se repercute na qualidade das uvas, no rendimento da produção, no processo fermentativo e, por conseguinte, na quantidade e na qualidade do vinho produzido.
  O microbioma da videira caracterizou-se pela copresença de micro-organismos fitopatogénicos (causadores de doenças nas plantas) e benéficos. Os micro-organismos mais abundantes foram um fungo (Aureobasidium), considerado como agente fitoprotetor das plantas, e as bactérias pertencentes a uma família cujo nome científico é Enterobacteriaceae.
    Durante o ciclo vegetativo, as comunidades microbianas revelaram-se extremamente dinâmicas e a biodiversidade presente variou ao longo do tempo: a biodiversidade de fungos e leveduras diminuiu com a evolução do ciclo vegetativo, o que constituiu uma oportunidade para a proliferação da comunidade de bactérias.          
   Na base da explicação da diminuição da biodiversidade eucariota (seres vivos com células caracterizadas por possuírem um núcleo individualizado, delimitado por um invólucro celular que encerra o material genético) surge a aplicação dos tratamentos químicos que, para além de afetarem a biodiversidade, afetaram, simultaneamente, a abundância dos microrganismos fitopatogénicos e benéficos.

    Verifica-se, assim, que o controlo químico dos agentes causadores de doença também influencia as comunidades dos micro-organismos benéficas para a planta, que depois têm maior dificuldade em se restabelecer. Assim, estes tratamentos causam um desequilíbrio grave no ecossistema microbiano da vinha.
    Este é o primeiro estudo que caracteriza o microbioma natural presente na videira e, dada a sua importância, permite analisar pormenorizadamente as interações estabelecidas entre micro-organismos e planta, bem como o equilíbrio do micro ecossistema, o que constituirá uma forte contribuição para o melhoramento das estratégias de gestão da vinha.

   O estudo foi realizado por investigadores da Unidade de Genómica do Biocant, liderada pela Doutora Ana Catarina Gomes, e enquadra-se na linha de investigação do Biocant exclusivamente dedicada à Vinha e ao Vinho.


A viticultura faz parte da identidade de Portugal e é uma das atividades agrícolas mais importantes do país.

Paula Neves

sábado, 8 de março de 2014

... porque há mulheres assim...



Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes e calma


Sophia de Mello Breyber Andresen, in OBRA POÉTICA (Ed. Caminho, 2010)


As palavras de Sophia definem a "grandeza da imensidão da alma" da Mulher. 
Aqui deixamos uma homenagem singela a todas as mulheres cuja Vida, Liberdade e Caráter, de algum modo, lhes permitiu "vencer a lei da morte" e permanecer como referência de um tempo para outro tempo. 
Março é o mês da História da Mulher. E seria infindável a lista a registar em memorial, porque foram e continuam a ser muitas as Mulheres que lutam e dão voz às muitas outras que continuam amordaçadas.

Porque o mês é de celebração, registamos alguns poemas escritos e cantados por Homens que veem na Mulher a "maré em noites de tardes e calma".




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LCM

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

A insustentável leveza dos ideais

desobediência civil [a propósito do dia internacional da resistência não violenta]

O Dia Internacional da Resistência Não Violenta celebra-se a 20 de fevereiro. Esta celebração vem relembrar aos homens que é possível lutar por convicções sem recorrer à violência.
Através de protestos simbólicos, do recurso à desobediência civil, pode-se exercer uma força que permita alcançar reformas capazes de assegurar a construção de uma sociedade mais justa. Esta luta, feita através do diálogo e da recusa em utilizar a violência, foi preconizada por três grandes homens da história recente da humanidade: Mahatma Gandhi, Nelson Mandela e Martin Luther King Jr.

Mahatma Gandhi
Veja aqui filme



Mahatma Gandhi (1869-1948), advogado, político e líder espiritual indiano, lutou pela independência da Índia recorrendo à desobediência civil. Foi defensor de formas de protesto não violentas e fundador do moderno Estado indiano.







