quarta-feira, 27 de abril de 2016

Há sempre alguém que resiste



Há sempre alguém que semeia/
Canções no vento que passa
Manuel Alegre, in Trova do Vento que Passa

O sonho comanda a vida e é o combustível que a alimenta. Quem não sonha vive triste ou triste vida tem, por não saber ou não querer sonhar.

Deixar de sonhar, deixar de acreditar num ideal próprio e submeter-se a “ideais-feitos” apenas nos torna escravos dos tiranos do pensamento, que procuram oprimir a liberdade de pensamento, sobretudo se este for diferente, por conveniência intelectual, política, religiosa, etc.

Mas, felizmente, há sempre quem resista, quem não se deixe dominar, porque ainda “Não há machado que corte / A raiz ao pensamento / Porque é livre como o vento (...)”. E este, seu fiel amigo - real ou metafórico - mesmo em tempo de opressão, confidente de dias escuros, lá estará para o ouvir, ao pensamento, e para levar as ideias-canções a quem as quiser / souber ouvir / entender.

É que um sonho ou uma ideia, mesmo sob opressão, pode mover o mundo. Senão, vejamos Copérnico, que corajosamente colocou o sol no centro do sistema solar, subtraindo de lá a Terra e a vontade de “muitos”; ou os “Poetas de abril” que, mesmo sabendo-se um alvo permanente, continuaram a espalhar as suas “canções” ao vento, sonhando um futuro novo, sem recear pela própria vida.

Talvez devêssemos olhar para nós, cada vez mais conscientes do poder do nosso pensamento e valorizá-lo mais do que qualquer equipamento eletrónico, por exemplo. Porque cada um de nós pode ser sempre esse “(...) alguém que semeia / Canções no vento que passa”.

Pedro Carriço, 12.º CT3

terça-feira, 26 de abril de 2016

Há sempre alguém que diz que não



Há sempre alguém que semeia

Canções no vento que passa

Manuel Alegre



Quando o medo de expor os sentimentos desaparece, quando a importância das consequências do que se é dito é reduzida ou quando se foge da normal linha de pensamento é aí que se arrisca. É aí que a coragem do querer e a sabedoria do persistir aparecem. E, principalmente, é aí que se semeiam canções no vento que passa.


Nada muda nem nada evolui se a atitude de monotonia em relação ao que se acha incorreto permanecer constante. 


É fundamental que haja alguém que semeie canções, alguém com coragem, que se destaque, que queira mais e melhor; que não desista, resista; que lute pela justiça, pelos seus ideais, pelo que mais anseia. Apenas com esforço e persistência nesse esforço isso acontece.


O futuro depende do que se espera dele, mas principalmente do que se faz para chegar aos objetivos idealizados. Mais do que acreditar, é trabalhar para isso. Não é contentar-se com pouco e muito menos desistindo que se chega aonde se quer.


E é por isso que há sempre alguém que semeia canções no vento que passa. Há sempre alguém que diz não, que não cede à tentação. Porque enfrentar e ultrapassar os medos é a chave do sucesso. E enquanto houver força de vontade, a esperança num futuro melhor não se desvanece.


Filipa Santos, 12.º CT3

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Boletim Bibliográfico, série BECO, n.º 23 | Liberdade

... a ler



ser-se livre é uma conquista. conquistou-se no 25 de abril. conquista-se todos os dias quando ensinamos as crianças a serem livres e a pensarem a liberdade. sugestões de leitura para os adultos pensarem com as crianças.


domingo, 24 de abril de 2016

Canções no vento que passa



Há sempre alguém que semeia

Canções no vento que passa

Manuel Alegre

Nada somos senão vento. Com mais forma, traços definidos e cores, mas tão inconstantes e passageiros quanto o vento.

Mudamos de rumo, ficamos mais fortes, enfraquecemos, mudamos de direção. Somos ruidosos e espalhamos tudo à nossa volta. Passamos em silêncio e somos quase impercetíveis. Somos tão inconstantes quanto o vento, mas, principalmente, somos tão indefinidos quanto o vento.

Talvez a característica mais interessante de observar seja a forma como o vento reage aos obstáculos que encontra no seu percurso, a forma como se molda e como adapta a sua passagem a cada objeto, seja uma parede, uma árvore ou um tapa-vento estrategicamente colocado no areal.

Nós não somos diferentes, apenas reagimos, não a objetos mas a pessoas; e, no meio de tantos encontros, esbarramos com algumas que nos fazem dançar ao som de uma música diferente, pessoas que nos apresentam novos ritmos, que nos fazem mudar a letra da canção, que nos levam a passar de grave a agudo, a deixar de soprar ao som do jazz para o substituir pelo rock, passando pelo rap e pelo hip hop. É esse o motivo das nossas mudanças de direção e de intensidade: a mudança da música que ditava o ritmo até àquele momento, até irmos ao/ de encontro a alguém com capacidade para reescrever a pauta.

E até mesmo quando estamos em perfeita sintonia e a orquestra parece estar perfeitamente afinada, aparece sempre alguém que semeia novas canções no vento que passa.

Catarina Neves,  12.º CT3