sábado, 24 de junho de 2017

Virginia Woolf



... a ler

Adeline Virginia Woolf nasceu em Kensington, Reino Unido a 25 de janeiro de 1882 e foi escritora, ensaísta e editora britânica, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo.

Cresceu e foi educada pelos pais, que eram bastante liberais em relação à educação dos filhos.

Virginia Woolf começou a escrever ainda muito jovem e publicou o seu primeiro romance em 1915 “A Viagem” (“The Voyage Out” ) que se encontra disponível na Biblioteca Escolar Clara Póvoa




e que abriu o caminho para a sua carreira como escritora e uma série de obras notáveis.
Virginia Woolf era filha do escritor, historiador, ensaísta e biógrafo Sir Leslie Stephen e da sua segunda esposa Julia Prinsep Jackson, que era enfermeira e escreveu um livro sobre a sua profissão.

Desde que nasceu até 1895, Woolf passava as suas férias de verão numa pequena cidade St. Ives, na casa de praia dos pais, que tinha uma vista para um farol “Godrevy Lighthouse” e lhe serviu de inspiração para a sua escrita. Virginia descreveu o local nas suas memórias :

"Nossa casa era [...] no morro. [...] Tinha uma ótima vista [...] de toda a baía até o farol Godreyver. Na encosta do morro, havia pequenos gramados que eram emoldurados por moitas maiores [...]. Entrava-se em Talland House por um grande portão de madeira – [...] e vinha-se, então, à direita para Lugaus [...] De Lugaus, tinha-se uma visão bastante clara da baía."

Apesar de ser uma rapariga alegre, curiosa e brincalhona, sofreu algumas perdas pessoais, que originaram o seu primeiro colapso mental, com apenas 13 anos.

No dia 10 de agosto de 1912 casou com Leonard Woolf.
Após a morte do pai, Virginia e os seus irmãos venderam a casa de família e compraram uma casa na zona de Bloomsbury. Nesta época Virginia conheceu vários membros do Grupo de Bloomsbury, grupo de intelectuais, artistas e críticos de arte. Virginia era membro do Grupo de Bloomsbury e desempenhava um papel importante dentro da sociedade literária londrina durante o período entre guerras.

 Os seus trabalhos mais famosos incluem os romances “Mrs. Dalloway”, publicado em 1925,”To the Lighthouse” (“ Rumo ao Farol”), em 1927  e “Orlando” em 1928, assim como o livro-ensaio  “A Room of One's Own” (“Um quarto que seja seu”) em 1929,um trabalho feminista, onde faz uma análise do papel da mulher na literatura  onde se encontra a famosa citação "Uma mulher deve ter dinheiro e um teto todo seu se ela quiser escrever ficção".

Em 1937 Woolf publicou  sua última obra “”The Years” e no ano seguinte publicou “Three Guineas”, um ensaio que examina a dificuldade que escritoras e intelectuais mulheres enfrentam graças ao fato dos homens deterem desproporcionalmente o poder legal e económico, assim como o futuro das mulheres na educação e sociedade, para além de continuar a referir o tema do feminismo também abordava o fascismo e a guerra.
Ao longo da sua vida Woolf falou regularmente em universidades, escreveu cartas dramáticas e uma longa lista de “short stories”

O seu marido esteve sempre ao lado de Virginia e presenciou a evolução do seu desespero. Virginia Woolf suicidiou-se em 1941, com 59 anos.

Em seu último bilhete para o marido, Leonard Woolf, Virginia escreveu:
“Querido,
Tenho certeza de que enlouquecerei novamente. Sinto que não podemos passar por outro daqueles tempos terríveis. E, desta vez, não vou me recuperar. Começo a escutar vozes e não consigo me concentrar. Por isso estou fazendo o que me parece ser a melhor coisa a fazer. Você tem-me dado a maior felicidade possível. Você tem sido, em todos os aspetos, tudo o que alguém poderia ser. Não acho que duas pessoas poderiam ter sido mais felizes, até a chegada dessa terrível doença. Não consigo mais lutar. Sei que estou estragando a sua vida, que sem mim você poderia trabalhar. E você vai, eu sei. Veja que nem sequer consigo escrever isso apropriadamente. Não consigo ler. O que quero dizer é que devo toda a felicidade da minha vida a você. Você tem sido inteiramente paciente comigo e incrivelmente bom. Quero dizer que – todo mundo sabe disso. Se alguém pudesse me salvar teria sido você. Tudo se foi para mim, menos a certeza da sua bondade. Não posso continuar a estragar a sua vida. Não creio que duas pessoas poderiam ter sido mais felizes do que nós”.