Nelson Mandela (1918-2013), advogado, líder rebelde e presidente da África do Sul, Prémio Nobel da Paz em 1993. Dedicou a sua vida à defesa dos Direitos Humanos. Foi o responsável pelo fim do Apartheid.

Veja aqui um discurso de Nelson Mandela.

Martin Luther King Jr.(1929-1968), pastor protestante e ativista político norte-americano, Prémio Nobel da Paz em 1964 pelo combate à desigualdade racial através da não violência. Autor da frase “ I have a dream…” perdeu a vida lutando pela defesa de uma coexistência racial harmoniosa.

O discurso "I have a dream" é um dos mais poderosos de sempre


Jonh Rawls (1921-2002), filósofo norte- americano, é autor de uma teoria da justiça onde defende a noção de justiça como equidade. 

John Rawls
Nesta teoria, Rawls defende uma conceção de sociedade justa, com base num conjunto de princípios de justiça que pessoas livres e racionais aceitariam numa posição de igualdade. O seu ideal de justiça assenta em três princípios fundamentais: princípio de liberdade igual para todos; princípio da igualdade de oportunidades e princípio de diferença, que admite as desigualdades se estas forem utilizadas em benefício dos desfavorecidos (dar mais a quem menos tem). Com estes princípios Rawls acreditava ser possível diminuir as desigualdades entre ricos e pobres.

Obra disponível na BECP
Compete ao Estado assegurar o bem-estar dos cidadãos e uma distribuição justa dos direitos e benefícios sociais. Quando há por parte do Estado abuso de poder, no entender de Rawls, este perde a sua legitimidade e os cidadãos deixam de estar obrigados a obedecer, podendo recorrer à desobediência civil como forma de impedir a violação sistemática dos princípios de justiça. Segundo Rawls a desobediência civil é: 

“um ato público, não violento decidido  em consciência mas de natureza política, contrário à lei e usualmente praticado com o objetivo de provocar uma mudança nas leis ou na política seguida pelo governo. Ao agir desta forma apelamos ao sentido de justiça da maioria da comunidade e declaramos que na nossa opinião ponderada, os princípios da cooperação social entre Homens livres e iguais não estão a ser respeitados. (…). A desobediência civil não é violenta. Tenta evitar o uso da violência, em especial contra as pessoas (…). Ela expressa a desobediência à lei dentro dos limites da fidelidade ao direito (…) expressa pela natureza pública e não violenta do ato, pela vontade de aceitar as consequências jurídicas da nossa conduta. (…) A desobediência civil foi definida (…) de forma a estar compreendida entre, por um lado, o protesto nos quadros da lei (…) e, por outro, a objeção de consciência e as várias formas de resistência. (…)."

              Rawls, J. (1993). Uma teoria da justiça. Lisboa: Presença, pp.273-286. 

Emília Laranjeira

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

saber, para bem viver

[a propósito da relação entre alimentação e sucesso escolar]


Todos reconhecemos o contributo de uma alimentação equilibrada para o bem-estar físico, intelectual e social, pelo que, a crescente consciencialização da sua importância pode trazer benefícios para toda a comunidade.
 
