domingo, 15 de maio de 2016

Vozes no vento que passa




Há sempre alguém que semeia /
Canções no vento que passa” (Manuel Alegre)



Afinal, o que são canções? Talvez sejam meras palavras escritas ou então projeções de pensamentos partilhados por muitos, ideias transformadas em vozes que querem ser ouvidas. Há sempre vozes que se fazem ouvir e que ecoam, que alimentam a esperança de uns e atormentam a mente de outros. 

A história da humanidade é marcada por pontos de viragem, como resultado da vontade e coragem de vozes incógnitas que se impuseram perante o poder, quer político, quer social, procurando lutar por aquilo em que acreditavam. Estes marcos na história mundial foram impulsionados por uma voz que deu voz a outras vozes, que juntas revolucionaram e juntas venceram.
As manifestações e revoluções do mundo semearam novas mentalidades no vento, que foi fugazmente passando e fora o cúmplice das vozes que se ergueram.

Há sempre uma canção prestes a nascer, que anseia brotar. São precisas vozes que ecoem à medida que o vento passa e que, com ele, sejam propulsoras da mudança. É preciso um alguém que seja a voz de mil vozes, de mil vontades e em cada dia "Há sempre alguém que semeia/ Canções no vento que passa".

Bárbara Lopes, 12.º CT3

segunda-feira, 9 de maio de 2016

“O Amante Japonês” de Isabel Allende



 a ler...


Isabel Allende, escritora chilena conhecida por diversos livros de sucesso mundial, presenteou, em 2015, o seu público com “O Amante Japonês”, uma história fascinante que joga com a geografia e a História, transportando-nos para épocas e lugares diferentes, ainda que longe da magia da “Casa dos Espíritos”, ou de “Eva Luna”. De qualquer forma, a autora mantém-se uma contadora exímia que se aventura no domínio dos amores interditos.



Após a morte do marido, Alma, uma judia polaca octogenária, vai instalar-se numa residência para idosos, perto de San Francisco, onde vai simpatizar com uma jovem enfermeira Moldava, Irina, que também tinha um passado particularmente doloroso. Apesar de diferentes origens e da diferença etária, as duas mulheres vão descobrir fortes afinidades. A proximidade entre as duas permite que o jovem Seth, neto de Alma, se aproxime de Irina, e vão procurar descobrir a identidade do remetente das cartas que Alma recebe semanalmente. Assim se cria a oportunidade de ouvir a narração de uma história de amor incomum entre Alma e Ichimei, um refugiado judeu e jardineiro japonês, que fora seu companheiro de infância. São múltiplas as personagens protagonistas de diversas intrigas que se cruzam e nos prendem até às últimas páginas.



É Uma história de amor que vai além dos preconceitos religiosos, sociais e raciais, uma evocação comovente de factos históricos na América, dos quais raramente ouvimos falar, como a deportação de nipo-americanos durante a Segunda Guerra Mundial. A evocação da comunidade judaica americana através do testemunho de Alma está muito bem feito também. Enfim, um amor condenado e frustrado, mas resistente.



Mais do que uma história romântica e comovente - Aliás, são duas as histórias de amor, pois Irina e Seth também vão viver a sua - é um livro de cujo enredo brotam temas polémicos e atuais: a velhice, a eutanásia, a memória, a homossexualidade, a intolerância e o racismo, a pedofilia, sem que se perca a unidade e a clareza.



                                                                                                                       
 Leonilde Rodrigues


domingo, 8 de maio de 2016

Muito para além das aparições

... a ler



O livro Em teu ventre foi escrito por José Luís Peixoto, um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea. A sua obra ficcional e poética encontra-se traduzida em vários idiomas, tendo já recebido vários prémios nacionais e internacionais, facto que traduz o notável reconhecimento que tem tido por parte da crítica especializada e do público em geral.  
 




A ação desta novela decorre em 1917, de maio a outubro, período durante o qual tiveram lugar as aparições de Fátima. A protagonista é precisamente a pequena Lúcia, uma das três crianças a quem uma Senhora mais brilhante que o sol terá aparecido. No entanto, a narrativa não vai centrar-se no mistério nem nas questões de fé que envolvem este episódio, mas sim privilegiar o quotidiano familiar desta criança, integrando-a no ambiente da época, fornecendo, desta forma, um retrato do Portugal rural do início do século XX, atormentado pela guerra e ávido de esperança.

Assim, o narrador vai contando factos ocorridos ao longo dum período de seis meses, mas este relato não é linear. É feito de instantes, centrados ora em Lúcia, ora noutras personagens que gravitam à sua volta e com as quais ela se relaciona: Maria Capelinha, as irmãs mais velhas, os primos Jacinta e Francisco, o padre, entre outras. Mas são as relações estabelecidas com a mãe que o narrador nitidamente evidencia, destacando a complexidade, a contradição, muitas vezes: a mãe ralha, a mãe é dura, até cruel, mas é a mãe que a protege da multidão asfixiante, é o rosto da mãe que Lúcia procura, no desespero. E desta maneira, o narrador atribui maior força e protagonismo à figura maternal como, de resto, acontece nos discursos na primeira pessoa, que invadem a ação. Constituem uma outra voz, a mãe do autor, entidade ficcional, que comenta os factos narrados e faz deles pretextos para uma memória, uma acusação, um desabafo tardio, uma crítica.  

Outro facto que contribui de forma determinante para a originalidade da estrutura desta obra é a inserção de momentos poéticos muito belos, sob a forma de versículos, onde são feitas reflexões profundas sobre a força das palavras, os valores, o mundo e também, mais uma vez, sobre a maternidade, tema particularmente relevante na obra e logo anunciado no título.

Ora, é certo que esta pluralidade de tipos de discursos e de vozes constitui um desafio para o leitor: exige uma leitura mais atenta e a capacidade de relacionar textos tão diversos, sem perder o fio condutor da história, o que nem sempre é tarefa fácil. Contudo, esta diversidade faz também com que o livro não se limite à evocação árida e linear de uma época e de um acontecimento, construída com base em pesquisas e com um leve toque ficcional.

 O que verdadeiramente encanta neste livro, o que fica depois da leitura é a força e a profundidade das muitas reflexões (“As palavras são imperfeitas/ quando tentam dizer aquilo/ que é maior do que elas”), a verdade das relações humanas entre mãe e filha e a ternura de alguns momentos perspetivados pela sensibilidade de uma criança de dez anos que adora brincar com pedrinhas e que, obedientemente, corre à capoeira para buscar um ovo que a mãe lhe pediu para a sopa, mas pede perdão à galinha - porque sabia que estava a tirar-lhe, para sempre, algo muito querido. São estas delicadezas de pensamento que fazem deste livro muito mais do que uma recriação de um episódio do início do século XX. 

 Maria Bita, 12.º LH1

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Concurso "Palavra, Imagem e Música" | Eram dois, agora são quatro



Concorrente: Sara Nobre

Pseudónimo: Catarina Rey

Trabalho: Eram dois, agora são quatro


Concurso "Palavra, Imagem e Música | LU(i)XO POLÍTICO



Concorrente: Margarida dos Santos Louro

Pseudónimo: RVela-te

Trabalho: LU(i)XO POLÍTICO