sábado, 14 de dezembro de 2013

Nas páginas da história: lembrar o passado, pensar o presente

[a propósito do aniversário do nascimento de Mário Soares]


Mário Soares retratado por Júlio Pomar




Nome: Mário Alberto Nobre Lopes Soares
Pais: João Lopes Soares e Elisa Nobre Baptista
Naturalidade: Santo António, Lisboa (Portugal)
Data de Nascimento: 7 de dezembro de 1924
Estado Cívil: Casado com Maria Barroso





Mário Alberto Nobre Lopes Soares nasceu a 7 de dezembro de 1924, em Santo António, Lisboa, filho de João Lopes Soares, um antigo padre e pedagogo, ministro da Primeira República e combatente do Salazarismo, e de Elisa Nobre Baptista.

Mário Soares foi preso 13 vezes pela PIDE, uma consequência das ações políticas que encetou desde os seus tempos de estudante na Faculdade de Letras na Universidade de Lisboa. Em 1968 foi deportado para São Tomé.

Em 1951, concluiu a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas e iniciou o curso de Direito, acabando-o em 1957. Defendeu, como advogado, opositores ao regime de Salazar. Em 1971 refugiou-se em Paris por causa das constantes perseguições que a polícia política lhe fazia.

Em 1973, juntamente com outras pessoas, fundou o Partido Socialista, do qual foi secretário-geral. Em 1974 regressou a Portugal, assim que o regime fascista foi derrubado a 25 de abril. 

1 de maio de 1974

Depois do seu regresso, desempenhou o cargo de Ministro dos Negócios Estrangeiros, tendo desenvolvido várias negociações que levaram as colónias a tornarem-se independentes. Demitiu-se deste cargo em março de 1975, ocupando então um cargo de ministro sem pasta. Dois meses depois também se demitiu deste cargo. De 1976 a 1978 e de 1983 a 1985 foi primeiro-ministro. 

Mário Soares assina o acordo de adesão de Portugal à CEE

De 1977 a 1985 negociou a entrada de Portugal na então Comunidade Económica Europeia. O pedido foi aprovado, pelo que Mário Soares é o principal responsável pela presença de Portugal na atual União Europeia. 


De 1986 a 1996 foi Presidente da República durante dois mandatos seguidos. Iniciou as Presidências Abertas, durante as quais andou por muitas regiões do país, a ouvir diretamente queixas, vontades e desejos dos populares. Depois de ser Presidente da República, foi eurodeputado no Parlamento Europeu.



Atualmente, dedica-se à escrita, à coordenação da Fundação Mário Soares e intervém em diversos congressos e debates, sendo a sua opinião  frequentemente requisitada em assuntos importantes relacionados com o país.
Regina Costa, 12º LH

Página da Internet (consultada a 06.12.2013):   

http://www.leme.pt/biografias/portugal/politicos/mariosoares.html

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

a ler

[o mar - Camões, Pessoa e o Quinto Império]


Camões e Pessoa, tão distantes e tão próximos, num diálogo de tempos que foram, mas também de tempos que são. O desejo de ir mais além, de sonhar e de ousar, fez sempre parte da nossa condição. É o sonho que conduz o Homem à ação. Outros, os “eleitos”, darão voz à Obra e a palavra continuará, através dos tempos a fermentar a utopia. De Camões a Pessoa, a “ (…) orla branca foi de ilha em continente, / Clareou, correndo, até ao fim do mundo…”.



Apesar dos séculos que os separam, os ideais são os mesmos. Camões e Pessoa aspiram à renovação da Pátria, valorizando-a nos seus heróis, transmitindo ao mundo a sua crença num Portugal que ressurgirá das cinzas, pela força da sua Cultura e da sua Língua: o Quinto Império. A viagem marítima de Vasco da Gama é a viagem de um povo crescendo pelo mundo e pela História. Na “Mensagem” de Pessoa percorre um sopro patriótico que acorda os heróis adormecidos, para mais uma viagem, desta vez espiritual, que dissipará o nevoeiro que encobre D. Sebastião.

Camões e Pessoa, cantores de um amor comum: a Pátria, de olhos voltados para o mar, sempre o mar! Inquietação e glória, vozes de Velhos do Restelo e de Mostrengos e de Nevoeiros que traçam o perfil desta Pátria em crise.



