quarta-feira, 22 de março de 2017

TransAtlântico de Colum McCann




A ler....



Esta é uma narrativa que saltita entre séculos e gerações, pessoas e lugares, ficção e realidade, partilhando um mesmo fator: viagens transatlânticas entre os EUA e a Irlanda.

Vais gostar.


1919. Emily Ehrlich vê dois aviadores, Alcock e Brown, erguerem-se do massacre da Primeira Guerra Mundial para pilotar o primeiro voo transatlântico sem paragens, desde a Terra Nova até ao Oeste da Irlanda. Entre as cartas levadas no avião, está uma que só será aberta quase cem anos mais tarde.


1998. O senador George Mitchell atravessa repetidamente o oceano em busca da promessa de paz na Irlanda. Quantas mães e avós enlutadas terá ele ainda de conhecer até que seja alcançado um acordo?


1845. Frederick Douglass, um escravo negro americano, desembarca na Irlanda para promover ideias de democracia e liberdade, e depara-se com uma vaga de fome. Nas suas viagens, inspira uma jovem criada a ir para Nova Iorque ao encontro de um mundo livre, mas nem sempre o país cumpre a sua promessa. Dos violentos campos de batalha da guerra civil aos lagos gelados do Missouri, é a sua filha mais nova, Emily, quem acaba por encontrar o caminho de regresso à Irlanda.


Podemos passar do mundo novo para o velho mundo? Como é que o passado molda o futuro? TransAtlântico, de Colum McCann, autor premiado com o National Book Award, é um feito de coragem literária. Complexo, poético e profundamente emotivo, entrelaça histórias pessoais de modo a explorar a ténue linha que separa a realidade da ficção e o emaranhado de ligações que compõem as nossas vidas.


“A partida está marcada para sexta-feira 13. É uma maneira de os aviadores enganarem a morte: escolher um dia aziago, desafiá-lo depois.”


“Foi chamado a pronunciar um discurso: os seus dias como escravo, como dormia no chão de terra dum pardieiro, se enfiava numa saca de farinha para lutar contra o frio, punha os pés nas cinzas para os aquecer.”


“De vez em quando tenho de fazer uma pausa, assombrado por já não ser um fugitivo. A minha mente livre de cadeias. Não são capazes de me situar, nem sequer de me imaginar, no estrado de um leilão. Não receio o clangor de uma corrente ou o estalo de uma chicotada ou o rodar da maçaneta da porta.”

Boas leituras

Adélia Maranhão

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