terça-feira, 24 de maio de 2016

Saul Bellow



... a ler




Escritor  norte-americano de etnia judaica, Saul Bellow nasceu a 10 de junho de 1915 em Lachine, Montreal, no Canadá. Filho de judeus russos que haviam imigrado dois anos antes do seu nascimento, viveu num bairro desfavorecido de Montreal até 1924, altura em que a família decidiu mudar-se para Chicago.

A sua mãe faleceu em 1932 mas, apesar do desgosto profundo que sofreu, Saul Bellow conseguiu ser admitido no curso de Literatura Inglesa da Universidade de Chicago. Acabou por obter um diploma em Antropologia e Sociologia na “Northwestern University” em 1937. Matriculou-se num curso de pós-graduação mas abandonou, casando-se e decidindo tornar-se escritor a tempo inteiro. Começou a lecionar na Escola Normal Pestalozzi- Froebel de Chicago, em 1938, como forma de sustentar a sua nova família. Em 1942 iniciou uma colaboração com o departamento editorial da Enciclopédia Britânica.

No ano de 1944 foi destacado para a Marinha Mercante, no âmbito da entrada dos Estados Unidos da América na Segunda Guerra Mundial. A vida a bordo proporcionou-lhe o tempo e a disposição para retoma a escrita e, assim, publicou nesse mesmo ano o seu primeiro romance “The Dangling Man”. A obra, em parte autobiográfica, conta a história de um jovem que atravessa uma crise ao saber que vai ser recrutado.

Em 1947 publicou a segunda obra “A Vítima” (“The Victim”), disponível na Biblioteca Escolar Clara Póvoa.

 
 

Em 1948 recebeu uma bolsa da Fundação Guggenheim e partiu para a Europa, passando cerca de dois anos em Paris.  Aí escreveu  “The Adventures of Augie March” (1953), que lhe valeu o “National Book Award” no ano seguinte.

O seu sucesso como escritor continuou com as obras “Aproveita o Dia” (“Seize the Day”), em 1956, também disponível na Boblioteca Escolar Clara Póvoa e “Herzog”, em 1964, que lhe valeu o Prémio Literário Internacional, tornando-se o primeiro americano a receber este prémio.



No ano 1976 recebeu o Prémio Pulitzer na categoria de ficção pela publicação de “Humboldt’s Gift”, em 1975. 

Em 1976, foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura.

Para conhecer o autor um pouco mais.





Faleceu a 5 de abril de 2005, na sua residência em Massachussetts, aos 89 anos.

Luísa Torres

domingo, 22 de maio de 2016

Dia Internacional da Biodiversidade [22 de maio]


... a insustentável leveza dos ideais



No dia 22 de maio de 1992, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu uma nova data comemorativa – o Dia Internacional da Biodiversidade – com o intuito de educar e consciencializar as pessoas sobre a necessidade de se conservar e proteger a diversidade biológica – ou, por outras palavras, a variedade de vida no planeta.

Inicialmente, esta efeméride era comemorada a 29 dezembro (data da entrada em vigor da Convenção da Diversidade Biológica); porém, anos depois, a ONU adotou o dia 22 de maio - o que se deve, em parte, à dificuldade que muitos países sentiam em conseguirem organizar comemorações a 29 de dezembro, já que esta comemoração coincidiria com outras datas importantes celebradas nessa época.
 De modo a garantir o uso responsável da diversidade biológica para proveito dos cidadãos e da sociedade em geral, foi assinada, dias depois da instituição desta efeméride, a Convenção da Diversidade Biológica, que se apresenta como um documento que define normas e princípios que devem reger o uso e a proteção da diversidade biológica em cada país signatário.

Não podemos negar a importância da biodiversidade para a preservação dos ecossistemas do nosso planeta. Aliás, graças a essa biodiversidade existente, temos cada vez mais a necessidade de analisar o mundo e todas as criaturas (desde o plano microscópico ao macroscópico) que ele encerra, de modo a podermos também perceber de onde provém a nossa espécie, que condições foi necessário haver para que os primeiros primatas se gerassem e adquirissem capacidades que lhes permitissem uma adaptação constante ao meio, entre outras coisas.

Além da fonte de riqueza histórica, biológica e cultural, a biodiversidade é também uma fonte de riqueza psíquica. Esta frase soa algo estranha, mas, se reparamos, não é o contacto com a Natureza que, muitas vezes, cura depressões ou estados de melancolia? Quantas são as pessoas que vão à praia só para ver o mar, porque o barulho das ondas lhes traz tranquilidade interior? Não será isto também, então, uma forma de nos enriquecermos a nós mesmos? Creio que sim!

