sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A importância de tratar/ chamar as pessoas pelo nome



A propósito do dia do nome


Filipa, Josefa, Adelaide, Constança, Ana, Afonso, Gonçalo, André, Pedro, Filipe, Maria, Madalena, Inês, Soledade, Amadeu, António, Beatriz, Alexandre, Miguel, Felicidade, Teresa, José, Carlos, Joaquim, Nuno, Rui, Cátia, Ana, Marta, David, Bruno, Diogo, Duarte, Luísa, Joaquina, Guilherme, Tiago, Mafalda, Vanessa… são alguns nomes ou sobrenomes da língua portuguesa, uns mais recentes, outros mais antigos. Todos nós temos alguém que passa nas nossas vidas com nomes como estes ou combinações destes, algo do género ou não. Há também aquelas que, por algum motivo, se tornam importantes, se fazem conhecer e com quem acabamos por ter certas relações de proximidade ou, pelo contrário, podemos saber o seu nome e nem lhes falarmos.

Mas, afinal, qual é a importância de tratar alguém pelo nome?
No meu ponto de vista, muita é essa importância porque são enormes os grupos de pessoas que se encontram em escolas, no trabalho, centros comercias, zonas públicas de convívio. Nesses locais, encontramos, ou não, pessoas com quem nos damos bem, de quem não gostamos, de que sabemos só o nome, não conhecemos ou outras categorias de inserção das pessoas à nossa volta.

E efetivamente tratar alguém pelo seu nome tem benefícios nas relações interpessoais. Chamar alguém pelo seu nome acaba talvez por nos aproximar; permite que o outro não seja só uma pessoa, mas sim aquela pessoa; o sujeito que era desconhecido e ao qual acabo por atribuir uma distinção (sim, porque afinal o nome distingue-nos) agora passa a ser a pessoa que chamo pelo nome, porque a conheço e sei que será assim ou não; passo a conhecer um pouco desse ser e, numa multidão, já não é só um rosto, é um nome, um alguém, um ser.

Saber o nome dos outros permite que os possamos tratar com uma certa aproximação. Não sendo só uma cara, agora esse rosto tem nome, tem identificação passível de ser utilizada, mas, no fundo, um rótulo, tal como nos supermercados atribuímos rótulos aos produtos. Um nome, no meu ponto de vista, é parte de um rótulo, rótulo esse que nos caracteriza e identifica como pessoa.

Na minha vida já me cruzei com variados seres de diferentes raças e etnias, provavelmente como todos nós e, naturalmente procuramos saber o nome desses - quando não há apenas um cruzamento ocasional - e, se não formos muito esquecidos, identificá-lo-emos daí para a frente.

Ora, se disser Edgar, alguns lembrar-se-ão de Edgar Allan Poe; se disser Afonso, muitos se lembrarão do nosso primeiro rei; Gil talvez atribuamos a Gil Vicente, Cristiano, ao Ronaldo; Fernando, ao escritor Fernando Pessoa; Vasco, a Vasco da Gama; Marcelo, ao professor Marcelo, nosso atual Presidente da República; Abel atribuiremos a Abel Salazar. Então, e se for António, Orlando, Pedro, Manuel, Carlos, Rosa, Vanessa, Nélson, Rui, Belmiro, Camilo, Florbela, Amália? Todos eles nos lembrarão uma figura pública, a todos estes nomes associaremos alguém ou que é conhecido ou que nos marcou pessoalmente ou simplesmente um nome de um amigo, de um familiar, de uma personagem daquele livro que lemos ou filme que vimos; um nome já ouvido e ao qual talvez de momento não associemos ninguém.

Porém, um nome acaba por nos marcar porque se conhecemos um individuo, de que não gostamos, com esse nome já não lhe achamos tanta graça; ou, se pelo contrário, admirarmos alguém com esse nome talvez já queiramos atribuí-lo aos nossos filhos.

