segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A importância de chamar uma pessoa pelo seu nome

 

A propósito do dia do nome



Todos merecemos um nome. As pessoas, os objetos grandes e pequenos, tudo o que é real ou sobrenatural. Até a mais ínfima coisa do universo tem um nome, como os átomos ou os protões.

Ter um nome é um direito que assiste às pessoas e também às coisas. A verdadeira importância está em ser tratado pelo nosso nome, visto que a sociedade se tornou, lamentavelmente, numa mistura heterogénea de “doutores”, “capitães”, “professores” e “os outros”. São estes títulos que definem o lugar de uma pessoa na comunidade e a sua formação académica. Dito de outra forma, estes títulos são como rótulos. 

Na minha perspectiva, é o nome que permite estabelecer um contacto próximo com as pessoas e criar referências pessoais. Para além disto, o nome, sendo tão importante como o cabelo, a cor dos olhos ou o tom de pele, é uma componente da identidade da pessoa.

Há milhares de pessoas com os mesmos nomes (próprios), mas o nosso nome é composto por vários nomes, geralmente dos nossos antepassados. Assim, posso dizer que é este que permite dar continuidade às famílias, visto que prevalece ao longo do tempo e ao longo das gerações. 

Sem o nome, a pessoa torna-se como uma folha, importante para a planta enquanto está agarrada a ela, mas, após cair, é esquecida e nada fica para fazer com que essa pessoa, que partiu, possa prevalecer na memória das que ficaram. 

A vida, se antes era uma longa caminhada, tornou-se uma corrida, na qual o ser humano deixou de perder tempo com as coisas que considera menos importantes, como o nome dos outros. Talvez um dia se venha, também, a esquecer do seu.

            Laura Franco, 10.º CT1

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A importância de tratar/ chamar as pessoas pelo nome



A propósito do dia do nome


Filipa, Josefa, Adelaide, Constança, Ana, Afonso, Gonçalo, André, Pedro, Filipe, Maria, Madalena, Inês, Soledade, Amadeu, António, Beatriz, Alexandre, Miguel, Felicidade, Teresa, José, Carlos, Joaquim, Nuno, Rui, Cátia, Ana, Marta, David, Bruno, Diogo, Duarte, Luísa, Joaquina, Guilherme, Tiago, Mafalda, Vanessa… são alguns nomes ou sobrenomes da língua portuguesa, uns mais recentes, outros mais antigos. Todos nós temos alguém que passa nas nossas vidas com nomes como estes ou combinações destes, algo do género ou não. Há também aquelas que, por algum motivo, se tornam importantes, se fazem conhecer e com quem acabamos por ter certas relações de proximidade ou, pelo contrário, podemos saber o seu nome e nem lhes falarmos.

Mas, afinal, qual é a importância de tratar alguém pelo nome?
No meu ponto de vista, muita é essa importância porque são enormes os grupos de pessoas que se encontram em escolas, no trabalho, centros comercias, zonas públicas de convívio. Nesses locais, encontramos, ou não, pessoas com quem nos damos bem, de quem não gostamos, de que sabemos só o nome, não conhecemos ou outras categorias de inserção das pessoas à nossa volta.

E efetivamente tratar alguém pelo seu nome tem benefícios nas relações interpessoais. Chamar alguém pelo seu nome acaba talvez por nos aproximar; permite que o outro não seja só uma pessoa, mas sim aquela pessoa; o sujeito que era desconhecido e ao qual acabo por atribuir uma distinção (sim, porque afinal o nome distingue-nos) agora passa a ser a pessoa que chamo pelo nome, porque a conheço e sei que será assim ou não; passo a conhecer um pouco desse ser e, numa multidão, já não é só um rosto, é um nome, um alguém, um ser.

Saber o nome dos outros permite que os possamos tratar com uma certa aproximação. Não sendo só uma cara, agora esse rosto tem nome, tem identificação passível de ser utilizada, mas, no fundo, um rótulo, tal como nos supermercados atribuímos rótulos aos produtos. Um nome, no meu ponto de vista, é parte de um rótulo, rótulo esse que nos caracteriza e identifica como pessoa.

Na minha vida já me cruzei com variados seres de diferentes raças e etnias, provavelmente como todos nós e, naturalmente procuramos saber o nome desses - quando não há apenas um cruzamento ocasional - e, se não formos muito esquecidos, identificá-lo-emos daí para a frente.

Ora, se disser Edgar, alguns lembrar-se-ão de Edgar Allan Poe; se disser Afonso, muitos se lembrarão do nosso primeiro rei; Gil talvez atribuamos a Gil Vicente, Cristiano, ao Ronaldo; Fernando, ao escritor Fernando Pessoa; Vasco, a Vasco da Gama; Marcelo, ao professor Marcelo, nosso atual Presidente da República; Abel atribuiremos a Abel Salazar. Então, e se for António, Orlando, Pedro, Manuel, Carlos, Rosa, Vanessa, Nélson, Rui, Belmiro, Camilo, Florbela, Amália? Todos eles nos lembrarão uma figura pública, a todos estes nomes associaremos alguém ou que é conhecido ou que nos marcou pessoalmente ou simplesmente um nome de um amigo, de um familiar, de uma personagem daquele livro que lemos ou filme que vimos; um nome já ouvido e ao qual talvez de momento não associemos ninguém.

Porém, um nome acaba por nos marcar porque se conhecemos um individuo, de que não gostamos, com esse nome já não lhe achamos tanta graça; ou, se pelo contrário, admirarmos alguém com esse nome talvez já queiramos atribuí-lo aos nossos filhos.

Ao longo dos tempos as pessoas acabaram por atribuir certas qualidades a determinados nomes ou até achar que temos mais cara de outro nome que não o nosso ou, pelo contrário, que este nos "encaixa que nem uma luva".

A entoação que se dá a um nome, a forma como se diz ou por quem é dito difere, obviamente. Contudo, se a nossa mãe nos chama daquela maneira que nós já sabemos de cor, rotulada como sinal que "vai chover", já sabemos que coisa boa não é e ficamos em dúvida… "será chuva, será gente?".

Até que acabamos por nos identificar com os nossos nomes: eu, normalmente, não digo que tenho o nome daquela rapariga, mas sim que ela tem o mesmo nome que eu, porque este é o meu nome, apesar de também ser o dela. Identificamo-nos, portanto, com o nosso nome, uma forma de nos distinguirmos, de sobressairmos na sociedade, entre amigos e família.

Concluindo: um nome é muito importante para nos definir, distinguir, realçar, destacar entre os demais que nos rodeiam e que interagem na nossa teia de contactos, para nos aproximar deles como um ser único.


Francisca Reis, 10.º CT1

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Boletins Bibliográficos n.º 73 e 74 Portugueses I e II


O Portugal futuro é um país
aonde o puro pássaro é possível
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crianças desenharão a giz
esse peixe da infância que vem na enxurrada
e me parece que se chama sável
Mas desenhem elas o que desenharem
é essa a forma do meu país
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal será e lá serei feliz
Poderá ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele será novo desde os ramos à raiz
À sombra dos plátanos as crianças dançarão
e na avenida que houver à beira-mar
pode o tempo mudar será verão
Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro




Ruy Belo, Homem de palavra(s)