segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Racismo ou a perfeição no mundo?...



ETAPAS DO CÉU

I

O Princípio

Procuro os fundamentos em mim própria

Mas torna-se impossível desvendá-los.

Estão envoltos por um casulo de medos,

Olhares provocantes e sentimentos exacerbados

Que me derrubam de ansiedade.

Espero e temo.

As verdades e as mentiras

Vagueiam de mãos dadas com a minha alma.

Sorrisos incertos, palavras sonhadas,

Obras do destino que suas linhas tece.

Choros incessantes de lágrimas de vidro,

Vaidades pálidas e caras escondidas...

II

Reino I

Não sei o que sinto

Pois não sei quem sou.

Estou só no vale vazio da vida.

Ninguém espera por mim...

Nem as ervas param

Mexem-se, mexem-se, como se quisessem andar,

Correr pelos campos!

Mas... ah! Para correr é preciso viver!

E eu vivo, mas não corro pelos campos...

III

Reino II

Não temas a morte...

Ela chegará quando não tiver mais olhos p’ra te ver...

Quando a vida nos tirar a sorte

Gritará da colina mais alta

E virá até nós

Que estamos em nós.

Ficarão os sonhos, as recordações,

Inscritos nas lápides do tempo,

Que cruelmente nos dizem que...

Nunca poderemos viver a vida até ao fim!


IV

O Fim do Céu

Contemplo a maior hipérbole que existe:

O fim do céu!

Nele vagueiam nuvens

Carregadas de beijos que faltaram dar entre os Homens...

Desfilam, suavemente, perante nós

Na melancólica tortura dos Deuses.

Vão chorá-los ao mar

Onde ficam, bem no fundo dos oceanos.

Ao lado, velhos veleiros

Que outrora ligaram cores sem preconceitos!


Mara Gonçalves

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