Ao longo dos tempos as pessoas acabaram por atribuir certas qualidades a determinados nomes ou até achar que temos mais cara de outro nome que não o nosso ou, pelo contrário, que este nos "encaixa que nem uma luva".

A entoação que se dá a um nome, a forma como se diz ou por quem é dito difere, obviamente. Contudo, se a nossa mãe nos chama daquela maneira que nós já sabemos de cor, rotulada como sinal que "vai chover", já sabemos que coisa boa não é e ficamos em dúvida… "será chuva, será gente?".

Até que acabamos por nos identificar com os nossos nomes: eu, normalmente, não digo que tenho o nome daquela rapariga, mas sim que ela tem o mesmo nome que eu, porque este é o meu nome, apesar de também ser o dela. Identificamo-nos, portanto, com o nosso nome, uma forma de nos distinguirmos, de sobressairmos na sociedade, entre amigos e família.

Concluindo: um nome é muito importante para nos definir, distinguir, realçar, destacar entre os demais que nos rodeiam e que interagem na nossa teia de contactos, para nos aproximar deles como um ser único.


Francisca Reis, 10.º CT1

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Boletins Bibliográficos n.º 73 e 74 Portugueses I e II


O Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro




Ruy Belo, Homem de palavra(s)





sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Taiye Selasi



... a ler


Taiye Selasi nasceu em Londres, a 2 de novembro de 1979, e foi criada em Massachusetts. O pai, do Gana, vive na Arábia Saudita, e a mãe, nigeriana, vive no Gana. 


 
Taiye Selasi tem um bacharelato de Yale em Estudos Americanos e uma licenciatura de Oxford em Relações Internacionais. Vive entre Nova Iorque e Nova Deli e, atualmente, em Roma.

Com textos que figuram nas melhores publicações de contos e de ficção breve (“Granta e Best American Short Stories”), Taiye Selasi tem sido fortemente aclamada pelo seu primeiro romance publicado em Portugal e em mais quinze países “A Beleza das Coisas Frágeis” (“Ghana Must Go”), que pode encontrar na BECP.




Esta obra tem o trunfo de pertencer a uma era de transfiguração social norte-americana, onde minorias étnicas, com todo o mérito, ascendem e se estabelecem numa classe média robusta. Incluídos estão os filhos de imigrantes africanos voluntários, por contraste ao passado esclavagista. São a nova burguesia endinheirada, com profissões liberais e salários estáveis, capaz de dar voltas ao estômago da direita conservadora americana: procuram quebrar (com força) estereótipos que persistam – e persistem.

Aquilo a que a autora tem vindo a apelar, um mundo onde as categorias literárias não sejam pautadas pela etnia ou localização geográfica (a literatura africana, por exemplo), está lado a lado com breves comentários sociais sobre ser-se negro na América de hoje. Para além da temática da perda e do “descobre-te a ti mesmo”, “A Beleza das Coisas Frágeis” sugere uma consolidação de um mundo globalizado que não sente saudade alguma da sua pesada herança colonial.

Em 2013 Selasi foi selecionada como um dos Granta 's 20 Melhor Jovem escritores britânicos.

Selasi colabora frequentemente com outros artistas. Em 2012 em parceria com o arquiteto David Adjaye cria o Gwangju Rio Sala de Leitura, uma biblioteca ao ar livre, erguida em 2013 no âmbito do Folly II da Bienal de Gwangju.  Taiye Selasi é produtora executiva de Afripedia, uma série de documentários sobre criativos africanos urbanos, está a desenvolver Exodus, um documentário sobre a migração global. 



Em TAD Talk, outubro 2014 a autora fez uma apresentação sobre “Quando alguém vos pergunta de onde são... por vezes não sabem como responder?”

Taiye Selasi fala em nome das pessoas "multilocais" que se sentem em casa na cidade onde cresceram, na cidade onde vivem hoje e talvez em mais um ou dois locais. "Como é que eu posso pertencer a uma nação?" pergunta. "Como é que um ser humano pode derivar dum conceito?"
Luísa Torres