Na Ilha dos Amores, “Cumpriu-se o mar”, mas o “Império se desfez” e os mares da nossa navegação continuam ensombrados pelos Adamastores, fantasmas de agora e de sempre. Ao longo dos tempos, o nevoeiro foi-se tornando cada vez mais denso e o Quinto Império cada vez mais distante!


terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A insustentável leveza dos ideais

dia 10 de dezembro [a propósito do dia da Declaração Universal do Direitos Humanos]


Malala Yousafzai é uma jovem paquistanesa de 16 anos. Em 2009, com 11 anos, começou a escrever, sob pseudónimo, para um blogue da BBC, relatando como era a sua existência sob o regime talibã. Malala descreve a sua luta, e da sua família, para que as meninas da sua aldeia pudessem continuar a frequentar a escola Em 2012 Malala foi baleada por talibãs que atacaram o autocarro que se dirigia para a escola que frequentava.



O ativismo de Malala tem sido reconhecido à escala mundial através da atribuição de numerosos prémios internacionais. O último, o Prémio Sakharov, foi-lhe atribuído em 10 de outubro de 2013 pelo Parlamento Europeu.



A vida de Malala deve ser para todos nós, um exemplo da luta por um direito, o direito à educação. Para Malala a educação é a solução para as crianças, as mulheres e os homens que vivem oprimidos. A educação é a solução para termos um mundo melhor, onde todos possamos aspirar à igualdade de facto.

      Vamos pegar os nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas. Uma criança, um professor, uma caneta e um livro podem mudar o mundo. A educação é a única solução.
Malala Yousafzai (2013). Discurso na Assembleia da Juventude na Organização das Nações Unidas.




Hoje, assinalou-se a data da assinatura da Declaração Universal dos Direitos Humanos. O exemplo de Malala é a prova de que é possível não nos enquistarmos em ódios e que podemos transformar os direitos da DUDH de ideais de papel em ideais de ação.


do jogo de espelhos...


... ou como os outros nos veem.

É sempre interessante, ou, no mínimo, curioso, espreitar os reflexos que deixamos nos outros, as imagens que de nós eles colhem e como nos interpretam.


«Dizem os chineses que há três espelhos que refletem a nossa personalidade: o primeiro reflete como os outros nos veem; o segundo como nós próprios nos vemos e o terceiro como na verdade somos.»

Ruth, I. História incompleta, In Jornal de Letras, Artes e Ideias, n.º 997, 17 de Dezembro de 2008

Quando o jogo dos espelhos envolve escritores que falam de si ou interpretam reflexos que de outros colhem, a leitura torna-se deveras apetecível, sobretudo quando de gigantes se trata.

      Era um homem que sabia idiomas e fazia versos. Ganhou o pão e o vinho pondo palavras no lugar de palavras, fez versos como os versos se fazem, isto é, arrumando palavras de uma certa maneira. Começou por se chamar Fernando, pessoa como toda a gente. Um dia lembrou-se de anunciar o aparecimento iminente de um super-Camões, um Camões muito maior do que o antigo, mas, sendo uma criatura conhecidamente discreta, que soía andar pelos Douradores de gabardina clara, gravata de lacinho e chapéu sem plumas, não disse que o super-Camões era ele próprio. Ainda bem. Afinal, um super-Camões não vai além de ser um Camões maior, e ele estava de reserva para ser Fernando Pessoas, fenómeno nunca antes visto em Portugal. 

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Fernando Pessoa

a propósito dos 78 anos da morte de Fernando Pessoa



Como sabemos, Fernando Pessoa foi um dos impulsionadores do modernismo em Portugal, deixando um enorme contributo à literatura portuguesa. Porém, há curiosidades sobre a vida deste poeta das quais nem todos têm conhecimento. Por exemplo, alguém sabia que este autor se interessava por assuntos como teologia, astrologia, magia negra, e outras matérias diversas? É verdade.



Desde pequeno, Fernando Pessoa sempre se interessou pela escrita. Aos 6 anos criou o seu primeiro heterónimo, “Chevalier de Pas”, com quem trocava cartas. Viveu na África do Sul onde teve uma infância recatada, pois preferia ficar em casa a estudar autores como Shakespeare, Dickens e Newton, em vez de sair e fazer exercício físico.




Já na adolescência, ambicionou estudar em Cambridge ou Oxford, o que lhe foi negado por ter passado um ano em Portugal com a família, não respeitando assim a condição de ter estudado nos quatro anos antecessores numa escola inglesa. Dado que não conseguiu entrar em nenhuma destas universidades, veio para Portugal e estudou durante dois anos na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Porém, para Pessoa, os estudos não eram suficientemente desafiantes, razão pela qual não obteve sucesso algum nesses dois anos.

