terça-feira, 14 de abril de 2015

O universo literário de Pablo Neruda


…a ler

O poeta não é um «pequeno deus». Não, não é
  um «pequeno deus». Não está marcado por um
 destino cabalístico superior ao de quem exerce
outros misteres e ofícios. Exprimi amiúde que  
melhor poeta é o homem que nos entrega      
 o  pão de cada dia: o padeiro mais próximo, que
 não se julga deus. (ver mais aqui)                                   

Os autores norte-americanos estão na moda; os europeus também têm lugar de destaque e, num ou noutro local, encontramos ainda nomes de chineses e japoneses que se afirmam agora no panorama literário contemporâneo. Aos autores latino-americanos não cabem esses lugares de primeira linha, e nomes como Gabriel García Márquez, Octavio Paz, Mário Vargas Llosa, Gabriela Mistral, Miguel Ánger Asturias, Pablo Neruda, Isabel Allende, Jorge Luís Borges, Laura Esquivel e Julio Cortázar são muitas vezes quase ignorados (sendo que os seis primeiros desta lista foram já agraciados com o Prémio Nobel da Literatura).
É rica a literatura das Américas hispanohablantes, mas tenho de destacar o magistral uso da palavra por Neftalí Basoalto, ou melhor, Pablo Neruda (afinal, foi este o pseudónimo escolhido pelo artista, numa homenagem ao poeta checo Jan Neruda). Nascido no Chile em 1904, o autor começou a escrever poesia desde tenra idade, contando-nos a sua primeira aventura poética num belo texto[1]. Contudo, foi em 1934 que Neruda conheceu fama internacional, com o livro ''Veinte poemas de amor y una canción desesperada'', cuja requisição é possível na BECP. Apesar do reconhecimento merecido, o autor confronta-se com alguns problemas económicos que o levam a residir em várias cidades do mundo, regressando à sua terra natal apenas em 1939. O Nobel da Literatura ser-lhe-ia atribuído em 1971, e dois anos mais tarde viria a falecer, na capital chilena, deixando uma obra de caráter autobiográfico, publicada postumamente - ''Confieso que he vivido''.


Fig. 1 - Fotografia do poeta Pablo Neruda



De entre as inúmeras odes que Neruda nos deixou, sugiro a leitura da Oda al hombre sencillo (a cuja tradução podem aceder aqui), portadora de uma mensagem e significado com um brilho especial. Mas também o famoso poema Muere lentamente possui a capacidade de emocionar o leitor.
Neruda ''disse-nos'' várias coisas sobre o estatuto dos que ganhavam a vida como ele. Afirmava que os poetas odeiam o ódio e fazem guerra à guerra e que a poesia é um ato de paz. Sobre a comovedora arte poética, escreveu também: Sobre a terra, antes da escrita e da imprensa, existiu a poesia.





Fig. 2 - Transfiguração do poema ''Muere Lentamente'



Como curiosidade, é de referir o filme ''Il postino'' (em português, ''O carteiro de Pablo Neruda''; obra disponível na BECP), adaptação do livro homónimo de Antonio Skármeta, que fantasia uma intensa amizade entre o poeta chileno e um humilde carteiro que conhece numa ilha italiana.
 Há, de facto, muito a descobrir sobre os génios artísticos que marcaram a nossa História! Felizmente, o século XXI permite-nos aceder a conteúdos informativos vastos e diversificados. Que a nossa viagem pela obra de Neruda (o chileno), não se fique por aqui… Boas leituras!
                                                                                 


Ana Margarida Simões, 12ºLH

[1]  Texto inserido na obra ''Confieso que he vivido'' e disponível em  http://www.citador.pt/textos/o-meu-primeiro-poema-pablo-neruda 

Referências bibliográficas
Biografías y vidas. (s/d). Pablo Neruda. Disponível em http://www.biografiasyvidas.com/biografia/n/neruda.htm
Wikipedia. (2015, março 7). Il Postino. Disponível em http://pt.wikipedia.org/wiki/Il_postino

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