sexta-feira, 30 de maio de 2014

a insustentável leveza dos ideais

a propósito do dia 21 de maio [dia internacional para o desenvolvimento cultural]



Pascal, físico, matemático e filósofo francês do século XVII, refere na sua obra, Pensamentos, que o homem não é senão um “roseau" pensante. O homem reconhece-se como o mais frágil, mais desamparado de todos os animais mas, é a consciência dessa fragilidade que o impele a superar as suas limitações. O homem compensa a sua debilidade com a capacidade de produzir cultura e através da cultura ele procura superar os seus limites, traçando objetivos que o levam a inventar o futuro.



A cultura é um conjunto de manifestações materiais e imateriais que refletem a especificidade de um grupo de indivíduos na sua maneira de sentir, pensar e agir. Ela engloba o saber, as crenças, os valores, a moral, as leis e os costumes e todas as capacidades do ser humano adquiridas no decurso da sua socialização.

O homem como produtor/produto de cultura procura, a partir das suas ações, realiza-se numa exigência de perfeição e de autonomia. Ele é por natureza um ser cultural que herda um passado que atua sobre ele e o condiciona, mas projecta-se para um futuro, influenciando a construção de um presente. Ele cria assim, novas possibilidades, transformando o mundo, humanizando-o e humanizando-se a si mesmo e, neste processo, vai contribuindo para uma mudança e evolução cultural que recebe as influências exercidas por outras culturas. 



Estamos na era da globalização e as formas de comunicação interculturais assumem um papel preponderante na atualidade. O contacto e o intercâmbio cultural entre diversas sociedades deve permitir que estas sejam mais abertas, mais solidárias entre si, receptivas à diferença, condenando o etnocentrismo, o genocídio, o racismo e a xenofobia.

Diz-nos Jean-Pierre Changeux,
O progresso das nossas sociedades, se se quiser aceitar o termo, será função duma “partilha das oportunidades” com que cada cultura se depara no seu desenvolvimento histórico.
 Essa evolução alargar-se-á pela admissão de novos parceiros e por uma diversificação interna: ela será o fermento do desenvolvimento histórico da humanidade futura. A partir de agora, não se trata mais de viver ao lado uns dos outros, em comunidades distintas e impenetráveis. Bem pelo contrário, é necessário que, no seio duma sociedade comum, se estabeleçam novos contactos que assegurem confrontações, intercâmbios, novas sínteses, em suma, que sejam fonte de vitalidade e de inovação. (Changeaux, 1999, p. 29)
Emília Laranjeira 

Referências bibliográficas:      
Changeux, J. (1999). Uma Mesma Ética Para Todos? Lisboa: Instituto Piaget, p.29.



quinta-feira, 29 de maio de 2014

a ciência também é cultura

dia 29 de maio [energias alternativas, a propósito do dia mundial da energia]


                                                                               
A 29 de maio assinala-se anualmente o Dia Mundial da Energia, efeméride ambiental que pretende sensibilizar a população em geral e os líderes mundiais, para a importância de poupar energia e para a promoção das energias renováveis mais amigas do ambiente, em substituição das não renováveis e energias fósseis, altamente poluentes e prejudiciais para a própria vida na Terra.
Este dia foi criado em 1981 numa iniciativa da Direção Geral de Energia.
Esta comemoração tem por finalidade, também alertar sobre os impactos ambientais advindos da geração e a importância de preservar os recursos naturais.

                                                    


Nos tempos recentes, o acesso à energia continua a ser um meio importante para a existência humana, uma vez que é necessária para a satisfação das necessidades básicas, como também para a mobilidade e comunicações.
O aproveitamento das energias renováveis em alguns espaços rurais, poderá ser o motor necessário para a viabilidade económica dos mesmos.

                                                         


Uma fonte de energia é renovável quando não é possível estabelecer um fim temporal para a sua utilização. É o caso do calor emitido pelo sol, da existência do vento, das marés ou dos cursos de água.
O tema das energias renováveis é deveras abrangente, não só pela quantidade de novas energias alternativas, mas também devido às grandes aplicações e modos de utilização existentes.
Sendo as energias renováveis consideradas uma nova tecnologia a discussão em torno deste assunto é polémico.
Não se deve considerar e debater as vantagens e desvantagens das energias renováveis como um todo, mas sim conhecer as ramificações de cada tipo de energia renovável, assim como as suas particularidades.
As energias renováveis são virtualmente inesgotáveis, mas limitadas em termos da quantidade de energia que é possível extrair em cada momento.

