sábado, 2 de março de 2019

Ai que triste estou com este amor

Cantiga de amor criada por alunas no âmbito da disciplina de Português - 10.º ano



Ai que triste estou com este amor

Ai! que louco eu estou
por poder rever esse sorriso,
que é disso que eu preciso,
pois mulher mais perfeita não há.

Triste estou com este amor
que só me provoca dor.

Infeliz sou eu, pois a Senhor,
que me provoca com o seu olhar,
a morte me faz desejar
para me livrar desta dor.

Triste estou com este amor
que só me provoca dor.

Sem ela morrerei,
pois de tal formosura,
que sempre dura,
nunca eu esquecerei.

Triste estou com este amor
que só me provoca dor.

Diana Neves  e Laura Fernandes do 10.º CSE
 


Ai ladrão, por tua ganância!

Cantiga de escárnio criada por alunos no âmbito da disciplina de Português - 10.º ano



Ai ladrão, por tua ganância!

Ai ladrão, por tua ganância,
a nossa dívida foste aumentar,
pois tua sede por pilhar
não consegues saciar.
Grande é a tua arrogância.
Ladrão, não afundes a nação!

Ai ladrão, a nossa tolerância
está a terminar.
Já chega de furtar,
estamos fartos de pagar
pela tua exuberância.
Ladrão, não afundes a nação!

Ai ladrão, grande impostor,
os teus impostos continuamos a pagar.
Tu continuas a furtar
e o povo não para de se lamentar.
Tu és pior que o Adamastor.
Ladrão, não afundes a nação!

António Monteiro, Gonçalo Sá, Rafael Machado / 10.º CSE

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Por detrás das palavras que escrevo estou eu


Naquele dia, às seis horas da manhã, não havia mais nada naquela praia deserta da Califórnia além de muito vento e um céu cinzento que cobria toda aquela zona e que se perdia no horizonte. Diana caminhava entre o nevoeiro e a sua respiração tornava-se cada vez mais pesada à medida que se aproximava da linha de costa, à medida que ficava mais perto de fazer o que viera ali fazer. As ondas embatiam com força contra as rochas por baixo de si e ela, naquele momento, viu quão vulnerável e pequena era comparada com a grandeza da natureza. Em seguida, tirou o papel que tinha colocado na algibeira, respirou fundo duas ou três vezes e começou:

         – Meu querido, muitas vezes, ao longo dos últimos meses, procurei escrever-te algo sólido e sincero sem que me faltassem as forças e me desfizesse (novamente) em lágrimas. Muitas foram as vezes em que, sentada no parapeito da minha janela, olhava para cima e procurava por ti, numa tentativa desesperada de te encontrar na estrela mais brilhante do céu. Queria ver-te, falar-te, queria que visses que sinto a tua falta e que lamento... lamento muito não te ter dito tudo o que queria por não ter tido coragem...
A voz sumiu-se e, à medida que o vento lhe despenteava os cabelos, uma lágrima rendida escorreu-lhe pela face. Quando, por fim, conseguiu, ergueu a cabeça e prosseguiu:

         – Sei que agora estas minhas palavras não passam de uma sombra do que te deveria ter dito e não disse. Estou consciente de que palavras não passam de palavras, mas estas simples inocentes armas podem ser o refúgio de muitos que não têm coragem suficiente para dizer o que querem dizer. Eu sempre fui contigo o tipo de rapariga que se esconde nas sombras das palavras que escreve e isso, mesmo que não se note, sempre me magoou. Por que haveria eu de ter receio de ti – umas das pessoas com mais significado para mim? Desculpa-me por isto. Desculpa por não me ter conseguido libertar desta sombra e, por isso, ter ficado presa a ti todo este tempo. Mas, a partir de hoje, não; a partir de hoje, deixo-te para finalmente ir, liberto-te para que possamos encontrar o caminho de volta a casa. Posso não te ver, procurar por ti no mais estrelado dos céus e não te encontrar, não conseguir distinguir o teu sorriso nas centenas de rostos que vejo todos os dias, mas sei, porém, que aonde quer que vá, tu vens comigo, que caminhas a meu lado a dar-me força a cada passo do caminho. Digo-te agora, (desculpa a demora), o meu derradeiro adeus; sem mágoas, sem conversas inacabadas e de coração leve. Vemo-nos em breve.

Dobrou o papel e deixou-o simplesmente tomar o seu rumo pela imensidão do céu.

Sabia que não era preciso dizer mais nada, que, às vezes, o melhor que podemos fazer é deixar que o silêncio se instale para que se possa ouvir a voz do coração. Depois caminhou de volta a casa e, enquanto o vento lhe puxava os cabelos para trás, Diana sorria porque, de certa forma, tinha a certeza de que a mensagem havia sido entregue, porque ele, onde quer que estivesse, já não a via como a menina indefesa que ele deixara, mas sim como uma senhora que já não precisava mais de se esconder em qualquer sombra.
Mariana Pina Camarneiro