segunda-feira, 11 de abril de 2016

a ler...


 

                                           ...a Gândara e os seus escritores



A região da Gândara está geograficamente situada entre o norte do concelho da Figueira da Foz e o sul do concelho de Vagos e integra a maior parte da área dos concelhos de Mira, Cantanhede e de Montemor-o-Velho. Existem vários autores que, ao caracterizarem a região, não são consensuais quanto aos reais limites geográficos desta mesma Gândara. Quanto a características “sui generis” da população gandareza também existem vários autores que as identificam, mas aqui as semelhanças são mais consensuais – população pobre, que viveu maioritariamente da agricultura complementando-a com a atividade florestal (pinhal) e o vinhedo.

Sem menosprezar outros autores, Carlos de Oliveira e António Canteiro talvez sejam os autores que melhor retratam a Gândara na sua grandeza:


Febres

Os campos adormecem, sonolentos,
a tarde morre em êxtase, também,
sob a carícia duns fulgores sangrentos
que o sol derrama, a naufragar, além…

Trindades a soar, em mil lamentos,
no silêncio sem par da terra rica!
-Gemido bronzeo que se perde aos ventos,
que em nossa alma eternamente fica!

Abanam lentamente os pinheirais …
É a brisa a gemer em ternos ais
toda a poesia desta minha aldeia!

Enxada ao ombro passa um cavador
e eu desabafo a minha eterna dôr:
-Quem me dera comer da tua ceia!
              Carlos de Oliveira - Febres, Natal de 1937


    “Gândara: terra da urze, da flor estival da giesta, das vagas indomáveis, das areias percucientes onde o tojo e os fetos proliferam, dos guinchos das gaivotas na língua de fogo no mar, dos sinos que tombam e se erguem nas aldeias, dos barcos de salitre, dos salgueiros bebericando nos ribeiros, do esplendor das tílias e das acácias, do pôr-do-sol em áscua, das lágrimas dos areais, dos telhados rubros, das rugas, das mãos negras e das cãs prostradas nos umbrais, dos pescadores crestados pelo sal e pelo sol e das viúvas trajando até ao fim as noites cor-de-hulha. É neste éden maculado pelo progresso que o poeta grita. Ele não suporta o vaivém diabólico dos carros e prefere deslizar na pureza de um fio trémulo de azeite.”
António Canteiro


Muito mais se poderia falar da Gândara, pois, felizmente, há vários autores que perspetivam a região de muitas outras formas. 

Fico-me por alguns dos nomes mais ou menos (re)conhecidos a nível regional e nacional, quer pela qualidade da escrita quer pelo reconhecimento adquirido através de prémios literários com que já foram galardoados.

Figura 1 - Carlos de Oliveira
Carlos de Oliveira, nome maior da cultura gandareza, nasceu em 1921 em Belém do Pará (Brasil) e passou grande parte da sua vida em Febres, exatamente onde atualmente se situa a Casa Carlos de Oliveira – um espaço cultural que evoca o grande escritor e que contem um enorme espólio do mesmo e da sua esposa.  Carlos de Oliveira cresceu num meio rural, onde seu pai exerceu a medicina. A vivência e as imagens dessa realidade de grande pobreza iria para sempre influenciar grande parte da sua obra, provavelmente a razão do nascimento do neo-realismo literário em Portugal.

Carlos de Oliveira tornou a Gândara, as suas características geográficas, físicas, humanas, as vivências, as histórias em registos literários como “Mãe Pobre -1945”, “Terra de Harmonia -1950”, “Micropaisagem -1969” e a compilação das suas obras poéticas em “Trabalho Poético -1977/8”. Em termos de romances não é demais realçar as grandes obras “Casa na Duna -1962”, “Alcateia -1944”, “Pequenos Burgueses -1948”, “Uma Abelha na Chuva -1953” e “Finisterra -1978”.



É evidente que Carlos de Oliveira não se ficou por aqui. Para além de outras obras menos divulgadas, foi um importante colaborador e responsável das revistas como “Altitude”, “Seara Nova” e “Vértice”, documentos de enorme utilidade para todos os estudiosos da literatura nacional e estrangeira.

Após a morte de Carlos de Oliveira, verificou-se um espaço de tempo sem edição de obras que focassem a temática gandareza. Até que aparece Idalécio Cação nascido em 1933 em Moinhos da Gândara. Após a publicação de várias obras e artigos de opinião, na década de 90 dedica-se à ficção onde mostra nos “seus contos um profundo sentido de compreensão e denúncia dos problemas da sua região natal, isto é, de toda a Gândara figueirense”.

Figura 2 - Idalécio Cação
“Gândara antiga -  instrumentos, tradições, ofícios, trabalhos, tipos populares: apontamentos etnográficos-literários- 1997”, “Sobre a Gândara e a casa gandareza- 1999”, “Crónicas gandarezas- 2006” e “Do alto destas ameias- 2008” são algumas das obras, contos e romances publicados pelo autor figueirense.



Outro autor, mas muito ligado à cultura popular, empenhado em recuperar trajes, artefactos, utensílios agrícolas, histórias sobre a Gândara, e fortemente influenciado por Carlos de Oliveira e Idalécio Cação (entre outros escritores), é António Castelo Branco, nascido em Covões e onde viveu grande parte da sua infância e onde ainda atualmente passa grande parte do seu tempo. 