Cada vez mais se defende a ideia de que um modelo energético sustentável tem de se basear nas energias sustentáveis, quer estejamos a falar no combate ao efeito de estufa, quer na redução da dependência de fontes energéticas externas.
As fontes de energia alternativa têm muito para oferecer a um país como o nosso, rico em recursos naturais renováveis, como o sol, o vento, as ondas, entre outros.






As preocupações ambientais têm necessariamente de ser uma exigência da humanidade. Temos de nos empenhar em preservar o meio que nos rodeia e em encontrar formas alternativas limpas e económicas de produzir energias. É esta a herança que devemos aos nossos filhos e gerações vindouras.

Em 2013 a produção de eletricidade a partir de fontes renováveis em Portugal foi responsável por 58,3% do total energia elétrica consumida, com um aumento de 20% em relação a 2012. Considerando apenas a produção nacional, a contribuição das renováveis cifrou-se no valor recorde de 61,7%.

"Devíamos olhar para as renováveis como uma fonte independente de energia e a Europa pode liderar isto"

                                                       


Quinta feira, dia 29 de maio pense que este pode ser o primeiro dia do resto da sua vida, para começar a ser um exemplo para os outros na poupança de energia, e olhe que não é assim tão difícil como parece.

                                                  


Neste âmbito municípios, por vezes com a colaboração de instituições como a DECO, escolas e agrupamentos de escolas comemoram este dia promovendo a realização de sessões de sensibilização ambiental.
Paula Neves

Referências bibliográficas:
Botelho, T. (2013, setembro 14). 3º Seminário Nacional de Energias Renováveis e Eficiência   Energética acontece no Rio em Outubro de 2013 [Imagem]. Em http://edifacoesverdes.blogspot.pt/2013/09/3-seminario-nacional-de-energias.html

Camara Municipal de Loulé (s/d). Dia Mundial da Energia (29 de maio). Disponível em http://www.cm-loule.pt/menu/729/dia-mundial-da-energia.aspx

Gonçalves, A.M. (2014, maio 23).Notícias- energias renováveis. Em http://www.apren.pt/noticias/detalhes.php?id=959

Quercus. (2014, janeiro 14). Portugal atingiu valor recorde do século na produção de eletricidade renovável e de emissões de CO2 evitadas. Em http://www.quercus.pt/comunicados/2014/janeiro/3297-portugal-atingiu-valor-recorde-do-seculo-na-producao-de-eletricidade-renovavel-e-de-emissoes-de-co2-evitadas

Magro, C. (s/d). A importância das energias renováveis para a sustentabilidade em espaço rural. Encontro de Educação Ambiental. Em http://www.aspea.org/19CeCarlosMagro.pdf

s/a (2012,maio 29). Dia Mundial da Energia: 29 de maio. Move. Veja em http://e-move.tv/noticias/dia-mundial-da-energia-comemora-se-esta-terca-feira

 s/a (2011,janeiro 22). Algumas imagens de energias renováveis. Em http://grupo5-energiasrenovaveis.blogspot.pt/2011/01/algumas-imagens-das-energias-renovaveis.html

s/a (2013, maio 29). 29 de maio – Dia mundial da Energia. Carmehil. Em   http://carmehil.wordpress.com/2013/05

s/a (s/d). Dia Mundial da energia. Jornal ”Piropo” Online. Em http://piropo.wordpress.com/category/dia-mundial/

s/a (s/d). Sobre As Energias Alternativas. Portal do ambiente e do cidadão. Veja em http://ambiente.maiadigital.pt/ambiente/energia/mais-informacao-1/sobre-as-energias-  alternativas

s/a (s/d). Energias alternativas. Em http://enalternativas.no.sapo.pt/

s/a (2010, março 5). Vantagens e desvantagens das energias renováveis. Portal Energias,  energias renováveis. Disponível em http://www.portal-energia.com/vantagens-e-desvantagens-das-energias-renovaveis/

terça-feira, 27 de maio de 2014

da leitura à escrita...


