terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

"Lionel Asbo" de Martin Amis



A ler...


Durante o expediente matinal na prisão, Lionel Asbo, um delinquente de médio porte de Diston, recebe a notícia de que ganhou 139 milhões de libras na lotaria.

Último rebento de Grace, cuja prole aos dezanove anos ascendia a sete, Lionel partilha a casa com o sobrinho órfão adolescente, Desmond Pepperdine, e com dois pittbull, Joe e Jeff, que alimenta com uma dieta de tabasco e maus-tratos.

Uma vez posto em liberdade, a fabulosa riqueza catapulta-o naturalmente para uma vida de excessos e gastos estratosféricos que, em substância, não difere muito do quotidiano de sarilhos e arruaças da anterior, só que agora vive nas primeiras páginas dos tabloides. Lionel continua a preferir pornografia à companhia de uma mulher (pornografia que, com a prisão, constitui para ele um dos pilares fundamentais da existência); persiste na educação férrea dos cães (outrora uma importante ferramenta do negócio); e em não prestar qualquer tipo de auxílio financeiro a nenhum membro da família.
Enquanto Lionel desbarata a fortuna a um débito alucinante, e espreme todos os proveitos que pensa poder retirar da fama – Des, o sobrinho, está nos antípodas: é um rapaz inteligente e sensato, que procura no estudo e no trabalho, e numa relação estável, um sentido para a vida.




Lionel Asbo é um romance cómico, visceral, hiperbólico – e uma sátira da Inglaterra dos nossos dias e da obsessão contemporânea pelo dinheiro e pela celebridade.

Para te inteirar, no primeiro capítulo há um diálogo entre o protagonista (Asbo) e o sobrinho (Des) que, juntamente com os cães Joe e Jeff vivem no bairro londrino Diston Town. Asbo (cujo nome, adotado por ele, designa comportamento antissocial), arruaceiro e amigo do alheio, acumula várias penas de prisão até lhe sair a sorte grande.

A diferença entre duas pessoas, tanto a nível físico como psicológico tão notória neste livro, é ao mesmo tempo maravilhosa. Des é muito ponderado e tenta mudar os comportamentos desviantes do tio. É muito “low profile”:

“E no pátio da escola? Julgando pelas aparências, Des era um dos principais candidatos à perseguição. Raramente fazia gazeta,  nunca dormia nas aulas, não assaltava os professores nem ia injetar-se para os sanitários – e preferia a companhia do sexo mais gentil (...).”

Des é tão tímido que uma das primeiras namoradas é ninguém menos que a própria avó Grace, ainda muito “enxuta” na casa dos quarenta. Inicia-se aqui uma relação incestuosa com a mãe do seu tio facínora que irá atormentar o pobre Des.

Como vês, esta história tem ingredientes que nos levam para mundos diferentes onde comportamentos díspares convivem lado a lado.

Não vais querer perder este romance, com toda a certeza.
Boas leituras.
A professora Adélia Maranhão


terça-feira, 31 de janeiro de 2017

O cemitério dos barcos sem nome, de Arturo Pérez-Reverte



A ler .....


Gostas de aventura mas com alguns detalhes de história à mistura? Então este livro que aqui te propomos é o ideal. Com a ajuda da sinopse e de algumas passagens do livro, que aqui te deixamos, esperamos despertar a tua curiosidade.



Sinopse:
Muito mais do que um romance de amor e aventuras... Um marinheiro sem barco, desterrado do mar, conhece uma estranha mulher, que possui, talvez sem o saber, a resposta a perguntas que certos homens fazem desde há séculos. Arturo Pérez-Reverte, o autor espanhol contemporâneo mais lido no mundo inteiro, leva-nos, na companhia de Coy e Tanger, à procura do Dei Gloria, um bergantim que há mais de duzentos anos repousa nas águas profundas do Mediterrâneo. De Barcelona a Madrid, de Cadiz a Gibraltar, ao longo das costas de Cartagena, o objetivo é sempre um tesouro fabuloso, que talvez contenha a resposta a um dos grandes enigmas da história de Espanha.

 Os episódios vão-se sucedendo, quer no mar, quer em terra. E nesta história, como em tantas outras surge uma mulher de nome Tânger Soto. Tânger é técnica do Museu Naval de Madrid, e Nino Palermo, um pouco escrupuloso caçador de tesouros marítimos, vão lançando sucessivas ofertas até ela ficar legítima possuidora de um documento essencial para partir em busca dos destroços do «Dei Gloria», navio fretado pelos jesuítas em 1767 para vir da América do Sul com um importante tesouro em esmeraldas e afundado nas águas mediterrânicas na sequência de uma funesta batalha com corsários ingleses.
 “Queria ir para a cama com aquela mulher, pensou enquanto descia pelas escadas saltando os degraus dois a dois.”

