domingo, 24 de abril de 2016

Canções no vento que passa



Há sempre alguém que semeia

Canções no vento que passa

Manuel Alegre

Nada somos senão vento. Com mais forma, traços definidos e cores, mas tão inconstantes e passageiros quanto o vento.

Mudamos de rumo, ficamos mais fortes, enfraquecemos, mudamos de direção. Somos ruidosos e espalhamos tudo à nossa volta. Passamos em silêncio e somos quase impercetíveis. Somos tão inconstantes quanto o vento, mas, principalmente, somos tão indefinidos quanto o vento.

Talvez a característica mais interessante de observar seja a forma como o vento reage aos obstáculos que encontra no seu percurso, a forma como se molda e como adapta a sua passagem a cada objeto, seja uma parede, uma árvore ou um tapa-vento estrategicamente colocado no areal.

Nós não somos diferentes, apenas reagimos, não a objetos mas a pessoas; e, no meio de tantos encontros, esbarramos com algumas que nos fazem dançar ao som de uma música diferente, pessoas que nos apresentam novos ritmos, que nos fazem mudar a letra da canção, que nos levam a passar de grave a agudo, a deixar de soprar ao som do jazz para o substituir pelo rock, passando pelo rap e pelo hip hop. É esse o motivo das nossas mudanças de direção e de intensidade: a mudança da música que ditava o ritmo até àquele momento, até irmos ao/ de encontro a alguém com capacidade para reescrever a pauta.

E até mesmo quando estamos em perfeita sintonia e a orquestra parece estar perfeitamente afinada, aparece sempre alguém que semeia novas canções no vento que passa.

Catarina Neves,  12.º CT3

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