... um percurso de aprendizagem.


«Os livros têm grande importância em nossas vidas
não só porque auxiliam na construção de nosso conhecimento,
mas também porque nos trazem palavras de encanto,
doçura e suavidade.»

Francis Bacon

Ainda a propósito da rubrica do programa de Português "Contrato de leitura", aqui ficam mais algumas impressões e descobertas colhidas no folhear de páginas e vivências.



da leitura à escrita



             [para ler os textos, amplie o ecrã em modo de tela cheia]


«Leia um bom livro e seja feliz, delicie-se na imortalidade da literatura, viva de páginas, frases e esperança.»
Karina Caprio


segunda-feira, 26 de maio de 2014

a ler... em férias - ensaio



«The human mind prefers to be spoon-feed with the thoughts
of others, but deprived of such nourishment it will, reluctantly, begin
to think for itself - and such thinking, remember,
is original thinking and may have valuable results.»

Agatha Christie

   O uso incontrolado das aplicações técnicas da ciência, nomeadamente, por padrões éticos que tivessem em consideração o respeito pela sustentabilidade da vida e do planeta Terra, levaram a uma incompreensão do que é a ciência. Algumas posições mais fundamentalistas veem na ciência uma perda do mistério da natureza.
  Porém, como defende Richard Dawkings, um dos grandes paladinos da divulgação científica, "o sentimento de respeito deslumbrante que a ciência nos pode oferecer é uma das experiências mais notáveis da mente humana. É uma profunda paixão estética que tem o seu lugar entre o melhor que a música e a poesia podem proporcionar. É verdadeiramente uma das coisas que fazem com que  a vida mereça ser vivida" (Dawkings, 2000, 10).


Isabel Bernardo

Aqui ficam mais alguns desafios para descoberta... através da leitura.




Referência bibliográfica:
Dawking, R. (2000). Decompondo o arco-íris. Lisboa: Gradiva.

domingo, 18 de maio de 2014

a ler... em férias - romance...



«What a miracle is that out of these small, flat
rigid squares of paper unfolds world after world,
worlds that sing to you, comfort and quiet or excite you.
Books help us understand who we are and how we are to behave.
They show us what community and friendship mean;
they show us how to live and die.»

Anne Lamott

     Quando anoitece, preenche-nos um sentimento de um dia bem conseguido. 
     O sol põe-se. Na plenitude de uma varanda debruçada sobre o mar, ouvem-se as cigarras e os grilos.
    Com um romance nas mãos, entra-se no imaginário de olhos bem abertos, à procura da completude perfeita de mais um dia.

Isabel Bernardo


Aqui ficam algumas sugestões de leitura... evasão... sonho... romance...

sábado, 17 de maio de 2014

a propósito do Dia Internacional dos Museus

um hino à memória dos feitos humanos


O ramo de flores no museu

Ó Cinérea Princesa, as vossas flores
Ficarão para sempre mais perfeitas,
Já que o tempo extinguiu brilho e cores

Já que o tempo extinguiu a habilidosa
Mão que levou, serenas e discretas,
A tulipa sucinta e ardente rosa.

Não há mais ilusão de outra presença
Que a do Amor que inspirou graças tão finas
Que ninguém viu e que ninguém mais pensa
Porque o homem e o mundo são de ruínas.
E este ramo de pétalas franzinas,
Leve, liberto da mortal sentença,
Tinha, ó Princesa, fábulas divinas
Em cada flor, sobre o nada suspensa.
Cecília Meireles


Ser com consciência do tempo e da morte, o Humano aspira à eternidade.
Perecível, guarda o que, de outra forma, seria corrompido pelo tempo.


Depositários do que a humanidade acrescenta à natureza, os Museus são símbolos da cultura, mensagens que atravessam o tempo em direção aos vindouros.
Memórias do passado, são alicerces do futuro.