“-Nesse caso, o capitão do Dei Gloria devia ser um homem de muita coragem. Aguentar a perseguição, não se refugiar em Cartagena e travar combate com o Chergui penol a penol, não era qualquer um que o fazia.(...) Suponho que se trata disso, não é verdade? Coy encostou-se para trás na cadeira, (...) É a mim que perguntas isso?... revelava a sua expressão. É ela que está ao comando.”

Mais do que a possível fortuna, Coy encontra motivo mais aliciante para se meter a fundo naquela aventura: Era ela, a sua obstinação, a sua busca, tudo o que estava disposta a empreender por um sonho e que o mantinha no rumo certo, apesar de ouvir o inequívoco rumor do mar nas rochas perigosamente próximas. 

Este livro transmite-nos um melhor conhecimento de como os jesuítas foram ilegalizados na Espanha do século XVII por causa do seu poder político e económico crescente. E de como procuraram, em vão, evitar os efeitos da cólera real…

Boas leituras
Adélia Maranhão

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Thomas Man

... a ler






Paul Thomas Mann nasceu a 6 de junho de 1875 em Lubeck e faleceu e 12 de agosto de 1955 em Zurich.

 Em 1892, com a morte do pai, os negócios da família foram abandonados e  muda-se para Munique, centro das artes e da literatura. Com o incentivo da mãe passa a dedicar -se à literatura.

Em Munique, a família  instalou - se no bairro boêmio de Schwabing, onde sua mãe oferecia saraus literários e festas em sua casa. Em 1893 escreveu alguns textos para a revista “Der Fruhlingsturm” ( "A Tempestade de Primavera"). Nesse mesmo ano muda-se para a Itália, para a cidade de Palestrina, onde morava seu irmão o escritor Heinrich Mann e onde permaneceu até 1898. Nessa época começou a trabalhar no manuscrito do romance "Buddenbrooks". De volta a Munique, trabalha como editor no jornal satírico/humorístico “Simplicissimus”. Entra para o exército, mas arrepende-se e consegue afastar-se alegando problemas de saúde.

Em 1900 publica sua primeira novela “Buddenbrooks”, que conta a história de uma família protestante, de comerciantes de cereais, de Lübeck, que depois de três gerações perde a sua fortuna. Inspirada na história de sua família relata fatos de personalidades de sua cidade natal. Em 1905 casa-se com a judia Katia Pringshein, filha de rico industrial, com quem teve seis filhos.

Em 1911, viaja para a cidade de Veneza e inspira-se para escrever a novela “Morte em Veneza”(“ Der Tod in Venedig”), que concebeu em 1911. A obra foi publicada no ano seguinte, 1912, e, embora menos diretamente autobiográfica que os “Buddenbrooks”, “trata-se da obra mais confessional de Thomas Mann” (1912), onde relata a paixão platónica de um escritor de meia-idade, por um jovem e belo rapaz.

Esta obra está disponível na Biblioteca Clara Póvoa. 



 Em 1915 publica um ensaio sobre Friedrich II, rei da Prússia. Em 1924 publica “A Montanha Mágica” ( “Der Zauberberg”), onde defende os ideais democráticos de uma Europa esfacelada pela Primeira Guerra Mundial. Esta obra também está disponível na Biblioteca Clara Póvoa.



 Em 1929, Thomas Mann torna-se ainda mais famoso, recebendo o Nobel de Literatura. O júri justifica-se aludindo a “Buddenbrooks”. Nenhuma menção a “A Montanha Mágica,” romance em que o escritor revela simpatias democráticas.

Emigrou da Alemanha Nazista para Küsnacht, próximo a Zurique, Suíça, em 1933, o ano da chegada de Hitler ao poder. Durante o regime nazista, o jornal “Völkischer Beobachter” (“Observador Popular”) publicava as chamadas listas de expatriados. Os nomes de Thomas Mann, sua mulher e seus filhos mais novos constavam da lista número 7. Dos mais velhos – Erika e Klaus – já havia sido retirada a cidadania alemã.

Após ter perdido a nacionalidade alemã, em 2 de dezembro de 1936, Thomas Mann permaneceu na Suíça até 1938, mudando-se então para os Estados Unidos. 

Para além do Prémio Nobel da Literatura em 1929, recebeu o Prémio Goethe (1949) e o Prémio Antonio Feltrinelli (1952).
Luísa Torres