Video sobre o livro: Um Teto Todo Seu


Teatro: “Freshwater – A Comedy” by Virginia Woolf (Harvest Books-Harcourt)

Algumas citações de Virgínia Woolf
“A vida é como um sonho; é o acordar que nos mata.”
 “Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial.”
“Não há barreira, fechadura ou ferrolho que possas impor à liberdade da minha mente.”
“Escrever é que é o verdadeiro prazer; ser lido é um prazer superficial.”
“Há quem procure o padre, outros refugiam-se na poesia, eu procuro os meus amigos.”
“O poeta entrega-nos a sua essência, mas a prosa toma a forma de todo o corpo e de toda a mente.”
“Crescer é perder algumas ilusões, para ganhar outras.”
 Boas leituras!
Luísa Torres



quinta-feira, 1 de junho de 2017

Até ao Fim da Terra de David Grossman

... a ler


Quando Ora se prepara para festejar a desmobilização do filho Ofer, ele volta a juntar-se voluntariamente ao exército. Num ímpeto supersticioso, temendo a pior notícia que um pai ou uma mãe podem receber, Ora parte numa caminhada para a Galileia, sem deixar qualquer rasto para os “notificadores”. Recentemente separada do marido, arrasta consigo um companheiro inesperado: Avram, o melhor amigo de outrora de ambos, o antigo amante, que tinha estado prisioneiro durante a Guerra do Yom Kipur e fora torturado, e que, destruído, recusara sempre conhecer o rapaz ou ter contacto com eles.
Durante a caminhada, Ora vai desenrolando a história da sua maternidade e inicia Avram no drama da família humana – uma narrativa que mantém Ofer vivo, tanto para a mãe como para o leitor. A sua história coloca lado a lado os maiores sofrimentos da guerra e as alegrias e angústias quotidianas da educação dos filhos: nunca se viu tão claramente o real e o surreal da vida quotidiana em Israel, as correntes de ambivalência sobre a guerra numa família, os fardos que caem sobre cada nova geração. Numa situação de conflito coletivo e duradouro, como conciliar as preocupações individuais de uma mãe que, afinal, prefere a companhia de um filho à missão patriótica? Como manter a causa pacifista se aqueles que podem atirar contra um filho são justamente aqueles com quem se quer fazer a paz? E, no limite de Israel e de si mesmos, Ora e Avram descobrem-se um ao outro, a si próprios e à sua condição de israelitas irreversivelmente exilados. Mas é também no fim da terra conhecida, na fronteira com o inimigo, que se podem restaurar alguns caminhos há muito bloqueados.

Ao imaginar prodigamente uma família no amor e na crise, Grossman cria um dos maiores romances antiguerra do nosso tempo.

“Ora, disse Avram, saboreando o nome, e a doçura derramou-se-lhe pela boca e pelo corpo todo, O-ra.”

“A luz do dia espreita, eles estão estendidos nas margens de um campo (…). Só ela e ele no mundo, mais ninguém (…). Nesse momento, Avram abriu os olhos. Viu Ora sentada à sua frente, encostada a uma mochila enorme.”

David Grossman

Opiniões sobre a obra
“Muito raramente, poucas vezes numa vida inteira, abrimos um livro que, quando fechamos, nada pode continuar a ser o que era. Derrubaram-se muros, transpuseram-se barreiras, abriu-se em nós uma dimensão do sentir, do próprio existir, que antes não tínhamos. Até ao Fim da Terra é um livro dessa magnitude.
David Grossman é talvez o escritor mais talentoso que alguma vez me foi dado ler; talentoso não apenas pela sua imaginação, energia e originalidade, mas porque tem acesso ao indizível, porque é capaz de olhar para dentro de uma pessoa escreve romances sobre o que significa defender essa essência, essa luz sem par, contra um mundo apostado em extingui-la. Até ao Fim da Terra é o mais poderoso, demolidor e indómito de quantos livros já escreveu sobre tal defesa. Lemo-lo e sentimo-nos dissecados, desmembrados, tocados na essência do que somos; devolvidos, como se ao fim de uma longa ausência, à condição de seres humanos.”NICOLE KRAUSS
 
“Livro avassalador pela sua força e intensidade, esta é a obra-prima de David Grossman. Flaubert criou a sua Emma, Tolstói a sua Anna, e agora Grossman dá-nos a sua Ora – uma personagem viva e autêntica como não há outra na ficção recente. Devorei este longo romance num estado de transe febril. É pungente, belo, inolvidável.” PAUL AUSTER

“David Grossman evoca na perfeição a paixão amorosa e a sensualidade, a amizade masculina e as delicadas nuances do quotidiano num país enfraquecido pela violência e pelo medo.” DIE WELT
Boas leituras.
Adélia Maranhão
 

quinta-feira, 27 de abril de 2017

O Canto dos Pássaros de Sebastian Faulks


A ler...