Fernando Pessoa trabalhou como empregado de escritório, técnico comercial e tradutor, e foi no âmbito de um destes empregos que inventou a tão conhecida e utilizada expressão “Primeiro estranha-se, depois entranha-se.”, para o anúncio da Coca-Cola, aquando da sua entrada em Portugal. Apesar do seu rendimento acima da média, foram muitas as vezes que o poeta pediu dinheiro emprestado e contraiu dívidas, pois gastava o seu dinheiro em bebida, tabaco, boas roupas e livros importados do estrangeiro.

Durante a sua vida, mudou de casa inúmeras vezes, fazendo-se acompanhar de uma arca onde guardava o que escrevia e onde foram encontrados cerca de 25.000 papéis. Gostava de escrever de pé e durante a noite, escrevendo em todo o tipo de folhas, como por impulso.

Da sua vida amorosa apenas se conheceu uma relação com Ofélia Queirós, que durou 8 meses.

Quando confrontado com o facto de “beber como uma esponja”, Fernando Pessoa brincou, dizendo: “Eu não bebo como uma esponja, bebo como um armazém de esponjas com anexos ao lado”.


Apesar do esforço, conseguiu apenas publicar uma das suas obras, a “Mensagem”, um ano antes da sua morte, com a qual, em vida, apenas ganhou um prémio de segunda categoria.
Fernando Pessoa morreu sozinho, no hospital, com 47 anos, e as últimas palavras que escreveu foram, em inglês, “I know not what tomorrow will bring.” (“Não sei o que o amanhã trará.”).
Ana Varandas, 12º LH

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

[outras histórias, outras leituras] nas páginas da música...

... revisitando a Ópera.


An opera begins long before the curtain goes up
and ends long after it has come down. It starts in my imagination,
it becomes my life, and it stays part of my life long after I've left the opera house.

Maria Callas

     A Google dedica-lhe, hoje, um bonito doodle, conseguindo expressar esse mar de emoções com que a cantora-atriz pisava o palco.


     De uma exigência extrema consigo mesma, a sua versatilidade vocal permitia-lhe a interpretação de papéis dramáticos ou leves e ágeis, mas sempre plenos de sentimento e emoção. E é também aí que reside o fascínio que as suas interpretações continuam a exercer em quem ouve a voz de uma cantora lírica de tão rara beleza.
     Não foi à toa que afirmou «I don't know what happens to me on stage. Something else seems to take over
     Neste pequeno excerto de Carmen, de G. Bizet, durante os minutos da introdução orquestral, Maria Callas consegue transmitir-nos uma imensidão de sentimentos, mesmo antes de começar a cantar.





Maria Callas faria hoje 90 anos.


a insustentável leveza dos ideais

dia 2 de dezembro [dia Internacional para a Abolição da Escravatura]




Mais de seis décadas passaram deste a assinatura, em 1948, da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). Como sabemos, a DUDH procura assegurar um vasto conjunto de direitos sociais, como o direito ao trabalho, à saúde, à educação, entre outros.

Porém, talvez não deixe de ser sintomático que os primeiros direitos contemplados na DUDH sejam direitos individuais, nomeadamente o direito à liberdade. No artigo 1.º é afirmado que todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e no artigo 3.º reafirma-se que os todos os indivíduos têm direito à liberdade. Mas, também se destaca o direito à vida e à liberdade, o que se complementa, no artigo 4.º, com a proibição de existirem pessoas que sejam mantidas em escravatura ou servidão, assim como, artigo 5.º, de infligir tratamentos cruéis, desumanos e degradantes.

Foto: Sebastião Salgado

Num mundo onde a igualdade é tida como um valor social consensualmente aceite e onde a proteção, a segurança, a liberdade são bens dados como adquiridos, pode parecer-nos estranho que ainda seja necessário proibir a escravatura ou a servidão. No entanto, o número de pessoas que, no mundo de hoje, vive em situação de escravidão, é muito superior ao número de pessoas que foram escravizadas e traficadas como escravas. De acordo com dados da União Europeia (EU:2012), cerca de 21 milhões de pessoas são sujeitas a trabalho forçado e são transacionadas como mercadorias. Mesmo nas economias desenvolvidas há pessoas em trabalhos forçados (1,5 milhões nos EUA, Canadá, Japão, Noruega e países da EU), 7,5% do total, centrando-se a exploração escravizada sobretudo na América Latina, no sul da Ásia e em África.