 
Figura 3 - António Castelo Branco
Este auto lançou nos últimos tempos duas obras intituladas “Sabores de ontem,  manjares de hoje” e mais recentemente “Os Lazarilhos da Gândara- 2010”. Mas o seu trabalho de pesquisa continua em prol da riqueza gandareza  espalhada pela região e pela concentração de um grande espólio num “museu” em forma de casa gandareza que fora outrora dos seus mais diretos familiares.

Outro grande nome da cultura gandareza é Ferro Santos, nome literário do distinto médico Dr. Fernando Santos que tem dedicado grande parte da sua vida profissional ao povo gandarês, cuja região, usos e costumes lhe têm inspirado a escrita das suas obras.


Figura 4 - Ferro Santos
Segundo António Fresco, autor da capa e apresentador da mais recente obra “Contos a Descoberto”, afirma a páginas tantas que os textos de Ferro Santos “resultam de uma exímia conjugação de poéticos relatos da dura vida gandaresa de antanho, das paisagens e lugares únicos e das pitorescas personagens da freguesia (e outras inventadas ou de longe), tudo bem costurado com um fino fio, feito do domínio perfeito da língua e da escolha das palavras, montadas, umas nas outras, num perfeito equilíbrio de estética e significado, mas de leitura fácil e agradável”.

Autor de vários contos e romances, Ferro Santos, para além de nos mostrar a realidade da região de outros tempos, também tem contribuído solidariamente para causas nobres como Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Cantanhede e Associação Gira Sol com as receitas das vendas de algumas obras a reverterem para as citadas associações.

Por fim, fica a referência a algumas obras editadas designadamente “Contos do meu Rosário”, “Histórias da Arca da Velha”, “22 Contos de Reis”, “Pedras Bárbaras” e mais recentemente o título “Sempre”.

Para terminar esta exposição, e por ser um escritor galardoado com vários prémios, não poderia esquecer o nome de António Canteiro, pseudónimo de João Carlos da Cruz, natural de São Caetano.

Figura 5 - António Canteiro
Com o romance “Parede de Adobo” começou por receber a Menção de Honra do Prémio Literário Carlos de Oliveira em 2005, seguindo-se outras obras também premiadas como “Ao Redor dos Muros”, “Largo da Capella”, “O Silêncio Solar das Manhãs” com o qual recebeu o Prémio Nacional de Poesia Sebastião da Gama em 2013. Já em 2015, foi agraciado no Dia Mundial do Livro, em Loures, com o Prémio Literário Maria Amália Vaz de Carvalho com a obra intitulada “Logo à Tarde Vai Estar Frio”. 




Muitos nomes e obras ficaram por referir, não há artigo escrito nenhum que tenha um fim, alguma coisa fica sempre por dizer. O desafio que daqui lanço aos leitores e adeptos da história gandareza é também eles contribuírem para o seu enriquecimento.
                                                                                              Abril 2016
Rui Melo





quinta-feira, 7 de abril de 2016

Dia Mundial da Saúde [7 de abril]


... a insustentável leveza dos ideais


O Dia Mundial da Saúde foi instituído pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a 7 de abril de 1950, sendo que esta efeméride evoca a criação da OMS, fundada exactamente dois anos antes (1948).

Todos os anos, a OMS escolhe um tema de reflexão para debater na celebração desta data, chamando a atenção para temas da saúde pública - tais como o HIV/SIDA, a tuberculose, entre outros – de modo a formar mentalidades, desmitificar possíveis ideias pré-concebidas e educar as sociedades no sentido de evitarem / prevenirem comportamentos de risco tanto a nível de saúde individual como coletiva. Este ano o tema de reflexão é a diabetes, sendo que os grandes objetivos são educar a população mundial sobre as causas que levam ao desenvolvimento da doença (e neste ponto, dá-se especial destaque às populações dos países em desenvolvimento), criar e estimular um conjunto de ações que viabilizem o diagnóstico e o acompanhamento dos diabéticos (como, por exemplo, rastreios e consultas) e, por último, conseguir cumprir um dos grandes objetivos do primeiro relatório mundial sobre esta doença: o de apelar para a criação de sistemas nacionais de saúde cada vez mais sólidos, de modo a assegurar o melhor acompanhamento possível aos cidadãos que estão em risco de desenvolver diabetes ou que, infelizmente, já tenham a doença.

Pessoalmente, considero que combater a diabetes é fundamental para promover a qualidade de vida das populações. Conheço algumas pessoas que têm diabetes – uns por questões de hereditariedade, outros pela falta de cuidado com aquilo que comem – e a resposta à pergunta “Como é viver com diabetes?” é similar em qualquer caso: é bastante complicado. Não só pela necessidade de se ser responsável na toma da insulina (que, se faltar ou se deteriorar, coloca a pessoa em risco de morrer), mas também porque custa saber que, a qualquer momento, males piores poderão advir deste problema, tais como amputação de partes do corpo ou até mesmo a cegueira total.

Ora, tendo em conta que ainda não se descobriu a cura para a diabetes, é importante que as pessoas tenham consciência no que diz respeito à sua alimentação e estilo de vida, de modo a prevenir eventuais complicações que possam vir a comprometer a nossa vida e a fazê-la depender de substâncias que, se tivéssemos sido responsáveis, não teríamos de tomar regularmente. E quem diz isto para o caso específico da diabetes, repete a ideia quando se trata de outros problemas do mesmo tipo (hipertensão, bócio, anemia, osteoporose, etc.), que podem não nos atingir se soubermos cuidar de nós.

