sábado, 10 de março de 2018

Do perigo à vida



Nos anos 1960, Bob Christiansen, enquanto estudava o historial vulcânico do Parque Nacional de Yellowstone ficou intrigado com o facto de não encontrar uma estrutura vulcânica responsável pela atividade secundária registrada naquele local. Sobretudo, não conseguia encontrar a caldeira.

Figura 1- Old Faithful, Parque Nacional de Yellowstone

Quando se fala em atividade vulcânica associa-se a uma estrutura cónica, mas existem algumas exceções cuja atividade é tão explosiva que faz com que o cone vulcânico rebente formando uma enorme caldeira. Yellowstone pertencia ao segundo tipo referido anteriormente.

Há cerca de dois milhões de anos atrás, uma grande explosão originou uma cratera com mais de 65 quilómetros de diâmetro que, atualmente, só pode ser observada através de fotografias aéreas de Yellowstone – uma caldeira com 9000 quilómetros quadrados.

 Este vulcão situa-se numa zona de crosta continental mais fina, originado por uma super pluma que deu origem a um ponto quente. Neste existe uma câmara de magma com cerca de 90 quilómetros de diâmetro e 13 quilómetros de espessura, e  que é responsável por toda a atividade vulcânica de Yellowstone.

 Estas super plumas são finas, até cima e alargando-se ao chegar à superfície, o que cria criando bolsas gigantes de magmas instáveis. Por vezes, este tipo de plumas rebenta de forma explosiva propagando-se lenta e continuamente.

 Os tremores de terra são frequentes e a atividade secundária é flagrante, no entanto, como a última erupção foi há 630 mil anos, não se consegue prever a próxima atividade, dado que esta pode acontecer a qualquer momento.

 Os biólogos Thomas e Louise Brock, durante uma visita de estudo ao Parque Nacional de Yellowstone no verão, extraíram uma amostra de espuma castanho-amarelada de um lado de Emerald Pool – uma nascente termal - com o intuito de encontrar vida. Para sua surpresa, este exemplar estava cheio de micróbios vivos. Foram encontrados os primeiros extremófilos do mundo, seres vivos capazes de sobreviver em águas extremamente quentes, ácidas e ricas em enxofre (sulfurosas). Nesta amostra existiam dois tipos de seres vivos, Sulpholobus acidocaldarius e o Thermophilus aquaticus.

 Passados 20 anos, Kary B. Mullis, enquanto estudava a espécie Thermophilus aquaticus descobriu que as enzimas resistentes a temperaturas tão elevadas podiam ser utilizadas para criar uma reação em cadeia polimerase (PCR), que possibilita produzir uma grande quantidade de ADN. Mullis descobriu que estes micróbios podem ser utilizados por cientistas como uma espécie de “fotocópia genética” que serve de base a toda a ciência genética subsequente, como por exemplo para estudos académicos e investigação criminal.
 

Cientistas continuaram a estudar amostras de organismos que resistem a temperaturas muito elevadas sendo a espécie até agora encontrada que vive a temperaturas mais elevadas a Pyrobolus fumarri, podendo esta ser encontrada em condutos oceânicos onde a temperatura por vezes alcança os 113º C.

Sabias que, em Yellowstone, apesar da sua intensa atividade vulcânica secundária,  existem micróbios resistentes a altas temperaturas?

Ana Filipa, Beatriz Moleiro, Carolina Menezo, Pedro Garcia e Tiago Reis

Referências Bibliográficas
Peaco, J. (fotógrafo) (2006). Aerial view of Old Faithful Geyser and Old Faithful Lodge (fotografia). Disponível em: https://www.nps.gov/media/photo/view.htm?id=9BB04074-1DD8-B71B-0BAAF521D972C71B 

Bumgardner, S. (2017). InDepth: waters of Yellowstone (vídeo). Disponível em: https://www.nps.gov/media/video/view.htm?id=60296BCB-1DD8-B71B-0B408272EA3BB1D7 

Bryson B. (2009). Breve História de quase tudo (12.ª ed). Lisboa: Bertrand Editora.


 


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