quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A propósito do Dia de dizer “Obrigado”



A importância das palavras mágicas

 

Na rotina dos nossos dias, pouca atenção damos às palavras que usamos e ouvimos. Vivemos mais de imagens, de movimento, de objetos e, no entanto, na sua simplicidade, é enorme o poder de algumas palavras. São, por isso, mágicas e podem realizar pequenos milagres, tornando as nossas relações com os outros bastante mais fáceis e agradáveis.
                 
De facto, se tivermos aprendido bem os ensinamentos dos nossos pais, diremos quase mecanicamente “Obrigado”, quando queremos agradecer, e “Por favor”, sempre que precisamos de pedir alguma coisa. Assim ditas, tão naturalmente, poderá até parecer que não acrescentam nada ao nosso discurso. Mas estas palavras breves não são de todo vazias ou desnecessárias. Elas traduzem as boas maneiras e a delicadeza que nos ensinaram a ter com os outros e é por isso que contribuem de forma determinante para a harmonia nas interações sociais. Tratar bem os outros é o primeiro passo para se ser bem tratado.
                
Por vezes, em diálogos difíceis que fazem parte inevitável do quotidiano, o uso destas palavras pode ser uma forma de combater a frieza, a agressividade ou o mau humor dos outros, porque são palavras que não ofendem, não magoam, nem humilham. Pelo contrário: são palavras que respeitam e valorizam. Por isso, são agradáveis. 
               
 Por outro lado, a importância destas palavras reside também no facto de refletirem valores que são fundamentais nas relações humanas. A gratidão, a humildade e o respeito que devemos uns aos outros estão presentes em cada “Obrigado”, em cada “ Por favor”, em cada “Com licença” que dizemos e ouvimos.

O relacionamento com os outros nem sempre é fácil, mas a delicadeza e o respeito nas palavras que usarmos poderá ser uma forma simples e quase mágica de resolver problemas.
 José Bita, 10.º CT1


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

"Lionel Asbo" de Martin Amis



A ler...


Durante o expediente matinal na prisão, Lionel Asbo, um delinquente de médio porte de Diston, recebe a notícia de que ganhou 139 milhões de libras na lotaria.

Último rebento de Grace, cuja prole aos dezanove anos ascendia a sete, Lionel partilha a casa com o sobrinho órfão adolescente, Desmond Pepperdine, e com dois pittbull, Joe e Jeff, que alimenta com uma dieta de tabasco e maus-tratos.

Uma vez posto em liberdade, a fabulosa riqueza catapulta-o naturalmente para uma vida de excessos e gastos estratosféricos que, em substância, não difere muito do quotidiano de sarilhos e arruaças da anterior, só que agora vive nas primeiras páginas dos tabloides. Lionel continua a preferir pornografia à companhia de uma mulher (pornografia que, com a prisão, constitui para ele um dos pilares fundamentais da existência); persiste na educação férrea dos cães (outrora uma importante ferramenta do negócio); e em não prestar qualquer tipo de auxílio financeiro a nenhum membro da família.
Enquanto Lionel desbarata a fortuna a um débito alucinante, e espreme todos os proveitos que pensa poder retirar da fama – Des, o sobrinho, está nos antípodas: é um rapaz inteligente e sensato, que procura no estudo e no trabalho, e numa relação estável, um sentido para a vida.




Lionel Asbo é um romance cómico, visceral, hiperbólico – e uma sátira da Inglaterra dos nossos dias e da obsessão contemporânea pelo dinheiro e pela celebridade.

Para te inteirar, no primeiro capítulo há um diálogo entre o protagonista (Asbo) e o sobrinho (Des) que, juntamente com os cães Joe e Jeff vivem no bairro londrino Diston Town. Asbo (cujo nome, adotado por ele, designa comportamento antissocial), arruaceiro e amigo do alheio, acumula várias penas de prisão até lhe sair a sorte grande.

A diferença entre duas pessoas, tanto a nível físico como psicológico tão notória neste livro, é ao mesmo tempo maravilhosa. Des é muito ponderado e tenta mudar os comportamentos desviantes do tio. É muito “low profile”:

“E no pátio da escola? Julgando pelas aparências, Des era um dos principais candidatos à perseguição. Raramente fazia gazeta,  nunca dormia nas aulas, não assaltava os professores nem ia injetar-se para os sanitários – e preferia a companhia do sexo mais gentil (...).”

Des é tão tímido que uma das primeiras namoradas é ninguém menos que a própria avó Grace, ainda muito “enxuta” na casa dos quarenta. Inicia-se aqui uma relação incestuosa com a mãe do seu tio facínora que irá atormentar o pobre Des.

Como vês, esta história tem ingredientes que nos levam para mundos diferentes onde comportamentos díspares convivem lado a lado.

Não vais querer perder este romance, com toda a certeza.
Boas leituras.
A professora Adélia Maranhão