Para além do incrível número de pessoas escravizadas, acresce-se que a circulação das pessoas escravizadas está hoje muito facilitado e o valor pago é extremamente baixo (50 dólares por uma criança no Haiti).

O uso de mão de obra escrava, muita dela usada para pagar dívidas que foram herdadas pela família, é canalizada sobretudo para atividade agrícolas, mendicidade, indústria, prostituição e trabalho doméstico. As mulheres e as crianças de zonas pobres e com pouco acesso à educação têm um risco acrescido de serem aprisionadas numa rede internacional de tráfico humano.



A EU declarou 2012-2016 como anos de combate à escravidão e ao tráfico humano e deu início à implementação de 40 medidas de combate ao tráfico de seres humanos. Essas medidas não contemplam apenas a perseguição de organizações criminosas que agem à escala mundial, mas também um apoio direto às vítimas porquanto estas, uma vez libertadas, continuam a ser sujeitos de risco. Nas medidas a implementar estão estabelecidas cinco prioridades:

- apoio à criação de unidades nacionais responsáveis pela aplicação da lei especializadas no domínio tráfico de seres humanos, uma vez que, com muita frequência, os criminosos não são punidos judicialmente
- criação de equipas de investigação conjuntas e envolvimento da Europol e da Eurojust em todos os casos de tráfico transfronteiriço
- prestação de informações claras às vítimas sobre os seus direitos ao abrigo da legislação da UE e nacional, nomeadamente o direito à assistência e cuidados de saúde, o direito a obter uma autorização de residência, assim como a proteção dos seus direitos laborais
- criação de um mecanismo da UE para melhor identificar, referenciar, proteger e socorrer as vítimas de tráfico
- estabelecer uma coligação europeia das empresas contra o tráfico de seres humanos, para melhorar a cooperação entre as empresas e as partes interessadas.


Para aprofundar este assunto, explore este sítio com entrevistas com vítimas de tráfico e a página da Comissão Europeia para a luta contra o tráfico de seres humanos.



Sugerimos também a leitura de Gente Descartável, disponível na Biblioteca Escolar Clara Póvoa, e a observação do vídeo no qual Kevin Bales apresenta um Ted Talk onde discute formas de combate à escravatura nos dias de hoje.




Comissão Europeia (2012). Combater a escravatura dos tempos modernos: 40 novas medidas para uma estratégia da UE contra o tráfico de seres humanos. Obtido em http://europa.eu/rapid/press-release_IP-12-619_pt.htm em 29.11.2013.

domingo, 1 de dezembro de 2013

saber, para bem viver

dia 1 de dezembro [dia mundial do combate à SIDA]




O que é a SIDA?

A SIDA é uma doença provocada por um retrovírus de ARN que, para se manter ativo, precisa de se alojar nas células. O vírus da imunodeficiência humana (VIH) aloja-se nos linfócitos T CD4, células do sistema imunitário (sistema de defesa do organismo). Estas células sanguíneas são responsáveis pela defesa contra infeções e algumas células cancerígenas.


Ao instalarem-se nos linfócitos, os vírus reproduzem-se de forma assustadora originando novos vírus que invadem novas células (cada vírus pode produzir, por dia, milhões de novos vírus).



Numa fase inicial de contágio, o organismo reage tentando eliminar os vírus. Esta fase de luta interna contra os vírus passa normalmente despercebida às pessoas que foram infetadas e tem um tempo de duração muito variável (meses ou anos). Nesta fase, só é possível identificar os vírus em circulação, através de análise sanguínea específica. Quando o resultado da análise é positivo, o indivíduo portador do vírus é considerado seropositivo para esse vírus.

Caso os vírus “vençam a batalha” o organismo fica muito debilitado por não poder “contar” com este tipo de linfócitos para se defender. Nestas condições, caso entrem no organismo agentes causadores de infeções (bactérias, outros vírus, fungos, etc), o organismo não tem como reagir contra eles e podem então instalar-se infeções graves (como, por exemplo, tuberculose) que podem conduzir à morte. Também as células cancerígenas, que a cada momento se podem formar no nosso organismo, como não são atempadamente destruídas pelo sistema imunitário, acabam por poder evoluir para alguns tipos de cancro que podem ser fatais.


Estas doenças, cuja instalação foi possível graças à debilidade do sistema imunitário provocada pelos vírus, são consideradas doenças oportunistas sendo os seus portadores considerados doentes com SIDA.

