terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A rapariga que inventou um sonho, de Haruki Murakami.




A ler…


Fig. 1 - Haruki Murakami

Gostas de pequenas histórias? Então vais encontrar neste livro o prazer de ler contos curtos que vão mexer com a tua imaginação e outros são de cortar a respiração. Atreve-te a ler este livro e verás que valeu a pena.

Em A Rapariga que Inventou Um Sonho, o autor do best-seller Kafka à Beira-Mar envolve a fantasia com a mais natural das realidades. Do surreal ao mundano, estas histórias exibem a sua habilidade de transformar o curso da experiência humana na mais pura e surpreendente arte literária. 

Há corvos animados, macacos criminosos, um homem de gelo… Há sonhos que nos moldam e coisas que sempre sonhámos ter… Há reuniões em Itália, um exílio romântico na Grécia, umas férias no Havai… Há personagens que se confrontam com perdas dolorosas, outras que se deparam com distâncias inultrapassáveis entre os que querem estar o mais próximo possível. 

 


Quase todas as histórias são melancólicas, com personagens submersas pela solidão. Murakami junta os seus temas favoritos: os acontecimentos inexplicáveis (o tal toque de fantástico que provoca por vezes a sua inclusão na corrente do realismo fantástico), as coincidências, o jazz, os pássaros e os gatos. Tal como foi escrito no Los Angeles Times Book Reviey, "Murakami abraça o fantástico e o real, cada um com a mesma envolvência de intensidade e luminosidade."

«Os contos recolhidos nesta antologia foram escritos entre 1981 e 2005 e são a outra parte da sua arte de narrador exímio, onde o insólito coabita paredes meias com o mais comezinho quotidiano. Os seus personagens são seres solitários em busca de uma brecha no muro cinzento da existência, e muitas vezes isso acontece nas situações mais inesperadas e com resultados igualmente surpreendentes. As coincidências e situações mais ou menos inexplicáveis fazem parte do arranjo narrativo, mas todas elas encerram uma oportunidade ou um desafio. (...) Nestas histórias, que vão da fábula ao conto de "fantasmas", um tema bem japonês aliás, há de tudo um pouco. E a variedade de acontecimentos inclina para uma toadas melancólica, com salpicos de fantástico. Um livro para apreciadores de boa prosa, luminosa e cativante.»
Um aviso para ti que vais ler: Vais ficar viciado.
Boas leituras
Adélia Maranhão

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Literatura e Cinema

Boletim Bibliográfico, n.º 75 | Série BECP



30 obras literárias adaptadas ao cinema. 30 possibilidades de ler o livro e ver o filme. Duas linguagens e distintas e, porém, que estabelecem laços de proximidade tão frequentes.
A ler e ver na BECP.




quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A importância de ser dono/a de casa



[a propósito do dia da dona de casa] 

 
Não importa se é um apartamento, uma mansão, um palácio ou uma simples casa. Não importa se é grande, pequena, na aldeia ou na cidade. Porque nunca deixa de ser nossa – a nossa casa.
A casa é mais que um sítio entre quatro paredes; é o nosso lugar de descanso, onde é seguro repousar, fechar os olhos. É por isso importante deixarmos um pouco de nós e do que são os nossos gostos e características pessoais no espaço, como forma de criarmos o nosso próprio conforto. E ser dono ou dona dessa comodidade e desse refúgio é também o que nos permite afirmar que esse espaço nos pertence.
Sermos nós próprios os donos das nossas casas, aqueles que mantêm cada coisa no seu respetivo lugar, que a limpam, que se encarregam dos seus pertences e que cozinham a sua própria comida ajuda-nos a crescer enquanto pessoas, a ganhar independência e a sermos mais responsáveis, para além de que se pode revelar gratificante, pois pode assumir o papel de tranquilizante e ser um meio para descontrair e esquecer os maus momentos vividos durante o dia. No fundo, cuidar de uma casa é como cuidar de uma amizade: se não houver um esforço da nossa parte para manter a chama acesa, tudo o que se lutou para a construir esmorece, perde a força. Assim é numa casa, porque se não houver empenho para a preservar também perde valor, passando da gaveta do pertencido para o adquirido.
No entanto, alguém mais pode assumir o papel de dono/a da nossa casa nem que seja só por umas horas. Essa pessoa merece de nós todo o carinho e admiração, porque, além de cuidar do nosso lar, também ela tem uma casa, um outro lugar onde deposita a sua dedicação e onde procura deixar um pouco de si.
Em suma, considero que ser dono de casa, da nossa ou não, se revela extremamente importante para preservar a mesma e não depende do género, como é defendido por muitos, mas influencia a maturidade.
Mariana Pina Camarneiro
10.º CT1

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

A Mulher da Lama de Joyce Carol Oates

Joyce Carol Oates

Esta história que te convidamos a ler cruza, de uma forma incrível, pesadelo com realidade. Relata um drama sobre os fortes laços que ligam alguém a um lugar e a um passado que insiste em persistir.