Em suma, penso que esta estratégia de comemoração do Dia Mundial da Saúde adotada pela OMS seja a mais indicada, tendo em conta que, através da sensibilização e da tomada de ações concretas, poderemos tratar das pessoas já atingidas pelas doenças e, mais importante que isso, evitar que outros venham a contraí-las também.

Diana Cruz, 12º LH2

Referências bibliográficas:
Organização Mundial de Saúde (s/d). World Health Day 2016: Diabetes. Disponível em: http://www.who.int/campaigns/world-health-day/2016/event/en/


Wada, Célia (s/d). 07 de Abril - Dia Mundial da Saúde - História do Dia Mundial da Saúde. Disponível em: http://www.cmqv.org/website/artigo.asp?cod=1461&idi=1&id=10582 

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Revisitando... "Melhor é merecê-los..."



“Melhor é merecê-los sem os ter

Que possuí-los sem os merecer” (Camões)



REVISITANDO MÁXIMAS OUVIDAS



De autoria comunitária ou de autoria conhecida (ou nem tanto), há máximas que vão marcando a existência do ser humano português através do tempo, mas adaptando-se a (sempre) novas circunstâncias. Revisitá-las sob a perspetiva do século XXI é um desafio.



Para termos uma vida preenchida, abundante de sentimentos e experiências, temos de ter desejos, objetivos e sonhos, querer a felicidade e não a riqueza meramente materialista.

Para isso, não podemos querer as coisas “de mão beijada”. Devemos sempre esforçar-nos para obter o que desejamos com um saudável anseio; devemos dedicar-nos “de corpo e alma”, com o máximo empenho.

De que nos serve ter algo ou ganhar alguma coisa sem sermos merecedores de tal? De que nos serve ter êxito inglório? Do meu ponto de vista, é necessário estarmos conscientes de que somos dignos do fictício prémio, para podermos saborear a vitória. É preciso trabalhar para merecer e mesmo que não atinjamos o que pretendemos, ao menos sabemos que lutámos para isso.

Comparando a vida a uma corrida, em que um atleta se sagra campeão, receber a medalha não é o importante, mas sim o caminho até lá; o prémio é meramente simbólico.

Devemos preferir a humildade à ingratidão e a modéstia, à arrogância.

Quando fazemos alguma coisa por alguém, não devemos ficar à espera de receber algo em troca, como forma de “pagamento”. Apenas devemos querer ajudar e, de certa forma, facilitar a vida dos outros. Nunca ficamos a perder; vamos ganhar, certamente, a consideração, o reconhecimento e o carinho das pessoas.

Devemos ficar sempre gratos por tudo aquilo que alcançamos; devemos valorizar sempre as nossas potencialidades e saber usá-las.

Para concluir, reforço que tudo o que conseguirmos tem de ser com o nosso esforço e trabalho árduo e vamos ter, decerto, mérito.

Sempre me disseram que “sucesso” só vem antes de “trabalho”… no dicionário.          

Mariana Guerra, 12.º CT4


quinta-feira, 31 de março de 2016

Semana da Leitura 2016

... uma síntese para memória futura


Semana da Leitura 2016 do AELdF
Semana da Leitura 2016 | Uma síntese para memória futura
Publicado por Biblioteca Escolar Clara Póvoa em Quinta-feira, 31 de Março de 2016

segunda-feira, 28 de março de 2016

Leituras em Rede, n.º 11 | Migrantes

... a ler


Da espuma dos dias fica as relações que estabelecemos com os outros.

Porém, nem sempre é fácil ligarmo-nos, quando o Outro culturalmente diferente e migrante nos parece um estranho distante. O livro, a leitura, as histórias contadas por uma segunda pessoa estabelecem elos, laços de proximidade.

E, se o outro não passa a conhecido ou amigo, é, pela leitura, pelo menos,um pouco mais íntimo, mais semelhante, mais humano. 

Boas leituras!

sexta-feira, 25 de março de 2016

Revisitando ... "Eu sou mulher"



REVISITANDO MÁXIMAS OUVIDAS


De autoria comunitária ou de autoria conhecida (ou nem tanto), há máximas que vão marcando a existência do ser humano português através do tempo, mas adaptando-se a (sempre) novas circunstâncias. Revisitá-las sob a perspetiva do século XXI é um desafio.



Não uso saltos altos, não uso roupa curta e não tenho olhos azuis. Uso ténis, tenho olhos castanhos, sou baixinha, tenho marcas à pedreiro, mas sou mulher.

Faço parte de um mundo masculino, mas também faço parte de um movimento em busca da igualdade de géneros.

Uma vez disseram-me: “tu já és mais homem do que mulher”. Contudo, serei eu menos mulher por fazer algo que a sociedade diz ser para homens? Ou será que a sociedade ficou parada no tempo?

Eu sou um ser humano, sou mulher; nasci para ser eu própria, para seguir os meus sonhos, alcançar os meus objetivos. Não me importo que os meus sonhos e os meus objetivos sejam, para a sociedade, objetivos e sonhos de homens, porque eu vou seguir o meu próprio caminho. Nunca será por ter dois cromossomas X que algum dia desistirei de algo, antes de chegar à meta.

Se quiser ser camionista, eu serei camionista, porque, tal como os homens, eu sei conduzir. Se eu quiser ser futebolista, eu sê-lo-ei, porque também sei jogar à bola. Se eu quiser divorciar-me, eu irei fazê-lo, porque, lá por ser mulher, não tenho de viver num matrimónio infeliz. Se eu quiser ser mãe solteira, eu também o serei, porque sou capaz de ser pai e mãe ao mesmo tempo.

