quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Um livro abre os olhos para o mundo


a ler... [A rapariga que roubava livros]


    
Brian Percival, que se notabilizou pelo seu trabalho de diretor de séries britânicas como Downton Abbey, dirigiu também o filme “A rapariga que roubava livros”, uma adaptação do romance com o mesmo nome, do escritor australiano Markus Kuzak, publicado em 2005. O livro tornou-se um bestseller, tendo já sido traduzido em mais de quarenta idiomas.
Estreado em Portugal em 2014, o filme é extraordinário. Para além de nos proporcionar mais um olhar sobre a repressão da Alemanha nazi, durante a Segunda Guerra Mundial - algo que não podemos esquecer e que não podemos permitir que as gerações vindouras esqueçam - o filme relata uma história de coragem, gratidão, amizade e de grande amor pela escrita e pelos livros.

Fig 1 - Cena do filme "A rapariga que roubava livros" de Brian Percival
Liesel é uma jovem de nove anos que vai viver com pais adotivos, Hans e Rosa, na Rua do Céu, em Munique, em vésperas da Segunda Guerra Mundial. Logo de início, surge a morte como narradora, envolvendo, de imediato, a protagonista numa auréola misteriosa e irreal, que a acompanha até ao fim do filme.
De facto, a vida de Liesel muda muito desde a sua chegada ao bairro, mas a jovem também vai ter uma influência devastadora, embora discreta, na vida de todos aqueles que com ela convivem ao longo daqueles duros anos de guerra.
Ensinada a ler, com muito amor, pelo pai adotivo, a jovem aprende a valorizar e a amar os livros, que são para ela fonte de prazer e conhecimento. Por isso, fica tão incomodada quando vê os nazis a queimá-los, não resistindo à tentação de roubar um ainda a arder, embora consciente do perigo que estava a correr.
É esta paixão pela leitura e a fé que Liesel tem no seu poder quase divino que a levam a ler incessantemente a Max, um jovem judeu, doente, escondido na sua casa, livros que roubava e depois devolvia. Ela acreditava que as palavras lidas poderiam curar o jovem agonizante e nunca desistiu.
É precisamente este jovem judeu, Max, também ele amante da literatura, que incentiva Liesel a “abrir os olhos”, isto é, a usar as suas próprias palavras para descrever o mundo, despertando nela o prazer pela escrita.
Num filme, cuja ação evoca uma época em que o ser humano foi capaz de cometer tão grandes atrocidades contra o seu semelhante, não deixa de ser curioso que a morte, enquanto narradora, saliente a excecionalidade de Liesel. Durante toda a sua vida, esta jovem fez-se rodear de recordações e memórias de todas aquelas pessoas cujas vidas se cruzaram com a dela. É uma forma de mostrar o seu carinho e gratidão pelo contributo que cada uma dessas pessoas deu para a sua vida. E Liesel teve uma vida longa, realizada e plena – talvez por ter sempre valorizado a sua relação com os outros e por ter percebido que a felicidade de cada um depende também da felicidade dos outros.
“A rapariga que roubava livros” é, pois, um filme notável, que nos transporta durante cerca de duas horas até uma época de horrores e de falta de liberdade, que todos temos obrigação moral de conhecer, julgar e impedir, por todos os meios, que se volte a repetir. Torna-se ainda cativante pela originalidade da história, centrada no poder da leitura, pelo dramatismo e realismo de algumas cenas e, sobretudo, porque sublinha o olhar inocente de uma criança perante o absurdo e a injustiça da guerra para toda a humanidade.
Maria Bita, 12.º LH1
        
       

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