Esta é uma obra romântica intensa embora simultaneamente realista, que atravessa três gerações e o inimaginável fosso entre a I Guerra Mundial e o presente. À medida que o jovem inglês Stephen Wraysford vive um tempestuoso romance com Isabelle Azaire, em França, e entra no obscuro e surreal mundo existente por baixo das trincheiras da Terra de Ninguém, Sebastian Faulks cria um mundo fictício que é tão trágico como O Adeus às Armas, de Hemingway e tão sensual como O Paciente Inglês. Inserido entre as ruínas da guerra e a indestrutibilidade do amor, O Canto dos Pássaros é um romance que vai maravilhar o leitor português.


Sobre este livro convém referir algumas críticas de imprensa:


«Magnífico - extraordinariamente bem escrito, profundamente comovedor, rico no pormenor.»  The Times



«Um livro surpreendente - dos mais sensuais que li nos últimos anos… Li-o e voltei a ler e não me lembro de nenhum outro romance que, recentemente, me tenha comovido tanto e me tenha estimulado tão intensamente na reflexão do espírito humano.»
The Daily Mail


«É um livro tão poderoso que quando terminei de o ler voltei à primeira página para começar de novo.»
Sunday Express


Aqui te deixamos algumas passagens para despertar a tua curiosidade.

“ Por vezes, da segurança da sala de estar, fixava os olhos no grupo e na figura vital e calada de Madame Azaire.”


“Sem pensar, esticou o braço e agarrou-lhe a mão, colocando-a entre as suas. Ela virou-se rapidamente para ele, o sangue subindo-lhe impetuosamente para o rosto, os olhos cheios de alarme.”


“Ela não engravidou, e todos os meses quando o período voltava Azaire tornava-se um pouco mais desesperado. Um qualquer sentimento de culpa inconsciente fazia com que se acusasse a si próprio. (...) Por fim os seus sentimentos de frustração começaram a afetar a frequência com que era capaz de desempenhar o ato sexual. Começou também a reparar que havia uma ausência de sensações na sua mulher.”


“Stephen olhou por cima da mesa para Isabelle.(...) Naquele momento Stephen soube que não regressaria a Inglaterra.”
Boas leituras!

Prof. Adélia Maranhão

quarta-feira, 22 de março de 2017

TransAtlântico de Colum McCann




A ler....



Esta é uma narrativa que saltita entre séculos e gerações, pessoas e lugares, ficção e realidade, partilhando um mesmo fator: viagens transatlânticas entre os EUA e a Irlanda.

Vais gostar.


1919. Emily Ehrlich vê dois aviadores, Alcock e Brown, erguerem-se do massacre da Primeira Guerra Mundial para pilotar o primeiro voo transatlântico sem paragens, desde a Terra Nova até ao Oeste da Irlanda. Entre as cartas levadas no avião, está uma que só será aberta quase cem anos mais tarde.


1998. O senador George Mitchell atravessa repetidamente o oceano em busca da promessa de paz na Irlanda. Quantas mães e avós enlutadas terá ele ainda de conhecer até que seja alcançado um acordo?


1845. Frederick Douglass, um escravo negro americano, desembarca na Irlanda para promover ideias de democracia e liberdade, e depara-se com uma vaga de fome. Nas suas viagens, inspira uma jovem criada a ir para Nova Iorque ao encontro de um mundo livre, mas nem sempre o país cumpre a sua promessa. Dos violentos campos de batalha da guerra civil aos lagos gelados do Missouri, é a sua filha mais nova, Emily, quem acaba por encontrar o caminho de regresso à Irlanda.


Podemos passar do mundo novo para o velho mundo? Como é que o passado molda o futuro? TransAtlântico, de Colum McCann, autor premiado com o National Book Award, é um feito de coragem literária. Complexo, poético e profundamente emotivo, entrelaça histórias pessoais de modo a explorar a ténue linha que separa a realidade da ficção e o emaranhado de ligações que compõem as nossas vidas.


“A partida está marcada para sexta-feira 13. É uma maneira de os aviadores enganarem a morte: escolher um dia aziago, desafiá-lo depois.”


“Foi chamado a pronunciar um discurso: os seus dias como escravo, como dormia no chão de terra dum pardieiro, se enfiava numa saca de farinha para lutar contra o frio, punha os pés nas cinzas para os aquecer.”


“De vez em quando tenho de fazer uma pausa, assombrado por já não ser um fugitivo. A minha mente livre de cadeias. Não são capazes de me situar, nem sequer de me imaginar, no estrado de um leilão. Não receio o clangor de uma corrente ou o estalo de uma chicotada ou o rodar da maçaneta da porta.”

Boas leituras

Adélia Maranhão