Uma pessoa infetada apresenta vírus em todos os fluidos orgânicos: leite materno, sangue, linfa, exsudados e corrimentos vaginais (no caso da mulher), esperma (no caso do homem), saliva, fezes, vomitados, etc..

Como se transmite?

De acordo com o conhecimento atual, apesar de os vírus se encontrarem em todos os fluidos orgânicos de um indivíduo infetado, apenas o sangue, corrimentos e exsudados vaginais, esperma e leite materno são responsáveis pela transmissão da infeção.

O vírus, para se manter ativo, tem que ter acesso e entrar na corrente sanguínea, precisando das células para se poder reproduzir, razão pela qual as invade. Quando no exterior das células e do corpo, o vírus morre rapidamente, em poucas horas.



Quais as formas de contágio?

O contacto com sangue infetado e com objetos que tenham estado em contacto com esse sangue, agulhas, tesouras, giletes, máquinas de barbear e outros utensílios cortantes, quando infetados e posteriormente usados por outros indivíduos, podem contribuir para a propagação do vírus.

Quando se tem relações sexuais com pessoas infetadas e não se usa preservativo de forma correta, existe risco de transmissão. Durante a gravidez através da placenta, durante o parto e, posteriormente, durante a amamentação, existe risco de transmissão de uma mãe infetada para o seu bebé.




Como evitar a propagação do vírus?

O sangue, usado em transfusões sanguíneas ou na produção de derivados usados no tratamento de várias doenças, tem de ser sujeito ao rastreio do vírus, antes da sua utilização. São procedimentos seguros nos países desenvolvidos.

Sempre que for necessário tratar de cortes que envolvam sangue, devem ser usadas luvas descartáveis. Nunca contactar diretamente com sangue de outra pessoa. Estas medidas são medidas universais e devem ser realizadas independentemente de se conhecer ou não o estado de saúde do acidentado. Assim, se forem sempre cumpridas, não haverá risco.

Em caso de derrame de sangue ou vomitado, deve ser vertida lixívia sobre esses materiais. Posteriormente, deve colocar-se papel absorvente e, quando tiver sido efetuada a absorção dos líquidos, todo o material deve ser colocado em dois sacos de plástico que são posteriormente fechados e colocados no contentor geral. O espaço onde ocorreu o derrame deve ser lavado com uma solução diluída de lixivia. Estes procedimentos continuam a ser considerados os mais eficazes na destruição dos vírus.

Objetos cortantes que possam ter estado em contacto com sangue contaminado, não devem ser partilhados, nem mesmo entre os membros da mesma família.Em serviços de manicure, pedicure e barbearia, os utensílios cortantes suscetíveis de ferir a pele, devem ser descartáveis. O ideal será cada pessoa, ao recorrer a esse tipo de serviços, ser portadora dos seus utensílios pessoais.

As agulhas, e todos os utensílios cortantes que tenham estado em contacto com sangue, quando deixam de ter condições para poderem ser usados, devem ser colocados num recipiente de plástico duro (tipo garrafa de água ou refrigerante) que deve ser posteriormente fechado. Através deste procedimento, pretende-se evitar que estes utensílios possam vir a ferir e eventualmente contaminar outras pessoas.

Dada a facilidade de transmissão do vírus através dos fluidos genitais, sempre que existirem relações sexuais (anais, vaginais ou orais), deve ser usado preservativo, particularmente no caso de o parceiro ou parceira serem portadores do vírus.


Quanto maior for o número de parceiros sexuais, maiores serão as hipóteses de transmissão do vírus. Por essa razão, será de toda a conveniência repensar esse tipo de comportamentos. 



A existência de pequenas lacerações, úlceras ou feridas na mucosa vaginal, peniana ou rectal, agravam bastante a possibilidade de infeção pela via sexual. O risco será também maior durante o período menstrual, pelo contacto direto com sangue infetado.


Antes de se engravidar, deve ser feito o teste do VIH. Se por qualquer razão tal teste não foi feito nessa altura, deverá efetuar-se durante a gravidez. No caso de o teste ser positivo, existe medicação que a grávida pode tomar que reduz em mais de 90% a hipótese de contágio do bebé. O parto será geralmente por cesariana, embora possam existir excepções, e a mãe não deverá amamentar. Nascem crianças infectadas por VIH em todos os países, filhos de mães que, geralmente não sabendo que eram portadores do vírus, infetaram os seus filhos durante a gravidez.