Em suma, a biodiversidade é uma fonte de riqueza a vários níveis… saibamos ter atitudes responsáveis, de modo a que essa riqueza não seja destruída! 
 Diana Cruz, 12º LH2

Referências bibliográficas:

Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas (s/d). Dia Internacional da Biodiversidade - Biodiversidade para o desenvolvimento sustentável. Disponível em: http://www.icnf.pt/portal/icnf/noticias/eventos/22-maio-dia-internacional-da-biodiversidade

Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (2013). Hoje é dia mundial da biodiversidade. Disponível em: http://www.icmbio.gov.br/portal/comunicacao/noticias/20-geral/3993-hoje-e-dia-mundial-da-biodiversidade.html


quinta-feira, 19 de maio de 2016

A grandeza maternal




Revisitação da quadra popular “Com três letrinhas apenas/

Se escreve a palavra mãe;/ É das palavras pequenas/ A maior que o mundo tem”
 


De repente, dá-se uma espécie de mini Big Bang e já está. Está feito! Depois, cresce, cresce, cresce e cresce. Passado então algum tempo, as coisas agitam-se, temos o estrogénio, a progesterona, a oxitocina e mais umas quantas hormonas a percorrer o corpo, trazendo com elas alterações bastante intimidantes. No final, ouve-se um choro e pronto, está cá fora. 


Realmente, esta pode ser a descrição, um tanto ou quanto científica e muito, muito breve, mas uma descrição de duas pessoas que adquirem novas posições. Temos a mulher que passa a ser, também, mãe e temos a criança que passa a ser, também, filho. E parir não é tudo, é verdade, não é isso que forma totalmente uma mãe. Por isso, assumimos que o conceito de mãe se possa estender, também, a todos aqueles que cuidam e criam. Deixamos já aqui esclarecida esta questão. 


Peguemos, então, na palavra mãe e, automaticamente, lembramo-nos de características, comportamentos, ideias que ligamos e relacionamos diretamente com a mãe: a comida caseira que liberta um perfume bastante atrativo e que é capaz de alimentar a vizinhança toda e arredores; o beijinho que cura tudo, desde o mais singelo dói-dói a uma cabeça rachada, e a dor passa como que por magia; o orgulho que extravasa quando o seu pequeno atinge um objetivo. Dá-nos os conselhos todos e mais alguns e, mesmo assim, lá vamos nós com a mania de que sabemos tudo e de que não precisamos de quaisquer conselhos. Algo corre mal e lá voltamos a chorar baba e ranho, a pensar que a nossa mãezinha tinha toda a razão, apesar de o nosso bastante desenvolvido orgulho raramente nos deixar admiti-lo perante ela. É claro que isto se trata de uma pequena parte desta bastante complexa relação mãe e filho. Mas quero agora debruçar-me sobre a mãe e só a mãe.


Mãe. Com isto tudo, ainda vamos descobrir que mãe é uma espécie de acrónimo ultrassecreto, nele contendo as características mais estanhas e que misturadas são um caso sério, uma palavra que, com três letrinhas apenas, representa o que de maior o mundo tem. Por exemplo, M de mulher, A de amiga, E de esposa e o til, que serve como um íman que junta todos os elementos. Ou então M de médica, A de amante e E de educadora. E podíamos estar aqui bastante tempo a fazer os vários tipos de ligações existentes. Mas o que quero explicar é a complexidade de se ser mãe. “Mãe” não significa ser-se só mãe, estão-lhe inerentes outras características e posições com as quais tem de lidar diariamente e - como é esperado - lidar de uma forma excelente. Se por qualquer razão algo falha, a coisa fica complicada, quer em termos de pressão e repressão social, quer em termos de pressão e repressão familiar e (mais complicado ainda) pressão e repressão pessoal. É verdade: quaisquer que sejam as posições de uma mulher, de uma mulher mãe é esperado que as cumpra todas… e bem! 


Mas como já era de esperar, isto também é só uma parte de como se escreve a pequena palavra mãe. Afinal, as birras que atura e que, por qualquer razão, têm uma forte tendência a acontecer em público e a envergonhar a progenitora; as noites muito mal dormidas; o medo constante de que algo de mal possa acontecer; a também muito persistente luta interior que teima em incomodar as mães deste mundo; a dúvida que surge sempre numa mãe nos momentos de decisão; o pensamento que teima em realçar o medo de não se estar a fazer o melhor; o perdão sempre presente; as lágrimas também… Mas é mãe e estará sempre para o que der e vier nem que isso signifique ainda mais sacrifício, mais esforço, mais noites mal dormidas. 


E como é que eu sei? Afinal, não sou mãe. A resposta é simples: tenho uma.



Maria João Santos, 12.º LH2