quinta-feira, 19 de maio de 2016

A grandeza maternal




Revisitação da quadra popular “Com três letrinhas apenas/

Se escreve a palavra mãe;/ É das palavras pequenas/ A maior que o mundo tem”
 


De repente, dá-se uma espécie de mini Big Bang e já está. Está feito! Depois, cresce, cresce, cresce e cresce. Passado então algum tempo, as coisas agitam-se, temos o estrogénio, a progesterona, a oxitocina e mais umas quantas hormonas a percorrer o corpo, trazendo com elas alterações bastante intimidantes. No final, ouve-se um choro e pronto, está cá fora. 


Realmente, esta pode ser a descrição, um tanto ou quanto científica e muito, muito breve, mas uma descrição de duas pessoas que adquirem novas posições. Temos a mulher que passa a ser, também, mãe e temos a criança que passa a ser, também, filho. E parir não é tudo, é verdade, não é isso que forma totalmente uma mãe. Por isso, assumimos que o conceito de mãe se possa estender, também, a todos aqueles que cuidam e criam. Deixamos já aqui esclarecida esta questão. 


Peguemos, então, na palavra mãe e, automaticamente, lembramo-nos de características, comportamentos, ideias que ligamos e relacionamos diretamente com a mãe: a comida caseira que liberta um perfume bastante atrativo e que é capaz de alimentar a vizinhança toda e arredores; o beijinho que cura tudo, desde o mais singelo dói-dói a uma cabeça rachada, e a dor passa como que por magia; o orgulho que extravasa quando o seu pequeno atinge um objetivo. Dá-nos os conselhos todos e mais alguns e, mesmo assim, lá vamos nós com a mania de que sabemos tudo e de que não precisamos de quaisquer conselhos. Algo corre mal e lá voltamos a chorar baba e ranho, a pensar que a nossa mãezinha tinha toda a razão, apesar de o nosso bastante desenvolvido orgulho raramente nos deixar admiti-lo perante ela. É claro que isto se trata de uma pequena parte desta bastante complexa relação mãe e filho. Mas quero agora debruçar-me sobre a mãe e só a mãe.


Mãe. Com isto tudo, ainda vamos descobrir que mãe é uma espécie de acrónimo ultrassecreto, nele contendo as características mais estanhas e que misturadas são um caso sério, uma palavra que, com três letrinhas apenas, representa o que de maior o mundo tem. Por exemplo, M de mulher, A de amiga, E de esposa e o til, que serve como um íman que junta todos os elementos. Ou então M de médica, A de amante e E de educadora. E podíamos estar aqui bastante tempo a fazer os vários tipos de ligações existentes. Mas o que quero explicar é a complexidade de se ser mãe. “Mãe” não significa ser-se só mãe, estão-lhe inerentes outras características e posições com as quais tem de lidar diariamente e - como é esperado - lidar de uma forma excelente. Se por qualquer razão algo falha, a coisa fica complicada, quer em termos de pressão e repressão social, quer em termos de pressão e repressão familiar e (mais complicado ainda) pressão e repressão pessoal. É verdade: quaisquer que sejam as posições de uma mulher, de uma mulher mãe é esperado que as cumpra todas… e bem! 


Mas como já era de esperar, isto também é só uma parte de como se escreve a pequena palavra mãe. Afinal, as birras que atura e que, por qualquer razão, têm uma forte tendência a acontecer em público e a envergonhar a progenitora; as noites muito mal dormidas; o medo constante de que algo de mal possa acontecer; a também muito persistente luta interior que teima em incomodar as mães deste mundo; a dúvida que surge sempre numa mãe nos momentos de decisão; o pensamento que teima em realçar o medo de não se estar a fazer o melhor; o perdão sempre presente; as lágrimas também… Mas é mãe e estará sempre para o que der e vier nem que isso signifique ainda mais sacrifício, mais esforço, mais noites mal dormidas. 


E como é que eu sei? Afinal, não sou mãe. A resposta é simples: tenho uma.



Maria João Santos, 12.º LH2

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Mãe



"Com três letrinhas apenas/ se escreve a palavra mãe;

/ é das palavras pequenas/ a maior que o mundo tem."



“Já vou!” - esta é provavelmente a frase que mais grito à minha mãe diariamente; porventura, proclamo-a ainda mais que as expressões “Amo-te” e “Preciso de dinheiro”, também bastante presentes nos nossos diálogos. Mas pondo de parte estas comuns expressões, o que há mais a dizer sobre uma mãe?


Não é por mero acaso que todos nós, independentemente das nossas diferenças, partilhamos algo comum: todos temos, ou tivémos, uma mãe. Não é fantástico pensar que somos bocados de outros bocados? Somos um cocktail genético originado da mistura de duas pessoas e centenas de gerações. Contudo, como definir uma mãe?


As maiores construtoras de sonhos são as mães e… o que seria do mundo sem sonhos? São elas que, tendo o melhor ou pior, o mais bonito ou mal parecido, o talentoso ou desastroso filho, estão na primeira fila a apoiá-lo e a admirá-lo. Na palavra mãe residem os maiores mistérios do mundo: a vida e o sucesso dela. Elas ensinam as bases de tudo o que há para saber e dão-nos as mais saborosas receitas: como persistir e alcançar. Sem elas, o universo não seria universo.


As mães são as maiores inventoras do mundo. Acredito firmemente que, a partir do momento em que a primeira mulher do planeta escolheu amar, sacrificar-se e doar-se constantemente a um ser sem manual de instruções, garantia ou reembolso, a palavra altruísmo nasceu. Como podem três letras sustentar um mar de imensuráveis poemas?


Assim, esta quadra explica em poucas palavras o que nem um milhão de livros pode descrever: o valor de uma mãe. Reconheço isto porque a minha é a melhor amiga, apoiante e exemplo que alguém poderia ter. Se sei que posso conquistar o mundo e todos os meus sonhos é por causa dela, e isso, meus senhores, não tem preço nem tamanho.


Ghyovana Carvalho, 12.º LH2

terça-feira, 17 de maio de 2016

Todos querem chegar a velhos, mas ninguém quer que lho chamem



“Velhos? Velhos são os trapos!” É com esta indignação que reagem as pessoas quando tratadas de tal forma. Diria que não é fácil encarar o desafio da velhice sem a sensação de quase vergonha. As rugas, a falta de visão, a falta de vigor no andar… Mas tais limitações não incapacitam as pessoas de amar, de criar, de cuidar ou de ensinar… Talvez seja por esta razão que tantos se sentem ofendidos quando lhes é atribuída tal designação, pois é quando sentem a impotência que outrora não sentiam.


Durante toda a vida procuramos incessantemente a nossa independência, desde o momento em que tentamos dar os primeiros passos sozinhos até à altura de nos vestirmos da forma que gostamos e queremos ou até a sairmos de casa dos nossos pais. Queremos crescer a todo o custo e depois, quando finalmente atingimos esse objetivo, quando finalmente crescemos, começamos a sentir-nos velhos! E o problema não está na idade; o problema está em não sabermos aproveitar o que conquistámos. 


A juventude não é simplesmente um período da vida, mas sim um estado de espírito. Não é por termos vivido certo número de anos que envelhecemos. Envelhecemos, sim, quando perdemos a vontade de viver e deixamos de encarar a vida com o entusiasmo com que a encarávamos há vinte ou trinta anos.


Como afirma a minha avó, do alto dos seus 83 anos, “o ideal mesmo seria juntar a irreverência e a vontade de viver que temos durante a juventude com a sabedoria que só temos a partir de certa idade.”


Ana Vieira, 12.º CT3