É óbvio, que por mais inovadora que seja a minha mente, a genética de uma mulher não se altera. Eu e todas as mulheres simbolizamos o nascimento e a fertilidade. Só nós conseguimos dar vida, criar gerações, sentir dentro de nós um novo ser. Para mim, esta capacidade coloca a mulher num patamar divino.

O destino de uma mulher é… ser mulher!

Soraia Silva, 12.º CT1

terça-feira, 22 de março de 2016

Revisitando..."Eu sou mulher"



REVISITANDO MÁXIMAS OUVIDAS


De autoria comunitária ou de autoria conhecida (ou nem tanto), há máximas que vão marcando a existência do ser humano português através do tempo, mas adaptando-se a (sempre) novas circunstâncias. Revisitá-las sob a perspetiva do século XXI é um desafio.


                               
O que é ser mulher?

Ser mulher é ser violada, agredida, assediada, injuriada, desrespeitada e não ter justiça. Ser mulher é ser oprimida, subestimada, inferiorizada, ignorada, é ter uma voz e não ser ouvida. Ser mulher é vestir o que os outros acham apropriado, é dizer aquilo que os outros querem ouvir, é obedecer a um conjunto de regras com as quais não se concorda, é existir, mas não ser ninguém. Ser mulher é obedecer a um homem, é ser analfabeta, comprada, trocada, é satisfazer os desejos do nosso dono, é ser um mero peão num jogo de xadrez.

Para muitos isto será um exagero, um devaneio de uma feminista; mas para muitas isto é a realidade, é o pesadelo do qual nunca acordam.

A mulher lutou e luta por todos. Movimentos dos direitos civis dos negros? A mulher estava lá. Luta pelos direitos dos homossexuais? A mulher estava lá. Direitos dos animais? A mulher estava lá. A mulher esteve presente em todos os momentos decisivos da história, seja num papel principal ou atrás das cortinas. Nós lutamos por todos e apesar de ainda haver muita luta pela frente, chegou a altura de perguntar: Quem luta por nós? Quem é que luta connosco? Desmond Tutu disse: “ Se ficas neutro em situações de injustiça, escolheste o lado do opressor.”

Eu não quero ser desprezada, gozada, insultada por ter opiniões, por ter uma voz. Não quero ser ignorada, agredida, violada, assediada. Não quero obedecer a um homem, não quero vestir o que os outros querem que eu vista. Se não quero isto para mim porque que hei de deixar que aconteça a outras mulheres? Seguindo as palavras de Maya Angelou, “Sou feminista. Já sou mulher há algum tempo. Seria estúpido não estar do meu próprio lado.”

Ser mulher vem com muitos obstáculos, mas foi assim que nasci. Agora só me resta lutar por aquilo que é meu e de todas as mulheres por direito: igualdade e justiça. Faço minhas as palavras de Audre Lorde: “Não sou livre enquanto todas as mulheres não forem livres, mesmo quando as algemas delas são diferentes das minhas.”

Concluindo: eu ainda não sou Mulher, pois ainda tenho muito para viver, mas sei que tipo de Mulher quero ser. Quando se é criada por uma mulher forte, que não recebe ordens de ninguém, que sabe dizer não, que não deixa que ninguém a faça de menos, que não age segundo o que outra pessoa quer, que luta todos os dias para que as suas filhas tenham mais e melhor do que ela teve, cresce-se a saber o que a vida custa a uma mulher, mas também se cresce a saber a pessoa, ou melhor, a mulher que se quer ser. Eu quero ser uma mulher da qual a minha mãe se orgulhe, pois, se eu tiver metade da força dela, conquistarei o mundo.

Rute Lima, 12.º  LH2

sábado, 19 de março de 2016

Robert Muchamore

... a ler

Fig. 1 - Robert Muchamore

Robert Muchamore nasceu em Londres, a 26 de dezembro de 1972. Trabalhou durante treze anos como detetive privado, mas abandonou essa profissão para se dedicar à escrita a tempo inteiro.

Escreve sobre espionagem e é mais conhecido por ser autor da série CHERUB, que engloba 19 livros. Numa entrevista à SIC na Feira do Livro em Lisboa, em 23 de julho de 2010 onde promoveu o lançamento do sexto livro da coleção, explicou a razão porque começou a escrever. 


                                       

Nas Bibliotecas Escolares do AELdF estão disponíveis as seguintes obras:

“O Recruta” ( “The Recruit” ), publicado em abril de 2004, “O Golpe” ( “The Killing” ), outubro de 2005, “A Seita” ( “Divine Madness”), abril de 2006, “A Queda” (“The Fall”),março de 2007, “Cães Danados” (“Mad Dogs”), outubro de 2007, “O General” (The General”), setembro de 2008 e “Gangues” (“Brigands M.C.”), agosto de 2010.