Uma alimentação equilibrada é fundamental.
De uma alimentação equilibrada fazem parte alimentos variados e na quantidade adequada às necessidades do organismo. Assim, na dieta diária, não devem constar apenas os diversos tipos de nutrientes, mas estes devem estar presentes nas quantidades adequadas às necessidades individuais, tendo em conta a idade, o sexo, a profissão, etc.
Comer de tudo um pouco e várias vezes ao longo do dia é um dos princípios básicos de uma alimentação equilibrada.
Os profissionais de saúde relembram-nos constantemente a importância que o pequeno-almoço, a primeira refeição do dia, tem para uma alimentação equilibrada. No entanto, quantas são as vezes que saímos de casa sem que o tenhamos tomado. Alegamos que “não temos tempo”, “que acordamos enjoados, sem apetite”, qualquer desculpa nos serve para o evitarmos…
O pequeno-almoço tem uma importância crucial, pois deve cumprir dois objetivos fundamentais: por um lado, “compensar” o organismo obrigado a horas seguidas de jejum prolongado (noite), por outro, disponibilizar a energia necessária para uma manhã de atividade. A não ingestão do pequeno-almoço, qualquer que seja a razão (dieta, falta de hábito, pressa matinal) provoca hipoglicémia (baixa do açúcar do sangue) de que resultam diversos sinais e sintomas. À queda dos níveis de açúcar, o organismo reage com suores, cansaço, perda de força, visão turva, confusão mental, cefaleias, irritabilidade, alterações do humor, enjoos, vómitos, tremores, problemas da articulação da fala, dificuldade dos movimentos, desmaios, entre outros.
Quem não toma o pequeno-almoço, está a forçar o organismo a jejuar durante quase dois terços do dia. Este erro leva a outro: a ingestão, durante a manhã, de alimentos calóricos, muito ricos em açúcares e/ou gorduras, sem interesse nutricional. Também, quando chega a hora de almoço, sente-se muita fome e é-se menos racional na escolha da ementa e das doses. Além disso, o organismo, habituado a muitas horas sem ingerir quaisquer alimentos, arranja estratégias de defesa e apressa-se a armazenar todas as calorias para fazer face ao previsível jejum que se segue, caindo por terra o cumprimento do objetivo daqueles que não tomam o pequeno-almoço com o intuito de emagrecer. Este tipo de práticas predispõe, ainda, o organismo para a obesidade e a diabetes.
Não há dúvida que o pequeno-almoço é importante para todos, mas nas crianças e jovens tem uma importância particular. Os estudos revelam que, além de permitir um normal desenvolvimento físico e intelectual, está também diretamente relacionado com o seu sucesso escolar.
Estudos confirmam a relação entre alimentação e resultados escolares.
 
São muitos os estudos que evidenciam uma estreita relação entre a alimentação e a função cerebral, associada à memória. Estes demonstram que a função cerebral é sensível a variações de curto prazo na disponibilidade de nutrientes, principalmente em crianças e adolescentes. Assim, quando sujeitas a um mesmo teste, as crianças sem pequeno-almoço efetuaram mais erros e tiveram maiores dificuldades de concentração do que aquelas que tinham tomado uma primeira refeição equilibrada. Os estudantes em jejum, ou insuficientemente alimentados, pela manhã, mostraram-se desatentos e agitados, ou sonolentos e fracos, diminuindo drasticamente a sua aprendizagem. Estudos semelhantes sobre a relação entre a função cognitiva e o pequeno-almoço em crianças/jovens em idade escolar sugerem, ainda, que a hora e o momento da refeição podem ser determinantes. Os alunos que tomaram o pequeno-almoço meia hora antes de um teste tiveram melhores classificações do que aqueles que o tomaram duas horas antes. Assim, embora todos tenham tomado o pequeno-almoço, alguns já estavam em jejum há mais tempo e começaram a evidenciar a desregulação da sua função cognitiva.    
Ignorar a primeira refeição do dia pode implicar desatenções e até acidentes. Esse efeito é ainda mais acentuado nas crianças e adolescentes, por estarem numa fase de desenvolvimento físico e intelectual. Redução da capacidade de atenção e de aprendizagem, assim como falta de interesse pela própria escola, são algumas das consequências da falta da alimentação matinal. A longo prazo, a obesidade e a diabetes pode ser o preço a pagar por não se dar o devido valor ao pequeno-almoço!
25% das calorias diárias é o ideal.
 
