sábado, 24 de outubro de 2015

Martin Amis, um autor a ler




Martin Amis nasceu a 25 de agosto de 1949 em Oxford. Filho do escritor Kingsley Amis, foi educado na faculdade de Exeter, Oxford e trabalhou como ator no filme “A High Wind in Jamaica” (“Um vento forte na Jamaica” ) em1965, com apenas 13 anos. Trabalhou como jornalista  no The Times Literary Supplement, New Statestman e no Observer. A partir de 1979 dedicou-se inteiramente à literatura.

O seu primeiro romance “The Rachel Papers” (“O Livro de Rachel”), foi publicado em 1973, com o qual ganhou o seu primeiro prémio “Somerset Maugham Award”, em 1974.

Ao longo de quatro décadas, escreveu doze romances, sete ensaios biográficos, duas coleções de contos e quase quatrocentos ensaios e reportagens - a sua carreira já mostrou que o autor dedicou a sua vida à literatura.

Desde o seu primeiro romance até ao mais recente “The Pregnant Widow”, em 2010, Amis provocou os debates mais controversos da era contemporânea. A sua obra inspirou novas perspetivas sobre o realismo, feminismo, politica e cultura e a sua vida privada que encheram as páginas dos “tabloids”.

Desde as sátiras do seu início de carreira, passando pelas obras mais maduras dos anos 80, até à evolução patente nas suas últimas obras, a sua carreira despertou interesse internacional. Para além do prémio já referido, ganhou o prémio “James Tait Black Memorial Prize” pela sua biografia, e a sua obra tem sido apontada como favorita para atribuição de outros prémios, principalmente o “Man Booker Prize”, que ainda conseguiu receber.

Poucos escritores tiveram uma ascensão literária como a de Amis, principalmente nos anos 80. Após uma série de comédias e sátiras, centradas na juventude urbana - The Rachel Papers, Dead Babies (1975), Success (1978), and Other People: A Mystery Story(1981), Amis alargou o seu reportório no estilo e tema, para escrever a sua obra-prima , Money: A Suicide Note (1984).

Depois de uma coleção de ensaios  “The Moronic Inferno and Other Visits to America”,em 1986 e um livro de contos “Einstein’s Monsters”, em 1987, “London Fields” apareceu em 1989. Junto com “Money” provaram ser os dois retratos mais incisivos da ansiedade, medo nuclear e individualismo. O próprio Amis considerou estas obras, junto com “The information”(1995), uma trilogia informal. 

O início do século XXI testemunhou a publicação de “Koba o terrível” (“Koba the Dread”), um ensaio biográfico controverso sobre a figura de Stalin, que despertou raiva de historiadores e esquerda intelectual britânica, que se encontra disponível na Biblioteca Escolar Clara Póvoa.



Em 2003 volta à ficção com “Cão amarelo” (Yellow dog), uma obra ambiciosa que despertou novas controvérsias e novos debates sobre a sua carreira e reputação literária.




Conforme podemos ler na contracapa do livro, esta obra “é uma obra-prima cómica, com um humor negro em sintonia com os valores morais em permanente mudança do nosso perturbado planeta.”

Amis faz aparições públicas de forma rotineira, muitas das quais inspiram reações e debates valiosos. Estas aparições tornaram-se mais frequentes desde que foi contratado como professor de escrita criativa na Universidade de Manchester. Geralmente as suas aparições são livres e abertas a qualquer pessoa.

Devido a vários fatores, questões financeiras, desafios de estilo, temas, as obras de Amis não passaram para o ecrã de forma simples. Já foi contratado para escrever numerosos guiões.

A 23 e 31 de maio de 2010, o canal de televisão BBC2 produziu uma adaptação da obra “Money”.



Um dos temas marcantes da obra de Amis é o holocausto. O romancista reconhece que para escrever uma boa história é preciso vivê-la ou interiorizá-la. “Não podemos responder de forma imediata a um evento imediato. Há um período de incubação.”

O escritor Martin Amis volta a Auschwitz num romance que é uma espécie de comédia/sátira do Holocausto. "The Zone of Interest" é sobre o quotidiano de uma vila habitada pelos familiares dos SS onde se exterminam judeus. Que linguagem para falar do absurdo? 

Numa entrevista, em Nova York, com a jornalista do jornal Público Isabel Lucas, Martin Amis diz-nos que "O homem não pode entender o Holocausto, porque o Holocausto não é humano".
  
Para o autor, “O Holocausto enquanto tema define-nos e julga-nos. Aprendemos um pouco mais sobre nós próprios quando o tentamos explicar.”


“A vida de um escritor é metade ambição, metade ansiedade”

Tem sido apelidado de “enfant terrible” da literatura britânica e o seu bom aspeto valeu-lhe o título de “Mick Jagger da literatura”. Hoje tem 63 anos e já vai no décimo terceiro romance. O autor de “The Rachel Papers”, “Money” ou “Campos de Londres” é considerado como um dos melhores romancistas britânicos vivos.

Martin Amis diz que a vida de um escritor é “metade ambição, metade ansiedade". Tem que haver os dois. Não se escreve um bom romance quando nos sentimos bem e também não escrevemos bem quando nos sentimos miseráveis. Tem de haver um pouco dos dois. É uma mistura de ansiedade e ambição e encontramos esses sentimentos a cada romance, ainda mais quando se trata de epopeias de sofrimento humano. Sinto-o tanto como quando escrevo sobre os gulags.”
Para terminar, considera que “se há alguém que quer ser imortal, é verdade que esse alguém são os escritores. Porque de facto, apenas o tempo julga a qualidade da arte e nada mais. O resto, como as críticas, etc., é retórica.”

Luísa Torres

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