Ficam aqui alguns Museus, para visitar virtual e pessoalmente.




quinta-feira, 15 de maio de 2014

Porque a ciência também é cultura

a vida no universo [a propósito do planeta Kepler 186f]

 
A Agência Espacial Americana (NASA) anunciou recentemente a descoberta do Kepler-186f, um planeta mais ou menos do tamanho da Terra, no qual, pensa-se, há grandes hipóteses do planeta ter água no estado líquido, uma das condições fundamentais para a existência de vida sobre a sua crosta.
 
Figura 1 - Edifício da NASA
Figura 2 - Imagem do planeta Kepler 186F
 
                          
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quanto mais planetas são descobertos, maior é a probabilidade de encontrar planetas semelhantes ao nosso. Assim sendo, os astrónomos acreditam que aumente também a probabilidade de encontrar vida noutros lugares do universo.
A definição de vida, é porém, muito complexa e está longe de consenso entre os cientistas. O estudo da vida na Terra, o único tipo conhecido até hoje, mostrou que, apesar da grande biodiversidade terrestre, todos os seres são similares: são feitos de células ou, como os vírus, dependem delas; usam ácidos nucleicos como o DNA para armazenar e transmitir informação genética; e possuem um metabolismo similar.
Mas não é impossível a existência de outros tipos de vida espalhados pelo universo. Afinal, mesmo a Terra guarda muitos organismos que ainda são enigmas para os cientistas. Em 2010, pesquisadores da NASA encontraram uma bactéria num lago da Califórnia, nos Estados Unidos, que se comportava como um ser extraterrestre: não usava nenhum dos seis elementos fundamentais à existência, mas sobrevivia a partir de arsênio, um elemento altamente tóxico.
 
No Kepler-186f, um ano dura 130 dias. O novo planeta gira em torno de uma estrela chamada Kepler-186, na constelação de Cisne, a uns 500 anos-luz da Terra. A Kepler-186 é uma estrela anã vermelha. Estrelas desta categoria têm menos de metade da massa do Sol. Na sua órbita, há outros planetas além deste “novo primo da Terra”. Mas não há indícios de vida em nenhum deles, porque estão muito perto da estrela, onde é demasiado quente.
Figura 3 - Representação esquemática dos planetas Kepler e Terra
 
 
Planetas que orbitam em torno de estrelas fora do Sistema Solar não são novidade na astronomia. Só em zonas habitáveis, regiões onde as condições para a vida são mais favoráveis, há pelo menos 20 planetas já conhecidos. Mas, em comparação com outros, o Kepler-186f está em vantagem, pois tem dimensões muito próximas às do mundo onde vivemos, deve ser rochoso e composto também de ferro, água e gelo, tal como a Terra. Segundo alguns cientistas, isso significa que a sua atmosfera também deve ser parecida com a nossa. Não está muito próximo, nem muito distante da sua fonte de calor e luminosidade, o que faz com que suas temperaturas não sejam extremas. Essa é uma das características que mais empolgou a comunidade científica.
Na Via Láctea não há apenas uma Terra. Há 40 biliões delas. O Kepler-186f, planeta fora do Sistema Solar muito semelhante ao nosso, provavelmente será conhecido como o primeiro dessa espécie. Num futuro próximo, muitos planetas parecidos com a Terra serão revelados pelos astrónomos.
 
 
 
Figura 4 - Representação da Via Láctea vista de cima.
Na Via Láctea, muitos planetas, além da Terra, podem abrigar vida
Para cientistas, o Kepler-186f foi apenas o primeiro planeta parecido com a Terra a ser descoberto na Via Láctea.
 O avanço da ciência espacial permite concluir que a pergunta que há milénios nos intriga “ Estamos sozinhos no universo? “ Não tem resposta.
                                                                

Paula Neves
 
Referências bibliográficas:
Loiola, R. (2014, abril 27). Uma galáxia com 40 biliões de Terras. Veja. Em http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/uma-galaxia-repleta-de-terras 
Cohen, O. (2014, abril 17). Kepler 186f: NASA descobre novo planeta que pode abrigar vida. Superinteressante. Em http://super.abril.com.br/blogs/supernovas/2014/04/17/nasa-anuncia-que-kepler-186f-novo-planeta-descoberto-pode-abrigar-vida/
s/a (s/d), Astrônomos anunciaram descoberta de Kepler 186f planeta habitável igual à Terra.  Sortimentos.com. Em http://mais.sortimentos.com/astronomos-anunciam-descoberta-de-kepler-186f-planeta-habitavel-igual-a-terra/
 

quarta-feira, 14 de maio de 2014

saber, para bem viver

dia 13 de maio [dia mundial do melanoma]