O pequeno-almoço deve fornecer ao organismo 25-30% das calorias diárias e, embora não haja uma receita ideal, deve ser variado, e, dele devem constar os seguintes alimentos:
leite ou iogurte;
pão ou cereais;
fruta fresca (1 peça)  ou sumo natural.
Mas, se queremos incutir nas crianças e adolescentes/jovens o hábito de tomar o pequeno-almoço, há que dar o exemplo, e, nada melhor, do que os pais para o fazer.

Um pequeno almoço com energia aumenta a rentabilidade.
Não esqueça, tome o pequeno-almoço e tenha um dia “muito positivo”, com muita energia e rentabilidade!
Amélia Ribeiro e Teresa Machado (Projeto PES).

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Porque a ciência também é cultura

Nos  caminhos da Psicologia [Psicologia do  Envelhecimento]


Nas sociedades industrializadas, a velhice corresponde a uma baixa de estatuto. Os velhos, afastados do processo produtivo, são marginalizados pelo sistema social. A psicossocióloga e gerontóloga Maximilienne Levet (1995), fundadora da universidade da terceira idade em Paris, refere que “a sociedade contemporânea vê a pessoa idosa, unicamente através da lupa económica do sistema de produção. 

A experiência acumulada nem sempre é valorizada
Os valores de reflexão, de meditação, de sabedoria, e as potencialidades que se vão forjando com o avanço da idade, não são tomadas em consideração.” (p. 25)
Para o biólogo, o envelhecimento é um fenómeno natural, universal e necessário, e o homem  envelhece do mesmo modo que o animal. Mas será que o homem, neste ponto, não difere verdadeiramente dos outros animais?
Ao invés das outras espécies, o ser humano tem uma história com instituições, modos de organização que variam segundo o tempo e o espaço. É claro que é um animal, mas é um animal político. Por outro lado fabrica instrumentos, cuida dos seus netos e mesmo dos seus avós, conta histórias graças à sua linguagem muito elaborada; inventou a medida do tempo, e sabe que vai morrer; é para ele próprio um problema; pergunta­­-se de onde vem, para onde vai, e porque vive.
 (…) Não podemos assim limitarmo-nos aos aspetos fisiológicos para estudar o envelhecimento humano. É preciso integrar nele todas as alterações que não são de origem biológica e que surgem ao longo do tempo.
O envelhecimento não é hoje apenas uma questão fisiológica
 (…) o envelhecimento é diferencial. O que significa isto? Simplesmente que cada um de nós envelhece de um modo particular, diferente do modo dos outros.
As diferenças aparecem segundo a geografia: não se envelhece da mesma maneira nos pólos e no equador, à beira-mar e na montanha; segundo o nível económico do país: não há nada em comum entre envelhecer num país pobre e um país rico, um país industrializado e um país agrícola; segundo a cultura: o estatuto, dito de outro modo o lugar e o papel reconhecidos à pessoa de idade diferem notavelmente de uma sociedade para outra; segundo o sexo e a classe social à qual se pertence, etc.
Jovem-idoso é um conceito que nos permite encarar o envelhecimento de forma diferente

Quaisquer que sejam os países, o século e a cultura às quais nos refiramos, a velhice é um mundo em si, com os seus valores, as suas alegrias e os seus sofrimentos.

A ler. Disponível na BECP
(…) A sociologia americana introduziu o conceito de “ jovem-idoso” que começa a ser adotado em França, enquanto a expressão “ terceira idade” foi rejeitada. Lamentamos este facto, porque do ponto de vista sociológico designa a paragem normal da vida profissional, ou seja, uma paragem que não é devida nem a razões de saúde nem ao desemprego. Esta expressão tinha a vantagem aos olhos dos gerontólogos, de não fixar a idade; enquanto uma pessoa trabalhar não pertence à terceira idade, mesmo se tiver 90 anos, porque a reforma constitui um modo de relacionamento especial com o dinheiro, com os que lhe estão próximos, com a sociedade. É verdadeiramente uma terceira idade da vida.

            Maximilienne Levet (1995). Viver Depois Dos 60 Anos. Lisboa: Instituto Piaget, pp. 23-25 e 27.

