sábado, 5 de março de 2016

Criar laços

... a ler


“Nazarenas e Matrioskas” é o título de um livro que reúne crónicas e pequenas histórias de Margarida Rebelo Pinto, publicadas no Jornal de Notícias.
Autora de um conjunto considerável de obras traduzidas em várias línguas, esta escritora portuguesa, cujo primeiro livro, publicado em 1998 – Sei lá! – foi um sucesso editorial, dedica-se também ao teatro e ao cinema.  
Em “Nazarenas e Matrioskas”, Margarida Rebelo Pinto apresenta-nos uma grande variedade de personagens e situações, em pequenos relatos ou reflexões. Analisa sentimentos, comportamentos, problemas reais, mas tantas vezes invisíveis. Percebemos que o mundo é um lugar tão grande e diverso, onde cabem tantas diferenças, tantas formas de viver e sentir.
As histórias contadas de forma breve, quase sempre na primeira pessoa, o que as torna mais pessoais e sentidas, e as muitas reflexões que fazem parte do livro centram-se fundamentalmente na complexidade e riqueza das relações humanas  e nas questões eternas que sempre angustiaram  o ser humano, porque o limitam: a morte e o fluir inevitável do tempo, que tudo leva.
No entanto, e apesar da diversidade de personagens em interação e de sentimentos vivenciados, é o amor, nas suas múltiplas vertentes que marca presença em grande parte das histórias contadas. Surge como abrigo, combate à solidão terrível, capaz de destruir uma existência; resiste ao tempo, dura uma vida inteira, ou, pelo contrário, pode acabar e recomeçar, ainda mais forte. A mensagem a transmitir talvez seja exatamente essa: no mundo feito de tanta diversidade, no qual vivemos, precisamos de criar afetos e laços. A amizade e o amor são condições essenciais para o nosso bem-estar. Daí certamente estas palavras, retiradas de uma das histórias: “ Um homem pode tornar-se um monstro, se não amar”.
São muitas outras as palavras que ficam connosco, depois de acabar a leitura deste livro. Algumas histórias serão um pouco enigmáticas, é certo, mas outras são de uma grande beleza e sensibilidade, não só pela verdade humana que encerram e nos faz refletir, como também pela leveza da linguagem. E é muito bom ler um livro, quando ele deixa um pouco dessa beleza dentro de nós e também quando, por algum tempo, algumas das suas palavras ecoam nos recantos da nossa memória afetiva.

Maria Bita, 12.º LH1

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