 
Pele, radiação UV e melanoma
 
Considerado o órgão de maior área do nosso corpo, a pele estabelece a fronteira entre o interior, onde deve reinar o equilíbrio, ainda que dinâmico, e o exterior, que nos proporciona algumas das condições fundamentais, para que esse equilíbrio seja atingido.
Na pele localizam-se importantes glândulas, sudoríparas e sebáceas cujas secreções contribuem para controlar a temperatura corporal (glândulas sudoríparas) e a hidratação cutânea (glândulas sebáceas). A pele íntegra e as respetivas glândulas são fundamentais na construção de um mecanismo de barreira integrado na imunidade não específica (proteção do organismo contra agentes patogénicos externos).
É também na pele que se localiza um lípido (gordura) – ergosterol, que pode ser convertido em vitamina D por ação da radiação solar. Esta vitamina, é fundamental na absorção do cálcio a nível do intestino e na sua deposição ao nível dos ossos, o que contribui para o seu fortalecimento.
Na pele – figura 1, localizam-se também células produtoras de melanina (pigmento de cor escura) – melanócitos, cuja produção é fundamental para nos proteger da radiação UV (ultra violeta), sejam os UVA ou os UVB. A quantidade de melanócitos existentes na pele não difere significativamente de pessoa para pessoa.
 
Figura 1
Contudo, nas pessoas de pele mais escura a produção de melanina é superior à que se verifica nas que têm pele mais clara. Estas adaptações estão associadas à latitude. Em países de menor latitude onde a radiação solar é mais intensa, as populações originais apresentam pele mais escura, já as populações originárias de países de maior latitude, apresentam normalmente pele mais clara. Daqui se conclui que, o modo de proteção relativa aos raios UV, difere muito de indivíduo para indivíduo, razão que nos deve levar a refletir sobre a atitude diferente que cada um deve assumir, quando apanha sol.
Sendo um órgão que contacta sistematicamente com meio, a pele está sujeita às mais variadas agressões, razão pela qual a devemos proteger de forma conveniente. Quando apanhamos sol, os melanócitos são estimulados a produzir melanina. Em resultado dessa produção a pele torna-se mais escura, dizemos que fica bronzeada. Porém, se apanharmos sol em demasia, em vez de um bronzeado, podemos apanhar um “escaldão”. Em resultado da interação da radiação UV, (radiação considerada mutagénica) com os melanócitos, ou com outras células da pele, podem resultar danos no seu DNA (informação genética) que, pode ter como consequência uma desregulação nos mecanismo de divisão celular. Assim, estas células, que se encontram programadas geneticamente para se dividirem com determinada frequência, podem passar a dividir-se mais vezes originando agregados celulares – tumores, cujas células danificadas podem continuar no seu local de produção ou migrar, através do sistema circulatório, para outros locais onde se podem vir a desenvolver novos tumores. Quando os tumores são malignos denominam-se cancros e o processo de disseminação através do sistema circulatório é designado por metastização. Melanoma é a designação atribuída ao cancro que resulta da desregulação da divisão dos melanócitos.
O melanoma é o tipo de cancro da pele mais grave. Em Portugal surgem, anualmente, cerca de 700 novos casos de melanoma maligno.
Nos países ocidentais, todos os anos o melanoma tem aumentado.
As consequências da ação do sol e de outros fatores sobre a pele, está bem patente quando, em pessoas de meia idade, se compara a pele de áreas mais expostas com outras que, só excecionalmente o são – figura 2.          
 
Figura 2
É notório o envelhecimento da pele em áreas mais expostas, sobretudo ao sol. Por outras palavras, apesar da exposição solar ser muito benéfica, em excesso, pode tornar-se prejudicial.
Que cuidados devemos então ter, para podermos usufruir dos benefícios do sol sem que sejamos vítimas dos danos que o mesmo nos pode causar?
 