Seleção e apresentação de Emília Laranjeira

sábado, 15 de fevereiro de 2014

nas páginas da história: lembrar o passado, pensar o presente

a propósito do aniversário da morte de Bordalo Pinheiro


Raphael Bordallo Pinheiro (na grafia original) nasceu a 21 de março de 1840 em Lisboa e faleceu a 23 de janeiro de 1905. 

Raphael Bordallo Pinheiro

Caricaturista, ilustrador, ceramista, autor de banda desenhada e editor, é considerado o maior artista plástico do século XIX. Originário de uma família de artistas, iniciou-se no mundo das artes como ator de teatro. Em 1860 inscreveu-se no Conservatório e posteriormente matriculou-se sucessivamente na Academia de Belas Artes (desenho de arquitetura civil, desenho antigo e modelo vivo), no Curso Superior de Letras e na Escola de Artes Dramáticas. Perante um percurso escolar irregular, em 1863 foi trabalhar como escriturário na Câmara dos Pares. Entretanto, desenvolveu o gosto pela arte, expondo regularmente aguarelas da sua autoria no Salão da Sociedade Promotora de Belas Artes. Em 1869 realizou diversas capas de livros e preparou o álbum “O Calcanhar d’Achilles”, editado no ano seguinte. Durante a exposição Internacional de Madrid (1871) apresentou os seus trabalhos. No ano seguinte foi editado o álbum “Apontamentos e Raphael Bordallo Pinheiro sobre a Picaresca Viagem do Imperador do Rasilb pela Europa”, que é a primeira banda desenhada portuguesa, relatando a viagem do Imperador do Brasil D. Pedro II à Europa. Assim, Bordalo foi um dos pioneiros da BD a nível mundial.

Reprodução da capa da álbum de Bordallo Pinheiro

A sua colaboração como ilustrador com a imprensa estrangeira fez-se notar em Madrid, com o “El Mundo Comico” e o “Ilustración Española y Americana” e em Londres com o “The Illustrated London News”.

Ano marcante na sua carreira foi o de 1875, em que criou o célebre Zé Povinho, que apareceu pela primeira vez nas páginas da “Lanterna Mágica”. Esta personagem corresponde a uma imagem simbólica do povo, submisso, que aparece em diversas situações, desde os aumentos dos impostos aos negócios mal explicados. De origem rural, sorriso, cabelo despenteado e a usar chapéu, manifesta por vezes o seu espanto e por outras mostra que percebe mais do que seria suposto.

O Zé Povinho
Também nesse ano, a convite do jornal “O Mosquito”, partiu para o Brasil. Colaborou com este jornal durante dois anos e depois do seu encerramento fundou o jornal “Psit!!!”, que durou poucos meses criando a seguir “O Besouro”, publicado até ao ano do seu regresso a Lisboa, 1879. Nesse ano fundou o célebre “O António Maia”. O último jornal que dinamizou foi “A Paródia”. Fez caricaturas a partir de quadros famosos, como “Zé Povinho na (Última) Ceia” e “Zé Povinho – Marquês de Pombal”, ambos de 1882.

A partir de 1884 começou a funcionar a fábrica de Cerâmica das Caldas da Rainha. De entre as peças fabricadas destacam-se as pequenas figuras de carácter popular e caricatural, como o Zé Povinho, a Ana das Caldas ou o Arola. Em 1889 decorou o Pavilhão de Portugal na Exposição Universal de Paris, onde as suas cerâmicas tiveram êxito, tendo-lhe sido atribuído o grau de cavaleiro da Legião de Honra da República Francesa. Outras das atividades em que se destacou foram a realização de figurinos para peças teatrais.

Casado com Elvira Ferreira de Almeida desde 1866, teve apenas um descendente, Manuel Gustavo Bordalo Pinheiro.
Marta Pereira
12º LH

Fontes consultadas:
http://www.citi.pt/cultura/artes_plasticas/caricatura/bordalo_pinheiro/biografia.html


Para saber mais, veja ainda a página eletrónica do Museu Bordalo Pinheiro.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

em dia de namorar...


