quinta-feira, 2 de abril de 2015

A ler... Ian McEwan



Ian McEwan. Fotografia: Annalena McAfee

Ian McEwan, nascido em Aldershot a 21 de Junho de 1948, é um escritor britânico, chamado por vezes de “Ian Macabro”, devido à natureza das suas primeiras obras. De romance a romance tem-se convertido num dos mais conhecidos da sua geração.

Passou parte da sua infância no Extremo Oriente, na Alemanha e no Norte de África, já que o seu pai era um oficial do Exército Britânico que foi colocado sucessivamente nesses locais. Estudou na Universidade de Sussex e na Universidade de East Anglia, onde teve Malcom Bradbury como professor. A primeira das suas obras publicadas foi a coleção de relatos Primeiro amor, últimos ritos (1975). Em 1998, e causando grande controvérsia, foi-lhe concedido o Prémio Man Booker pela novela Amesterdão. Em 1997 publicou O fardo do amor, considerada por muitos como uma obra-prima sobre uma pessoa que sofre da síndroma de Clèrambault (consiste na convicção delirante, por parte do paciente, de que alguém de posição social mais elevada o ama).

Em Março e Abril de 2004, uns meses depois do governo britânico o convidar para jantar com a Primeira-dama dos Estados Unidos (Laura Bush), o Departamento de Segurança Nacional deste país impediu-o de entrar por não ter no passaporte um visto apropriado para trabalhar (McEwan estava a preparar uma série de conferências remuneradas). Só vários dias depois e de se tornar público na imprensa britânica é que se lhe permitiu a entrada.

São variadíssimas as obras do autor. Na Biblioteca Escolar Clara Póvoa, da ESLdF, são várias as obas que temos ao teu dispor e cujas sinopses podes explorar abaixo.




Estranha Sedução é um livro que transporta o leitor para um estranho universo em que os pequenos acontecimentos acabam de forma inesperada.

O quotidiano de um casal em férias numa ilha é de algum modo agitado por um estranho que se introduz de modo forçado no seu ambiente familiar. A partir desse momento instala-se um mal-estar geral na vida do casal cujo percurso termina de uma forma cruel mas de algum modo já esperada.

Ian McEwean transforma assim este seu romance num caso policial. Acentuando o perfil sórdido das personagens, faz sentir um certo mal-estar ao leitor desde o início do romance como se algo nos segredasse ao ouvido que mais à frente tudo se alterará.
Com uma escrita rica em descrições e pormenores Ian McEwan convida o leitor a partilhar a intimidade deste casal. Apercebemo-nos, com eles, do perigo e ignoramos com eles os sinais desse mesmo perigo eminente.





Grã-Bretanha, 1972. Serena Frome, a bela filha de um bispo anglicano, é aliciada para os Serviços Secretos no seu ano final em Cambridge. A guerra fria cultural prossegue e o país é assolado por convulsões sociais e atos de terrorismo. Serena é então enviada numa «missão secreta» que a faz imergir no mundo literário de Tom Haley, um jovem escritor promissor.

Ela começa por gostar das suas histórias, mas rapidamente passa a gostar do próprio homem que as escreve. Conseguirá Serena manter a ficção da sua vida oculta? Para isso, ela vai ter de ignorar a primeira regra do espião: não confies em ninguém.

A mestria de Ian McEwan deslumbra-nos nesta história empolgante, soberbamente construída, sobre traição e intriga, amor e o «eu» inventado. Um autor que não cessa de surpreender pela elegância e destreza com que se movimenta em diferentes registos literários.