Atreve-te a entrar neste enredo ao qual não conseguirás ficar indiferente.

Uma criança é abandonada pela mãe no leito lamacento de Black Snake River. Contra todas as expectativas, “a menina da lama” sobrevive e é adotada por um casal de classe média que tentará esconder para sempre essa terrível história. Mas o presente vai tornar-se surpreendentemente vulnerável aos agentes do passado.

Meredith “M. R.” Neukirchen será a primeira mulher a presidir a uma universidade da Ivy League. Emersa numa carreira absorvente, num amor secreto por um homem que não define os seus sentimentos, e preocupada com o ambiente político dos Estados Unidos em vésperas da Guerra do Iraque, M. R. depara-se subitamente com inúmeros desafios. Para além de ver a sua carreira em jogo, as duras marcas do passado e o confronto com “a menina da lama” ameaçam fazer ruir todas as suas convicções.

Um romance emocionante que explora o elevado preço do sucesso na vida de uma mulher a braços com os seus demónios pessoais e profissionais.

Aqui te deixamos algumas passagens do livro para que te sintas entusiasmado para a sua leitura.

“A criança estava nua dentro da camisa de noite de papel. Sangrava do couro cabeludo, rapado à lâmina, de uma dúzia de feridas minúsculas, a tremer e nua dentro da camisa de noite de papel (…).”
“A primeira vez que acordou na nova casa – na sua camita que era uma espécie de catre com um colchão plano, (…) Jewell ouviu o Rei dos Corvos! Tinha-a seguido vindo do pântano, até àquele local distante, entre estranhos. Não tinha esquecido a Rapariga da Lama.”

“O amante (secreto). M.R. amá-lo-ia mais do que ele a amava porque a capacidade de amar de M.R. era maior do que a dele. Eu consigo amar por nós os dois.”

“Debaixo daquele sol quente de julho, M.R. andou aos tropeções nas ruínas da casa incendiada à procura de provas de que tinha lá vivido. (…) Sentia-se profundamente comovida. Mas não o diria a ninguém. Pensou: E também aqui a Rapariga da Lama foi amada.”

Boas leituras…

Adélia Maranhão

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

A importância de chamar uma pessoa pelo seu nome

 

A propósito do dia do nome



Todos merecemos um nome. As pessoas, os objetos grandes e pequenos, tudo o que é real ou sobrenatural. Até a mais ínfima coisa do universo tem um nome, como os átomos ou os protões.

Ter um nome é um direito que assiste às pessoas e também às coisas. A verdadeira importância está em ser tratado pelo nosso nome, visto que a sociedade se tornou, lamentavelmente, numa mistura heterogénea de “doutores”, “capitães”, “professores” e “os outros”. São estes títulos que definem o lugar de uma pessoa na comunidade e a sua formação académica. Dito de outra forma, estes títulos são como rótulos. 

Na minha perspectiva, é o nome que permite estabelecer um contacto próximo com as pessoas e criar referências pessoais. Para além disto, o nome, sendo tão importante como o cabelo, a cor dos olhos ou o tom de pele, é uma componente da identidade da pessoa.

Há milhares de pessoas com os mesmos nomes (próprios), mas o nosso nome é composto por vários nomes, geralmente dos nossos antepassados. Assim, posso dizer que é este que permite dar continuidade às famílias, visto que prevalece ao longo do tempo e ao longo das gerações. 

Sem o nome, a pessoa torna-se como uma folha, importante para a planta enquanto está agarrada a ela, mas, após cair, é esquecida e nada fica para fazer com que essa pessoa, que partiu, possa prevalecer na memória das que ficaram. 

A vida, se antes era uma longa caminhada, tornou-se uma corrida, na qual o ser humano deixou de perder tempo com as coisas que considera menos importantes, como o nome dos outros. Talvez um dia se venha, também, a esquecer do seu.

            Laura Franco, 10.º CT1