domingo, 3 de maio de 2015

Dia Internacional da Liberdade de Imprensa

A insustentável leveza dos ideais

            Desde o ano de 1993 que, a 3 de maio, é comemorado o Dia Internacional da Liberdade de Imprensa. Extremamente próximo do conceito de Liberdade de Expressão, este valor não deve ser esquecido, pois tem encerrado em si um papel preponderante na sociedade. Afinal, é pela imprensa que nos chegam informações sobre casos insólitos, que nos fazem repensar e problematizar diversas situações que merecem a nossa atenção.
            Talvez este 3 de maio seja o mais significativo das últimas décadas. Penso hipoteticamente na atenção que os mass media darão a esta data e não posso deixar de prever referências ao massacre ocorrido em Paris, na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, a 7 de janeiro deste mesmo ano. Este ataque deixou a Europa e o Mundo, simbolicamente, a erguer canetas nas mãos e a proferir solidariamente a frase ''Je suis Charlie''. Volvido mais de um mês, em Copenhaga (aparentemente uma das cidades mais seguras e felizes do mundo), um violento e semelhante acontecimento voltou a ocorrer, interrompendo um debate acerca de "Arte, blasfémia e liberdade de expressão".
            Urgem as questões: será a liberdade de imprensa um valor democraticamente garantido na nossa Europa? Terá a liberdade de imprensa limites éticos? Como proteger a imprensa nos países em conflito? Para quando uma Liberdade de Imprensa que se diga mundial?
            Se, no mundo ocidental, parecíamos ter alcançado um estádio positivo de liberdades cujos alicerces estão agora a ser postos em causa, em países de matrizes culturais bastante distintas, a liberdade de imprensa é um valor que continua a ser defendido apenas por uma elite de progressistas, um tabu na sociedade. É grave reconhecermos estes factos. Dizem alguns que tivemos a sorte de ''nascer do lado certo do mundo'', mas mesmo aqui não podemos estar seguros de que o que as últimas gerações alcançado de bom (refiro-me à Revolução de 25 de abril de 1974 que acabou, entre outras medidas tomadas, com a censura e o famoso ''lápis azul'') estará sempre garantido no futuro. Escreveu, afinal, Vasco Graça Moura que ''nas democracias, o exercício da cidadania implica a permanente contribuição de cada um na construção da liberdade, mesmo quando, aparentemente, ela não esteja em causa ou não seja dela que se trata (Moura, 2012).” Não esqueçamos que os maiores ditadores da História da Humanidade foram simples humanos que, inteligentemente cegaram as massas, garantiram o seu apoio fervoroso e preferiram o valor da segurança (em tempos de instabilidade económica e social) ao da liberdade. Não nos podemos, de facto, iludir perante a conjuntura atual; há que defender esta conquista e problematizá-la seriamente.
            Deste lado do mundo, o dia 3 de maio poderá servir quer para comemorar as liberdades alcançadas por via da democracia, quer para incentivar a reflexão sobre esta problemática a nível internacional, quer para evocar os tantos jornalistas que foram perseguidos e, em casos extremos mas não raros, mortos na vã tentativa de reportar ao exterior graves conflitos que se faziam sentir algures, como vítimas da sua própria liberdade. Noutros lugares, este será mais um dia de guerra, violência e opressão, em que, nos dicionários daqueles humanos, as palavras ''liberdade'', ''imprensa'' ou ''expressão'' não viram riscadas a azul, mas sim com manchas encarnadas de sangue ou com as lágrimas de quem não se conforma com a dura realidade. 
  

 Ana Margarida Simões, 12ºLH


Referências bibliográficas
Moura, V. G. (2012). A identidade cultural europeia. Lisboa: FFMS.

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