A grande traição desta doença estabelece-se assim em três planos:

    Pode contrair-se sem que se tenha conhecimento
    Pode existir sem que se sinta
    Pode transmitir-se

Existem países onde começa a ser alarmante a incidência de SIDA nas camadas mais jovens (12, 13 anos), relacionada com o início precoce de atividade sexual, envolvimento com múltiplos parceiros e associada ao consumo de drogas e álcool.

O que fazer quando se suspeita de eventual contágio?

Em caso de contacto de risco com sangue (sangue com sangue, sangue com mucosas), de violação, de contacto sexual sem proteção com pessoas cujo estado de saúde se desconhece, deve recorrer-se a um Centro Hospitalar e relatar o sucedido. Existe medicação que pode ser tomada até 72 horas após o contacto com fluidos infetados que permitem a destruição dos vírus em mais de 90% dos casos. Caso o tempo de possível contágio seja superior a 72 horas, deve esperar-se um mês e, nessa altura, fazer-se o teste de rastreio. Caso o teste seja negativo, deve repetir-se três meses após o eventual contágio. No caso de o teste continuar a ser negativo, a análise deve voltar a ser feita seis meses após a situação de risco. Se se mantiver negativa, é porque não houve contágio. Caso seja positiva, inicia-se o seguimento em consulta da especialidade.

Qual a situação atual da SIDA em Portugal?


Ao longo dos anos, a descoberta de novos tratamentos possibilita que, na atualidade, a infeção por VIH (SIDA) seja uma doença crónica que permite aos portadores do vírus terem uma longevidade igual à que teriam, caso não fossem infetados. Contudo, tal só poderá acontecer se houver assiduidade às consultas e cumprimento escrupuloso da terapêutica, por forma a não surgirem resistências à medicação.  Estes medicamentos diminuem a capacidade de multiplicação dos vírus (medicamentos anti-retrovirais) e, dessa forma, diminuem a carga vírica dos portadores. Assim, é possível evitar o aparecimento de doenças oportunistas. Por essa razão, a palavra SIDA associada à ideia de doenças oportunistas, deixa de fazer sentido uma vez que os portadores do vírus, desde que identificados e devidamente tratados, não indiciam qualquer aparência que faça suspeitar que são seropositivos.



Para refletir…

Atualmente, a terapêutica anti-retrovírica é gratuita para o doente e de distribuição exclusivamente hospitalar. Um doente sob terapêutica, pode tomar um esquema farmacológico com um valor a partir de cerca de 400 a 500 euros mensais. Contudo, tendo em conta as características do doente e o seu historial clínico e terapêutico, nomeadamente o aparecimento de resistências à terapêutica, este valor poderá ser substancialmente superior.  Por outro lado, existem outros fármacos que são necessários no caso de diagnóstico de doenças oportunistas ou concomitantes. Em situação de internamento, são fornecidos gratuitamente ao doente. Em ambulatório, estes são comparticipados parcialmente pelo Estado.


Face a esta realidade podem colocar-se algumas questões…

Atendendo à situação económica que o país atravessa, será que vai continuar a ser possível comparticipação a 100% destes medicamentos?
Caso essa situação se altere, quantas pessoas deixarão de ter condições para custear o seu tratamento?
Num país em que tanto se reclama da elevadíssima sobrecarga de impostos que cada cidadão tem de pagar, será que não se deveria fazer um investimento maior na prevenção da doença, que pode ser de facto prevenida, para diminuir o peso económico da mesma?

Sabendo nós que…

- a principal via de transmissão continua a ser o contacto sexual,
- a desinibição sexual e as relações sexuais desprotegidas estão frequentemente associadas ao consumo excessivo de álcool e drogas,
- não é possível identificar um portador de infecção por VIH pela sua aparência,
- mas a troca frequente de parceiros é recorrente na sociedade atual,

O que nos reserva o futuro em relação a esta doença?

Será que estamos a agir como uma espécie que se diz ser racional?


A Equipa do Projeto de Educação para a Saúde



sábado, 30 de novembro de 2013

a ler

revisitar Pessoa 78 anos após a sua morte [sugestões de leitura da BECP]



O traço mais distintivo da obra de Pessoa é o de grande parte dela ter sido escrita sob diferentes nomes, sendo que os seus principais heterónimos eram dramatis personae plenamente desenvolvidas, cuja poesia (e, em menor grau, cuja prosa) era escrita em vários estilos, todos eles individuais e característicos. As principais figuras do drama-em-gente de Pessoa – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis – foram concebidos como autores autónomos, não apenas em virtude da singularidade intrínseca dos seus escritos: eles foram criados como indivíduos independentes de um ponto de vista textual e existencial, com trajetórias biográficas e relações interpessoais próprias.
Klobucka Anna M. ; Sabine, Mark (2010). O Corpo em Pessoa- corporalidade, género, sexualidade. Lisboa: Assírio&Alvim.