 
Malefícios do sol
 
As alterações que ocorrem na pele pela exposição ao sol são, além do bronzeado e queimadura já referidos: sardas, reações de fotossensibilidade, imunossupressão, etc. Quanto maior for a exposição solar ao longo da nossa vida, maior é a propensão para o aparecimento de manchas, rugas, perda de elasticidade e envelhecimento da pele. As alterações mais graves são as que se relacionam com o aparecimento de cancros da pele: carcinoma basocelular e espinocelular e melanoma, entre outros. De todos estes tipos de cancro o mais mortífero é o melanoma, contudo, todos são curáveis desde que identificados numa fase precoce do seu desenvolvimento. Por essa razão, é muito importante a vigilância regular de sinais que apareçam na pele mesmo na que se encontra coberta por pelos e cabelos.
 
Cuidados com o sol
 
Independentemente da idade e da cor, todos precisamos de nos proteger do sol. Contudo, os bebés, crianças pequenas, pessoas com pele branca, olhos claros, cabelo vermelho, sardas, pele muito sensível ao calor, ou portadoras de determinadas patologias cutâneas, devem redobrar essa proteção. Para nos protegermos do sol devemos ter em conta que:
- não se deve apanhar sol entre as 10 e as 16h quando a radiação solar é intensa;
- nesta altura do dia devemos procurar lugares com sombra;
- devemos usar roupa escura capaz de absorver a radiação UV e dessa forma evitar que a mesma atinja a pele;
- em alternativa devemos usar vestuário de malha apertada capaz de proporcionar idêntica proteção;
- devemos usar sempre protetor solar quando realizamos atividades ao sol, mesmo não estando na praia. Este, deve ter um fator de proteção ajustado em função das características da pele e da idade de cada um. Em crianças o factor de proteção deve ser 30 ou mais. Deve ser aplicado 15 a 30 minutos antes da exposição solar e reaplicado quando se transpira ou nada, ou pelo menos de 2 em 2 horas. Deve prestar-se particular atenção à proteção das mãos, ombros, orelhas, pescoço, nariz, pés, lábios e a área em volta dos olhos. Deve evitar-se o contato com os olhos e pálpebras. Os protetores solares não devem ser aplicados em bebés com menos de 6 meses.
Figura 3
 
- o protetor solar deve também ser usado em dias quentes de céu nublado já que as nuvens não nos protegem das radiações UV pelo que, mesmo sem sol, podemos ser atingidos por elas ou mesmo sofrer queimaduras graves;
- quanto maior a altitude mais intensa é a radiação ultravioleta razão pela qual devemos ter cuidado quando nos encontramos nesses locais;
- a água, areia e neve são altamente reflexivas e por essa razão a radiação alcança a pele mesmo na sombra;
- devemos ter muito cuidado com a neve em dias de sol;
- devemos usar óculos de sol com proteção UV e chapéu de abas lagas que possa proteger a face e o pescoço. No caso de usar boné deve ser de pala larga que deve ser ficar virada para a frente.

 Julieta Marques, Projeto PES

segunda-feira, 12 de maio de 2014

a ler... em férias - aventura, mistério, policial, fantástico...



                                                     «You should never read just for "enjoyment."
Read make yourself smarter! Less judgmental. More apt to
understand your friends' insane behavior, or better yet, your own.
Pick "hard books." Ones you have to concentrate on while reading.
And for god's sake, don't let me ever hear you say "I can't read fiction.
I only have time for the truth."
Fiction is the truth, fool!
Ever hear of "literature"? That means fiction, too, stupid.»

John Water

Suspende-se o tempo nas tramas do mistério, enquanto o sangue corre veloz.
Esquecem-se as horas e os afazeres e apenas fica o desejo, contraditório, de avançar mais uma página, em direção ao fim, e o querer que a emoção da descoberta não termine.

Por detrás da sombria natureza humana, capaz dos crimes mais hediondos, está a luz do castigo, a crença de que o mal nunca sairá impune.
O detetive, ainda que contaminado, traz a luz pela qual se anseia, o fim. E tudo fica bem.