A 16 e 17 de junho de 2012 Robert Muchamore esteve presente numa sessão de autógrafos na Feira do Livro no Porto, onde fãs de todo o país o aguardavam. A TVI esteve presente e conversou com o escritor e com os seus admiradores. Para além de dar autógrafos, nesta reportagem ficou registada a opinião dos jovens sobre as suas obras e a opinião do escritor sobre a diferença entre os seus livros e outros livros escritos por outros autores. Nesta sessão de autógrafos, o escritor fala do último livro publicado em Portugal e também sobre o próximo.
                                                           



A 10 de dezembro de 2012 a RTP transmitiu uma reportagem, que foi depois publicada no YouTube, sobre esta coleção: «Livros do britânico Robert Muchamore são um sucesso entre os adolescentes»; «A saga juvenil CHERUB vem, tal como Harry Potter, do Reino Unido, e está a conquistar jovens um pouco por todo o mundo»; «Em Portugal lidera as preferências entre os jovens»; «As aventuras de crianças órfãs que se tornam espiões dos serviços secretos britânicos são um sucesso entre os adolescentes».

Em Portugal, da primeira série da coleção, já se venderam mais de 200 mil livros – o último título,Tsunami, saiu no início de 2013.

A sua segunda coleção “ Henderson Boys” é constituída por 7 obras.

A Henderson’s Boys ajuda a descobrir as origens do braço juvenil do MI5 britânico, a CHERUB, instituição que dá nome a uma coleção de enorme êxito internacional.


A nova coleção “ Rockwar” já tem três livros, o último publicado em 2015.

Em 26 de junho de 2013 foi publicado no YouTube o “trailer” do filme sobre o livro “The Recruit”
                                 
    


É possível seguir o escritor no Twitter. A 31 de dezembro de 2015 publicou nesta rede social “My two great hopes for 2016” (Os meus dois grandes desejos para 2016):

1 – “World peace” ( Paz no mundo )

2- “Mc Donalds all day breakfast crosses the Atlantic” (“Pequenos almoços no Mc Donalds durante todo o dia atravessam o Atlântico).

Luísa Torres

sexta-feira, 18 de março de 2016

Revisitando ... "A velhice é uma chatice"



REVISITANDO MÁXIMAS OUVIDAS

De autoria comunitária ou de autoria conhecida (ou nem tanto), há máximas que vão marcando a existência do ser humano português através do tempo, mas adaptando-se a (sempre) novas circunstâncias. Revisitá-las sob a perspetiva do século XXI é um desafio.


Não sou exatamente uma especialista em velhice; sou uma mera adolescente e, por agora, concentro-me na chatice que é ter esta idade, assim como os adultos se queixam do que a deles acarreta. Normalmente, não pensamos muito em como deve ser complicado ter mais uns anos (e problemas).

Ser velho – idoso, para os mais sensíveis - é, antes de mais, ter de decorar uma lista interminável de, primeiro, doenças e, depois, medicamentos, para poder competir com os outros velhos e perceber quem leva o título de mais doente. Não se pense que estou a brincar: no outro dia, na sala de espera do centro de saúde, uma senhora descalçou, de forma orgulhosa, a pantufa e a meia para exibir aos presentes os seus joanetes e explicar porque é que ia ser operada.

Ter uma idade avançada, além de nos deixar fisicamente mais vulneráveis, também é significado de introspeções profundas sobre a vida, sobre as oportunidades desperdiçadas, os erros, as pessoas perdidas ao longo do caminho e dos melhores momentos que foram vividos com leviandade. Pelo menos, parece-me, quando ouço algo, entre suspiros, como “Aproveita esse tempo de jovem que é o melhor que a gente tem. Se eu pudesse voltar atrás...”.

Decerto que há coisas que tornam a velhice uma chatice, mas também há várias mais-valias que vale a pena realçar. Quando se é velho tem-se um leque de privilégios que (quase) compensa as artroses e as dores na anca por inteiro. Os lugares privativos no autocarro e a prioridade em vários locais e serviços públicos podiam ser suficientes; mas ter o prazer que muitos têm de contemplar a família, que só existe por sua causa, e poder partilhar com ela o conhecimento conseguido ao longo dos vastos anos é o que faz com que a vida seja mais que uma caminhada monótona, apressada e fugaz para a morte.


Alexandra Pereira, 12.º LH2

quarta-feira, 9 de março de 2016

“A desumanização”, de Valter Hugo Mãe

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Neste livro é-nos contada a história de duas irmãs gémeas – Sigridur e Halldora (mais conhecida por Halla) – que viviam numa zona isolada dos gélidos fiordes islandeses. Um dia, Sigridur fica muito doente, acabando por morrer. Na cultura daquela zona, quando uma irmã gémea morria, a outra irmã que restava passava a ter a responsabilidade de cumprir os sonhos da falecida – o que significava que passasse a ser considerada a “irmã menos morta” já que a sua identidade própria se acabaria por desvanecer.



Ao longo do livro, Halla vai relatando a situação após a morte da irmã, desde o surto psicótico da mãe (que se mutilava, vivendo numa aura de masoquismo constante) à inesgotável capacidade de sonhar do pai (que, mesmo após a perda de uma das filhas, não deixa de querer viver momentos felizes – usando, para esse efeito, a essência das palavras, como se estas fossem a sua tábua de salvação e, ao mesmo tempo, pudessem trazer Sigridur de volta à vida). Ao mesmo tempo, vai refletindo sobre a morte, a maternidade e a humanidade das pessoas com quem (con)vivia, chegando à conclusão que “a humanidade começa nos que te rodeiam, e não necessariamente em ti”.