Falar de Fernando Pessoa é falar de Pessoas, com este ou aquele nome, com ou sem máscara, e tentar compor o puzzle da sua vida, da sua pessoa que, afinal, nem ele próprio conseguiu completar. A sua biografia pouco nos diz sobre a real dimensão do homem e do génio que, 78 anos após o seu desaparecimento, continua a “inquietar” tantos de nós.

Fernando Pessoa por Almada Negreiros

Com efeito, tentar conhecer Pessoa é tarefa que não se esgota no que da sua obra se conhece. Para o encontrar, teremos que o seguir de muito perto, não vá ele escapar-se ou esconder-se sob outro(s) nevoeiro(s ) da sua mutável personalidade. Em cada página, em cada texto, Pessoa renasce como o “ alter ego” de si próprio, na tentativa, sempre frustrada, de se encontrar, ora embrulhando-se no novelo que é o ortónimo, ora desembrulhando-se em alguns heterónimos, num eterno desassossego.



A obra de Pessoa mostra-nos o labirinto do seu “Eu”, através de uma visão fragmentada de um “drama em gente”. A viagem que fez à roda de si mesmo nunca encontrou um porto de abrigo, pois do amor apenas pretendeu que fosse “um sonho longínquo”.
A obra de Pessoa mostra-nos o labirinto do seu “Eu”, através de uma visão fragmentada de um “drama em gente”. A viagem que fez à roda de si mesmo nunca encontrou um porto de abrigo, pois do amor apenas pretendeu que fosse “um sonho longínquo”.

Para revisitar Fernando Pessoa, basta seguir algumas das sugestões de leitura que estão disponíveis na Biblioteca Escolar Clara Póvoa.


Fernando Pessoa, O banqueiro anarquista



“Causa certa estranheza a ideia de que um banqueiro possa ser anarquista, imaginando-se talvez que seja um anarquista não praticante, ou que o seja na teoria, mas não na prática. O banqueiro retratado por Pessoa, contudo, considera toda a sua vida exemplificativa do verdadeiro anarquismo descrevendo como, desde jovem, foi resolvendo diversas contradições e dúvidas até chegar à “técnica do anarquista.”


                                                  Fernando Pessoa, Cartas de amor



Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas



                             Fernando Pessoa, Cartas a Armando Côrtes Rodrigues



“Mantenho, é claro, o meu propósito de lançar pseudonicamente a obra Caeiro-Reis-Campos. Isso é toda uma literatura que eu criei e vivi, que é sincera, porque é sentida, e que constitui uma corrente com influência possível, benéfica incontestavelmente, nas almas dos outros. O que eu chamo literatura insincera não é aquela análoga à do Alberto Caeiro, do Ricardo Reis ou do Álvaro de Campos (o seu homem, este último, o da poesia sobre a tarde e a noite). Isso é sentido na pessoa de outro; é escrito dramaticamente, mas é sincero (no meu grave sentido da palavra) como é sincero o que diz o Rei Lear, que não é Shakespeare, mas uma criação dele. Chamo insinceras às coisas feitas para fazer pasmar, e às coisas, também — repare nisto, que é importante — que não contêm uma fundamental ideia metafísica, isto é, por onde não passa, ainda que como um vento uma noção da gravidade e do mistério da Vida. Por isso é sério tudo o que escrevi sob os nomes de Caeiro, Reis, Álvaro de Campos.”


                                   José Saramago, O ano da morte de Ricardo Reis



Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro de 1935. Fica até Setembro de 1936. Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da heteronímia de Fernando Pessoa. E um movimento inverso, logo a começar: ""Aqui onde o mar se acaba e a terra principia""; o virar ao contrário o verso de Camões: ""Onde a terra acaba e o mar começa"". Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o movimento épico da partida. Mais uma vez, a história na escrita de Saramago. E as relações entre a vida e a morte. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro. Ricardo Reis visita-o ao cemitério. Um tempo complexo. O fascismo consolida-se em Portugal. (In. Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998).