... os alunos também disseram do AMOR.
Recorrendo a técnicas diversificadas de expressão, a criatividade revelou que os jovens também sabem dizer de AMOR.














Em dia de namorar, Sorria, Celebre, Ame e Ame e Ame!..







Em dia de namorar, Sorria, Celebre, Ame e Ame e Ame!..


a ler

a propósito do dia dos namorados [três livros, três filmes]


... para ler, para ver e partilhar com quem mais gostamos
... três sugestões que podemos encontrar na Biblioteca Escolar Clara Póvoa



David Nicholls, Um dia
Podemos viver toda uma vida sem nos apercebermos de que aquilo que procuramos está mesmo à nossa frente. 15 de Julho de 1988. Emma e Dexter conhecem-se na noite em que acabam o curso. No dia seguinte, terão de seguir caminhos diferentes. Onde estarão daqui a um ano? E no ano depois desse? E em todos os anos que se seguirão? Vinte anos, duas pessoas, um DIA. Uma história de encontros e desencontros.





Laura Esquivel, Como água para chocolate
Neste romance surpreendente e admirável, que revelou ao leitor português uma grande escritora mexicana, toda a trama narrativa roda em torno da cozinha e de um certo número de elementos culinários. Cada capítulo abre com uma receita fora do comum (mas ao mesmo tempo perfeitamente realizável), a pretexto e em volta da qual não apenas se juntam os comensais, mas também se “cozem” e “temperam” amores e desamores, risos e prantos, e se celebra o triunfo da alegria e da vida sobre a tristeza e a morte. 



Gabriel Garcia Marques, O amor em tempos de cólera
Um livro para toda a vida.Prémio Nobel da Literatura 1982. A estória de amor vivida por Florentino Ariza e Firmina Daza é contada com toda magia do realismo fantástico de Gabriel. É um livro envolvente, que cativa o leitor do começo ao fim e que acaba torcendo pelo final feliz. As reflexoes sobre a vida, o amor e a morte, temas constantes em García Márquez, sao explorados de forma maestral neste livro. Um livro para toda vida!



Boas leituras, e feliz dia dos namorados!

Isabel Bernardo

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

nas páginas da história: lembrar o passado, pensar o presente

dia 13 de fevereiro de 1965 [Humberto Delgado é assassinado]


Humberto Delgado

A 13 de Fevereiro de 1965 morre, com 59 anos, o “General sem medo” Humberto Delgado, vítima de homicídio.
Foi adido militar na Embaixada de Portugal em Washington e membro do comité dos Representantes Militares da NATO onde começou a ter contacto com ideias liberais.
Delgado protagonizou um papel de extrema importância de combate ao regime salazarista. Levou a cabo um movimento na tentativa de derrube do estado novo nas eleições presidenciais, sendo apenas um dos dois candidatos, ele próprio e Américo Thomaz. Foi a este último que coube a vitória onde até os “mortos votaram”.

Imagem da campanha presidencial de Humberto Delgado
No pós derrota, Humberto Delgado exila-se no Brasil, em consequência das  perseguições a que foi submetido por parte do governo. Ainda no Brasil, preparou um golpe de estado que visava a conquista do quartel de Beja, mas tal resultou em fracasso.
Foi assassinado na sequência de uma uma cilada, preparada  por agentes da PIDE,  pois pensava ir ao encontro de opositores ao regime, junto à fronteira com Espanha.

Memorial  no local do assassinato de Humberto Delgado
Os seus restos mortais encontram-se hoje no Panteão Nacional.
É titular de várias  ordens honoríficas.
Daniel Regra Dias   nº15083   12ºLH

Fonte consultada
http://pt.wikipedia.org/wiki/Humberto_Delgado