Todo o livro é um jogo de metáforas e sinestesias que, combinadas de uma forma harmoniosa, nos permitem sentir na pele o frio dos fiordes e, simultaneamente, as emoções de Halldora (desde as mais simples às mais profundas). Ao ler este livro, senti-me transportada para um outro mundo, onde o desconhecido é divinizado de uma forma um tanto bizarra, sendo essa estranha divindade o guia dos costumes da comunidade onde Halla se insere – comunidade essa que se deixa manipular facilmente por doces palavras, contentando-se com elas para combater o sentimento de incerteza quanto ao desconhecido ao qual chamam “a boca de deus” (ou apenas “deus”).

Recomendo este livro a todos aqueles que gostam de sentir aquilo que lêem… atrevam-se a ler e garanto-vos que não se arrependerão!

Diana Cruz, 12ºLH2 

terça-feira, 8 de março de 2016

Mulheres


... a propósito do Dia Internacional da Mulher



Vistas como mães, irmãs, amigas, parceiras, as mulheres são, antes de mais, pessoas.

Desejadas, queridas, amadas, violentadas, discriminadas, escravizadas, as mulheres continuam a ter de lutar para serem reconhecidas como pessoas.

Resilientes, persistentes, corajosas, fragilizadas, empobrecidas, as mulheres são a grande maioria dos refugiados do mundo, ganham menos, têm menos oportunidades e, tal como as crianças, estão sujeitas a maior risco de pobreza.

Da situação da mulher no mundo, à vida de mulheres que marcaram o mundo ou à exaltação poética da mulher, este Boletim Bibliográfico apresenta-nos um vasto conjunto de possibilidades para nos aproximarmos do entendimento do que é ser mulher.



sábado, 5 de março de 2016

Criar laços

... a ler


“Nazarenas e Matrioskas” é o título de um livro que reúne crónicas e pequenas histórias de Margarida Rebelo Pinto, publicadas no Jornal de Notícias.
Autora de um conjunto considerável de obras traduzidas em várias línguas, esta escritora portuguesa, cujo primeiro livro, publicado em 1998 – Sei lá! – foi um sucesso editorial, dedica-se também ao teatro e ao cinema.  
Em “Nazarenas e Matrioskas”, Margarida Rebelo Pinto apresenta-nos uma grande variedade de personagens e situações, em pequenos relatos ou reflexões. Analisa sentimentos, comportamentos, problemas reais, mas tantas vezes invisíveis. Percebemos que o mundo é um lugar tão grande e diverso, onde cabem tantas diferenças, tantas formas de viver e sentir.
As histórias contadas de forma breve, quase sempre na primeira pessoa, o que as torna mais pessoais e sentidas, e as muitas reflexões que fazem parte do livro centram-se fundamentalmente na complexidade e riqueza das relações humanas  e nas questões eternas que sempre angustiaram  o ser humano, porque o limitam: a morte e o fluir inevitável do tempo, que tudo leva.
No entanto, e apesar da diversidade de personagens em interação e de sentimentos vivenciados, é o amor, nas suas múltiplas vertentes que marca presença em grande parte das histórias contadas. Surge como abrigo, combate à solidão terrível, capaz de destruir uma existência; resiste ao tempo, dura uma vida inteira, ou, pelo contrário, pode acabar e recomeçar, ainda mais forte. A mensagem a transmitir talvez seja exatamente essa: no mundo feito de tanta diversidade, no qual vivemos, precisamos de criar afetos e laços. A amizade e o amor são condições essenciais para o nosso bem-estar. Daí certamente estas palavras, retiradas de uma das histórias: “ Um homem pode tornar-se um monstro, se não amar”.
São muitas outras as palavras que ficam connosco, depois de acabar a leitura deste livro. Algumas histórias serão um pouco enigmáticas, é certo, mas outras são de uma grande beleza e sensibilidade, não só pela verdade humana que encerram e nos faz refletir, como também pela leveza da linguagem. E é muito bom ler um livro, quando ele deixa um pouco dessa beleza dentro de nós e também quando, por algum tempo, algumas das suas palavras ecoam nos recantos da nossa memória afetiva.

Maria Bita, 12.º LH1

quinta-feira, 3 de março de 2016

Dia Internacional da Vida Selvagem [3 de março]


... a insustentável leveza dos ideais


Em dezembro de 2013, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o dia 3 de março como o Dia Internacional da Vida Selvagem, de modo a reafirmar a importância cada vez maior das plantas e dos animais selvagens no mundo. Ao estabelecer a efeméride no dia 3 de março, a ONU enalteceu também a importância da Convenção sobre Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres, que aconteceu a 3 de março de 1973 e cujas medidas visam garantir a sobrevivência e o melhor tratamento possível a espécies selvagens (animais e/ou plantas) que foram retiradas do seu habitat natural. O documento que institui este dia destaca ainda as contribuições das espécies ao desenvolvimento sustentável e ao bem-estar da humanidade, citando os aspetos ecológico, genético, social, económico, científico, educacional e cultural.

Desde pequeninos que somos bombardeados com informação sobre o que é esta ou aquela planta (ou este ou aquele animal). Aprendemos, na escola primária, a categorizar (ou, mais comummente falando, a “rotular”) cada espécie em doméstica ou selvagem. E, a partir da altura em que entramos no 2º ciclo, deparamo-nos com um facto muito interessante: todos os dias, os cientistas descobrem mais e mais espécies animais e vegetais.

A primeira pergunta que surge nesta altura é  “Como será possível?”. E, como que a desafiar cada vez mais as mentes que procuram entender o mundo, a Natureza surpreende-as, brindando-as com mais descobertas, muitas vezes bizarras.

