segunda-feira, 11 de junho de 2018

a palavras... abro páginas de mim


"Desafiar a palavras é acordar a alma, é desassossegar o espírito, é alimentar a vida a escrever... a voar em páginas de dizer, de Ser e de sonhos infinitos..."
Leonor Campos de Melo


A importância atribuída ao domínio da escrita, na disciplina de Português, pretende um gradual desenvolvimento da capacidade de lidar com a informação recebida, de a compreender e, consequentemente, de a saber utilizar em novos contextos, direta ou indiretamente relacionados com os conteúdos programáticos.

O projeto de produção de textos escritos complexos, que implicam o treino de um trabalho de pensamento assente na observação, na análise, no recurso à criatividade e na continuidade do raciocínio, visou o objetivo de “escrever para aprender e escrever para pensar, na sua articulação com o ler para escrever” (Programa de Português, 2014, p.9). E revelou, também, a sensibilidade na interiorização de princípios e de valores transmitidos a partir dos diversos conteúdos programáticos lecionados, nos 10.º e 11.º anos.
Leonor Melo





domingo, 3 de junho de 2018

Era o ponto final


Os sinais de pontuação e os diacríticos, cansados da monotonia do papel, organizaram uma patuscada. Enquanto combinavam, o Ponto de Interrogação começou a questionar: quando? onde? quem faz o quê?
Logo as Reticências colocaram reticências por recearem que as Vírgulas e os Pontos e Vírgulas separassem toda a gente e que o Travessão ocupasse o lugar dos Parêntesis, das Vírgulas ou dos Dois Pontos.
Estes últimos referiam dois pontos importantes: todos contribuiriam com dinheiro e trabalho e deveriam pensar no que se faria se chovesse ou se estivesse frio.
Ao falar-se de frio, o Trema começou a tremer. O Til também tremia, receando constipar-se, o que o obrigaria a ficar de serviço em todas as palavras.
Entretanto, dois acentos desentenderam-se: um achava que as relações do grupo estavam numa crise aguda; outro considerava a situação grave.
As Aspas procuraram uma citação que pudesse acalmar as coisas. Elevaram a voz e disseram:
- Calma, pessoal! “A união faz a força!”
Fez-se silêncio.
Tranquilizando-os, os Parêntesis ofereceram-se para encerrar o frio e o Acento Circunflexo disponibilizou-se para os abrigar, esticando-se ao máximo.
O Ponto de Exclamação, admirado, disse:
- Ufa! Que alívio!
E ouviu-se:
- Vamos ao trabalho.
Era o Ponto Final.
Carolina Lopes e Guilherme Madaleno, 10.º CT2

Os sinais de pontuação e os diacríticos fizeram uma patuscada


Certo dia, os sinais de pontuação e os diacríticos decidiram encontrar-se para fazer uma patuscada. Saíram das frases, das histórias, dos livros, de todo o lado, deixando as suas amigas frases sem o seu suporte.
Estava lá toda a gente: o Ponto de Exclamação, a alma da festa, que era extremamente sociável; o Til, um diacrítico que tem a mania que é bom, sempre a falar com a sua voz nasalada de quantos quadros e roupa de marca comprou recentemente. O Aspas também lá estava, um sinal educado e culto com inúmeros cursos, mestrados e doutoramentos, que tem sempre uma citação adequada à situação. Estavam lá todos.
Decidiram no final do almoço encontrar algum sítio onde pudessem brincar com as palavras. Olharam em redor e viram muitas pessoas a falar. Isso deu-lhes uma ideia:
- E se brincássemos um pouco com as pessoas?
Afinal, muitos deles tinham sido aprisionados numa caneta ou lápis durante tanto tempo… Por que não poderiam ter agora uma vingançazinha?
E foi assim que aconteceu. Ninguém percebia o que estava a acontecer, nada do que diziam tinha sentido.
Quando se fartaram, os sinais e os diacríticos saíram das vozes das pessoas e, depois disso, toda a gente reconheceu a importância que eles tinham na sua fala.
Bernardo Cordeiro e Tiago Alves, 10.º CT2

Saudade, ó doce tortura


A saudade é um sentimento que nos persegue a todos durante a nossa vida. É inevitável e uma cruel amiga que sempre nos segue tal como uma sombra segue o seu dono.
As lembranças melancólicas de que estamos privados deixam-nos sempre espaço para as recordarmos com um sorriso tosco na cara.
Esse sorriso tosco, sinal de pura saudade à superfície dos lábios, é o mesmo sorriso com que recordo o verão de há cinco anos que passei a andar de bicicleta com todos os amigos que, entretanto, perdi; e deles e desse verão só resta uma vaga névoa. Um espaço em branco entre os dois. Foi o que restou da amizade dos dez anos de idade. Saudade. Saudade de quando responsabilidade era apenas outra palavra no dicionário.
Esta mistura de tristeza e alegria, confuso e claro, faz qualquer coração partir e rejubilar de alegria.
O reformado que lembra o seu primeiro amor de verão, a criança que mal pode esperar pelo Natal seguinte, o adulto que preferia ser criança. Todos a sentem. Todos sentem a sua doce tortura. A saudade.
Mafalda Murta, 10.º CT2