terça-feira, 17 de maio de 2016

Todos querem chegar a velhos, mas ninguém quer que lho chamem



“Velhos? Velhos são os trapos!” É com esta indignação que reagem as pessoas quando tratadas de tal forma. Diria que não é fácil encarar o desafio da velhice sem a sensação de quase vergonha. As rugas, a falta de visão, a falta de vigor no andar… Mas tais limitações não incapacitam as pessoas de amar, de criar, de cuidar ou de ensinar… Talvez seja por esta razão que tantos se sentem ofendidos quando lhes é atribuída tal designação, pois é quando sentem a impotência que outrora não sentiam.


Durante toda a vida procuramos incessantemente a nossa independência, desde o momento em que tentamos dar os primeiros passos sozinhos até à altura de nos vestirmos da forma que gostamos e queremos ou até a sairmos de casa dos nossos pais. Queremos crescer a todo o custo e depois, quando finalmente atingimos esse objetivo, quando finalmente crescemos, começamos a sentir-nos velhos! E o problema não está na idade; o problema está em não sabermos aproveitar o que conquistámos. 


A juventude não é simplesmente um período da vida, mas sim um estado de espírito. Não é por termos vivido certo número de anos que envelhecemos. Envelhecemos, sim, quando perdemos a vontade de viver e deixamos de encarar a vida com o entusiasmo com que a encarávamos há vinte ou trinta anos.


Como afirma a minha avó, do alto dos seus 83 anos, “o ideal mesmo seria juntar a irreverência e a vontade de viver que temos durante a juventude com a sabedoria que só temos a partir de certa idade.”


Ana Vieira, 12.º CT3

domingo, 15 de maio de 2016

Vozes no vento que passa




Há sempre alguém que semeia /
Canções no vento que passa” (Manuel Alegre)



Afinal, o que são canções? Talvez sejam meras palavras escritas ou então projeções de pensamentos partilhados por muitos, ideias transformadas em vozes que querem ser ouvidas. Há sempre vozes que se fazem ouvir e que ecoam, que alimentam a esperança de uns e atormentam a mente de outros. 

A história da humanidade é marcada por pontos de viragem, como resultado da vontade e coragem de vozes incógnitas que se impuseram perante o poder, quer político, quer social, procurando lutar por aquilo em que acreditavam. Estes marcos na história mundial foram impulsionados por uma voz que deu voz a outras vozes, que juntas revolucionaram e juntas venceram.
As manifestações e revoluções do mundo semearam novas mentalidades no vento, que foi fugazmente passando e fora o cúmplice das vozes que se ergueram.

Há sempre uma canção prestes a nascer, que anseia brotar. São precisas vozes que ecoem à medida que o vento passa e que, com ele, sejam propulsoras da mudança. É preciso um alguém que seja a voz de mil vozes, de mil vontades e em cada dia "Há sempre alguém que semeia/ Canções no vento que passa".

Bárbara Lopes, 12.º CT3