Seguidamente, podemos pensar: “Mas… e para que servirão estas espécies?”. Pois bem, para responder a esta pergunta, temos que relembrar a importância dos ecossistemas para a biodiversidade que sustenta o mundo no qual vivemos. Se pensarmos nos ecossistemas como sendo as peças de um puzzle e nas espécies que compõem esse puzzle como sendo uma espécie de “subpeças”, torna-se mais clara a ideia de que cada planta e cada animal, por mais bizarro ou perigoso para a espécie humana, tem um papel insubstituível na Natureza. Assim, é imperativo que os governos e os cidadãos descrevam comportamentos éticos e políticos que protejam o bem-estar de todas as espécies da fauna, flora e do reino animal.

Diana Cruz, 12º LH2

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

“Os livros que devoraram o meu pai” de Afonso Cruz


... a ler




Recentemente, um aluno pediu-me conselho para uma obra de leitura recreativa. Lembrei-me, então, de um livro que uma amiga me aconselhara em tempos. Nem mesmo o autor me era familiar. O título deixou-me curiosa. Que livros poderão devorar-nos se somos nós, leitores compulsivos, que, habitualmente, “devoramos livros”? Não é isso que acontece quando gostamos tanto de ler? E “perdemo-nos” nos livros, entrando nas histórias como se fizéssemos parte dela, interferindo no desenvolvimento da ação.

Pois bem, foi o que aconteceu ao protagonista do livro de Afonso Cruz “Os livros que devoraram o meu pai”.

Quando fez 12 anos, Elias teve acesso aos livros que o pai lera em vida. Ao contrário do que se dizia, que o pai morrera de enfarte, o rapaz acreditava que ele tinha ficado “preso” em “A Ilha do Dr. Moreau”, um dos livros que lera e que estava cheio de anotações. Foi então que, seguindo as “pegadas” do progenitor, o rapaz iniciou uma “viagem” pelo mundo dos livros, lendo obras de referência diversas, cujas histórias vai entrelaçando, e que são portas abertas para outras leituras.

Tal como o próprio autor esperava, é um livro “para refletir um pouco sobre o modo como lidamos com as nossas memórias, em especial com a nossa culpa” e uma narrativa “que serve de incentivo à leitura” para além de proporcionar momentos de entretenimento.

Mais do que fantasia, esta história mostra como a leitura pode ser emocionante e proporcionar-nos viagens infinitas.

    M. Leonilde Rodrigues


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Richard Zimler

[... a ler]




Richard Zimler nasceu a 1 de janeiro de 1956, em Roslyn Heights, um subúrbio de Nova Iorque.

É formado em Religião Comparativa pela Universidade de Duke (1977) e mestre em Jornalismo pela Universidade de Stanford (1982). Depois de se formar, trabalhou durante oito anos como jornalista na zona administrativa da Baía de São Francisco. Radicou-se em Portugal em 1990, residindo desde então na cidade do Porto. Deu aulas na Escola Superior de Jornalismo e na Universidade do Porto durante 16 anos, lecionando disciplinas na área do Jornalismo. Obteve a nacionalidade portuguesa em 2002.

Vive com o biólogo português Alexandre Quintanilha desde 1978, residindo ambos no Porto desde 1990. Casaram oficialmente em 2010 , após a aprovação da lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal, tendo sido um dos primeiros casais formados por figuras públicas a beneficiar da nova lei do casamento civil.

Nos últimos 16 anos, publicou romances, uma coletânea de contos e dois livros infantis, que depressa entraram nas listas de “bestsellers” de vários países (Portugal, Brasil, EUA, Inglaterra, Itália, etc...). Os seus livros editados em Portugal são: “The Last Kabbalist of Lisbon” (“O Último Cabalista de Lisboa”), romance histórico cuja ação decorre em 1506 entre os judeus forçados; as principais personagens pertencem a uma família de cristãos-novos residente em Alfama, cujo patriarca, Abraão Zarco, é iluminador e membro da célebre escola cabalística de Lisboa; “Unholy Ghosts” (“Trevas de Luz”); “The Angelic Darkness” (“Meia-Noite ou o Princípio do Mundo”); “ Goa ou o Guardião da Aurora” (“Guardian of the Dawn”); “ À Procura de Sana” (“The Search for Sana”); “The Seventh Gate” (“A Sétima Porta”); “Os Anagramas de Varsóvia”, (“The Warsaw Anagrams”); “Ilha Teresa” (publicado no Brasil com o título “Strawberry Fields Forever”);“Dança Quando Chegares ao fim”; e “Hugo e Eu e as Mangas de Marte” (livros para crianças).

De toda a sua obra estão disponíveis na Biblioteca Escolar Clara Póvoa, as seguintes:











Zimler ganhou diversos prémios, incluindo o “National Endowment of the Arts Fellowship in Fiction” (EUA) em 1994 e o Prémio “Herodotus” (EUA) para o melhor romance histórico em 1998. O prémio literário “Alberto Benveniste 2009” foi atribuído a Zimler pela obra “ Goa ou o Guardião da Aurora” (“Guardian of the Dawn”). O prémio foi criado para galardoar um romance (publicado em francês) que se enquadra no programa do Centro Alberto Benveniste (Estudos Judeus-Sefarditas). O seu romance “Os Anagramas de Varsóvia” (“The Warsaw Anagrams”) foi nomeado o Melhor Livro de 2009 pela revista LER e também pelos alunos das escolas secundárias de Portugal (Prémio Marquês de Ouro).