                    Maria Vitalina Leal de Matos, A paixão segundo Fernando Pessoa


Fernando Pessoa publicou na revista Centauro, em 1916, catorze sonetos, que intitulou Passos da Cruz. É inegável a relação que os poemas estabelecem com a Via Sacra. Porém, o hermetismo dos textos, de beleza alucinante, e a ausência de qualquer alusão à devolução referida, dificultam a interpretação. O trabalho de determinar a relação entre os dois «textos» – que revela uma espiritualidade cristã, mas de cariz gnóstico – fez aparecer a possibilidade de uma encenação que se afigura difícil mas vivamente sedutora.


                                           Bernardo Soares, O livro do desassossego



O que temos aqui não é um livro, mas a sua subversão e negação, o livro em potência, o livro em plena ruína, o livro-sonho, o livro-desespero, o anti-livro, além de qualquer literatura. O que temos nestas páginas é o génio de Pessoa no seu auge.

Boas leituras!

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

a ciência também é cultura

assinalar o dia mundial da ciência


“Só duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, mas não estou seguro sobre o primeiro"
 Albert Einstein

A ciência nasceu como uma tentativa de se achar respostas para os questionamentos humanos. Mais do que capaz de satisfazer a curiosidade, mostrou-se gradualmente como uma verdadeira ocupação, inspirando trabalhos de vidas inteiras. Gradualmente a ciência permitiu-nos perceber que, por meio da observação e experimentação, era possível não só compreender o mundo que nos cerca, mas também a nós mesmos. Por sua vez, a relação entre ciência e tecnologia permitiu criar um sem número de meios que permitem melhorar a qualidade de vida dos seres humanos. Para muitos, a ciência e a tecnologia são indispensáveis para a manutenção do progresso.



O Fórum Mundial de Ciência 2013 é a maior e mais importante reunião internacional de cientistas e autoridades de áreas relacionadas à ciência, tecnologia e inovação e terá lugar no Rio de Janeiro, de 25 a 27 de novembro. Contará com a presença de mais de 600 líderes mundiais de mais de 120 países e terá como foco "Ciência para o Desenvolvimento Sustentável Global". O objetivo é promover o diálogo entre cientistas, governantes, líderes culturais e da indústria, entre outros, com o papel de conclamar diferentes atores a trabalharem em conjunto para a constituição de sociedades inclusivas e sustentáveis.

Nos últimos 15 anos, Portugal desenvolveu signitivamente a investigação em ciência com o aumento do investimento, quer público quer privado, tendo obtido bons resultados. Manuel Sobrinho Simões  é um dos cientistas mais conhecidos do país. Há quase 25 anos que o instituto que dirige, , e fundou, Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto , é uma referência na investigação do cancro em Portugal.

O Dia Nacional da Cultura Científica foi instituído para comemorar o aniversário do nascimento de Rómulo de Carvalho, notável professor de Física e Química, e divulgar o seu trabalho na promoção da cultura científica e no ensino da ciência. São várias as instituições que assinalam estes dia. Um deles é  Centro Ciência Viva da Universidade de Coimbra  que também assinala o aniversário do nascimento de Rómulo de Carvalho, patrono do Dia Nacional da Cultura Científica. 

A fim de despertar a curiosidade acerca do mundo que nos rodeia e criar um sentimento de admiração e interesse pela ciência, escolas e agrupamentos de escolas através da sua Biblioteca Escolar celebram este dia. 



Muitas bibliotecas de escolas e agrupamentos de escolas assinalam a efeméride promovendo, simultaneamente, a importância da descoberta e do conhecimento científico para o desenvolvimento da humanidade e da leitura. Também municípios através do departamento da cultura comemoram este dia.


terça-feira, 26 de novembro de 2013

a ler...

a propósito do salazarismo em Portugal [sugestões de leitura da BECP]




Conhecer a nossa história é um importante passo para compreendermos o presente e projetarmos o futuro.

Fazermos mais e melhor pressupõe que conseguimos compreender o percurso que nos trouxe até ao momento, a história de um país onde homens e mulheres lutaram pela liberdade, pela dignidade humana, por construir um país mais solidário e mais igualitário.

Saber a nossa história é tão importante como saber de que é constituída a matéria, pois a história molda a matéria dos nossos sonhos.

Ficam, por isso, aqui duas sugestões de leitura que a Biblioteca Escolar Clara Póvoa proporciona.


Salazar e o Holocausto 
de Irene Flunser Pimentel e Cláudia Ninhos, Círculo de Leitores





Os últimos presos do estado novo. Tortura e desespero em vésperas do 25 de abril 
de Joana Pereira Bastos, Oficina do Livro


Boas leituras!