Isabel Bernardo





quarta-feira, 7 de maio de 2014

a ler... em férias - contos


                                                             «Não há uma única forma de ler bem, apesar de existir uma razão fundamental para ler.»
Harold Bloom
    
    São as histórias que nos fazem, é a fantasia que nos alimenta a alma, são as memórias que nos constroem. Mas somos nós que decidimos como queremos ser construídos e com quê. É por isso que somos humanos.

    Os contos, pequenas histórias maravilhosas, fantásticas ou realistas, num instante nos transportam para um mundo imaginário, quão breve nos devolvem à realidade, ou de imediato nos puxam para dentro de outro universo... Leituras convidativas à preguiça de verão, em breves instantes à sombra da esplanada, entre banhos de mar e carícias de sol… Prazeres breves, como os de um delicioso sorvete...

Isabel Bernardo / Leonor Melo
Aqui ficam algumas sugestões.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

a propósito de Saramago...



                                                                               ... Era uma vez um rei que fez promessa de levantar um convento em Mafra.
                              Era uma vez a gente que construiu esse convento.[...]

José Saramago 


   “Juntam-se os homens que entraram hoje, dormem onde calhar, amanhã serão escolhidos. Como os tijolos. Os que não prestarem, se foi de tijolos a carga, ficam por aí, acabarão por servir a obras de menos calado, não faltará quem os aproveite, mas, se foram homens, mandam-nos embora, em hora boa ou hora má, Não serves, volta para a tua terra, e eles vão, por caminhos que não conhecem, perdem-se, fazem-se vadios, morrem na estrada, às vezes roubam, às vezes matam, às vezes chegam.” (Saramago, 2005, p.307)

   Em Memorial do Convento, os homens são, de facto, como tijolos, simples peças da vontade megalómana de um rei e do poder inquisitorial. Quando não servem ou incomodam são eliminados e deles não rezará a História. Mas a História também não denunciará as vidas que se perderam e os sacrifícios vividos pela gente anónima que construiu o Convento de Mafra.
   A epopeia da construção do Convento apresenta o seu herói, trágico e universal. Apesar de esmagado pelo poder instituído, este consegue encontrar uma energia renovadora no sonho e no amor.

   Dos seus sonhos, a História também não falará. Cabe ao escritor a responsabilidade de reescrever a História para que esta se perpetue na memória dos homens: “ (…) tudo quanto é nome de homem vai aqui, tudo quanto é vida também, sobretudo se atribulada, principalmente se miserável, já que não podemos falar-lhes das vidas, por tantas serem, ao menos deixemos os nomes escritos, é essa a nossa obrigação, só para isso escrevemos, torná-los imortais, pois aí ficam, se de nós depende, Alcino, Brás, Cristóvão, Daniel, Egas, Firmino, Geraldo, Horácio, Isidro, Juvino, Luís, Marcolino, Nicanor, Onofre, Paulo, Quitério, Rufino, Sebastião, Tadeu, Ubaldo, Valério, Xavier; Zacarias, uma letra de cada um para ficarem todos representados (…)". (Saramago, 2005, p. 250)
                                                              
                                                                                          Madalena Toscano

Referência bibliográfica:
Saramago, J. (2005). Memorial do convento. Lisboa: Caminho.


sexta-feira, 2 de maio de 2014

da Liberdade às promessas...

... Ser Livre é uma construção.


Livre não sou
Que nem a própria vida
Mo consente.
Mas a minha aguerrida
teimosia
é quebrar dia a dia um
grilhão da corrente.
         