Em 2009, Zimler escreveu o guião para “The Slow Mirror” (“O Espelho Lento”), uma curta-metragem baseada num dos seus contos. O filme foi realizado no verão de 2009 pela realizadora sueca-portuguesa Solveig Nordlund e venceu o prémio de melhor filme dramático no “New York Downtown Short Film Festival” (“Festival de Curtas-Metragens de Nova Iorque”) em Maio de 2010.”

Em 2009 traduziu as canções de José Afonso para o CD de Cristina Branco.

Segundo ele próprio, cada vez publica mais na rede social Facebook pois pensa que é uma forma bastante útil para manter o contacto com os leitores, espalhados pelo mundo inteiro.

Na sua página web  podemos ler os primeiros capítulos das suas obras,  podemos ouvir a sua opinião da sua vida em Portugal e sobre as suas próprias obras.  

Mostra-nos também uma curta entrevista sobre a cidade do Porto e da zona junto ao rio Douro, acompanhada de imagens espetaculares.

Richard Zimler publicou um ensaio num website “Talking Writing”  sobre a evolução dos seus sentimentos em relação ao judaísmo.

“O Tempo das Crianças” é uma antologia de contos de autores portugueses e estrangeiros de renome. Para apoiarem a organização «Save The  Children»  no seu trabalho para acabar com a violência contra as crianças, grandes autores de todo o mundo juntaram-se para criar uma fascinante antologia de contos sobre a infância. Ficções ou memórias pessoais, felizes ou amargas, exploram e celebram a infância: o abuso e a rejeição, a solidão e o amor, as alegrias da amizade e da descoberta, e os primeiros sentimentos confusos do amor adolescente.

Selecionada e prefaciada por Richard Zimler, esta antologia inclui também contos originais de Dulce Maria Cardoso, Mia Couto, Lídia Jorge e Ondjaki, que quiseram dar o seu contributo a este generoso projecto, cujos direitos revertem a favor de «Save The  Children».

Luísa Torres


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Um livro abre os olhos para o mundo


a ler... [A rapariga que roubava livros]


    
Brian Percival, que se notabilizou pelo seu trabalho de diretor de séries britânicas como Downton Abbey, dirigiu também o filme “A rapariga que roubava livros”, uma adaptação do romance com o mesmo nome, do escritor australiano Markus Kuzak, publicado em 2005. O livro tornou-se um bestseller, tendo já sido traduzido em mais de quarenta idiomas.
Estreado em Portugal em 2014, o filme é extraordinário. Para além de nos proporcionar mais um olhar sobre a repressão da Alemanha nazi, durante a Segunda Guerra Mundial - algo que não podemos esquecer e que não podemos permitir que as gerações vindouras esqueçam - o filme relata uma história de coragem, gratidão, amizade e de grande amor pela escrita e pelos livros.

Fig 1 - Cena do filme "A rapariga que roubava livros" de Brian Percival
Liesel é uma jovem de nove anos que vai viver com pais adotivos, Hans e Rosa, na Rua do Céu, em Munique, em vésperas da Segunda Guerra Mundial. Logo de início, surge a morte como narradora, envolvendo, de imediato, a protagonista numa auréola misteriosa e irreal, que a acompanha até ao fim do filme.
De facto, a vida de Liesel muda muito desde a sua chegada ao bairro, mas a jovem também vai ter uma influência devastadora, embora discreta, na vida de todos aqueles que com ela convivem ao longo daqueles duros anos de guerra.
Ensinada a ler, com muito amor, pelo pai adotivo, a jovem aprende a valorizar e a amar os livros, que são para ela fonte de prazer e conhecimento. Por isso, fica tão incomodada quando vê os nazis a queimá-los, não resistindo à tentação de roubar um ainda a arder, embora consciente do perigo que estava a correr.
É esta paixão pela leitura e a fé que Liesel tem no seu poder quase divino que a levam a ler incessantemente a Max, um jovem judeu, doente, escondido na sua casa, livros que roubava e depois devolvia. Ela acreditava que as palavras lidas poderiam curar o jovem agonizante e nunca desistiu.
É precisamente este jovem judeu, Max, também ele amante da literatura, que incentiva Liesel a “abrir os olhos”, isto é, a usar as suas próprias palavras para descrever o mundo, despertando nela o prazer pela escrita.
Num filme, cuja ação evoca uma época em que o ser humano foi capaz de cometer tão grandes atrocidades contra o seu semelhante, não deixa de ser curioso que a morte, enquanto narradora, saliente a excecionalidade de Liesel. Durante toda a sua vida, esta jovem fez-se rodear de recordações e memórias de todas aquelas pessoas cujas vidas se cruzaram com a dela. É uma forma de mostrar o seu carinho e gratidão pelo contributo que cada uma dessas pessoas deu para a sua vida. E Liesel teve uma vida longa, realizada e plena – talvez por ter sempre valorizado a sua relação com os outros e por ter percebido que a felicidade de cada um depende também da felicidade dos outros.
“A rapariga que roubava livros” é, pois, um filme notável, que nos transporta durante cerca de duas horas até uma época de horrores e de falta de liberdade, que todos temos obrigação moral de conhecer, julgar e impedir, por todos os meios, que se volte a repetir. Torna-se ainda cativante pela originalidade da história, centrada no poder da leitura, pelo dramatismo e realismo de algumas cenas e, sobretudo, porque sublinha o olhar inocente de uma criança perante o absurdo e a injustiça da guerra para toda a humanidade.
Maria Bita, 12.º LH1