Inglaterra, 1962. As profundas mudanças na moral e no comportamento sexual que abalariam o mundo ao longo daquela década ainda estão em estado de gestação. Edward Mayhew e Florence Ponting, ambos virgens, instalam-se num hotel na praia de Chesil, perto do canal da Mancha, para celebrar sua noite de núpcias. Ele é um rapaz recém-formado em história, de origem provinciana, cuja mãe é deficiente mental, e o pai é professor secundário. Ela é uma violinista promissora, líder do seu próprio quarteto de cordas, filha de um industrial e de uma professora universitária de Oxford. O desajeitado encontro íntimo desses dois jovens ainda marcados pelos resquícios da repressiva moral vitoriana é repleto de lances cómicos e comoventes, configurando uma autêntica tragicomédia de erros. Na praia, entretanto, vai além disso. Por conta da refinada arte narrativa de Ian McEwan, o drama dos recém-casados transcende o registo particular e o retrato de época para alcançar a dimensão de uma obra universal sobre o momento da perda da inocência, essa expulsão do paraíso que é um ponto de inflexão na vida de todo indivíduo. Com sua prosa precisa, tão sutil quanto implacável, McEwan alterna os pontos de vista de Edward e Florence, radiografando os seus pensamentos e motivações mais secretos. O sentimento trágico que fica no leitor vem da perceção dos estragos profundos e duradouros que um pequeno gesto, um único mal-entendido, uma palavra infeliz podem causar na vida dos personagens. Com esse romance compacto, intenso, inteiriço como um poema ou uma peça musical, o autor confirma o seu notável talento para captar e expressar os descaminhos da vida interior.




Num ventoso dia de Primavera, um balão de ar quente é arrastado pelo vento com um rapaz no interior do cesto. Na tentativa de salvar a criança, várias pessoas se aproximam. Jed Parry é um dos estranhos que se junta a Joe Rose para tentar ajudar o rapaz. Sem Joe se aperceber, algo de estranho se passa entre ambos nesse dia - algo que gera uma tal obsessão em Jed, que porá à prova o racionalismo científico de Joe, ameaçará o amor da sua mulher Clarissa, e o obrigará a tomar medidas desesperadas para proteger a própria vida.

Ian McEwan escreve magistralmente sobre o perigo e a vulnerabilidade humana - mas nunca o tinha feito de uma forma tão acutilante e absorvente como nesta obra. Terrivelmente verosímil e de leitura compulsiva, este é um romance de amor, fé e suspense, que mostra como a vida de um homem comum se pode transformar radicalmente de um dia para o outro, conduzindo-o ao limiar do crime e da loucura.




Como seria estar dentro do corpo de um gato, apanhar um ladrão em flagrante, desmascarar o rufião da escola ou tornar a família invisível? Peter Fortune é um rapaz de dez anos que pensa nestas coisas e vive algures entre a fantasia e a realidade. Mas os adultos não o compreendem nem imaginam as coisas fantásticas que lhe passam pela cabeça e, por isso, os seus sonhos só lhe trazem problemas. Contando estas histórias admiráveis, Peter abre finalmente as portas do seu mundo secreto e fascinante. E convida-nos a entrar nele…

O Sonhador é a primeira obra de Ian McEwan no domínio da literatura juvenil, mas agradará igualmente a jovens e adultos. As histórias extraordinárias que compõem o livro celebram a imaginação humana, e as ilustrações de Anthony Browne, artista várias vezes premiado, permanecerão também na memória dos leitores muito depois de terminada a leitura.




Em Sábado, o seu romance mais recente, Ian McEwan conta todas as horas de um dia na vida de Henry Perowne, um neurocirurgião londrino altamente conceituado. A data é 15 de fevereiro de 2003. O dia de folga do médico será abalado por dois acontecimentos paralelos, um público e outro privado: no centro de Londres prepara-se a maior manifestação popular já vista na cidade, com 1 milhão de pessoas nas ruas para contestar a invasão iminente do Iraque; ao mesmo tempo, um banal acidente de trânsito envolvendo o carro de Perowne e o de um homem com graves problemas neurológicos - problemas que Perowne conhece como poucos - trará consequências graves para o médico e para a sua família. Embora Perowne tente ver o mundo pela lente da razão e da lógica científica, o incidente fará explodir forças brutais que desafiarão as suas certezas e todo o seu modo de vida.

Para saberes mais sobre este autos, podes consultar a sua página oficial ou o seu mural do Facebook. Para saberes mais sobre a sua obra, podes ainda ler uma síntese da sua biografia na página do British Council e ver a lista das suas obras na Goodreads. No The Guardian encontras várias entrevistas em vídeo com o autor. No IMDB podes analisar os diferentes aspetos dos filmes que resultaram na adaptação ao cinema de quatro das obras deste autor. 
Boas leituras!
Adélia Maranhão

Lista de referências bibliográficas:



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