  Miguel Torga

   O homem é, como os restantes animais, condicionado pela sua herança biológica. Mas, ao contrário dos restantes animais, que possuem uma natureza dada que lhes permite sobreviverem e adaptarem-se ao meio, a natureza humana é essencialmente cultural e as potencialidades que o homem herdou só se concretizam na interação com o meio humano. A natureza humana é assim, resultado de uma construção em que os aspetos biológicos e socioculturais se encontram indissociáveis, estando claramente presentes na expressão O homem é um ser bio-sócio-cultural.
   O condicionamento a que o homem está submetido, quer por parte da natureza, quer por parte da história, é pesado, mas não é total. Ao contrário dos restantes animais, o homem tem a possibilidade de decidir e de optar.
   O poeta, Miguel Torga, refere no seu poema o condicionamento natural, mas dá ênfase a uma vontade constante que o homem tem em quebrar as amarras, em construir a sua própria história. Faz-nos pensar no homem como um ser em construção, e portanto incompleto, que faz da vida um caminhar contínuo na procura do aperfeiçoamento de si.
Para o ser humano, o futuro não está completamente determinado, ele está em aberto e, como ser livre que é, o seu percurso é falível, errático; mas errar é humano e os erros não o condenam, servem de aprendizagem possibilitadora de deliberações mais acertadas que lhe permitem melhores opções.
   Ser livre não é fazer o que se quer, a liberdade de agir está sujeita a limitações que, se por um lado restringem a ação, por outro, permitem a liberdade de agir de outros homens. Apesar de inúmeros obstáculos que nos oprimem, ser livre é conseguir crescer, optando pelo bem, pelo melhor. Somos sempre os obreiros da nossa vida, os protagonistas da nossa existência e esta terá o valor que lhe conferirmos. 

Emília Larangeira



quinta-feira, 1 de maio de 2014

Direito e trabalho

[a propósito do dia 1 de maio, dia do trabalhador]


Normalmente, a ausência de dor é apenas a condição física necessária para que o indivíduo sinta o mundo; somente quando o corpo não está irritado, e devido à irritação voltado para si mesmo, podem os sentidos do corpo funcionar normalmente e receber o que lhes é oferecido.
Arendt, H. (2001). A condição humana. Lisboa: Relógio d´Água, p. 137.

(…)
crateras escavadas
no espírito e através
das quais, incandescentes, as imagens
do mundo sobre ele próprio se derramam

como uma lava espessa, esses sentidos
que, como aéreos
estigmas, nos imprimem
na carne a cicatriz do céu, a indecisa
maneira de as imagens

do mundo se guindarem
mais alto do que a alma ou o alento
de quem dentro de nós
aviva a sua chama. O que nos sai
do coração vem a ferver.

(…)
«Nas tuas mãos começa o precipício».

Nava, L. M. (2002). Poesia completa 1978-1994. Lisboa: Publicações D. Quixote.

Na canção ideário do 25 de abril de 74, Sérgio Godinho cantava que só haveria liberdade a sério se houver a paz, o pão, saúde e educação e trabalho. O trabalho surge, assim, como um direito, constitucionalmente reconhecido. No reverso, o desempregado, o inativo, sente-se em falha, sente uma falta que urge ultrapassar.

O labor (a necessidade de alimentar e de prover ao copo) e o trabalho (a fabricação que se acrescenta ao mundo e que em parte o destrói, pela não restituição do que é retirado para produção) surgem-nos como uma imposição.

Um homem em luta com a natureza e consigo próprio. As muitas fotografias de Sebastião Salgado (economista de formação e fotógrafo de vocação) mostram-nos imagens do trabalho como uma realização dolorosa. Na luta pela sobrevivência ou contra os elementos, o trabalho é-nos retratado como algo de profundamente penoso, doloroso, que parece reduzir parte da humanidade, sem atendermos à cor da pela ou origem, a um estado de mineralidade.



Porque consideramos, então, o trabalho como um direito e, mais do que isso, um desejo?

Na sua luta com a natureza, o trabalho, entendido como fabricação, traduz o desejo do homem de vitória, de superação, de controlo das forças que o ultrapassam. Na sua luta consigo próprio, o trabalho traduz no homem a capacidade de desejo, de vontade e de inteligência em se superar. O produto do trabalho, pela sua durabilidade, impõe-se para lá da morte. O trabalho é, assim, parte constituinte do projeto que é o Homem.



Na sua luta com a natureza, o trabalho, entendido como labor, significa a possibilidade de sobrevivência, de satisfação das possibilidades básicas. Na sua luta consigo próprio, o trabalho significa o contacto e o reconhecimento do outro, a inserção na teia social sem a qual não há ação nem possibilidade de ser para além da morte.

Assim, e apesar do esforço e da tensão, o trabalho é um dos instrumentos de criação do projeto em que cada um, como humano, se procura ver reconhecido e, por isso, entendido como um direito.
Isabel Bernardo